The Dream Traveller: A Porta para Phantomile
7 Vision 6: The Stopped Gear

Não me lembro da última vez que fiquei em um lugar completamente escuro. E a sensação de vazio. Sentia cobrindo o meu corpo como uma manta quente, mas desconfortável. Nem sequer sentia a presença do Huepow e isso me fez prender a respiração involuntariamente.
E só conseguir soltar quando nos chocamos contra alguma coisa, abri os olhos e vi um novo corredor.
— Que lugar é esse? — Huepow disse surgindo de dentro do anel.
— É uma das masmorras. Estamos praticamente embaixo do castelo.
— É bem sinistro aqui. — Disse tentando secar o meu pelo. Odiava água e a sensação de pelo molhado.
— Bom. Todo reino tem seus segredos. — Fontaine deu de ombros. — Vamos.
E assim seguimos pelo corredor sinuoso. Parecia que ainda estávamos no esgoto, mas as paredes... os ladrilhos azuis e brancos deram lugar a grades de ferro macio e escuro, haviam muitas celas... Me ajude, por favor. Uma voz me chamando?
— Vocês ouviram isso?
Os dois olharam para mim com desconfiança.
— Ouvimos o quê?
Me ajude. Mamãe! Socorro!
— Isso! Tem alguém-
Os garotos olharam em volta e pareciam não saber do que eu estava falando. Eu estou com medo. Quero a minha mãe.
— Tem alguém em perigo! — Corri na direção que a voz vinha, tenho certeza que não era coisa da minha cabeça.
Seguimos por alguns corredores, todos eram idênticos, parecia um labirinto úmido e pútrido. A voz vinha de alguns corredores acima, mas era como se me guiasse até ela. Quando subimos para o próximo nível as celas mudaram. As paredes deram lugar a uma queda d’água violenta, sem querer esbarrei e uma dor lancinante emanou do meu cotovelo por todo o meu corpo.
— Cuidado, Klonoa. — Huepow disse. Por algum motivo ele havia retornado para o anel, com certeza estava com um mal pressentimento. — Essa água não parece ser normal.
Alguém, por favor... me ajudem.
— Eu estou ouvindo também.
Sem falar nada continuei correndo.
Quando finalmente cheguei à origem do pedido de socorro, fiquei incrédulo com o que via.
O dono da voz era um peixe, mas não como algum que já tenha visto. Tinha escamas laranjas, mas não berrantes e vivo, um laranja como o pôr do sol e as extremidades rosa suave, havia também um cristal azul na testa, o que indicava que com certeza não era dessa terra. A criatura estava presa em uma jaula dentro de uma pequena brecha feita na parede feita de água.
— Ei! — Disse erguendo a cabeça, mas como estava preso fora da água não podia se mover. — Por favor, me ajudem!
— Precisamos fazer alguma coisa! — Disse para o soldado.
— Calma, eu consigo liberta-lo.
Fontaine se aproximou de uma esfera azul e recitou algumas coisas que não compreendi, quando terminou a esfera mudou a coloração para um vermelho vivo e respondendo aquilo as grades da jaula se abriram. O peixe saltou para fora e conseguia nadar dentro do turbilhão de água, ele pôs a cabeça para fora.
— Obrigado!
— Imagina. Você poderia nos contar o que está acontecendo aqui?
A expressão da criatura mudou. Após alguns segundos ele começou a falar.
— Há algumas semanas, duas pessoas surgiram no castelo. Um parecia um palhaço monstruoso e o outro era alto e usava uma máscara com uma coroa verde luminosa. Eles pareciam querer alguma coisa, disseram que tudo fazia parte de um grande plano e que o Rei iria ajudar querendo ou não. Então eles usaram algum tipo de magia nele que fez o mesmo símbolo da coroa surgir no rei, e tenho certeza que é algo fora desse mundo pois não só corrompeu o Rei, mas como o vínculo que ele tem com a minha mãe, fazendo com que ela se tornasse um monstro. Então eles me prenderam aqui não me deixando ver ela.
— Isso com certeza é obra do Ghadius. — Disse ponderando sobre a história. — Precisamos ir até o Rei.
— Eu consigo levar vocês até lá! Vai ser mais rápido pela água.
— Ele tem razão, vão. — Fontaine disse. — Eu alcanço vocês. Salvar Jugpot é nossa prioridade.
Todos assentiram.
O peixe fez uma manobra mostrando as costas. Fiquei receoso devido ao contato com a água, mas assim que toquei nas nadadeiras dele a água parecia normal, talvez ele fosse o peixe celestial que Fontaine mencionara. Mas sem tempo para perguntar fui puxado para dentro e logo me vi dentro de um abismo dentro do mar. Era muito mais escuro que dentro das cavernas e a água abafava os meus ouvidos.
Rezei para que conseguisse prender a minha respiração até chegar.
Rápido! Rápido! Rápido! Eu não... consigo...
E de repente um clarão e o oxigênio invade os meus pulmões com força. Precisei de um tempo até recuperar o folego, percebi que estávamos em um grande salão branco como perolas, havia símbolos de Jugpot cravejados em vários detalhes e estatuas de peixes enormes era quase ameaçador.
— Mais um pouco e eu morreria afogado. — Disse me sacudindo para tirar a água do corpo. — Espero que não fique fedendo a gato molhado.
— Me desculpe era o único jeito de-
— Ora, ora, ora. — Uma voz surgiu. Me virei e vi que havia alguém sentado no trono. — Se não é o rato que o Senhor Ghadius mencionou.
— Ghadius? Eu sabia! Quem é você?
O ser riu como se fosse uma piada hilária.
— Quem sou eu? — Ele me fitou com os seus olhos verdes brilhantes. Percebi que havia uma coroa de espinhos em sua cabeça, mas ela não era... física, parecia uma luz fantasmagórica. — Eu sou Seadoph! Rei de Jugpot e desse castelo que você ousa conspurcar.
— Estou aqui para deter Ghadius e o quê que seja seus planos!
— Deter? É um rato insolente mesmo. Vou pôr você no seu lugar!
Ele se levantou do trono e flutuou até o meio do salão. Percebi que a única parte sólida naquele salão era o piso em forma anelar que eu estava que ia até o trono, fora isso estava cercado por água.
— PAMELA!!
O nome ecoou e após alguns segundo de silêncio. Senti algo se aproximando e se não fosse o meu reflexo teria sido atingindo pelo maior peixe que vi na vida. A Pamela era enorme, mas não como uma baleia, era como um golfinho gigante. Suas escamas eram de um tom de lilás como uma flor venenosa, seus olhos brilhavam no mesmo tom verde do que o do rei. Ela claramente estava furiosa e sedenta por sangue.
— Mamãe! — Ouvi a voz chorosa do peixe atrás de mim.
— É agora eu vejo a semelhança familiar.
Ali eu percebi o porquê que o Fontaine tinha tanto medo, realmente um rei que controla água e um peixe mágico espacial faziam uma dupla e tanto. Eu fui bombardeado com esferas de água com espinhos vindo dos céus e tinha que desviar das investidas do peixe mágico espacial e assassino. Eu não tinha certeza como contra-atacar, não havia uma brecha. A não ser que você crie uma, pensa Klonoa, pensa!
O poder do anel era metamorfo. Então quer dizer que podia se transformar no que eu precisasse, mas o que poderia ser? Não sabia a limitação do que poderia criar, não sabia se teria poder o suficiente para realizar... eram tantas possibilidades.
— Klonoa, você precisa focar! — A voz do Huepow surgiu na minha mente. O que me fez me distrair e eu fui atingido jogado para longe contra uma parede.
— Eu sei! Mas você não está ajudando!
— Olha, entendo o porquê você está com raiva de mim, mas não quero ser seu inimigo. Quero te ajudar a crescer.
— Então me ajude.
— Foque na minha voz. Não se deixe dominar pelos pensamentos.
Só uma voz. Só um pensamento. Foco. Eu consigo. Olhei em volta, desviei de algumas esferas, mas só para ser atingindo pela Pamela. Talvez pudesse atacar por cima, mirei o anel no relevo que havia no telhado abobadado do castelo, era longe demais, mas era a única chance. Eu preciso chegar lá em cima.
— VENTO ME LEVE! — As palavras surgiram na minha cabeça.
E o anel respondeu ao meu chamado, uma grande corrente emergiu da esmeralda e voou em direção aonde mirei, com um gesto fui puxado nessa direção a tempo para escapar de mais ataques incessantes. Sem perder essa brecha peguei um impulso para me jogar em direção ao rei que ainda me procurava, quando ele percebeu já era tarde. Com segui agarra-lo com as minhas próprias mãos e jogá-lo ao chão, o que o deixou desnorteado, sem perder tempo o puxei e o joguei numa parede mais próxima.
— Você precisa parar com isso! — O segurei pela gola da roupa. — O seu povo precisa de você! Tem vidas que precisam da água de Jugpot!
— Pro inferno! A única vida que importa é o do Senhor Ghadius, ele é o messias do grande Cluster e cobrirá esse planetinha impuro com pesadelos.
Os olhos deles nem sequer pareciam focar. Estava óbvio que não era ele, devia ter alguma forma de liberta-lo.
— Agora morra, rato!
— Klonoa, atrás de você!
Naquele momento não foi eu quem controlou o meu corpo, eu era só um espectador que assistia em câmera lenta. Eu só consegui enxergar o momento em que prendi o rei em uma bolha usando o anel e o usando como escudo contra a investida da Pamela, em seguida uma rajada de luz muito forte preencheu todo o meu campo de visão.
Quando a minha visão voltou a focar estava do outro lado da sala. Sentia minhas costas reclamarem e a minha perna latejar como se formigas de fogo subissem por ela, com certeza havia quebrado alguma coisa só não sabia dizer o quê ou aonde. Eu olhei para cima só tempo o suficiente para ver o rei se levantando antes da minha visão se escurecer por completo.
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