The Dream Traveller: A Porta para Phantomile
11 Vision 10: Between Light and Darkness

A localização do Reino do Sol era um mistério pois sempre estavam acima das nuvens e por estar em constante movimento, mas até que não levou muito tempo até ver o grande templo. Até porque era enorme, feito de ferro fundido e metais raros, tinha canos e engrenagens por todos os lados, sempre dividia opiniões referente ao motivo de como eles conseguiram colocar ele no ar, uns diziam que era a magia divina do Reino da Lua, outros diziam que eram uma ciência vinda do futuro. Mas ninguém contestava o quão era magnifica e onipotente era. Pamela se aproximou rapidamente voado em volta até achar um lugar perfeito para que pudéssemos pousar.
— Obrigado, Pamela! — Eu e Huepow gritamos em coro. Assistimos ela se afastando.
Olhei para a entrada do Templo. Naquele momento não estava triste, o que eu sentia era pura raiva e de uma coisa eu tinha certeza. Ghadius e Joka iriam pagar pelo o que fizeram.
Eu só percebi o calor que estava fazendo quando adentrei ao templo. Por dentro parecia uma fornalha enorme, havia sons de forja vindo de todas as direções. Os canos e engrenagens também eram bem presentes do lado de dentro. Eu estava de frente para uma espécie de altar com quatro perolas coloridas, uma vermelha, uma azul, uma verde e a última amarela.
— Klonoa e Huepow, certo? — Uma voz misteriosa nos pegou de surpresa.
Ficamos em estado de alerta e preparados pra batalha.
— Nós estávamos esperando por vocês. — Uma outra voz, só que um pouco mais aguda.
Quando percebi que vinha logo acima notei que eram as duas pessoas mais estranhas que já vi na vida. Eles se aproximaram pousando ao nosso lado, eram baixinho e pareciam meio mecânicos e meio orgânicos e tinha umas aves robôs na cabeça.
— Quem são vocês? — Perguntei.
— Eu sou o Padre Solare de Coronia, aqui no Templo do Reino do Sol.
— E eu sou o Padre Soleil de Coronia, aqui no Templo do Reino do Sol.
— Como vocês sabiam que estávamos chegando? — Huepow disse como se tirasse a pergunta da minha mente.
— Como servos do Reino do Sol, temos como função observar o que acontece em Phantomile...
— Seus feitos, Klonoa e Huepow, não passaram despercebidos. — Soleil completou a frase.
— Por favor, nos sigam. — Os dois fizeram um gesto para acompanha-lo.
Seguimos os dois padres pelos corredores sinuosos que mais pareciam parte do encanamento. O cheiro de óleo queimado e diesel ficava cada vez mais forte. Andamos até chegar numa grande sala circular com uma plataforma na extremidade oposta, os dois voaram até um grande teclado e começaram a digitar. Em seguida a plataforma respondeu com luzes.
— Aproxime-se, pequeno. — Solare apontou para a plataforma.
— O caminho para o altar está aberto. — Soleil completou.
— O Papa está aguardando no próximo nível.
Hesitante fui até a plataforma que subiu lentamente com alguns comandos dos padres mecânicos.
Quando cheguei no andar superior, notei a forma de outro padre, mas esse era bem maior em comparação aos outros, a sua ave robô sobrevoava a sua cabeça em círculos. Ele se virou quando percebeu minha presença, seu rosto apresentava uma expressão preocupada.
— Finalmente, você chegou. — Ele disse se aproximando graciosamente.
— Você deve ser o Papa.
— Exato. Sou o Santo Padre e Guardião do Templo, Papa Moire. — Ele fez um gesto de cumprimento e eu achei por melhor fazer o mesmo. — Klonoa, o eclipse se aproxima. Ghadius tem em mãos o Pingente da Lua e pretende quebrar o selo que mantém o Reino da Lua na Dimensão Fantasma, precisamos que você o detenha. Se o Reino da Lua for liberado por circunstancias maléficas, a mesma magia que deu forma e vida para Phantomile, irá corrompe-la e inunda-la com pesadelos.
— Então me mostre o caminho. — Cerrei os punhos, sentia a raiva continuar crescendo. — Eu irei detê-lo com as minhas próprias mãos.
O Papa fez um gesto e o pássaro robô veio até nós.
— Esse é o Gabriel. Ele vai leva-los até o Altar do Selo.
A ave se aproximou e me agarrou pela barra da calça. No começo não me senti muito confortável. Mas parecia não ter outro jeito. Levantamos voo e seguimos pelas tubulações, alguns metros depois consegui ouvir uma voz, a mesma voz que ouvira quando a Colina do Sino foi atacada.
— GHADIUS! — Gritei.
Finalmente pude vê-lo. Ghadius era enorme e esguio, uma forma negra e obscura como uma noite sem estrelas, não tinha como saber se aquele era o seu corpo ou uma capa, possuía uma máscara dourada que havia algumas fissuras e arranhões e uma coroa verde fantasmagórico, a mesma coroa que prendia Seadoph naquele feitiço.
— Ah, é você. O Pequeno Rato. — Seus olhos brilharam como fogo verde. Sua voz era estrondosa e parecia ecoar da minha cabeça. — O que mais impressiona é ainda estarem vivos. Joka? Tem algo a me dizer?
Joka surgiu de algum lugar. Pela primeira vez vi o seu rosto se contorcer em dor.
— Vossa Magnificência. Esses dois vermes são mais resistentes do que eu poderia imaginar... e-eu... sinto muito.
— Nada justifica a sua incompetência!
— Não importa o que você faça. Vamos deter você!
— Me. Deter? — Eu achava a risada do Joka sinistra, até ouvir a dele. Sutil, mas a ameaça escondida era quase palpável. — Isso que estou fazendo é muito maior do que eu e você, Rato. Eu tenho o Pingente da Lua e a Sacerdotisa Lephise em mãos. Logo irei libertar o Reino da Lua e soltar o Cluster e seu pesadelo sobre este mundo... A hora se aproxima. — E com um gesto, ele começa a esmaecer até sumir por completo.
— Precisamos segui-lo! — Huepow disse alarmado.
— Não tão rápido. — A voz do Joka me fez parar aonde estava. Sua voz está diferente, mas o sorriso... o sorriso crescia de maneira impossível. — Eu vou pôr um fim nisso de uma vez por todas. Eu não vou viver com essa vergonha!
O palhaço começou a entoar palavras que eu não entendia, com certeza era algum tipo de magia profana. O chão começou a tremer e quando me dei conta estávamos bem acima do templo, o ar começou a ficar rarefeito. Joka conseguiu erguer três plataformas anelares que pendiam a sua volta, como um anfiteatro.
— Você verá, seu rato imundo. Testemunhe o meu poder das trevas!
E ele começou a inflar até triplicar de tamanho. Agora ele era uma forma enorme que flutuava no meio da arena.
— Você está certo em um ponto, Joka. — Disse para o palhaço. — Você não vai viver mesmo.
Respondendo a provocação ele desferiu o primeiro ataque lançando uma de suas mãos como um projetil na minha direção. Eu desviei, já percebendo a abertura daquele ataque. Usei o poder do anel para me agarrar a grande mão e quando ela retornou, peguei um impulso para me jogar em direção ao rosto dele. Troquei para a lâmina e desferi um golpe direto, Joka chiou e conseguiu acertar com a palma da outra mão, me jogando em uma das plataformas, com certeza iria sentir aquele dano mais tarde. Mas ignorando arrumei a postura e comecei a correr para evitar os ataques que vinham incessantemente.
— Klonoa, ele está liberando Moos! — Huepow avisou.
Olhei em volta e vi que alguns portais estavam em lugares aleatórios. Fui em direção ao mais próximo, usei o anel para agarrar um dos Moos que caiam e com um pouco de força jogar contra o palhaço. Continuei nessa estratégia até que o Joka soltou um urro grutal.
— JÁ CHEGA! SEUS ATAQUES SÃO ENFADONHOS!
Ele estendeu as duas mãos para o céu.
— Expansão Infernal: MONSTRUM DIMITTERE!
A cada palavra que o Joka proferia fazia trovões rugir. O céu parecia responder pois aos poucos tomavam uma cor mais escura até se tornar num completo breu, até os Moos pareciam surgir de formas mais corrompidas. Tudo a minha volta havia se tornado mais escuro e sem vida.
— Huepow, o que está acontecendo? — Perguntei enquanto me mantinha em movimento.
— O Joka está usando magia infernal, esse poder consegue corromper tudo ao seu redor. Precisamos arrumar alguma forma de quebrar o ritual ou estamos ferrados.
— Estou aberto a ideias!
— O único jeito que eu conheço é matando o invocador.
Nem sequer tive tempo de digerir a informação e o monstro usou suas garras em formas de longas foices para tentar me cortar ao meio, por pouco ele conseguiria. As plataformas ficaram instáveis dentro da magia, o que tornavam as coisas um pouco mais difíceis.
Corri até o Moo mais próximo para tentar usá-lo como projetil, mas essa versão dele pareciam usar algum tipo de armadura imune a magia do anel. Aquilo só serviu para irritar a pequena criatura que se atirou como uma bala de canhão me acertando bem no estômago, Joka aproveitando a abertura me acertou com a cauda pelas costas, o golpe me arremessou contra a parede. Senti todo o meu corpo gritando num dor lancinante.
Joka soltou um grunhido, uma risada talvez? Não dava para distinguir.
— Você é patético, Praga! Vou fazer cinzas de você igual fiz com o seu avô!
Naquele momento senti meu todo os meus pelos se eriçarem. Meus ouvidos chiaram. Lagrimas embaçavam a minha visão e queimavam os meus olhos.
COMO ELE OUSA?!? ERA O MEU AVÔ! MINHA ÚNICA FAMÍLIA!!!
— Klonoa, você precisa se acalmar! — A voz do Huepow parecia distante por algum motivo. — Tem algo de errado…
— Estou perdendo…. Klonoa… Po… não… Con…….
— JOKA! — Gritei para chamar a sua atenção enquanto me erguia. — Isso acaba agora.
Não precisaria do Huepow mesmo, a lâmina se formou respondendo a minha vontade. Minha sede de vingança era a única magia que precisava.
Peguei impulso para me lançar contra o monstro a minha frente. O palhaço monstro ergueu suas garras e desferiu um golpe cortando de cima para baixo, parei o golpe com a minha lâmina, eu não seria parado por algo tão patético.
Continuei a forçar a lâmina e o que era um golpe agora era uma tentativa de parar a minha investida.
Senti a minha fúria emanando cada vez mais, o anel respondia a esse sentimento.
— Mas como?!?! — Joka grunhiu surpreso. Sentia que ele estava se esforçando para parar o ataque, mas suas garras começaram a ceder. — Isso é impossível!
— Impossível? Você tirou tudo o que eu tinha! — O meu poder crescia cada vez mais, já nem conseguia distinguir o que via na minha frente.
Finalmente as garras cederam se estilhaçando como vidro.
— AGORA MORRA, SEU INSETO!!! — Gritei com toda as minhas forças, todo o meu fôlego, toda a minha alma.
Um clarão rompeu todo o meu campo de visão.
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