— Só consigo vir até aqui. — Karal informou parando na beira do rio.

— Tudo bem, amigo. — Saltamos para terra firme. — Muito obrigado pela carona!

— Imagina. Quando der voltem para Jugpot para nos visitar!

E assim o peixe nadou de volta para o Reino da Água.

Huepow surgiu e assim andamos para a entrada para a aldeia Forlock. E quando vi o portão da aldeia estava aberta fiquei desconfiado, entrei correndo e quando vi o Guardião amarrado numa guarita, não pensei duas vezes em correr para ajudá-lo.

— Guardião, o que aconteceu?

— Klonoa, precisamos de ajuda! O capanga de Ghadius invadiu Forlock.

Ele agarrou o meu braço e fui puxado pela aldeia. Conhecendo Forlock sabia que algo realmente estava muito errado já que não via ninguém, como se todas as pessoas foram abduzidas.

— Cadê as pessoas?

— Elas estão presas dentro das casas. Um palhaço trouxe umas criaturas e conseguiu sobrepor nossas tropas. Eles invadiram o castelo e estão com a Anciã.

— Qual é o plano? — Paramos em frente a um riacho que cortava a fila. O castelo parecia uma noz gigante que cortava uma árvore no meio.

Guardião não respondeu, ele fechou os olhos e começou a entoar algo em uma língua que eu não conhecia. Algo dentro do riacho começou a responder e soltar várias bolhas, em seguida uma estrutura de madeira emergiu presos em vinhas.

— Klonoa, preciso que vá até o castelo e ajudar Anciã. Eu vou ajudar os aldeões que estão presos. — Ele fez um gesto para que eu subisse em cima da plataforma.

Vou ser bem sincero, ainda não me sentia pronto pra qualquer luta que possa parecer acho que pelo fato de ter passado sete dias fora do ar não ajudasse muito. Só que vi o medo e o desespero nos olhos do Guardião, sabia que era tão urgente quanto o que acontecera em Jugpot. Respirei fundo e subi.

E com um gesto do soldado a plataforma se moveu em direção ao castelo.

— Tem certeza que é uma boa ideia? — Huepow me perguntou. — Você acabou de se recuperar de uma luta.

— Bom, se é uma boa ideia eu não sei, mas que opções eu tenho? Já estamos aqui e se quisermos entender o que está acontecendo temos que seguir em frente... acho que é os heróis fazem.

Huepow ficou em silêncio.

A plataforma entrou por uma entrada na parte inferior do castelo. A construção era bem diferente da de Jugpot, apesar de mais humilde parecia muito mais complexo, como se fosse um ser vivo. Havia corredores que subiam e desciam de forma irregular, vinhas e redes cobrindo alguns lugares.

Bom como não havia ninguém para me guiar, fui em frente seguindo minha intuição de que estaria no caminho certo. Alguns cômodos e longos corredores depois comecei a ouvir uma voz. Joka! Reconhecia aquela risada estridente e sádica de longe. Acelerei o passo e fui nas direções que conseguia ouvir o som.

Logo me dei com um grande salão escuro com alguns galhos gigantes que se ramificavam por todos os lados. Joka percebeu a minha presença quando me aproximei.

— Ah não. Você de novo?!?! Aquele verme aquático do Seadoph é patético mesmo. — Ele fez um gesto de escarnio. — Bom, se você veio aqui para “ajudar” aquela múmia velha, saiba que é tarde demais.

— Quero que a liberte agora, seu palhaço idiota!

E mais uma vez ele se fingiu de ofendido.

— Nossa, até me borrei toda nas calças. Bom dessa vez vou pegar mais pesado com você.

E com um estalar de dedos, portais se abriram e inúmeros Moos emergiram já atacando. Esquivei de algumas investidas e consegui contra-atacar com a lâmina de vento, não havia tempo de planejar e atacar. Os Moos não seguiam uma ordem, tinham os Símios, os Voadores, alguns que tinham até mola no lugar dos pés para saltar, fui cortando e afastando o máximo que dava.

Klonoa, tem Moos Explosivos aqui! Você pode usa-los para abrir uma abertura.

Mesmo não podendo apontar, eu entendi quais eram que o Huepow mencionara. Só um pouco de concentração e consegui usar o poder do anel para puxalos e em arremessa-los na parede em que o Joka misteriosamente desaparecera.

O monstro explodiu como esperado revelando uma passagem pelo lado de fora, abri caminho até lá e me joguei na fissura aberta na parede. Me segurei na primeira corda que vi, havia percebido que haviam muitos mecanismos orgânicos no castelo que usavam essas cordas. Logo subimos em direção ao topo do castelo.

— Vamos, vamos. Me conte logo, sua velha bruaca! — A voz de Joka novamente. — Ou eu juro que abro um sorriso nesse rosto murcho.

— Eu não direi nada. — Essa talvez devesse ser a Granny.

— Então vai ser assim, né?

— JOKA!

Serviu para chamar a atenção do palhaço. Granny estava amarrada num grande totem e já parecia ferida o suficiente.

— O que eu tenho que fazer pra matar vocês?!? Já estou farto disso!

Ele retirou outra pedra do bolso, mas essa era diferente da outra vez. Essa brilhava uma luz verde.

— Invocação Infernal: Gelg Bolm!

E a pedra respondeu o seu chamado liberando uma criatura que parecia uma casca de ovo coberto por vinhas que cresceu numa velocidade impressionante. Era bem maior que o primeiro monstro que enfrentei.

— Gelg Bolm, estou contando com você! — Joka gritou antes de desaparecer nas copas das árvores.

O monstro rugiu e começou a avançar ferozmente. O fato de não ter olhos era vantajoso pois conseguia me desviar facilmente, mas compensava em defesa. Nem os projeteis, nem a lâmina de vento parecia surtir efeito, meus ataques só serviam para deixa-lo mais irritado. Quando eu já estava perto do meu limite, o monstro recuou e começou a fazer uns sons estranhos e liberar o que parecia ser pólen. Eu fiquei intrigado com o comportamento dele.

Klonoa, seu ombro!

O aviso do Huepow me tirou do devaneio. Olhei para o meu ombro e vi três cogumelos crescendo, logo os arranquei na base do tapa. Mas quanto mais arrancava mais brotava numa velocidade que não conseguia acompanhar.

— Isso não é pólen! É fungos!

E agora o monstro tinha mais vantagem, em questão de minutos estava coberto pelos mais diversos tipos de cogumelos, mais do que eu conhecia. Nem sequer conseguia respirar direito. E sem poder mover um musculo só pude assistir quando as vinhas do Gelg se aproximavam para me comprimir e arrastar para a sua boca.

Os fungos foram se soltando aos poucos, mas quando recobrei os sentidos já estava envolto em um denso breu e os meus pés estavam estranhamente molhados. Com certeza aquilo não era um bom sinal, se Gelg Bolm é alguma espécie de planta carnívora, já podia esperar o que viria em seguida.

Foi aí que me dei conta que não estava com o anel do Huepow em mãos, o que só serviu para me deixar em desespero. Comecei a correr para qualquer direção que desse e quando sentia a parede ia para o lado oposto. Gritava chamando o espirito, mas não tinha resposta. O liquido subia rápido. Não demorou muito para senti-lo nos meus ombros, foi quando senti que pisei em algo e tinha certeza de que era o Huepow.

A esmeralda brilhou respondendo ao meu toque.

— Klonoa! Ah, graças aos deuses!

— Huepow, estamos presos dentro daquele monstro. — Os meus pés já não tocavam o chão. — E acredito que não temos muito tempo...

Tá bom. Eu tenho plano... Vamos ter que usar uma magia muito poderosa, você vai ter que ser forte agora.

— Tá bom, rápido! — A minha cabeça bateu no limite do espaço e o oxigênio já estava no limite. A minha visão começou a embaçar.

Algo aconteceu naquele momento, eu não sei explicar muito bem, mas era como se eu e o Huepow dividisse o mesmo corpo e isso era bem estranho.

NÓS INVOCAMOS O FEITIÇO PROIBIDO NESTE MOMENTO,

PODER PARA DEVASTAR TUDO COM O SOPRO DE UM VENTO.

VENTOS DA MUDANÇA,

RESPONDAM AO MEU CHAMADO

OBLITERE ATÉ O CANTO MAIS PROFUNDO!

Nossas vozes soavam em uníssono, mas havia algo de diferente dessa vez, algo mais poderoso, fora do meu conhecimento e capacidade de compreensão.

X-TORNADOOOO!!!!

E por alguns segundo o interior do monstro foi preenchido de luz, mesmo submerso em gosma de monstro pude ver que estávamos mirando no bulbo da planta, a magia se canalizou na esmeralda e se expandiu cortando e explodindo tudo que encontrava pela frente. Gelg Bolm explodiu num feixe de luz cegante me arremessando longe, levou alguns minutos até eu recobrar os sentidos.

— Huepow, conseguimos! — Gritei assim que me levantei e corri em direção a Granny.

Mas o espirito não respondeu. A esmeralda do anel estava apagada como se tivesse perdido forças.

— Calma, criança. — A voz da Granny me chamou atenção. — Eu sei o que vocês fizeram. E o que eu posso dizer é que seu amigo precisa de um tempo.

Me apressei para soltar ela, o que levou um tempo já que não podia usar os meus poderes.

— Você está bem, Granny?

Quando ela se aprumou, abriu um sorriso cansado.

— Já estive pior, minha criança. Acredito que você seja o neto do Velho Kazeno. — Acenei positivamente. — Posso ver a semelhança no brilho dos seus olhos, vocês são muito parecidos quando jovens.

— Você conhece o meu avô?

— Ah sim. Eu e o seu avô já fomos jovens e inconsequentes. Sempre sedentos por aventuras e exploração..., mas acredito que não é sobre o passado que veio falar comigo.

— Verdade. O vovô me mandou aqui para falar sobre um pingente da lua e sobre a Lephise.

A expressão da Granny pareceu preocupada.

— Não precisa dizer mais nada... Um Pingente da Lua, a Sacerdotisa Lephise e

um Viajante dos Sonhos. Tudo isso faz parte de uma profecia.

— Profecia? E Viajante dos Sonhos? O que isso significa?

— Minha criança escute com atenção. O Pingente da Lua é uma chave para entrar no Reino da Lua, mas é preciso um poder imenso para realizar tal ato. Somente no Reino do Sol detém a capacidade para realizar o ritual, se Ghadius mantém a Lephise em seus domínios fica nítido as suas intenções. Aonde está Pingente agora?

— Está com o Vovô. Ele achou mais seguro mantê-lo com ele.

— Não subestime as forças do mal. Ghadius e sua horda não vão descansar e nem medir esforças para conseguir o que quer. Você deve proteger o pingente a todo custo.

Antes que pudesse responder uma risada estridente ecoou por todos os lados.

— Ora, ora, ora. Quem diria. — A sombra da Granny começou a borbulhar como piche e dela emergiu um ser que logo se revelou.

— Joka!

— Surpreso em me ver? — Ele riu em escarnio. — Acho que você anda vendo dobrado, Rato. E devo agradecer pela informação, achei uma conversa esclarecedora. — Não ache que vai sair impune dessa.

— Oh? Mas eu já saí, meu anjo. E eu adoraria ficar e travar uma batalha digna de cantigas épicas... — Ele estalou os dedos e um Moo com hélices surgiu para carregá-lo. — Mas tenho que fazer uma visita ao vovozinho! Adios!

E assim saiu voando.

— Vovô está em perigo! — Senti novamente um desespero subindo pelo meu peito.

— Vá, criança! Use os túneis das Ruínas do Vento é um atalho para Breezegale, mas cuidado pois é um caminho perigoso. Eu vou leva-lo até a entrada.

Com um gesto um pedaço da plataforma se soltou e me levou em direção que a Granny apontava. Assim tive alguns segundos pra respirar, sentia um peso no peito algo que parecia escurecer o meu campo de visão. Huepow ainda estava silencioso e o anel também não dava sinal de vida.

Notas finais
E aí, gostaram? Não esqueça de deixar a sua opinião que é muito importante! Se quiser conhecer mais do universo literário da JC Alves, convido a ler também minha mais recente obra original, vou deixar aqui todos os links necessários para essa jornada tão importante ^^ Onde Nós Vamos - https://www.spiritfanfiction.com/historia/onde-nos-vamos-23027459 Link para a página oficial - https://www.facebook.com/gaming/jcalves.oficial E uma playlist bem vegana para curtir durante a leitura - https://open.spotify.com/playlist/4NHnkZTvzeFSpBjf2dvkgu?si=d45b42e284d644c4 Beijos de luz e até a próxima!