The Devil Wears Prada
34 Capítulo XXXIV - Remember us.
Notas iniciais
POV Emma
– Interessante? Interessante como? – Perguntei entre gaguejos. A surpresa por tê-la ali ainda me era nova.
– Interessante, Swan. Apenas interessante. – Regina me sorriu de forma que jamais havia sorrido antes. – E posso saber qual será o próximo destino? – Ela se levantou, parando em minha frente, e sussurrou.
– Isso você terá que me acompanhar para saber. – Sussurrei de volta, podendo ver o arrepio em sua pele.
– Eu não pretendo te deixar por mais nem um segundo, Swan. – As palavras de Regina me atravessaram com força.
Em um impulso inconsciente, agarrei-a pela cintura, e recostei a cabeça em seu ombro. Algumas lágrimas caíram ao sentir o carinho que fazia entre os meus cabelos. “Eu senti tanto a sua falta”, sussurrou Regina, sem parar de repetir a mesma frase por algumas vezes. Pude notar que seus olhos também choravam um tanto, provavelmente sentia tanto a minha falta quanto eu senti a dela. Fechei a porta atrás de mim, sem me desvencilhar de seu abraço. Suas mãos afagavam minha cabeça e costas. Ficamos assim ainda por algum tempo; pude sentir o coração de Regina acelerando e desacelerando; acredito que ela tenha sentido o meu pulsando com a mesma forma quebradiça do dela.
– Não compreendo. – Interrompi o momento assim que meu transe começou a passar. – E Rose? – Regina se afastou, sentou na poltrona e bateu para que eu sentasse em seu colo, no entanto, preferi ficar de pé. Ainda não tinha me explicado o que houve entre ela e a ex-mulher.
– Eu não faço ideia. – Regina sorriu, acredito que nervosamente, e voltou a me fitar.
– Não faz ideia? E a Mills? – Eram tantas questões que me ocorriam como um furacão.
– Eu não sei, Emma. Simplesmente fui embora de lá, resolvi vir atrás de você e...
– E me escolheu ao invés da Mills? – Antes que Regina pudesse acabar sua fala, eu a interrompi. – Regina, você, você... – As palavras falharam e, por um momento, parecia que nada mais no mundo importava ou conseguia ser descrito. Minha amada nada disse, apenas concordou com a cabeça enquanto uma lágrima escorria pelo seu rosto. Eu pensava que sabia o quanto a revista significava para ela, mas não, eu não tinha a menor ideia do tamanho e da importância que Regina atrelava à Mills.
– Eu te amo, Regina. – Sem esperar mais nem um segundo, praticamente arremessei meu corpo contra o dela e a beijei. Meu beijo era carente, carente de ninguém mais do que Regina Mills, carente da “Dama de Ferro” que, por fim, mostrou-me que não era de ferro, era apenas uma dama, como qualquer outra, que amava, como qualquer outra, a diferença estava em mim: eu era diferente por ter conseguido ganhar um amor tão majestoso como era o dela.
Meus braços apoiados em sua nuca não deixavam que ela escapasse. Nossos beijos se cruzaram e se fundiam de forma harmônica, podia sentir as palpitações de seu coração coladas ao meu peito. Nossas línguas pareciam os dois personagens de filme que se encontram para reviver um amor antigo.
– Eu te amo de uma forma que jamais pensei ser capaz de imaginar, Swan. – Ela parou o beijo e chacoalhou a cabeça após dizer aquilo. – Emma. – Pôs as mãos no meu rosto, uma de cada lado, tentando me penetrar através dos olhos. – Minha Emma. – Distribuiu milhares de beijos por toda a extensão do meu rosto.
Regina deitou um pouco mais a poltrona, deixando o encosto quase totalmente recostado. Deitei por cima dela e assim ficamos, trocando carícias, juras de amor e beijos, muitos, muitos, muitos beijos. Assim ficamos por mais algum tempo.
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POV Regina
Emma adormeceu em meus braços. Pudera, depois do que eu havia feito, sabia que ela teria uma péssima noite de sono. Alisei seu rosto de forma gentil, delicada... Emma merecia alguém que a cuidasse tão bem quanto ela insistia em cuidar dos outros. Pousei a mão em um dos lados de sua face, distribuindo os dedos e os carinhos entre os cabelos e sua bochecha. Ela se mexeu, pensei que fosse acordar, no entanto, um doce e tranquilo suspiro saiu de sua boca. Sorri. Emma era tão Emma. Revirei os olhos, pensando em um tudo o que enfrentamos para estar aqui. Sem tirar as mãos de Emma, meus olhos voaram janela a fora e logo as lembranças me tomaram.
"– Você gosta de moda? – Regina arqueou uma sobrancelha, abaixou um pouco seu óculos e foi subindo o olhar por todo o corpo de Emma, indo de suas botas marrons até o seu rosto sem maquiagem alguma.
– Eu? – Aquela pergunta a pegou de surpresa. – Para ser sincera, eu não conheço muito sobre o mundo da moda, mas... – Interrompida outra vez.
– É só isso. – Regina suspirou em sua fala e voltou a folhear o catálogo.
– Como é? – Emma ficou confusa e não obteve nenhuma resposta. Havia passado a manhã em um caos, sendo destratada pelos funcionários arrogantes do lugar e nem ao menos teria chance de falar sobre si? Não, ela não deixaria assim. A sua irritação foi subindo por todo seu corpo, justamente como fez Regina com o olhar, até chegar à garganta. – Olha, eu passei por um monte de situações para estar aqui para em sua frente hoje. Meu currículo é, de longe, muito melhor do que qualquer um das candidatas que deve ter entrevistado para ser secretária. Até porque isso não é nem o meu trabalho, mas falei com uma conhecida que me disse: “vá, é uma oportunidade única! Tente!” e acabei vindo, só que acabo de perceber o quão errada ela estava. – Respirou fundo ao notar que Regina nem a olhava, apenas passava as folhas do catálogo com tédio. – Aliás, quer saber? Que bom que você não me contratou, pois eu odiaria trabalhar com alguém que nem se dá ao trabalho de olhar para os que estão falando. Não é a toa que anunciam a chegada “do diabo” quando você está chegando.”
Ri um pouco ao me lembrar de Emma dizendo que as pessoas me chamavam de “diabo”. Ela tinha uma inocência tão doce e, ao mesmo tempo, tinha uma coragem invejável.
"– Entre. – A voz de Regina demonstrou toda profunda irritação que sentia.
– Com licença. – Emma entrou e fechou a porta atrás de si. – Me desculpe por sexta-feira, meu namorado teve uma atitude completamente infantil, eu o deixei no restaurante, mas não percebi que havia desligado meu telefone, então só vi quando cheguei em casa e... – Foi interrompida pelas palavras cortantes de Regina.
– Eu não preciso de desculpas. Eu precisava da minha lista e você não fez o seu trabalho. – Não levantou o tom de voz em momento algum, mantinha aquela linha arrogante e amena. – Sabe, garota, eu faço questão que cada pessoa com os pés aqui leve o trabalho tão a sério quanto eu... Olhei para você com todas essas roupas – Fez um gesto com a mão como se dissesse “largadas”. – Essas roupas desse jeito, mas logo pensei que deveria ser competente. – Respirou fundo, se levantando e caminhando lentamente até Emma, parando a alguns centímetros da loira toda retraída. – Eu falei para mim mesma: “arrisque. Escolha a candidata que nada tem a ver com revista, talvez ela seja diferente das outras cinquenta que aguentaram um dia” e, quando escolheu aquele restaurante, pensei que tinha feito a escolha certa mesmo. – Olhou para Emma por alguns segundos, percebendo a contração que tinha em sua boca. – Pelo visto fiz a escolha errada. – Voltou a sua cadeira, se sentou e, por fim, abriu a edição da revista Mills que havia sido lançada naquele dia. – É só isso.”
Dessa parte, em especial, sabia que Emma não seria qualquer pessoa em minha vida, principalmente depois de sua mudança. Oh, sua mudança! Suspirei.
"Regina, de sua sala, não conseguia parar de pensar na entrada radiante de Emma. Sim, ela realmente estava radiante. Nunca tinha a visto tão confiante de si e tão bonita, lembrou-se de súbito o dia que a contratou. Era essa a mulher que estava procurando: forte e decidida. Odiava os subalternos puxa-saco, mas deixava bem claro que odiava questionamentos. Com um gosto bem peculiar, Regina gostava de pessoas que a desafiavam, sem nunca ultrapassar os limites impostos por ela mesma, é claro. Sorriu, certificando-se que ninguém olhava para ela, afinal, Regina Mills não sorria. Nunca. O que ela não sabia era que Emma reparou muito bem no caminho que seus lábios fizeram até sorrir.
Precisava ir para uma reunião, sendo assim, pegou um catálogo em uma de suas mãos e uma bolsa Chanel na outra. Ao passar pela porta, Zelena a aguardava ansiosamente. Ela acompanharia a chefe para tomar notas, junto com Killian. Regina passou reto, sem nem se dar ao trabalho de dirigir-lhe o olhar.
– Me acompanha, Emma? – Parou em frente a mesa da loira e notou o seu espanto ao ser convidada.
– Eu? – Arregalou o belo par de olhos verdes que possuía. – Claro, claro!”
Esse foi, deveras, o xeque mate de Emma. Ela aceitou entrar em meu mundo sem proteção alguma.
"– Até amanhã. – Emma sorriu para ela.
Regina não desceu do carro. Olhou para Emma por algum tempo, notando seu nervosismo ao estar ali. Olhou por mais um tempo, tentando resistir aos desejos que sentia. Tentou resistir, lutou bravamente para controla-los.
– Algum problema? – A loira perguntou, um pouco desconfortável com aquilo.
Regina se aproximou do rosto de Emma e, mais uma vez, tentou resistir, todavia, suas respirações estavam próximas demais e aquele arrepiou voltou... Colou os lábios dos de Emma, fechando os olhos e ficando ali por alguns seguidos. Conseguiu sentir um único arrepio atravessando os corpos das duas. Quando voltou a si, se afastou rapidamente, olhou para Emma uma última vez e saiu do carro, deixando-a sem palavras.”
Regina, Regina. Suspirei sozinha, corando um pouco, ao me lembrar do meu despudor ao fazer aquilo.
– Foram tantas noites dopadas por whisky após aquele beijo, Emma, se você soubesse... – Falei mais para mim mesma do que para ela, que dormia de forma angelical.
"As duas subiram no avião e Regina mandou que decolassem. Emma verificou se os cintos estavam bem apertados, pois tinha medo de voar.
– Está aflita? – Regina se virou para ela, que estava na poltrona ao lado.
– Um pouco. Tenho aflição de voar. – Seus dentes enrijecidos mostravam que estava com medo.
O avião decolou, dando alguns trancos durante a partida, deixando Emma quase a flor da pele.
– Não fique com medo. – A mão de Regina foi de encontro ao braço de Emma, segurando-o com leveza, deixando o corpo inteiro da loira arrepiado.”
Ao me lembrar desse detalhe, em especial, tratei de reforçar a segurança do corpo de Emma, mesmo que estivesse sobre o meu.
"– Não faça isso, Swan. – Mal acabou de dizer e surgiu uma turbulência, tanto no avião, quanto no medo de Emma. Tudo balançou e Regina acabou caindo sentada no colo da loira.
– Senhorita Mills, você está – Não acabou a pergunta. Regina não conseguiu pensar, o impulso a pegou de sopetão e logo colou seus lábios nos de Emma.
O medo da secretária subitamente sumiu. Regina invadia sua boca com ferocidade, explorava cada canto dali com a língua, clamava por aquilo há muito tempo. Virou-se para Emma, passando as duas pernas em volta de seu corpo. Parou por um segundo e, dessa vez, Emma a puxou para outro beijo. As línguas se queriam, trocavam de bocas. Regina parou o beijo e foi descendo até o pescoço da loira, dando um forte chupão do lado direito.
– Ai. – Emma reclamou gemendo, deixando a “Dama de Ferro” ainda mais excitada.
Seu lado selvagem veio a tona. Abriu a camisa que Emma usava em um puxão só, deixando os botões se espalharam pelo chão. Contemplou por alguns segundos os seis perfeitamente desenhados dela, descendo a língua por todo seu colo. Emma gemia a cada toque de Regina. A loira arqueou as costas ao sentir as unhas da chefe arranhando suas costas, então a morena logo abriu o fechou do sutiã de renda preto e o tirou, abocanhando um dos seios enrijecidos de Emma."
Swan, Swan. Balancei a cabeça, ainda encontrando com os olhos a mulher deitada em meu colo. Confesso que lembranças como essa me deixam com um desejo quase insaciável por Emma.
"– Não, não... Você escolheu. – A “Dama de Ferro” mostrou que realmente podia ser de ferro. – Escolheu ir em frente. Se você quer essa vida, essas escolhas são necessárias.
– Mas e se isso não for o que eu quero? – A secretária perguntou mais para si mesma do que para Regina.
O carro estacionou, revelando uma multidão de repórteres aguardando por Regina.
– Não seja ridícula, Emma. – Regina colocou os óculos escuros e foi abrindo a porta. – Todo mundo quer isso. Todo mundo quer ser como nós. – Terminou de abrir a porta e se retirou.
Emma ficou confusa. Achou que poderia ver alguma coisa boa em Regina, mas, pelo visto estava enganada. Um milhão de sentimentos golpearam seu corpo naquele momento. Respirou fundo e desceu do carro.
Regina sorria para os fotógrafos. Olhou para trás na tentativa de encontrar Emma e encontrou. Diferente do que Regina imaginou, a loira estava de costas e se afastava cada vez mais dela. Pegou seu celular e discou o número de Emma, todavia, não foi atendida. Emma Swan tinha seu rosto coberto por lágrimas, a cada toque da ligação, um pedaço de seu coração parecia ceder. Em um ato desesperado, jogou o celular na fonte que estava ao seu lado. Olhou para Regina pela última vez, seus olhares se cruzaram e se pediram, mas ela negou. Negou e foi embora.”
O fim da minha viagem a Paris foi realmente estrondoso. Pensei que o mundo queria ser como eu e, veja só, o quão enganado estive esse tempo todo. Não precisava do mundo inteiro virando impressões de Regina Mills, apenas precisava de uma pessoa que descordasse daquele pensamento para entender que a vida é tão mais do que isso. Voltei a afagar os cabelos dourados de Emma e dessa vez seus olhos esmeralda foram se abrindo para mim.
– Bom dia, ou devo dizer boa noite, Swan. – Ganhei um doce sorriso ao proferir minhas palavras.
– Oh, meu deus! Desculpe, Regina! – Para meu susto, Emma se levantou em um pulo. – Você deve estar toda dolorida! – Seus olhos arregalados me fizeram achar graça.
– Não se preocupe, meu amor, eu ficarei bem. – Levantei-me para um breve alongamento e logo retornamos à poltrona, sentadas lado a lado dessa vez.
Emma, que ocupou a janela, não pode deixar de reparar que a noite já chegara, levando o sol para longe.
– Já é noite... – Olhava pelo pequeno quadrado transparente. – Quanto tempo dormi?
– Algumas horas. – Sorri sem pressa. Encantava-me poder sorrir sem contar os segundos que faltavam para o momento acabar.
– Você também dormiu? – Perguntou-me com um pesar em sua voz, parecia se sentir culpada por ter dormido.
– Não... Estive pensando em tudo o que já passamos. – Mantinha meu tom calmo costumeiro. – E foram tantas coisas, Swan! Nem consegui repassar tudo antes que acordasse.
– Muitas! – Emma concordou, fitando-me de forma acalentadora. – Quando fomos a Paris, lembro de entrar em pânico ao descobrir que estaria no mesmo jatinho que você e sua mãe. – Ela riu daquilo, deixando-me com a boca arregalada.
– Por quê?!
– Oras, Regina, você é a “Dama de Ferro” e ela a “Mulher Dragão”. – Revirei os olhos enquanto ria da expressão aflita de Emma. – Porra!
Emma colocou a mão na testa, fingindo ter passado por desespero e riu logo em seguida.
– Regina.
– Hum? – Fitei-a com curiosidade.
– Fico feliz que você não seja mais uma estranha para mim. – Não pude conter meu riso ao ouvir aquilo. – Pare! – Seu rosto corou de imediato. – Não tem a menor graça, certo? É só que você era uma pessoa distante e hoje é vital para mim. – Suas palavras soavam com delicadeza e carinho.
– Fico feliz por ter conhecido alguém que me livrou deste distanciamento. – Aproximei-me de seus lábios, selando aquele momento com um beijo calmo e cheio de amor.
– Quanto tempo até chegarmos? – Emma, por mais que se distraísse, não podia evitar sentir o frio na barriga em aviões.
– Algumas horas. – Respondi na tentativa de acalmá-la. – Não muito. – Dei os ombros e sorri de forma cúmplice.
Toc Toc
A comissário de bordo bateu na porta e, ao ver que estávamos dividindo aquela poltrona, riu da situação.
– Com licença, gostariam que eu abrisse a poltrona? – Ela perguntou muito polidamente e olhei para Emma com uma expressão óbvia no rosto.
Sem pensar duas vezes, nos levantamos e a mulher acionou o sistema, fazendo daquela cadeira, uma cama confortável. Não era como o meu jatinho, é claro, mas era mais confortável.
Assim que terminou seus afazeres, a comissária falou mais algumas palavras de praxe e se retirou. Emma e deitamos uma ao lado da outra, sorrindo, nos olhando, sorrindo, nos beijando, sorrindo, conversando, sorrindo... Sempre sorrindo. Se você, meu caro leitor, pensou que eu faria algo sexual em relação a Emma, estava imensamente enganado. Tudo a seu tempo. Emma e eu nos entendemos de uma vez, não temos pressa ou questões, quero aproveitar cada minuto ao lado dela.
Não demorou para que o sono cavalgasse até nós e, como em um sonho real, Swan me abraçou pelas costas. Era a minha vez de dormir; junto com ela, que não perdia o sono jamais.
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