The Devil Wears Prada
31 Capítulo XXXI - Happy new year.
Notas iniciais
POV Emma
Dia 31 demorou, mas, enfim, chegou. Minhas malas malas estavam feitas. O primeiro lugar que me aguarda é a Toscana. Após dias de pesquisa, aquela região me parecia demasiada adequada para começar a minha volta ao mundo com os pensamentos em ordem; iria de coração aberto a todas as experiências que viriam a acontecer.
Zelena passou a noite comigo, como amiga, é claro, aliás, Ze tinha se tornado uma grande amiga nesses últimos dias. Ela acordou e eu já organizava os últimos detalhes das reservas pelo computador. Zelena se aproximou; trajava suas vestes profissionais e sentou no banquinho ao lado do meu, passeando os olhos pela tela em minha frente.
– Então você vai mesmo? – Pegou o café que havia na bancada e serviu uma xícara. – Não desistiu dessa ideia? – Tomou um gole da bebida escura.
– O que foi que Regina disse mesmo? – Direcionei meu olhar a ela.
– Emma, não pode tomar uma decisão como essa por causa dela. – Bebericou mais um tanto. – Enfim, faça como quiser... É só que sentirei sua falta. Não estou acostumada a ter amigas.
– Você pode ir me encontrar durante as suas férias. – Sorri animada, mas o semblante de Zelena continuava o mesmo. – Qual é, Ze. – Abracei seus ombros nus pela lateral do corpo, pois seu vestido prendia-se apenas ao pescoço. – Será bom para mim.
– Eu sei, eu sei que sim. – Ela respondeu. – Só ficarei com saudades. – Deu os ombros e riu logo em seguida. – Bom, preciso ir. Regina não deixa mais ninguém em paz. – Virou o resto de café em sua boca, deixando a xícara na pia. – Vou passar a virada com a minha família hoje. Tem certeza que não quer ir?
– Não, obrigada. Agradeço muito o convite, mas dormirei cedo para conseguir acordar amanhã. – Sorri para ela sem muita animação. – Aproveite seus parentes. – Ela revirou os olhos e rimos daquilo.
Zelena me abraçou e saiu, sem me dar feliz ano-novo. De acordo com ela, desejar algo antes da data dá azar. Preferimos não arriscar. Combinamos que ela seria a santa alma a me levar no aeroporto e assim nos despedimos.
Voltei a olhar o site do hotel da Toscana e era tudo tão gracioso... Como gostaria que Regina pudesse desfrutar daquele lugar comigo. Sempre quis ir a Florença com alguém. Não, Emma, não! Balancei a cabeça na tentativa de esvaziá-la. Estou indo justamente para ficar longe dela. Chega de Regina!
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POV Regina
Mais uma pessoa havia sido demitida no último dia do ano. Estava cansada de todos, para ser sincera... Talvez sendo um pouco rígida demais, todavia, era a forma mais lógica de lidar com os últimos acontecimentos. Cheguei na redação antes de todos, com exceção a secretária da entrada. Preferia passar os meus dias na Mills a ter que lidar com Rose. Ela gastava suas horas entediantes tentando redecorar a minha casa. Grande coisa! Revirei os olhos perdida em meus próprios pensamentos. Da minha cadeira, vi Zelena entrar correndo. Parecia esbaforida e tomou um susto ao me ver.
– Regina. – Entrou em minha sala cheia de cerimônia. – Desculpe o atraso, eu estava com Emma e... – Ela cortou sua fala ao dizer o nome de Swan.
– Com Emma? – Arqueei uma das sobrancelhas, fazendo um gesto para que Zelena se sentasse em uma das cadeiras da frente. – Como ela está? – Não me contive ao perguntar.
– Bom, a Emma... – Minha secretária gaguejava. Penso que temia alguma reação minha, mas eu estava cansada demais para brigar por qualquer motivo que fosse. – A Emma está péssima, Regina. Não vou ficar falando que ela está bem, pois não está. – Aquilo apertou meu coração de forma cruel. – Está melhor, é claro. Pelo menos parou de beber o dia inteiro. – Ela riu. – Mas vai viajar amanhã e isso é reflexo de sua dor. – Zelena fitava-me pedindo piedade. Parecia implorar para que eu fosse atrás de Emma.
– Talvez a viagem faça bem a ela. – Respondi de forma certeira. – Traga o livro para mim, fecharei tudo hoje. – Limitei-me a dizer. Zelena se levantou, indo em direção a porta contra sua vontade. Seu caminhar era lento e seus olhos ainda pairavam sobre mim. – É só isso. – Meu tom seco invadiu a sala e logo ela apertou o passo, trazendo o livro em seguida.
Meu dia foi cheio. Finalizei a edição de ano-novo e não pude deixar de pensar em Emma estampando a capa. Ela faria o ensaio no dia 29, mas Fiona acabou ligando para pedir que eu trocasse de modelo. Rose conseguiu virar minha vida de ponta cabeça, o que só me deixava ainda com mais raiva dela. Suspirei, cansada. Eram 18h e só eu estava na redação. Deixei que os funcionários saíssem mais cedo, só que a minha coragem para encarar a noite era pequena. Rose e eu iremos à casa de Fiona, onde mamãe e ela darão uma festa digna de convidados ilustres. Será que Emma estará lá? Uma voz pareceu surgir em minha mente, sussurrando aquela dúvida ao pé dos meus ouvidos. Sorri com a possibilidade de encontrá-la. Era essa a coragem que eu precisava para ir me arrumar. Coloquei meu casaco, peguei minha bolsa e fui direto para casa.
Em algumas horas, eu e Rose descemos do carro em frente à casa de Fiona. Como eu imaginava, a decoração estava impecável. Tecido dourados espalhados por todo o salão principal, com mesas espalhadas pelos cantos cobertas com toalhas de linho creme; Flores misturavam-se entre copos de leite, rosas, orquídeas e pingos de ouro. As pedras da varanda uniam-se a damas da noite, deixando o lugar cheio de holofotes com um aroma agradável. Mamãe e ela não demoraram a nos recepcionar. As duas trajavam branco. Fiona usava um macacão de cetim inteiro branco; o decote era feito em V e alcançava o meio de sua barriga, onde algumas pregas feitas com o próprio tecido da roupa delineavam sua cintura. O modelo era elegante e simples, dando atenção ao conjunto de rubis que se acomodavam em suas orelhas e colo. Minha mãe estava com um vestido também da cor branca; era fechado parte da frente, fazendo um corte em forma de U nas costas, todo delineado com pedras de swarovski; uma gargantilha dourada ganhava seu pescoço e o batom vermelho, como de costume, completavam seu rosto inteiro a mostra devido ao coque que fizera. As duas pareciam um casal surreal... É isso o que acontece quando duas lendas vivas da moda resolvem se envolver. Sorri, cumprimentando-as e meus olhos logo rodavam o imenso salão com convidados. Não via Emma em lugar algum. Rose não foi recebida por nenhuma das duas, pois ambas optaram por fingir inexistência dela.
A festa estava animada, diferente do meu humor, que ficou péssimo ao notar que Emma não fazia parte dos convidados ilustrados no local. Fiona se aproximou de mim, aproveitando que Rose havia ido pegar algo para bebermos.
– Emma não virá. – Disse de uma só vez, como se soubesse que eu a procurava.
– Imaginei que não fosse vir. – Dei os ombros fingindo não me importar.
Rose voltou sem que pudéssemos acabar nossas falas. Ela tocou o meu braço e Fiona achou melhor se afastar. A presença de minha ex-mulher deveras a incomodava. As horas se passaram e faltavam trinta minutos para a chegada de um novo ano. Fui ao banheiro retocar minha maquiagem, aproveitando a distração de Rose para permanecer um pouco sozinha. Olhei-me no espelho e uma tristeza profunda me invadiu. Eu era uma mulher sozinha, não precisava de tempo para ficar daquele jeito. Suspirei, saindo pela porta ainda mais desanimada do que quando entrei. Fui pega de surpresa por Rose. Ela aguardava do outro lado e, em um movimento rápido, encostou-me na parede, beijando-me logo em seguida. Sua língua procurava passagem para encontrar-se com a minha, mas eu não dei. Empurrei-a para longe e desci as escadas furiosa. De repente, o salão se tornou pequeno. As pessoas riam e uma angustia enorme foi tomando conta de cada parte que eu possuía. O ar ficou pesado e quase não passava mais pelas minhas narinas. Eu não posso deixar que Emma vá sem me despedir. Não posso!
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POV Emma
Faltava pouco para que o ano virasse. Servi uma taça de vinho branco e fui para a minha varanda, na parte de cima do apartamento. Algumas pessoas comemoravam na rua, mas pouco pude ouvir devido à altura. Que bom! Não estava em clima de comemoração, sentia que uma parte de mim havia morrido junto com os fatos dos últimos dias.
Apoiei no parapeito e deixei o copo ao meu lado. O céu, todo estrelado, cobria meus anseios como um tapete fino. Tentei procurar alguma estrela cadente, assim poderia realizar algum desejo, no entanto, nenhuma aparecia. As três marias, minhas favoritas, alinhavam-se perfeitamente organizadas, em uma linha que parecia ter sido feita a dedo pelo universo. Olhei no relógio da parede. Faltavam exatos dois minutos para a meia noite. Respirei fundo, sentindo o vento em meu rosto, quase implorando para que ele levasse Regina e todas as lembranças dolorosas com ele. Sabia que era em vão, mas o que custava tentar?
Um aglomerados de pessoas começou a contagem regressiva. Faltavam dez segundos. Fechei os olhos, sentindo o ar entrar pelas minhas narinas. Essa era a hora de fazer o meu pedido. Não pensem que não tentei pedir para esquecê-la, pois eu tentei, porém, a primeira frase que me surgiu foi “queria que Regina estivesse aqui comigo”. Meia noite. Pude ouvir pessoas festejando e fogos de artifícios estourando em um turbilhão de cores, apagando o meu tapete de estrelas particular.
– Feliz ano-novo, Emma. – Ouvi aquilo sem acreditar. Eu sabia de quem era aquela voz... Eu sabia! Virei-me e era ela. Regina estava ali.
– Regina! – Arregalei os olhos, fitando a minha amada que vinha caminhando até mim. Ela pousou as mãos em minha cintura, puxando-me para um abraço. Pude ouvir sua respiração descompassada. – Eu não entendo... Como você... Como você está aqui?
– Shhhh. – Regina colocou um dedo sobre meus lábios. – Eu não queria que você partisse sem me despedir.
Sua boca percorreu toda a extensão do meu rosto, parando ao encontrar a minha. Nossos lábios foram se abrindo e um beijo ganhou seu início. A língua de Regina me invadia de forma doce. Estava sedenta por mim, mas não apressou nada. Fomos acariciando uma a outra e o beijo ficou salgado por conta de minhas lágrimas, que escorriam pelas minhas bochechas, encontrando-se com o beijo. Ela parou e voltou a me abraçar.
– Regina. – Me afastei, tentando falar algo, mas ela me interrompeu.
– Eu escrevi algo para você, Emma. Não quero que vá embora sem que antes eu leia. – Fez uma pausa, pegando um pedaço de papel de dentro da bolsa. Céus, ela estava incrível. – Isso é difícil para mim... – Regina pigarreou e então começou:
“Levante-me da relva.
Eu desvaneço, eu fraquejo, eu desfaleço.
Que seu amor chova em mil beijos
em meus lábios e pálpebras pálidas.
Meu rosto está frio e branco,
infelizmente.
Meu coração bate alto e forte.
Comprima-o junto ao teu,
novamente.
Onde, enfim, ele irá se partir.”
Regina me olhava com os olhos cheios de lágrimas. Meu coração chorava sorrindo, assim como meu corpo, que reagia de forma estranha àquele momento.
– Eu vim me despedir, Emma. – Seu choro foi ganhando força. – Sei que não posso lhe dar o que almeja, tampouco posso impedi-la de ir, mas eu não poderia, nem aqui ou em outras vidas, vê-la partindo sem levar um pouco de mim. – Abri a pouco e nenhuma palavra saiu, apenas meu choro que tentava escapar por meio de sons.
– Regina... – Virei o rosto, olhando-a no fundo de seus olhos. – Regina, por favor...
– Swan. – Ela se aproximou de mim, tocando meu rosto de forma delicada. – Perdoe-me por não ser o suficiente para você. – Seu choro, agora, já era um pranto compulsivo. – Perdoe-me, meu amor. – Meu coração se partia a cada palavra. Eu a queria. Regina colou os lábios nos meus, dando-me um último e triste beijo. – Eu amo você. Sempre irei amar. – Respirou fundo e se virou, caminhando a passos largos.
Eu nada pude fazer. Ouvi as três palavras que mais sonhei em ouvir da boca de Regina, mas ela se despediu. Eu iria viajar, no entanto, quem partiu foi a minha amada Regina. Senti no chão e vi sua presença se esvair aos poucos. Eu sentia muito. Eu sentia tanto. Meu choro foi embalado pelo calor do momento e a fala ainda me faltava.
– Eu te amo, Regina. – Sussurrei, mais para mim do que para ela. – Eu te amo.
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