Após mais alguns dias de viagem já podíamos ver o Reino da Floresta. O vovô já me trouxera uma vez quando era mais novo e com certeza não estava do mesmo jeito que eu me lembrava, o reino era verdejante e vivo, com árvores que cobria todo o céu e tão altas quanto. Mas o que eu via era um pântano sem vida, até um cheiro pútrido preenchia o ar.

Segui para a entrada de Forlock. O silêncio era tão denso quanto a atmosfera, sentia os meus pelos eriçarem a cada passo que adentrava mais e mais na floresta e os meus medos se confirmaram quando avistei um bando de Moos logo a frente, esses eram diferentes, tinham uma pelagem branca e se balançavam nas árvores como macacos.

— Socorro! Alguém me ajuda! — Uma voz veio do meio das criaturas.

Era um homenzinho com roupas de soldado. Ele estava sendo atacado pelos Moos que sobrevoavam sua cabeça e jogavam pedras. Vendo aquilo não pensei duas vezes em agir.

— Disparar!

Gritei e o anel respondeu soltando os projeteis de vento, alguns consegui afugentar batendo com ele cabeça dos monstros. Logo sumiram de vista usando a copa das árvores, o que me fez pensar sobre a adaptação, como se vivessem ali desde sempre.

Huepow surgiu e foi até o pequeno soldado enquanto eu garantia que estávamos seguros.

— Moço, está tudo bem. Eles já foram.

O rapaz levantou a cabeça ajustando o chapéu.

— Ai, graças aos deuses! Pensei que seria o jantar dessas criaturas medonhas.

— E o que faz aqui? É perigoso andar desarmado. — Perguntei me aproximando para ver melhor essa pessoa.

— Eu sou o Soldado Fontaine, do Reino de Jugpot. — Ele fez uma continência. — Estou aqui a serviço do Rei. Procuro a quem chamam de Granny, mas acabei me perdendo nessa floresta escura e sombria.

— Que coincidência! Nós também, mas não na parte de se perder, viemos aqui para falar com a Granny e... Ah! E antes que eu me esqueça, eu sou o Klonoa e esse é o meu amigo, Huepow, somos de Breezegale.

— É um prazer, Klonoa e Huepow.

— Por que não vem com a gente? Podemos te levar até Forlock, realmente a floresta anda meio diferente desde a última vez que vim aqui.

E assim Fontaine se juntou a nós. Não estávamos tão longe da entrada, mas era incrível que o soldado não tivesse visto a grande muralha da madeira que protegia a aldeia.

— ALTO! PARADOS AÍ!!! — Uma voz gritou assim que nos aproximamos do portão da aldeia.

— De novo não. — Huepow reclamou baixinho.

Só que não foi um barbudo pedreiro. O dono da voz era um guerreiro de Forlock.

— Quem são vocês?

— Somos Klonoa, Huepow e Fontaine. Viemos aqui falar com a Granny.

O nativo semicerrou os olhos, estava mais que claro que não confiavam em nós. Ele nem sequer abaixou o forcado.

— Temo que não seja possível, a Granny está indisponível no momento.

— Como assim, indisponível? — Fontaine já tomou a frente. O segurei para evitar ser empalado pelo guerreiro.

— Não deveria ficar surpreso, já que é graças ao seu rei que cortou a água que alimenta o nosso rio.

Olhamos para o pequeno soldado. Seu rosto tomou uma coloração vermelha viva.

— Não foi ele! — Fontaine parecia receoso. — Tem algo de errado com o nosso rei e por isso vim aqui para falar com a Granny.

— Sendo verdade ou não. O nosso castelo está inacessível, usamos o Rio Amazonas para poder nos locomover até lá, sem água é impossível chegar no castelo.

— E se formos até o seu rei. Talvez eu possa ajudar. — Me virei para Fontaine, estava sentindo que se ninguém tomasse uma atitude ficaríamos ali para sempre. Aquele guardião de Forlock parecia indisposto a querer ajudar.

Fontaine fez uma expressão de surpresa.

— Olha, Klonoa... eu sei que você é gente boa... mas talvez seja algo muito perigoso para um jovem como você.

— Pode confiar em nós, Fontaine. — Huepow interviu na conversa. — Não há nada complicado demais que não dê para ser resolvido.

O soldado ponderou por alguns minutos e com certeza hesitava quando finalmente deu o braço a torcer.

— Tá bom, mas vou ter que levar vocês. Jugpot não está... digamos, acessível também no momento.

Ele fez um gesto para que o seguíssemos. Demos alguns passos em volta de

Forlock até vemos um rio seco, deduzi que aquele deveria ser o Rio Amazonas que o Guardião havia mencionado, ele era enorme e naquele estado formava uma cicatriz que cortava a floresta.

Seguimos o rio e enquanto isso Fontaine explicava o motivo daquilo tudo. Ao que parecia o rei andava sendo perturbado em seus sonhos por uma figura sombria e até que um dia acordara totalmente mudado. O que era um homem gentil e proativo, agora era uma massa de raiva e ressentimento, desconfiava de tudo e de todos. E todos sabem que os rios de Phantomile nascem em Jugpot, por isso ele cortou o fornecimento de muitos lugares e planejava cortar a água do planeta inteiro. O rei até usava seu peixe celestial de estimação para colocar medo nas pessoas. Foi aí que alguns soldados decidiram mandar alguém para Forlock e conversar para a Granny, que provavelmente saberia curar o rei.

Enquanto ele contava a história, Huepow e eu trocamos olhares e fizemos uma nota mental de que aquilo com certeza era obra do Ghadius, só precisaríamos vincular Jugpot com a busca dele pelo pingente.

[...]

Levou alguns dias para chegarmos nas fronteiras do Reino da Água e entendi o que o soldado queria dizer em querer toda água do mundo para si. Jugpot era cercado por altas montanhas e após chegar no topo pude ver que as montanhas formavam um cálice e armazenava um oceano inteiro e no centro podia se ver Jugpot, uma enorme cidade construída sobre as águas, com suas construções brancas como conchas e tão protuberantes que mal se via as ilhas que serviam de base, lembro que meu avô disse que a cidade é construída em cima de diversas ilhas e que com o passar do tempo era quase impossível de vê-las por causa do crescimento do reino, agora a única forma de se locomover é por meio de transportes aquáticos pelos canais que cortam a cidade. Parecia um lugar pacífico, o enchia meus olhos por ficar ali a admirando.

— Mas como isso é possível? — Perguntei incrédulo com a vista.

Fontaine olhou em volta com um pesar no olhar.

— Todos os reis de Jugpot tem um dom natural para controlar a água, talvez de nascença. Mas para algo desse nível com certeza ela está utilizando o peixe celestial, com o poder de ambos... nada é impossível.

E com um gesto continuamos andando até chegarmos numa escadaria feita na montanha, à medida que subíamos os degraus ficavam lisos e irregulares devido a corrosão constante com a água. Nesse momento invejei o Huepow por ser um Spirit Core e não precisar andar.

— Aqui. — Fontaine disse quando parou de frente a uma pequena entrada.

Seguimos para dentro. O sistema de esgoto lembrava muito a Mina Gunston só que um pouco mais decorada, havia ladrilhos azuis e brancos coberto de musgo em certos lugares e o som de água parecia ecoar de todos os lugares, podia jurar que estávamos dentro de uma cachoeira. O que mais me irritava eram as goteiras incessantes que caiam no meu boné deixando-o encharcado. A iluminação também era precária, contava só com alguns cristais luminescentes que mal se mantinham funcionando.

— Que som é esse? — Huepow sussurrou olhando para todos os lados.

— É só água, cara. Não precisa se preocupar.

— Esperem! — Ele parecia mais alarmado.

Paramos no mesmo instante. E juro que só podia ouvir o som de água corrente e gotas caindo no chão molhado... não, realmente tinha um barulho estranho.

— Klonoa, usa um Projetil de Vento naquela direção. — Ele apontou para nossas costas. — Talvez tenhamos luz o suficiente.

Dei de ombros.

— Disparar.

E o projetil seguiu em linha reta como um sinalizador. Mas a luz bateu em algo metálico e se desfez, Huepow estava certo havia algo ali.

— Ah não. — A voz do Fontaine falhou. — Olhem!

Vários portais se abriram sobre nossas cabeças. Em instantes vários Moos começaram a cair deles, mas novamente eram diferentes dos anteriores, agora eles eram amarelos com listras verdes nas orelhas e vinham armados com escudos sinistros.

— Corram! — Gritei, mas já agarrei a mão do soldado o puxei na única direção possível. PARA FRENTE, KLONOA!

E eram muitos para um lugar tão apertado, eles continuavam surgindo e avançando para cima. Os disparos não surtiam efeitos. O desespero começou a invadir a minha mente, se nem os disparos funcionavam então provavelmente a lâmina seria tão inútil quanto. Foi aí que percebi Fontaine tirando algo do bolso, era uma pequena antena.

— O que é isso? — Perguntei quando ele tomou a dianteira deslizando na água como se usasse patins ou algo parecido.

— É um formabolha. Um soldado de Jugpot sempre deve andar preparado para defender o reino! — Naquele momento havia medo em seus olhos, mas coragem no corpo. — Minha arma vai criar uma brecha na defesa dessas criaturas, aproveite isso.

E com um gesto a antena começou a soltar bolhas de sabão. Eu só acreditei que daria certo quando vi que quando entrava em contado com os Moos as bolhas se expandiam os suspendiam do chão. Vendo a oportunidade, forcei a concentração ao máximo que pude.

VENTO, CORTE TUDO!!!

Respondendo ao meu chamado a lâmina brilhou forte. Segurei firme com uma das mãos em Fontaine e com a outra cortava o que via pela frente e assim conseguimos avançar em meio ao mar de Moos que emergiam a nossa frente.

E dessa vez eles pareciam preparados. Alguns metros à frente surgiu um Moo enorme que cobria totalmente a passagem numa tentativa de encurralar.

— Por aqui! — Fontaine vez uma curva brusca antes do impacto.

Ele tinha visto uma queda d’água e como a água corria no sentido contrário serviu como uma saída de emergência.

Mas agora não conseguia enxergar um palmo a minha frente.

Notas finais
E aí, gostaram? Não esqueça de deixar a sua opinião que é muito importante! Se quiser conhecer mais do universo literário da JC Alves, convido a ler também minha mais recente obra original, vou deixar aqui todos os links necessários para essa jornada tão importante ^^ Onde Nós Vamos - https://www.spiritfanfiction.com/historia/onde-nos-vamos-23027459 Link para a página oficial - https://www.facebook.com/gaming/jcalves.oficial E uma playlist bem vegana para curtir durante a leitura - https://open.spotify.com/playlist/4NHnkZTvzeFSpBjf2dvkgu?si=d45b42e284d644c4 Beijos de luz e até a próxima!