The Diferent Side of Us

2 A visitinha de minha mãe


Notas iniciais
Esse capítulo já é maior e tem um pouco de mais de suspense e drama. Enjoy it!

Fui correndo para a rua e vi que tinham dois carros parados, batidos, um de cada lado da longa rua.

Não sabia identificar os carros, mas pelo fato de não saber mesmo nada sobre carros.

Uma menina desceu do carro e estava com a testa sangrando.

Era baixinha, com cabelos azuis — ? -, olhos castanhos e era bonita, mesmo tendo um cabelo azul.

Vestia um short jeans e uma blusa escrito: "SALVE POSEIDON!", e um tênis branco.

Achei estranho, mas olhei para o outro lado quando um menino saiu.

Era alto também, tinha olhos castanhos mel, cabelos loiros como o outro.

O garoto não parecia ter sofrido qualquer ferimento, mas estava raivoso.

– Sua vadia! Olha o que fez com meu carro!

– Vadia?! — gritou a de cabelo azul. — Quem pensa que é para falar assim comigo?! Ah, e grande coisa! Olhe o que você fez com o meu!

Os dois começaram a gritar um com o outro e então dei um grito, e quando fiz isso, um trovão ecoou e os dois olhavam de mim para o céu, que estava limpo.

– Chega! Não adianta ficar gritando um com o outro! — disse enfim.

– Pra você é fácil!, não foi o seu carro! – gritou o loiro e percebi como sua voz era rouca e sexy.

– Cale essa boca, Justin! A... — ela me olhou esperando que falasse meu nome.

– Ridley.

– A Ridley tem razão! Pago o concerto do seu e você do meu!

– Está certo!

O garoto, Justin, entrou em seu carro e pisou fundo e logo não conseguia enxergar seu carro na longa estrada de terra.

Naquela parte, não havia asfalto. Acho que era por ser uma parte histórica, mas então Stratford inteira não teria asfalto.

– Obrigada por ter falado aquilo — começou a garota. — Acho que se não tivesse falado, teria matado o idiota do Justin.

Dei um leve sorriso e estendi minha mão.

– Sou Ridley Meyer.

A garota apertou minha mãe e sorriu.

– Sou Demetria Lovato, mas todos me chamam de Demi.

– Tudo bem, Demi. — sorri. — Você está bem?

– Sim! Só um pequeno corte na testa.

– Quer que te leve no hospital?

– Não, está tudo bem, mas você poderia me dar um pano?

– Ah, sim, claro! — falo balançando a cabeça positivamente. — Quer entrar?

Demi deu uma olhada para além de mim e viu Ravenwood.

Por um momento, sua face ficou pálida, mas se recuperou e assentiu, dando de ombros.

– Okay.

Subimos um pouco e paramos no portão.

Pressionei minha mão sobre a Lua Crescente e ela se iluminou, mas Demi não pareceu perceber.

O portão se abriu e nós passamos pelos gramados.

Demi suspirou do meu lado.

– Ah, meu Deus! Isso é lindo!

Sorri e assenti.

Realmente era bonito.

As variadas flores, as árvores... O cheiro era maravilhoso. Tudo estava maravilhoso porque a casa e o jardim transpareciam o humor de Meredith.

Hoje a casa estava cinza, mas amanhã poderia estar laranja... Nunca sabemos como Mary estará amanhã!

Entramos e percebi que lá dentro também havia mudado.

Estava como uma casa dos anos 70, daquelas pessoas ricas.

Estavam em preto e branco a maior parte das coisas e as cortinas eram cinza com alguns rastros de vermelho sangue.

Aquilo estava mostrando que as Trevas de Meredith ainda estava viva nela.

– Sua casa é... bonita.

– Obrigada.

Adentramos mais na casa e chegamos na parte da cozinha.

Passamos e chegamos em uma salinha onde Mary guardava toalhas.

Peguei uma velha e entreguei para Demi. Ela hesitou em pegar.

– Obrigada.

– De nada.

Voltamos e então Demi começou a conversar comigo.

Ela era do Texas, mas sua família vinha de vários lugares.

Demi tinha duas irmãs. Os nomes eram Dallas e Maddison.

Demi continuou me contando sobre sua casa e até me convidou para ir lá algum dia; disse que sim, mas não sabia se iria.

– E você vai estudar na Jackson?

– É a única escola da cidade. — respondi ironicamente e ela riu.

– É mesmo.

Saímos pelo portão e ela olhou para mim.

– Nos vemos na escola, Ridley! Tchau e obrigada!

– Até lá! Tudo bem... de nada! Tchau!

Demi se virou, andou até seu carro, entrou e depois partiu.

Respirei fundo e voltei para dentro.

A casa estava a mesma, de alguma forma, mas sentia uma coisa nova, alguma coisa estava errado ali.

– Mitchie? — perguntei, subindo as escadas. — Meredith?

Não ouve respostas.

Entrei no quarto de Mitchie e estava vazia.

Virei-me e entrei no de Meredith e também estava vazio, mas bem onde tinha um tapete — que estava jogado num canto -, tinha uma passagem. Era como um túnel.

Andei até ele e dei uma olhada, mas estava um breu.

O que era aquilo? Onde levava? E... Por que estava no quarto de Mary?

Desci as escadas correndo, peguei uma lanterna e voltei correndo para o quarto.

Iluminei dentro do túnel e vi uma escada.

Por alguns segundos, fiquei olhando, hesitante, mas, bem... se estava no quarto de Mary era porque ela usava, e Mitchie não estava em nenhum lugar, o que me fazia pensar que as duas estivessem lá dentro.

Comecei a descer as escadas e quando toquei o chão, ele pareceu se levantar e depois, abaixar novamente.

Apontei a lanterna para as paredes e quase cai para trás.

Aquele era o lugar mais horrível que visitara na minha vida!

Tinham várias frases em uma língua estranha, desenho de animais estranhos, humanos caindo e bem em cima, uma lua crescente.

Aquele era um lugar Conjurador; dava pra sentir a magia vindo dos túneis.

Tive vontade de subir as escadas novamente, mas precisava saber o quê realmente era aquilo e onde Mary e Mitchie estavam.

Continuei andando, até que cheguei em uma parte que tinha escolher a direita ou a esquerda.

Olhei bem para os dois lados: o 1° tinha as paredes mais novas e já conseguia ouvir a música passando. Parecia uma festa. O 2° já tinha paredes mais velhas, com mais coisas desenhadas e vinha um cheiro horrível — um cheiro que não consegui distinguir o quê realmente era.

Resolvi seguir pelo segundo.

Se fosse para saber o que se passava pela mente de Mary, diria que ela teria seguido aquele.

Virei para a esquerda e continuei a andar.

Parecia que cada passo que dava, o túnel ficava mais comprido, largo e grande. Parecia que não teria fim.

Então, ouvi um rugido.

Um rugido horrível, que fez todos os pelos de meu corpo se arrepiarem.

Olhei para os lados, mas tudo o que consegui ver foi a escuridão.

Continuei andando e então uma névoa preta estava no meio do caminho em forma de porta.

Tentei abrir — o que não aconteceu -, mas então vi a lua crescente em cima e pressionei minha mão e a "porta" se abriu.

A visão não era a melhor.

Tinham várias pessoas cambaleando, gritando, se drogando... Era como um inferno, porque existiam seres estranhos atormentando estas pessoas.

Nunca pensei para onde os Conjuradores iam, depois de mortos, mas se fosse chutar, um dos lugares era aquele.

Entrei e logo um homem veio até mim.

Era alto, tinha barba preta grande, estranhos olhos pretos como o breu e meio loucos. Não era bonito nem feio.

– Não-Invocados não podem passar.

– Por quê?

– Criança, se passar daqui, esses demônios te deixarão louca e te farão ver seus medos mais profundos.

– Foi o que aconteceu com você?

– Sim. — ele abaixou os olhos para os pés. — Uma mulher me avisou para não atravessar, mas não acreditei e acabei atravessando... Foi a pior coisa que podia ter feito!

– Eu... sinto muito... — disse de coração e vozes gemeram de aflição atrás do homem.

– Elas não gostam de piedade.

– Mas se fizeram isso, por que não está louco ou me falando que é seguro?

– Nem eu sei, criança. Estou aqui a muito tempo. Eles não tem deixam sair. Acho que meu coração era bom e não fiquei tão louco assim. Então, sempre que posso, ajudo a crianças como você, a não atravessar o Corredor da Morte.

– Você... está morto?

– Sim.

Cambaleei e encostei-me na porta.

– Vá embora, Ridley. Este não é seu lugar.

– Mas... Ei! Como sabe meu nome?!

– Apenas sei, agora, vá!

– Mas... Minha prima e minha avô estão por aqui em algum lugar!

– Mitchie e Meredith?

– Santo Deus, como você sabe?!

As vozes gemeram outra vez.

– Elas passaram, sim, por aqui e Mary me disse para não deixá-la passar.

– Mas...

– Não, Ridley, você não vai entrar aqui.

Resmunguei e dei um para trás.

Precisava saber o que elas estavam fazendo, mas se não podia passar por ali, como encontraria elas?

O home me empurrou para fora e a porta se fechou, sumindo.

Fiquei parada no mesmo lugar, olhando para o nada.

Ouvi o rugido outra vez, fazendo meus pelos se arrepiarem.

Virei-me e comecei a andar novamente.

Cheguei rápido na escada e logo subi.

Chegando na superfície, estava ofegante e me sentei na cama de Mary.

Não sabia por quê, mas meu coração batia acelerado.

Respirei fundo e ouvi um barulho vindo da parte inferior da casa.

Meu coração começou a bater mais rápido de novo e pude ouvir um trovão e logo após, um raio caindo em algum lugar ali.

Aquilo só podia ser o meu poder.

Era uma Natural.

Levantei devagar, sai do quarto e comecei a andar em direção a escada.

Desci e senti a mesma sensação de quando entrei; aquela sensação de algo ruim, algo errado.

Olhei para a lareira e ela estava estalando.

Tinha certeza que quando cheguei, ela estava apagada.

– Ah, que bom que chegou, Ridley! — ouvi uma voz feminina atrás de mim e me virei.

Por um pequeno momento, achei que estava louca.

Ela não podia ter entrado ali. O campo de proteção não a deixaria entrar.

– Mãe. — disse, enojada.

Ela sorriu e deixou a capa que estava cair.

Seus cabelos eram castanhos claros como os meus, sua face era linda — apesar de ter sempre uma expressão maldosa -, tinha olhos dourados — por ser uma Conjuradora das Trevas.

Me irritava o fato dela ser tão parecida comigo.

Elena usava um vestido curto verde, a capa ridículo preta e uma bota preta.

– Sentiu saudades, filha?

– O que está fazendo aqui, sua...

– Filha! Você deveria ter mais respeito! Afinal, ainda sou sua mãe!

– Você não é minha mãe! Você matou meu pai, meu avô, Stacy! Você matou todos que eu amava! Você é uma bruxa!

– Ah, querida — lamentou ela, fazendo uma careta de dor. — Não foi porque quis. Fui ordenada a fazer isso!

– Cale a boca! Isso é mentira!

– Não é não e você sabe disso!

– VAI EMBORA! — gritei e o vidro da janela quebrou e um vento muito forte adentrou o lugar.

– Que orgulho! Está começando a descobrir seus talentos, seus poderes.

– Não quero sua admiração.

– Isso magoa. — falou ela, fingindo secar uma lágrima. — Pena que você esqueceu uma coisa, Ridley. Também sou uma Natural.

Quando ela disse isso, o fogo da lareira cresceu uns 3 metros e estalava alto.

– Cada um Natural, escolhe seu elemento preferido. Eu escolhi o fogo.

O fogo da lareira estalou e as chamas lamberam toda a parte da parede.

– Pare de destruir minha casa! — gritei novamente e ouvi a chuva começando a cair forte do lado de fora.

– Ridley! Seu elemento é a água... A chuva...

– Não quero saber meu elemento, quero que você vá embora!

A chuva cada vez aumentava mais e trovões e raios aconteciam mais.

– JÁ DISSE, SUA BRUXA!, VÁ EMBORA!

– Rid, quero ser sua amiga, quero que entenda que amo você!

– Você não me ama! — disse, rosnando.

– Se acalme!

– NÃO!

Quando gritei, um raio passou pela casa e caiu bem em cima de minha mãe.

Por um momento, pensei que tivesse acertado-a, mas a sorte não estava ao meu favor e ela apenas riu.

– Ah, filha, já lhe disse... Também sou uma Natural, uma Catactalista.

– E uma vadia també,.

O rosto de Elena passou de raiva para um ódio gigante e ela jogou fogo em mim, mas apenas desviei e fui para perto da janela onde a chuva estava mais perto e podia sentir a força dela.

Balancei a mão e a chuva foi para dentro da casa, apagando todo o fogo e deixando Elena encharcada.

– EU ODEIO ÁGUA!

– Quer mais um banho, mamãe? — perguntei irônica.

Ela rugiu e tentou convocar o fogo, mas fiz com a água o apagasse antes de qualquer coisa.

– Estou mais forte que você, mãe, aceite isso.

– Nunca!

Fiz com que a água a cercasse e ela gritou.

– Vou embora, mas isso não acabou! Isso não acabou, Ridley!

Ela desapareceu e fiz com a água saísse e a chuva parou, assim como os raios e trovões e o sol voltou a brilhar forte no céu..

Desci da janela e antes de conseguir dar outro passo, cai desmaiada.