The Devil Wears Prada

29 Capítulo XXIX - You did not choose me, Regina.


Notas iniciais
Gente, é o seguinte: estamos chegando na reta final da fanfic e essa é, muito provavelmente, a última que escreverei. Minha criatividade é péssima hahah triste, mas é a verdade. Enfim, gostaria de agradecer a quem está comentando! Muito obrigada. Vocês nem viram minha declaração fofa nas notas do capítulo passado, mas elas estão lá (e olha que eu não sou nada fofa! rs). Espero que gostem do capítulo.

POV Emma

Os raios de Sol ofuscavam minha ressaca. Senti o calor fraco penetrando minha pele e fui abrindo os olhos com dificuldade. Ao abaixar meu rosto, a garrafa de vodca vazia, em meu colo, trouxe a lembrança da noite anterior.

– Regina. – Suspirei, deitando a cabeça na espreguiçadeira e fechando meus olhos.

Ouvi a campainha e estranhei. Desci as escadas, segurando a garrafa vazia em minhas mãos e a deixei na cozinha. Olhando através do olho mágico, Fiona ia apertar o botão novamente quando abri a porta.

– Emma, bom dia. – Beijou-me o rosto, adentrando o apartamento. – Esqueceu da sessão de fotos de hoje? – Aproximou-se de mim, fechando a cara. – Bebendo vodca a essa hora e nem me convidou? – Aquilo me arrancou uma risada, mesmo que mínima. Fomos em direção ao sofá, nos sentando. – Bom, falando sério agora. – Como de costume, Fiona ascendeu um cigarro. – Você bebeu vodca e são só 11h da manhã, além de perder a hora em um atraso triunfal de 2h. – Encarou-me com seriedade. – O que houve, Emma?

– Regina. – Não adiantaria mentir, respondi sem mais delongas. – Ela e Rose voltaram.

– Não é possível. – Deu uma tragada. – Regina a odeia.

– Regina finge que a odeia. – Rebati. – Ontem fui até a casa dela e lá estava Rose.

– Regina parecia feliz, Emma? – Não parei para pensar sobre isso. Regina realmente não parecia feliz, mas não tinha motivos para continuar com aquela sirigaita.

– Não. – Dei os ombros. – Mas não quero saber de nada. Foda-se a Regina e a Rose, elas que vão para o inferno.

Levantei-me do sofá, irritada, e pedi um cigarro para Fiona. Ela ficou surpresa com o meu pedido, só que não recusou, pelo contrário, percebeu que eu realmente precisava de algum calmante.

– Onde está seu celular? Tentei te ligar várias vezes e ninguém atendia. – Arregalei os olhos ao ouvir aquilo.

Comecei a procurar pela sala e consegui encontrá-lo atrás da poltrona, no chão. Peguei e percebi que estava desligado.

– Eu desliguei ontem. – Voltei ao sofá, sentando-me desanimadamente.

– Liguei 17 vezes, pode ver. – Fiona fez um movimento com a mão que segurava seu cigarro para que eu visse.

Olhei para a tela e realmente tinham exatas 17 ligações. Ri daquilo. Era bom ter Fiona ali comigo, ela era durona e tinha um ótimo humor, não me deixava pensar em coisas tristes.

– Vamos para o ensaio? – Perguntou-me e fiz uma cara feia em retorno.

– Hoje é dia 27... – Ela arqueou uma das sobrancelhas, como quem esperasse as minhas desculpas. – Gostaria de ficar de férias até o ano-novo, se possível.

– Emma. – Inclinou-se para frente. – Eu não sou sua chefe... Você é quem precisa decidir isso.

– Eu sei. – Concordei. — Mas você foi quem lançou minha carreira. Queria um conselho.

– Certo. Eu não pararia minha vida por isso, querida. – Disse-me com carinho em suas palavras. – Ficar parada nos faz pensar demais e pensar faz doer.

– Tem razão. – Concordei cabisbaixa.

– Mas isso não precisa começar hoje, certo? – Ela se levantou rapidamente. – Hoje você será minha! Vamos passear! – Eu ri e ela me olhou séria. – Estou falando sério, querida, vá tomar um banho logo!

Sem questionar, subi as escadas até o meu quarto e fui tomar o meu banho.

+++

POV Regina

Acordei me sentindo cansada, parecia que não havia descansado nada. Tive maus sonhos durante a noite inteira, não consegui ter paz nem ao menos no meu subconsciente. Fiquei me perguntando até quando duraria aquela tortura? Depois desse tapa, duvido que isso terminaria logo... Todo o meu processo de abertura havia ido por água abaixo e isso me deixou estranhamente triste. Ouvi as batidas na porta do quarto e, ainda sonolenta, fui abrir.

– Bom dia, meu amorzinho. – Rose me deu um beijo rápido de surpresa. – Dormiu bem? – Seu tom sínico logo me trouxe para a minha dura realidade. Sem mais delongas, revirei os olhos e fechei a porta em sua cara. – Regina! – Ela abriu furiosa, enquanto eu ia em direção ao banheiro. – Não admito que você me trate dessa forma!

– Você sabe muito bem o motivo, não sabe, Rose? – Respondi, irritada. – Você me pode me chantagear para ficar contigo, mas não queira que eu te ame. Primeiro, eu sinto pena de você, Rose. – Respirei fundo e continuei. – Segundo, eu não amo. Depois de toda sacanagem que você fez comigo, eu não consigo mais amar. Consegue entender isso? – Ela direcionou o olhar para o chão, fez menção de dizer algo, entretanto, logo levantei a mão pedindo que parasse. – Por favor, deixe-me sozinha.

Rose se retirou do quarto e pude ouvir seus saltos estalando na madeira da escada. Sai do lugar onde os hóspedes ficavam e fui para a suíte principal da casa, a minha. Peguei o celular e não havia nenhuma notificação de Emma, deixando-me um pouco aflita.

– Desculpe, Swan. – Abaixei o rosto, deixando que as lágrimas percorrerem meu rosto. Fazia-me muito mal o fato de Emma estar sofrendo e, pior ainda, o fato de pensar que eu não tinha um coração, quando muito fiz com ela. Suspirei. A angústia não saia de meu peito.

Entrei no banho e a água quente foi me acalmando. Depois de renovar um pouco a minha energia, enrolei-me na toalha, deixando as gotículas escorrerem pelo meu corpo ainda um pouco molhado. Ouvi o toque do meu celular vindo do quarto e rapidamente corri pelo local para atender. Só podia ser Emma! Ao alcançar o aparelho, o visor indicava o nome “Cora Mills”. Suspirei por não ser Emma.

– Diga, mamãe. – Atendi.

– O que houve? Parece irritada! – Era impressionante como minha mãe me conhecia melhor do que qualquer outra pessoa.

– Rose está aqui. – Revirei os olhos, sentando na cama.

– O quê?! – Ela gritou ao telefone, começando seu pequeno ataque histérico. – O que essa filha da puta está fazendo aí?!

– Calma, mamãe. – Tentei acalmá-la.

– Calma é a puta que pariu, Regina! – Quando mamãe começava a gritar daquele jeito, não havia outra coisa a fazer, se não deixa-la parar de gritar sozinha. – Arrume-se! Passarei aí em 15 minutos e você irá me contar qual foi a cagada que fez! – Antes que eu pudesse dizer algo, ela desligou.

Não tive outra opção, abri o armário e escolhi uma roupa casual; passaria na Mills depois de nosso encontro. Uma saia lápis de couro preta e uma blusinha de seda compunham minha escolha. O colar eram pérolas Chanel, originais.

Passei por Rose sem fingir que havia notado sua presença no sofá. Ela me perguntou onde eu iria, mas não respondi, apenas continuei minha caminhada até o elevador. Assim que cheguei ao andar térreo, o caro de mamãe me aguardava. Entrei em silêncio, até ela quebrá-lo, após alguns minutos.

– Conte-me o que está acontecendo entre você e Rose. – Encarou-me.

– Olá, mamãe. Como vai você? – Revirei os olhos, usando a ironia como minha aliada. Não queria falar sobre a minha ex-mulher, ou atual, o que seja. – Não há nada.

– Regina Mills. – Seu tom ficou estritamente sério. Agora ela falava comigo como a “Mulher Dragão”. – Fale agora mesmo ou eu farei questão de perguntar a ela.

Não demorou muito para que o motorista estacionasse. Fomos a um bistrô que ficava perto de meu apartamento, bem em frente ao Central Park.

Assim que fizemos os pedidos, minha mãe voltou ao assunto. Resolvi não prolongar mais o assunto e lhe contei tudo o que precisava saber.

– Ingrid. – Mamãe bateu a mão na mesa, chamando atenção de algumas outras pessoas ao redor. – Eu sabia que aquela fraca ainda me causaria problemas.

– Não acho que a culpa tenha sido dela. Rose sabe ser persistente quando quer. – Fiz o advogado do diabo.

– É claro que a culpa não foi dela. Ingrid era muito fraca e burra para pensar em um plano desses. – Disparou, deixando-me intrigada sobre a história das duas. Não falei nada para que ela pudesse prosseguir sozinha. – Ela sempre foi uma pessoa insegura. Era linda de morrer, mas sua insegurança fez com que eu perdesse meu interesse em algumas semanas. – Pigarreei. Não queria saber mais sobre a vida amorosa dela. – Enfim, o fato é que precisamos dar um jeito de acabar com a festa de Rose. Ela não pode controlar a minha empresa.

– A minha empresa. – Rebati, ganhando um olhar de reprovação dela.

– Tentarei dar um jeito, achar algo contra ela que a obrigue a te vender as ações. – Finalizou.

– Não acho que vá conseguir. Rose é praticamente uma santa em sua vida, o que nós duas sabemos que não é verdade, só que a maioria das pessoas não.

– Me aguarde, Regina. – Limitou-se a dizer, pois a comida chegou logo depois. Confesso que mamãe sempre conseguia o que queria e aquilo me encheu com uma pontinha de esperança.

Comiamos em paz até sermos surpreendidas com Emma e Fiona. As duas riam bastante, carregando centenas de sacolas. Meu olhar cruzou diretamente com o de Swan; tentei desviá-lo, mas a força que ela tinha fazia com que meu próprio corpo me traísse. Poderia ficar olhando aqueles encantos esverdeados por anos, entretanto, ela passou a olhar para minha mãe e Fiona que conversavam. Não faço ideia do que era, só ouvi a parte em que mamãe as convidou para almoçarem conosco. Elas recusaram.

– Fiona, posso falar a sós com você? – Minha mãe realmente queria me colocar em maus lençóis. As duas se dirigiram para a parte de fora do restaurante.

O silêncio fez-se cada vez mais perturbador entre eu e Emma. Ela olhava pela janela, mas pude senti-la me encarando de soslaio.

– Pensei que me ligaria, Swan. – Resolvi interromper aquilo antes que o ar ficasse mais pesado.

– Vai que Rose atendesse! Não seria nada legal, não é mesmo? – Seu tom irônico e sarcástico me encheu de raiva. Puxei-a pelo braço, fazendo com que ocupasse a cadeira ao lado da minha.

– Você não sabe o que realmente aconteceu, então não saia por aí dizendo bobagens. – Vociferei com a voz baixa.

– Bobagens, Regina? Sua ex, mulher, sei lá o que ela é sua, estava no seu apartamento quando eu fui até lá te dizer que... – Ela pausou sua fala.

– Dizer que...? – Perguntei, fazendo um gesto para que ela continuasse.

– Nada. Se você não se importa, esperarei lá fora. – Emma fez um movimento pronta para se levantar, quando a segurei novamente.

– Escute. – Respirei fundo. – Rose controla 49% da Mills agora, ela me obrigou a voltar a ser sua mulher. – O rosto de Emma não continha expressão alguma, era preocupante ver um semblante tão neutro vindo dela. – Nós não estamos vivendo como casadas, nos amando ou qualquer coisa que tenha se passado pela sua cabeça. Ela só está me atormentando, usando uma carta triunfal para me manter por perto. – Soltei todas as palavras como se tirasse um peso de cima de mim. Para a minha surpresa, o semblante de Emma tinha ficado mais sério.

– Ainda assim, Regina, você escolheu a Mills à mim. Você sempre escolherá a Mills. – Rebateu, fazendo-me pensar em algo antes impensado. – A sua arrogância te fez ser a “Dama de Ferro”, te fez escolher o trabalho antes de tudo ou de todos.

– Você não entende, Swan. – Tentei dizer algo, mas as palavras me faltaram.

– Não, Regina! Você é quem não entende. Eu ia dizer que... Que... – Percebi que ela tentou, mas as palavras também lhe faltaram. – Não importa! Você não me escolheu, Regina, isso me magoa muito mais do que qualquer atitude de sua ex-mulher. – Levantou-se num susto. – Espero que você e a Mills sejam feliz, pois ela é, mais uma vez, o amor da sua vida.

– Mais uma vez? – Emma já tinha se virado de costas, mas retornou a antiga posição para responder. – Sim, pois você já trocou seu melhor amigo por ela. – Filha da mãe! Referiu-se a Killian! Ela saiu andando a passos largos e o ar me faltou. Respirar ficou mais difícil; acredito que, pela primeira vez em minha vida, o peso e a culpa me afrontaram.

Mamãe voltou sem Fiona. Percebeu minha palidez, perguntando se eu estava sentindo algo. Neguei.

– Mamãe, você já fez escolhas em sua vida, certo? – Ela cerrou os olhos sem entender muito bem aquela pergunta e confirmou com a cabeça. – Já trocou alguém pela Mills?

Sua expressão denunciava sua familiaridade com aquilo.

– Muitas pessoas, querida. – Respondeu, dando um gole em sua Margarita. – Muitas pessoas. – Seu olhar parecia ter se perdido em devaneios, como se eu trouxesse de volta um passado já quase esquecido por ela.

– Isso te machucou? – Prossegui.

– Machuca até hoje, Regina. – Deus os ombros, suspirando logo em seguida. – Mas é a vida... Não há muito o que fazer perante a isso. A Mills é a Mills, o resto do mundo é o resto do mundo.

Empurrei meu prato para frente. Não consegui sentir fome depois de tudo aquilo. Nunca o peso das minhas decisões havia me atingido, não daquela forma... Meus olhos encheram-se de lágrimas, mas as contive. Mamãe continuava a saborear sua comida. Notou que eu gostaria de chorar, entretanto, assim como eu, Cora sempre fora uma pessoa sem arrependimentos; a diferença é que talvez eu estivesse me arrependendo de algumas coisas. Suspirei, dando um gole em minha água com gás.

+++

POV Emma

O resto do dia passou arrastado. Consegui me divertir com Fiona, só que o encontro com Regina me deixou péssima. Sabia que ela fazia de tudo pela Mills, mas como podia chegar a tanto?

Passei toda a parte da tarde e da noite assistindo a filmes. Meu choro caia descontroladamente; sentia-me rejeitada, não querida... Poderia esperar isso de qualquer pessoa, menos Regina! Ia falar que a amava e recebo isso em troca? Ao menos ela e Rose não estão transando. Emma! Repreendi-me mentalmente. Não tenho nada a ver com o que ela faz ou deixa de fazer em sua vida. Foda-se!

Meu celular apitou e quase não fui ver o que era. Arrastei-me do sofá ao balcão da cozinha. Assim que li o nome do remetente, tome um susto! Era Zelena.

De: Zelena Mader

Para: Emma Swan

Oi, Emma. Tudo bem com você?

Estranhei a mensagem. Resolvi responder.

De: Emma Swan

Para: Zelena Mader

Zelena? Aconteceu alguma coisa?

Não era muito boa em rodeios, por isso logo perguntei se algo havia acontecido.

De: Zelena Mader

Para: Emma Swan

Abra a porta, por favor.

Olhei ao meu redor, procurando por Zelena, mas só fui encontra-la ao abrir a porta da sala.

– Zelena? – Não consegui esconder minha surpresa em vê-la. – O que faz aqui?

– Posso entrar, Emma? – Parecia desconfortável com algo.

– Claro, sinta-se à vontade. – Dei passagem para que ela pudesse entrar.

– É difícil sentir-me à vontade quando te tratei mal e hoje você é uma das modelos do momento. – Ela riu, fazendo-me revirar os olhos.

– Eu continuo sendo a mesma Emma de sempre. – Ofereci algo para ela beber e peguei uma coca-cola para mim. – Agora, diga-me, o que a traz aqui? Não que sua presença não seja boa... – Olhei por toda a sala, procurando palavras boas o bastante para dizer aquilo. – É só... Inesperada. – Consegui! Ufa!

– Imagino que esteja estranhando... Mas sabe como é, as fofocas correm dentro da Mills e imaginei que talvez estivesse precisando de algo. – Ela sorriu como nunca havia feito antes. Zelena parecia doce. Sorri de volta.

– Na verdade, preciso sim! Preciso de alguma companhia... Os filmes estavam me deixando depressiva. – Ela riu.

– A propósito, obrigada pelas roupas que me mandou de Paris. – Sorriu um pouco sem jeito. – Nunca agradeci, mas amei.

– Oh, aquilo?! – Fiz o mesmo movimento que Regina fazia com as mãos, dizendo algo como “isso não tem importância”. – Aquilo não é nada! – Rimos bastante dessa parte, principalmente por sabermos exatamente como era.

– Eu sei que você deve estar chateada, Emma... – Estava preparada para ouvir um discurso de auto ajuda, quando Zelena tirou algo de sua bolsa. – Mas eu trouxe um presentinho. – Era um baseado!

– Zelena! – Arregalei meus olhos na mesma hora. – Você é sempre tão certinha, não pensei que fizesse esse tipo de coisa.

– Pois é! – Ela riu. – Pegue um isqueiro, vamos.

Apenas a obedeci. Peguei o isqueiro da cozinha e logo estávamos tragando o baseado. Eu e Zelena não demoramos muito para ficarmos chapadas. De repente, tudo se tornou não engraçado... Regina e Rose pareciam engraçadas. A cada vez que pensava nela, ria sozinha e Zelena me acompanhava no riso, mesmo sem saber do que se tratava. Ela estava sendo uma ótima companhia! Passamos o resto da noite rindo sem parar um segundo. As duas jogadas no sofá, jogando conversa fora e falando muita, muita, muita besteira! Que delícia! Sentia falta de uma amiga por perto. Amiga?

– Zelena, você é minha amiga? – Tentei falar séria, mas o acesso de riso dela me comprometeu.

– Claro que sim, Emma. Sempre fui! Todos aqueles conselhos sérios. – Ela riu muito ao falar “sérios”. – Eram, no fundo, para o seu bem. É preciso saber sobreviver naquela redação! – Ela fez o sinal da cruz e voltamos a gargalhar.

Era bom tê-la ali naquele momento! Algumas horas se passaram e a fome veio, pedimos um hambúrguer, muito gostoso, por sinal, e foi cômico o nosso diálogo com o entregador. Tudo foi cômico naquela noite. Por mais estranho que fosse no começo, era muito bom tê-la por perto. Nunca pensei que Zelena fosse uma pessoa divertida, mas parece que me enganei. Ela era. Ela divertida e, acima de tudo, uma candidata forte ao posto de “uma grande amiga”. Quando o sono veio, nenhuma das duas quis ir para a cama e ficamos dormindo no meu imenso sofá mesmo.

– Boa noite, Zelena. – Falei, gentilmente.

– Boa noite, Emma. – Ela piscou para mim e foi a última coisa da qual me lembro antes de cair em um sono profundo.

Era a segunda vez que eu precisei não estar sóbria para poder dormir, mas pouco me importava. Naquele pequeno momento, meu mundo não parecia tão confuso, parecia menos cruel e minha dor, bom, minha dor ainda estava ali, porém, consegui fazer com que ela dormisse antes mesmo do meu corpo. Sempre pensei que fosse besteira ficar compartilhando a tristeza com as pessoas, sempre pensei que o mais fácil era me afastar até que tudo estivesse bem, entretanto, Zelena e Fiona, hoje, me provaram que era o contrário. A dor não vai embora rápido, ela só precisa se sentir menor do que o redor e o que seria melhor do que estar rodeada de amigas? Afundei na almofada me sentindo querida e feliz por estar me sentindo daquela forma.

Notas finais
1- Gostaram da volta da Zelena? Algumas pessoas estavam sentindo falta, então achei essa uma boca maneira dela voltar. 2- Fiquem calmos, logo esse sofrimento irá passar. 3- Continuem comentando, isso me motiva MUITO a escrever mais e mais rápido. Bom fim de semana a todxs. Amanhã talvez eu poste, amores meus.