The Devil Wears Prada
5 Capítulo V - Follow me, Emma?
Notas iniciais
O resto do fim de semana passou voando. Emma usou como ponto de chegada da corrida de sábado o restaurante de uma amiga, acabou ficando ali com ela pelo resto da tarde, contando novidades sobre seu novo emprego. Regina foi a mais um evento beneficente naquele dia, por mais que fosse uma megera profissional, tinha um bom coração e costumava fazer doações generosas. Seu domingo ficou comprometido por causa de uma reunião com Donatella Versace, que, de acordo com Regina, era interminável, mas não acabaram chegando a acordo nenhum. Diferente do dia de Emma; ela ficou jogada no sofá, trocando de canal vez ou outra. Neal estava lá e já não estavam mais brigados, todavia, a loira não foi fofa em momento algum.
Segunda-feira começou agitada na revista Mills, era dia de tiragem da última edição e Regina chegou mais cedo, encontrando a mesa de Emma vazia. Se perguntou o motivo mentalmente, jogando o casaco e bolsa com força sob a peça de vidro. A irritação foi formada com as duas hipóteses sobre o porquê a loira não estava ali: ou estava atrasada, ou se demitiu. Qualquer que fosse, Regina ficou profundamente desgostosa com aquilo. Zelena correu atrás da chefe e começou a puxar o saco, como fazia diariamente, logo Regina tratou de entrega-la uma lista com 3 dúzias de itens, mantendo-a ocupada pelo resto do dia. Alguns minutos se passaram e Emma entrou correndo, parando, abismada, ao notar que sua mesa estava com os pertences de Regina. Foi até a porta da sala principal, respirou fundo e bateu.
– Entre. – A voz de Regina demonstrou toda profunda irritação que sentia.
– Com licença. – Emma entrou e fechou a porta atrás de si. – Me desculpe por sexta-feira, meu namorado teve uma atitude completamente infantil, eu o deixei no restaurante, mas não percebi que havia desligado meu telefone, então só vi quando cheguei em casa e... – Foi interrompida pelas palavras cortantes de Regina.
– Eu não preciso de desculpas. Eu precisava da minha lista e você não fez o seu trabalho. – Não levantou o tom de voz em momento algum, mantinha aquela linha arrogante e amena. – Sabe, garota, eu faço questão que cada pessoa com os pés aqui leve o trabalho tão a sério quanto eu... Olhei para você com todas essas roupas – Fez um gesto com a mão como se dissesse “largadas”. – Essas roupas desse jeito, mas logo pensei que deveria ser competente. – Respirou fundo, se levantando e caminhando lentamente até Emma, parando a alguns centímetros da loira toda retraída. – Eu falei para mim mesma: “arrisque. Escolha a candidata que nada tem a ver com revista, talvez ela seja diferente das outras cinquenta que aguentaram um dia” e, quando escolheu aquele restaurante, pensei que tinha feito a escolha certa mesmo. – Olhou para Emma por alguns segundos, percebendo a contração que tinha em sua boca. – Pelo visto fiz a escolha errada. – Voltou a sua cadeira, se sentou e, por fim, abriu a edição da revista Mills que havia sido lançada naquele dia. – É só isso.
Emma respirou fundo e usou toda força que tinha dentro de si para não chorar. Respirou fundo, se retirou da sala de Regina e foi caminhando a passos largos para o banheiro. Não conseguiu aguentar mais e deixou todo o seu nervosismo escorrer pelos olhos. Chorou em um pranto compulsivo, ganhando total atenção de Killian, que passava pelo corretor naquele momento.
– O que houve? – Entrou no banheiro unissex, tirando lencinho de uma das gavetas para que Emma enxugasse as lágrimas.
– Regina Mills. – Respirou fundo, limpando o nariz que estava molhado. – Ela me humilhou hoje por causa de uma lista idiota. Uma lista muito idiota que ela mesma podia ter pego e uma SEXTA-FEIRA A NOITE. – Enfatizou a data. – Faço tudo certo e, se erro qualquer coisinha, ela me humilha?
– Óh, pobre Emma Swan. – Killian carregou sua fala e seu olhar de pena com ironia. – Que triste, não? Regina Mills te humilhou. Como ela ousa fazer isso com uma princesinha? – Ele riu.
Emma praguejou-o com palavrões indescritíveis.
– Não adianta você chorar, Emma. Regina é assim. Ela queria a lista para não ter de se sentar ao lado da ex-mulher, a bruxa que quase tirou todo o seu dinheiro por pura birra de sua vida profissional. – Emma foi parando de chorar e prestou atenção no que o outro dizia. – Rose era a loira ao seu lado, por isso Regina tinha um rosto mais apreensivo do que o normal. Ela não suporta a mulher, porque tentou falir a revista quando se divorciaram e, convenhamos... Isso aqui é a vida de Regina Mills.
– Nossa, eu não sabia... – A loira se pegou mais preocupada com o que tinha acontecido a Regina do que com a bronca que tinha levado. Balançou a cabeça. – Mas porque ela mesma não podia pegar a lista?
– Por causa do Mark. – Limitou-se a dizer.
– Mark? – Indagou Emma, confusa.
– Mark é o cachorro dela. – Pigarreou. – Ou pelo menos era. Ele faleceu sexta à noite. – Killian era bem próximo de Regina, apesar de suas desavenças profissionais.
– Não acredito! E eu fui tão estúpida e... – As lágrimas voltaram a escorrer pelo rosto abatido de Emma.
– Princesa, eu vou voltar ao trabalho. Qualquer coisa, sabe onde me procurar. – Ele piscou e voltou sorrindo para sua sala.
+++
– Emma? – Killian a viu entrar pela porta grande que abrigava sua sala.
– Eu preciso de sua ajuda. – O lugar mais parecia um estúdio do que uma sala. Diferente de todo o resto, o lugar era um pouco escuro e contava com inúmeros desenhos feitos pelo próprio Killian, além de um milhão de araras carregadas de roupas. – Sabe aquele galpão cheio de roupas usadas para edições fotográficas da revista? Me leve lá. Farei uma surpresinha a Regina.
Os dois se dirigiram até o lugar, que ficava no 19º andar. Ele puxou uma porta pesada e deixou Emma fascinada com a visão que havia dado a ela. Enorme estantes com sapatos separados por com, número e marca ficavam em cima da parede, quase perto do teto. Mastros de metal seguravam cabides com peças de roupas separadas pelo mesmo sistema dos sapatos. Emma não conseguia fechar a boca.
– Deixa eu ver. – Killian rodou o corpo dela, olhando cada uma de suas partes. – Imagino que seu manequim seja 38.... Quanto calça?
– 38 também. – Respondeu, ainda pasma com aquele lugar.
– Então vamos começar. Siga-me.
Killian foi locomovendo para dentro dos corredores de roupas. Pegou sapatos de salto, scarpins, botas, sandálias e sapatilhas. Emma foi dando um jeito de seguras todos eles, já que Jones não pararia por nada nesse mundo. Casacos, vestidos, calças, blusas, camisas, seda, saias e tecidos que ela mesma não fazia ideia do que eram iam caindo em seus braços. Ela começou a ler cada etiqueta e logo se deu conta que sua vestimenta estava ficando cada vez mais alta: Chanel, Prada, Dior, Louis Vuitton, Lanvin, Jimmy Choo, Gucci e até joias Cartier ele havia lhe dado.
Emma pegou um lenço e pediu para que Killian parasse por um instante.
– O que é esse H? – Perguntou, confusa.
– Tolinha! – Ele gargalhou com a pergunta feita. – É um lenço Hermès, querida. Nunca mais repita “esse H” na sua vida! – Riu mais e continuou o processo. – Acho que agora você já tem tudo o que precisa. – Sorriu e foi se dirigindo a entrada. Emma o seguia sem falar nada. – OH, ESPERE! – Deu um grito tão alto, que a loira quase correu. – Falta um detalhe. – Ele andou até a parte dos sapatos e pegou um preto com sola vermelha. – Toda mulher precisa de um clássico Louboutin. – Sorriu satisfeito e saíram.
– Muito obrigada, Killian! Eu não sei nem como te agradecer. – Emma o abraçou, deixando-o completamente desconfortável. Apesar de ser um amor, não gostava de demonstrações de afeto.
– Vá para casa, pesquise como usá-los e amanhã quero vê-la maravilhosa.
– Mas Regina...
– Deixe Regina comigo. Agora vá pegar a sua estrelinha! – Emma o olhou com muito carinho antes de sair. Nunca pensou que pudesse ser tão fofo. Acenou de longe e foi para casa.
+++
Na terça-feira, Regina chegou novamente e não encontrou Emma em sua mesa. Jogou o casaco e a bolsa impetuosamente no lugar onde a loira se sentava.
– Mas que droga! – Praguejou baixo, arrancando o olhar curioso de Zelena, já que nunca falava nada para demonstrar sua raiva. Entrou em sua sala e mal havia se sentado, quando o elevador fez um barulho, anunciando a chegada de alguém.
Emma Swan dava passo ante passo, movimentando o quadril um pouco mais do que o normal, balançando alguns fios do cabelo hidratados com os dedos e sorrindo, radiante. Regina avistou-a do fundo de sua sala e arregalou os olhos.Emma usava uma bota de couro marrom, que subia por toda a sua perna, como uma calça. Por cima, um casaco preto com detalhes cor creme e um colar comprido dourado.
– Bom dia, Zelena. – Ela cumprimentou a ruiva, sem esperar resposta alguma, e sorriu para a sala de Regina, vendo que a chefe a olhava. Regina a surpreendeu dando um meio sorriso com o canto da boca.
Ela fica ainda mais bonita quando sorri. – Os pensamentos da loira foram dissolvidos ao balançar a cabeça, rindo de si mesma por ter, aparentemente, uma quedinha pela “Dama de Ferro”. Sentou-se em sua mesa e deu início ao trabalho.
Regina, de sua sala, não conseguia parar de pensar na entrada radiante de Emma. Sim, ela realmente estava radiante. Nunca tinha a visto tão confiante de si e tão bonita, lembrou-se de súbito o dia que a contratou. Era essa a mulher que estava procurando: forte e decidida. Odiava os subalternos puxa-saco, mas deixava bem claro que odiava questionamentos. Com um gosto bem peculiar, Regina gostava de pessoas que a desafiavam, sem nunca ultrapassar os limites impostos por ela mesma, é claro. Sorriu, certificando-se que ninguém olhava para ela, afinal, Regina Mills não sorria. Nunca. O que ela não sabia era que Emma reparou muito bem no caminho que seus lábios fizeram até sorrir.
Precisava ir para uma reunião, sendo assim, pegou um catálogo em uma de suas mãos e uma bolsa Chanel na outra. Ao passar pela porta, Zelena a aguardava ansiosamente. Ela acompanharia a chefe para tomar notas, junto com Killian. Regina passou reto, sem nem se dar ao trabalho de dirigir-lhe o olhar.
– Me acompanha, Emma? – Parou em frente a mesa da loira e notou o seu espanto ao ser convidada.
– Eu? – Arregalou o belo par de olhos verdes que possuía. – Claro, claro! – Aprontou-se em um instante, pegando sua bolsa e celular. Regina continuava inacessível, todavia, Emma não deixou de notar que ela, pela primeira vez, lhe chamou de Emma. Sorriu. Sorriu bastante. Seguiram para o carro e, para surpresa da loira, Regina não disponibilizou outro carro para que fossem separadas, coisa que sempre fazia com Zelena ou qualquer outra pessoa. Não. Elas iam juntas até a reunião. Sorriu de novo. Depois sorriu mais uma vez. Talvez a “Dama de Ferro” só precisasse de agrados, às vezes. Os pensamentos de Emma ficaram a mil com tão pouco feito pela morena. Balançou a cabeça, como de costume, tentando fazer com que qualquer diálogo interno se esvaísse. Mas Regina estava ali, ao seu lado, deixando-a sentada, com o corpo todo retraído pelo nervosismo com a presença dela. Regina tinha um poder sobre Emma e nem fazia ideia disso. Aliás, nenhuma delas fazia e muito menos que estavam perto de descobrir.
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