The Devil Wears Prada
17 Capítulo XVII - Fiona's star.
Notas iniciais
Seis meses se passaram após a despedida de Emma Swan e Regina Mills.
[6 meses antes]
Emma continuou a andar até chegar no hotel. Entrou no saguão, ainda triste pelo que havia ocorrido, se dirigiu ao restaurante do hotel, na tentativa de tomar uma água com açúcar para se acalmar. Sentou-se na mesa e pediu a bebida.
– Emma Swan, minha modelo. – Uma mão encostou-lhe as costas. Ela se virou e deu de cara com Valentino e Fiona. – O que faz sem Regina?
– Eu não trabalho mais para ela. – Limitou-se a dizer.
– Aconteceu alguma coisa, querida? – Fiona tocou-lhe o ombro e fez carinho com o polegar.
– Eu só resolvi que não queria ser como ela. – Deu os ombros. Não iria explicar tudo que havia acontecido.
– Podemos? – Valentino apontou para as duas cadeiras vazias e Emma fez que sim com a cabeça. Os dois se sentaram. – Emma, falei com Fiona sobre aquele assunto e ela... – Foi interrompido pela própria.
– Eu adorei a ideia. Não poderia ficar mais feliz em ter a moça bonita estrelando minha primeira campanha. – Piscou para ela, sorrindo. – Seu cachê será alto... Muito alto, na verdade. Como continuo sendo a editora-chefe da Goode, você teria uma capa e o editorial principal inteiro para você. As fotos seriam tiradas semana que vem, em Nova Iorque mesmo. – Fiona notou que o rosto de Emma não parecia mostrar empolgação, então pegou uma de suas mãos. – Eu sinto muito pelo que aconteceu com Killian. Sei o quanto ele gostaria de estar em meu lugar, mas, infelizmente, não pude recusar. – Foi totalmente solicita com Emma, a fim de ganhar sua confiança.
– Tudo bem... É só que ele estava tão animado e Regina... – Fez uma pausa, lembrando da grande decepção que tivera com a ex-chefe. – Bom, deixa para lá.
– Regina pode ser muito profissional quando precisa, Emma, é por isso que ganhou o apelido de “Dama de Ferro”. – Soltou a mão de Emma e arrumou seus cabelos já arrumados. – Mas acontece. O mundo dos negócios é assim, você precisa saber sobreviver dentro dele. Eu mesma quase não consegui, no entanto, hoje estou aqui. – Sorriu. – Você saberá o que fazer, eu tenho certeza. – Fez uma pausa rápida e finalizou. – E isso não quer dizer que deva se tornar Regina. Ou Cora.
– Eu gostaria de pensar um pouco. Isso me traria grande visibilidade, o que facilitaria um pouco – fez sinal de “muito” – a minha vida como jornalista.
– Com certeza. – Fiona assentiu.
– Posso responder até o fim da semana?
– Claro, querida. – A mais velha fitava os olhos de Emma descaradamente. Não que quisesse algo a mais do que suas atividades profissionais, mas o fato é: queria Emma como sua modelo e Fiona sempre foi muito persuasiva. – Podemos beber algo?
– Claro. – Emma voltava a sorrir aos poucos. – Fiquem à vontade.
Não demorou uma semana para que Emma se decidisse. A partir do momento em que aceitou beber algo com Fiona, sua decisão estava tomada, mesmo que ela mesma não soubesse disso. Como eu já disse, Fiona Goode tinha uma lábia invejável e demorou exatamente uma hora e alguns cosmopolitans para convencer Emma a ser sua modelo.
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Duas semanas se passaram depois da desastrosa despedida de Emma e Regina. A “Dama de Ferro” continuou seu trabalho em Paris, praguejando a agora ex-secretária por tê-la abandonado daquele jeito. Mais uma vez, o lado pessoal perdeu para o profissional. Foi assim com Rose e foi assim com Emma.
Regina fazia o seu percurso rotineiro da casa ao escritório, até que Colburn parou em um sinal vermelho e ela, ao fitar a janela, se deparou com uma foto incrível de Emma Swan na parede de uma banca de jornal.
– Colburn, me espere. – Desceu do carro as pressas e comprou a nova edição da Goode.
Voltou para o veículo e começou a folhear as páginas.
“Emma Swan é a nova estrela de Fiona Goode”
O título da matéria já dizia por si só. Emma tinha virado a modelo de Fiona. Lembrou-se do exato momento em que Valentino puxou a ex-secretrária para perto de si, dizendo que seria sua modelo, e dela mesma puxando Emma pela cintura, defendendo-a.
– Droga, Swan. – Praguejou em um sopro de voz.
Continuou a folhear a revista até chegar na Mills. Ao subir, não foi diferente. Regina passou o dia inteiro buscando informações sobre a “nova estrela de Fiona”, ficando cada vez mais arrependida do modo como agiu. Balançou a cabeça para tentar esvair aqueles pensamentos errados de sua cabeça. Continuaria sua rotina normalmente. É claro que aquilo havia lhe deixado triste, mas, propositalmente, a “Dama de Ferro” agiu como tal e não deixou Emma penetrar-lhe o coração a ponto de sofrer com aquilo.
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– Regina? – Killian bateu na porta já aberta do escritório, anunciando sua presença ali. – Só queria saber se vai ao lançamento que Donatella fará hoje.
Desde o ocorrido, a relação dos dois já não era a mesma, mesmo tendo se passado quase meio ano.
– Vou, vou sim. E você? – Parou de folhear um catálogo e apontou para a cadeira em frente a sua mesa, convidando o homem para se sentar. – Sente-se, por favor.
Killian adentrou o escritório perfeitamente decorado e se sentou.
– Com licença. – Puxou a cadeira, recebendo um olhar de reprovação de Regina.
– Desde quando você precisa pedir licença para se sentar a minha mesa?
– Desde quando você me trocou por Fiona Goode. – Sorriu tristemente. Regina não revidou a provocação, sabia que havia sido cruel.
– Você sabe como as coisas são... – Respirou fundo. – Vai para lá que horas?
– Hum... – Killian olhou em seu Cartier de pulso. – Saio daqui a trinta minutos, passarei em casa para buscar Cyrus, me arrumar e vou. E você?
– Estou saindo agora para ir ao cabeleireiro, depois troco de roupa em casa e vou. – Sorriu, sem receber nada em troca. – Quer ir comigo, por acaso?
– Não, mas agradeço o convite. Como eu disse, buscarei Cyrus, portanto, já tenho companhia. – Ele se levantou e foi caminhando até a porta, parando em baixo do batente. Virou-se para ela. – Mas agradeço mesmo o convite. – Piscou para ela e deixou o escritório.
Regina, mais do que nunca, se sentia sozinha. Perdeu o talvez único amigo que possuía, além de perder Emma... E tudo isso de uma vez só. Foi para o salão fazer cabelo e maquiagem, logo depois seguiu para sua casa, onde um casaco de pele verde musgo e um vestido preto a aguardavam. Trocou sua roupa e foi para o escritório, pegando um copo de whisky ao entrar. Sentou-se em sua imponente cadeira de couro, girou o gelo no copo algumas vezes e deu um longo gole.
– Regina? – Granny colocou a cabeça dentro do local e sorriu para a outra. – O que houve?
– Mal dia no escritório. – Deu os ombros. – Quando será que alguém vai me entender, Granny? – Deu outro longo gole na bebida.
– Nunca, querida. – Granny foi se aproximando calmamente. – Provavelmente, nunca. Pessoas que colocam o trabalho a cima de tudo, quase nunca são compreendidas.
– Granny, eu... – Foi interrompida pela governanta. Ela era a única que podia fazer isso.
– Regina, não direi coisas que lhe agradem, você sabe. Tome cuidado para não ficar como a sua mãe. Você ainda tem muito o que viver... – Sorria para ela.
Regina deu um último gole no copo molhado pelo gelo derretido e se levantou.
– Tão sentimental, não é, Granny? – Abraçou rapidamente a governanta, dando um sorriso para ela. – Patético. – Elas riram daquilo. – Preciso ir. Obrigada por sempre me cuidar. – A senhora assentiu com a cabeça e deixou o escritório, junto com Regina, que subiu as escadas.
A morena pegou sua bolsa e ia saindo do quarto, quando olhou para o mancebo de madeira que ficava em um canto. Dirigiu-se até ele, pegando uma echarpe alaranjada da Hèrmes. Olhou-se no espelho e resolveu que usá-la-ia.
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O evento de Donatella Versace, como de costume, estava recheado de personalidades importantes e repórteres famintos por suas respostas.
Regina colocou o salto Jimmy Choo para fora do carro e um aglomerado se formou em volta dela. Ela sorria friamente e respondia algumas perguntas sobre a Mills. Caminhou por todo o tapete vermelho e logo foi recebida pela própria Donatella, cumprimentando com dois beijinhos no rosto. Ficaram conversando sobre amenidades, quando a direção dos paparazzis mudou e seguiu para a entrada. Regina se virou para ver o que acontecia e seu olhar logo se prendeu a um par de olhos esmeraldas. Emma. Seu coração disparou, Donatella falava coisas que já não entravam em seus ouvidos. Sua visão e seu corpo inteiro eram completamente de Swan agora. Balançou a cabeça, voltando a sorrir para a estilista, como se tivesse prestado atenção em tudo que disse.
Logo atrás de Emma, desceu do caro Fiona Goode, usando um de seus clássicos sapatos coloridos com um vestido preto básico. Adorava combinar o clássico e o moderno. A mais velha passou o braço por trás da cintura de Emma e a puxou para perto de si, fazendo Regina querer morrer de raiva naquele momento. As duas caminhavam juntas pelo tapete vermelho. Emma estava radiante, seus cabelos brilhavam e balançavam conforme se movimentava. Fiona, por sua vez, estava vitoriosa. Sorria com a sua nova cria. Goode era conhecida por descobrir novos talentos no mundo da moda e sempre se orgulhava de cada um deles. As duas passaram por Regina e não se deram ao trabalho de parar, até porque seria difícil abrir passagem entre as dezenas de repórteres que lutaram por entrevistas. Entraram no estande e se sentaram sua mesa, ao lado de Valentino.
Killian chegou ao lado de Cyrus, seu marido. Cumprimentaram Emma com festas, fazia tempo que não se viam. Seguiram até a mesa de Regina e sentaram. A “Dama de Ferro” sempre conversava muito com Cyrus em ocasiões como essa, se entendiam muito por causa da obsessão pelo trabalho. Cyrus Beene era um profissional compulsivo, chefe de gabinete do atual presidente americano.
Algumas horas se passaram e, se pudesse contar as vezes que os olhares de Emma e Regina se falaram e se chocaram, eu faria, mas não posso. Bastava que uma olhasse na direção da outra e faíscas pulavam de um lado para o outro, metaforicamente falando, é claro. Regina bebia um whisky atrás do outro, chocando a Killian, que pedia para ela parar, sem sucesso. A morena nunca bebia muito, entretanto, aquela situação foi se tornando cada vez mais insustentável. Levantou-se e foi até o terraço, onde um vento forte passeava pela paisagem nova iorquina. Sentou-se em um banco, seus cabelos voavam e sua echarpe fez o mesmo, sem Regina nem perceber. Olhou ao redor e, pela primeira vez, a solidão a consumiu. Tinha os olhos tomados por lágrimas entristecidas, enxugando-as por cima das luvas mesmo. Fechou os olhos na tentativa de esquecer de sua vida por um momento.
Emma resolveu tomar um ar, o clima dentro do salão parecia cada vez mais pesado. Abriu a pesada porta de madeira, o vento continuava castigando os amantes do ar livre, tirou algumas mexas de seu rosto para enxergar melhor e notou que uma echarpe alaranjada ficou presa em seus sapatos. Pegou-a e aproximou o nariz do tecido, respirando fundo.
– Regina. – Falou baixinho, preocupada que alguma coisa pudesse ter acontecido.
Emma caminhou a passos largos jardim a dentro, até se deparar com Regina sentada em um dos vários bancos dos locais. Ela estava de costas e não viu a loira se aproximar, dando-lhe um pequeno susto ao dirigir-lhe a palavra.
– Emma. – Tratou de limpar com mais rapidez as lágrimas que banhavam seu rosto. – Que susto! – Queixou-se para tentar disfarçar a tristeza.
– Você estava chorando? – Emma abaixou e se sentou ao lado da morena.
– Não, não... – As lágrimas, que hora haviam cessado, voltaram a cair. – Desculpe-me, Emma. – Seu pranto se tornavam cada vez mais compulsivo. – Eu sei que não sou uma boa pessoa, mas você precisa entender que... – Um dedo de Emma em sua boca e interrompeu.
– Shhhh. Não precisa falar nada, Regina. – A loira se levantou, puxando Regina e a tomando em seus braços. Abraçou-a. – Vem, eu te levo para casa e cuido de você.
Lá estavam as duas. A “Dama de Ferro”, talvez pela primeira vez em sua vida, estava vulnerável e dependendo inteiramente de Emma Swan. As duas adentraram o salão.
– Não deixe que me vejam assim, por favor. – Regina tropeçava em suas próprias palavras.
– Deixa comigo. – Emma ligou para o seu próprio motorista e pediu para que saíssem pelos fundos. Com a ajuda dela, Regina entrou no carro e Emma logo depois, fechando a porta ao seu lado.
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