The Devil Wears Prada
32 Capítulo XXXII - Are we going to Toscana?
Notas iniciais
POV Emma
Meu celular tocava freneticamente. Eram 8h e o alarme apitava, tirando-me de um sono profundo, resultado de alguns remédios feitos para dormir e poucas horas para tal coisa. Abri os olhos e, mal levantei da cama, quando a campainha tocou. Que susto!
– Bom dia, Emma. – Zelena entrou toda contente. – Feliz ano-novo! – Ela me abraçou carinhosamente. Retribui. – Por que essa cara?
– Regina esteve aqui ontem. – Minha amiga ficou estática. Fui até a cozinha e peguei um copo d’água, dando um longo gole.
– O que ela queria? – Indagou-me, servindo um pouco da bebida para si mesma.
– Desejou feliz ano-novo. – Encostei no balcação, precisava de apoio para conseguir lembrar de tudo. – Disse que me amava e...
– O quê?! – Zelena me interrompeu num susto. – Regina Mills, a “Dama de Ferro”, disse que te amava?
– Sim, disse que me amava e depois se despediu. – Arqueei as sobrancelhas, sem muito esforço, para mostrar meu desapontamento com aquilo. Minha mãos encontraram mais apoio no balcão da cozinha americana, segurando o peso de meu corpo postado para trás. – Ela nunca me escolheira, a Mills é sua vida. – Um silêncio estarrecedor se estabeleceu. Zelena não sabia o que dizer. Nem eu. – Bom, deixemos isso para lá! Vou fechar o que precisa e tomar um banho para irmos!
Subimos as escadas que levavam ao quarto. Tomei uma ducha rápida enquanto Zelena colocava o restante da minha bagagem em seu devido lugar. Ela me ajudou na escolha das roupas para a viagem: uma blusa branca de seda e um jeans, aquilo me bastava para alimentar meu conforto.
– Tudo pronto! – Fechei a minha bolsa, após checar a carteira, e a animação começou a tomar conta de mim.
Nós descemos a escadaria e olhei, pela última vez no ano, o interior do meu apartamento, suspirando naquele momento.
– Vou cuidar bem de tudo por aqui, Emma, não se preocupe. – Zelena tocou o meu ombro, tentando me tranquilizar um pouco. – Altas festas. – Cutucou-me com o braço, levando um leve tapa em resposta.
Saimos do local, respirei fundo, buscando ar e coragem para encarar todo o futuro que me viria.
Chegamos no aeroporto. Aviões partiam e pousavam, fazendo a minha imaginação voar. Eram tantas histórias vivas e eu gostaria de saber de cada uma delas. Balancei a cabeça. Eu e Zelena procuramos o portão de embarque por alguns longos minutos, parecíamos duas tontas! Assim que encontramos, fomos tomar um café em frente, afinal, ainda faltavam duas horas para me chamarem.
– E então, Emma? – Zelena perguntou enquanto bebericava o cappuccino. – Quase são as suas expectativas para esse ano?
Minha ansiedade estava fervorosa naquele ponto da história toda. Acredito que passar pela porta do aeroporto começou minha mudança. Era libertador poder apenas ir embora, sem olhar para trás.
– O mundo, essa é minha expectativa. – Sorri com toda a alegria que conseguia possuir naquele momento. Zelena sorriu comigo.
Fico muito feliz com isso.
– Eu também. – Fiz uma pausa. — Acho que preciso respirar um pouco. Minha vida mudou muito em um ano...
– Muito! – Interrompeu Zelena, com os olhos arregalados.
– Então esse é o momento para eu respirar, pensar sobre tudo o que aconteceu, enfim, seguir em frente, mesmo que sem rumo. – Assim que completei minha fala e recebi um sorriso de Ze em troca, uma voz soou aos microfones avisando que todos os passageiros do meu voo deveriam entrar. – Bom, sou eu. – Nos levantamos e ela me acompanhou até a porta.
– Boa viagem, Emma! Aproveita muito, curte muito sua vida e, assim que der, irei te visitar. Prometo! – Zelena me deu um abraço reconfortante. Pude sentir toda energia boa que me emanava naquele momento.
– Muito obrigada, Ze. – Apertei-a em meus braços. Queria chorar, mas a alegria de estar indo já me dominava quase por completo.
Virei, ficando de frente para o portão. Duas portas dividiam os passageiros da primeira classe e os da econômica. Fui para o da esquerda, junto aos outros que viajariam nos assentos mais caros. Despachei minha bagagem e pronto, era hora de partir.
Pé ante pé, atravessei o corredor para subir no avião. Uma aeromoça indicou o meu lugar e, como nunca havia viajado na primeira classe, a surpresa logo chegou até mim. Cada uma das poltronas revestidas por couro cor de creme era individual, todas divididas por pequenas portas de alumínio coberto por papéis de parede marrom rajado, dando a impressão de serem de madeira, e detalhe em ouro. Olhei para a minha passagem. 21, esse era o meu lugar. Deslizei a porta para a lateral e a parte de dentro era tão encantadora quanto a de fora. A poltrona possuía uma janela lateral e um frigobar a frente, repleto por bebidas das mais caras existentes: champagne, whisky, gim, rum e até mesmo uma água que custava setenta reais. Uma mesinha poderia ser aberta, permitindo o melhor feitio das refeições. Não era nada comparado ao jatinho de Regina, mas era ótimo.
Regina! Será que ela me surpreenderia vindo até aqui e pedindo para que eu descesse do avião? Um largo sorriso me apareceu. Era uma ideia boba, só que a esperança me encheu de coragem. Levantei e fui em direção à porta do avião, não sou mulher de esperar.
– Algum problema, senhorita? – A aeromoça, toda solicita, perguntou.
– Oh, não! – Respondi meio sem jeito. – Estou esperando uma pessoas.
Postei-me ali e não sai até que me obrigassem. Homens e mulheres passaram por mim, mas ninguém tinha a feição da minha Regina.
– Senhorita. – A mulher me tirou do meu transe. – Precisará se sentar, pois iremos decolar.
– Claro. Desculpe-me, sou mesmo uma boba. – Dei os ombros, frustrada, decepcionada e fui me sentar, deixando-a desconfortável por ter chamado a mim mesma de boba.
Ora, Emma! Deixe de ser boba! É claro que Regina não viria, ela se despediu ontem. Meus pensamentos foram interrompidos. Uma rosa vermelha estava em cima de minha poltrona.
Quem poderia ter feito aquilo? Coloquei a cabeça para fora de minha cabine, na tentativa frustrada de encontrar alguém entrando na sua, porém, apenas os funcionários do voo transitavam pelo corredor e logo fui alertada a voltar ao meu lugar.
Peguei a rosa na mão. Seu cheiro era perfumado. Podem me chamar de boba romântica, mas tenho certeza que seu cheiro poderia ser de uma manhã ensolarada ou meu olfato também já estava entrando no clima da viagem. Coloquei-a em um pequeno criado mudo, que ficava ao lado de meu assento, sentei e coloquei o cinto. Sempre tive muito medo de viajar de avião, era um transtorno pensar que, caso algo ruim acontecesse, eu não teria para onde correr. Respirei fundo, com os olhos fechados e a esperança de encontrar Regina voltou a mim. Droga! Abri os olhos, olhando sempre para o corredor e para a janela, meu olhar fazia um caminho confuso entre os dois. As turbinas foram acionadas, se Regina queria ficar comigo, esse era o momento para que aparecesse em frente ao avião e pedisse ao piloto que esperasse. Aquele barulho ensurdecedor foi tomando conta do ambiente e nada de Regina. Meus olhos se encheram de lágrimas. A corrida inicial para subir começou a ser feita. Nada de Regina. As lágrimas escorriam pelas minhas maçãs do rosto e eu, tola que sou, tentava me convencer que aquilo era o melhor para mim. Subiu. O avião tomou altitude e ali era o meu momento de ir embora. Não havia mais Regina, nem Cora, nem ao menos Fiona (aliás, esta última não me contatou desde a véspera do ano-novo, mesmo eu tendo tentado falar com ela diversas vezes, o que era estranho, pois Fiona não conseguia se manter calada por muito tempo. Estava aprontando alguma coisa!). Não havia mais a Mills ou a Goode. Zelena se fora, mesmo que temporariamente. Não existia mais ensaios fotográficos ou Rose em minha vida. Neal! Lembrei-me do meu ex-namorado. Também não haverá mais Neal, mesmo que já não houvesse há algum tempo. Nada. Não haverá mais nada.
O chão foi se distanciando do meu campo de visão. As construções, os carros, aquela gente toda foi ganhando um tamanho mínimo, era até cômico de se ver. Diminuiram, como a Alice em “Alice no País das Maravilhas”, como a minha esperança em ter Regina e como a minha felicidade, tão bem proporcionada anteriormente. Suspirei um longo suspiro. Um alerta soou avisando que os cintos já poderiam ser retirados, pois já estávamos na altitude certa para o voo. Coloquei a mão sobre a fivela e, mesmo hesitante em abri-la, lembrei-me das palavras de Regina “Não precisa ter medo, Emma” quando fomos a Paris, e abri. Olhei mais um pouco ao redor e peguei uma máscara de dormir. Quase não tive tempo para descansar e, para mascarar um pouco meu medo, ou eu poderia dizer pânico? Dane-se. Dei os ombros. Para isso usaria o sono como uma válvula de escape. Foi o que fiz.
Abri os olhos, sem saber quanto tempo passou... Acredito que tenham sido umas duas horas, no máximo, pois os pesadelos logo me despertaram. Espreguicei-me tranquilamente, até que uma pequena (realmente pequena) turbulência fez com que o medo, ou pânico, tomasse conta de mim. Respirei fundo, precisava ir ao banheiro. Vamos, Emma, você já passou por situações muito piores e conseguiu. “You are a fearless mama”, repetia as palavras do seriado RuPaul’s Drag Race (que amo!) em minha cabeça e levantei. Fui ao banheiro andando a passos largos, precisava sentar o mais rápido possível. Depois que fiz xixi, tomei um susto ao ver minha imagem refletida no espelho, rindo sozinha de mim mesma. A cara de sono sempre foi um problema para mim!
Evitei ao máximo demorar no banheiro; quanto mais tempo longe de minha poltrona, maior o meu medo ficava. Passo ante passo, voltei pelo corredor, vendo algumas cabines fechadas e apenas duas abertas, ambas sem ninguém dentro. Assim que corri a porta para o lado, a fim de entrar na minha zona de conforto, parei. Meus olhos ficaram arregalados perante ao seu olhar, agora cravado em mim, e meu corpo, por mais que eu tentasse, já não respondia aos meus comandos.
– Iremos para a Toscana então? Interessante a sua escolha!
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