The Devil Next Door
5 Capítulo 5
— Boa tarde, vizinho. O tom de voz doce e particularmente calmo, apesar da situação ridícula, enervou Kaoru. Olhando para o chão e tentando apagar as imagens que havia acabado de presenciar, ele contou até cinco, respirando fundo antes de erguer a cabeça novamente e tendo o cuidado de ignorar o corpo molhado, parando seus olhos somente no rosto sorridente do ruivo. — Daisuke. Uma pausa aterrorizadora. — Você. Cortou. Minha. Luz. O morador do 305 arregalou os olhos, suas sobrancelhas se arqueando em surpresa. Se ele não havia feito o corte de propósito, pelo menos era um excelente ator. — Kao! Mas como você ousa me acusar? — Porque não existem outros moradores no piso. E Koetsu-san falou com você, como ele acaba de me explicar.
Die piscou e mordeu o lábio inferior, encostando no batente da porta aberta. A mente de Kaoru registrou que o gesto era infernalmente sedutor, fosse ele uma garota caindo pelos encantos do ruivo. Encantos do ruivo? Sem saber de onde a sua cabeça havia tirado aquele pensamento, uma guerra civil de curta duração se deu dentro da mesma, até o pensamento que insinuava que o seu vizinho pudesse ser remotamente bonito ou atraente fosse derrotado e exterminado cruelmente da face do seu cérebro pelos pensamentos sensatos. — Hmmmm. Tem certeza que fui eu o responsável? O publicitário respirou profundamente. — Daisuke. — É Die, não precisamos de tanta formalidade entre amigos, Kao. — É Kaoru. E não somos amigos, portanto, olhe para mim. Olhe bem para mim. — o homem de cabelos roxos comandou, usando o dedo indicador da mão direita para apontar para a própria cara. — Estou olhando. — o ruivo disse, inclinando-se para a frente e deixando que algumas gotas de água caíssem no outro homem, que as ignorou prontamente — Belos olhos. Kaoru controlou o rubor que quis tomar conta da sua face. — Daisuke. Eu não sou alguém quem você pode enganar e fazer o quê bem entender, está me entendendo? — Perfeitamente. Talvez precisasse de tradução se você decidisse falar em outra língua, mas em japonês não tem problema. — Ótimo. — um sorriso cruel se formou no rosto do publicitário, uma cópia perversa do crescente zombeteiro que o ruivo tinha nos lábios — Agora entre em casa e telefone para a companhia de eletricidade. E faça com que eles consertem esse engano. — Kao! Mas eu ainda nem confessei que fui eu ou qualquer coisa. Como pode exigir isso de mim sem nem saber se sou o culpado? O divertimento de Die com a situação estava estampado nos seus olhos, sendo perfeitamente visível para Kaoru. O homem de cabelos roxos perdeu a paciência e empurrou o outro homem para dentro do apartamento, sem perceber que havia acabado de prensar o corpo quase nu e ainda molhado do ruivo contra uma estante, que não desabara com o impacto por milagre. Assustado ao sentir outro corpo tão perto do seu, o publicitário tentou se afastar e voltar para o lado de fora do apartamento, mas os braços do morador do lugar o mantiveram parado. Um sorriso que agora era a personificação da malícia tomou conta do rosto de Die, seus olhos parecendo estranhamente mais escuros e ao mesmo tempo brilhantes para Kaoru. — Não sabia que você era do tipo de tomar iniciativas... Kaoru. Kaoru também não sabia. Aparentemente, conviver com Die estava fazendo com que descobrisse que era capaz de fazer várias coisas esquisitas. Movimentos bruscos se seguiram novamente, e dessa vez, o publicitário foi quem se encontrou prensado, e era contra a porta do apartamento. Kaoru nem havia percebido que a mesma havia se fechado enquanto fora empurrado para a mesma, a maçaneta da porta encontrando as suas costas de um forma longe de gentil e particularmente dolorida. — Eu acho que a sua coragem de vir até aqui, dizer algo que não sabia se era verdade ou não, merece ser recompensada. Então, para a sua sorte, eu vou confessar e dizer que sim, fui eu quem passou o número errado do apartamento para a companhia de iluminação. Teria feito isso antes, se eu soubesse que isto... — ele parou de falar, descendo a sua cabeça ligeiramente para ficar com os lábios próximos ao lóbulo da orelha de Kaoru, que sentiu as mãos de Die deslizando pelo seu corpo para parar nos seus quadris — Iria acontecer. O recém-chegado a Tokyo não sabia de onde veio, mas a força que de repente ele sentiu nos seus braços para empurrar Die de volta para a estante foi assustadora. O olhar estranho do outro homem também confirmava as suspeitas do dono do empurrão surpresa: Die havia sido atingido por algo inesperado. — Você quer parar com isso, Daisuke? — Muito bem. — ele assentiu com a cabeça, arrumando a toalha na cintura e Kaoru sentiu seus olhos acompanhando o gesto, mesmo que a contragosto da parte racional do seu cérebro — Eu ligo e arrumo a situação. Mas eles não virão hoje, com certeza. Então... O publicitário gelou. Ele ficaria sem banho pela noite? — Você vai ter que tomar seu banho aqui, se quiser um por essa noite. Uma pena eu já ter tomado o meu, senão o ajudaria com todo o prazer.
Lançando um último olhar carregado de segundas intenções, Kaoru sentiu que se a porta não estivesse logo às suas costas, ele não teria onde se escorar e provavelmente escorreria até o chão, se transformando numa pequena poça. Quando se sentiu sozinho na sala, o publicitário suspirou aliviado. E começou a pensar em como iria resolver o problema do seu banho, a voz de Die soando no interior do apartamento enquanto ele conversava com alguém na companhia de eletricidade. O recém-chegado a Tokyo queria positivamente se matar no momento em que entrou de volta no apartamento de Die. O ruivo não estava em lugar nenhum, e Kaoru se viu obrigado a chamá-lo, carregando a sua muda de roupas nos braços. — Daisuke. Silêncio completo se seguiu, até o publicitário ouvir barulho de talheres sendo remexidos na cozinha. Ou no lugar que Kaoru supunha ser a cozinha. Seguindo os sons, o homem de cabelos roxos se achou de fato parado em frente a um fogão, o dono da casa parado e sentado em cima de uma mesa, usando uma calça jeans escura e a blusa preta, de mangas longas, totalmente aberta. Pelo menos, o homem estava mais decente. Um pedacinho da mente de Kaoru quis fazer a observação de que o ruivo continuava igualmente sedutor, mas nem se deu ao trabalho. Os pensamentos raivosos estavam fazendo patrulha, prontos para massacrar qualquer opinião diferente dentro da cabeça do publicitário. Foi então que o morador do 304 se deu conta que Die comia uvas, uma faca repousando ao seu lado na superfície da mesa. Parecia não ligar para a presença de Kaoru ali dentro, comendo a fruta como se estivesse sozinho. Ou pelo menos era isso que o publicitário pensava até ouvir o ruivo abrir a boca. — Me desculpe, a vontade foi incontrolável. Olhar para você inevitavelmente dá vontade de comer uvas... — ele encarou Kaoru, passando a mão pelos próprios cabelos, indicando que a cor roxa dos cabelos do outro homem era o motivo para a sua súbita ânsia por uvas. — Onde é o banheiro, Daisuke? — Aa. Claro. Siga-me. O ruivo pulou graciosamente da mesa, entrando no próprio quarto. Kaoru notou que o seu próprio quarto era o cômodo mais afastado da suíte de Die, e ele se assombrou, lembrando da noite que ouvira barulhos constantes. Um rubor rapidamente se espalhou pelo seu rosto, e ele sacudiu a cabeça vigorosamente, na esperança de que o gesto fizesse o vermelho sumir do seu rosto mais rápido. — Pronto. É aqui. Sinta-se à vontade, Kao. — É Kaoru. — o publicitário grunhiu de volta, e esperou Die sair do quarto para sentar-se na cama, suspirando. Deixou as roupas sobre a cama e entrou no banheiro, esperando uma bagunça federal. No entanto, surpreendeu-se com o estado de arrumação do mesmo; estava tudo em ordem. Examinando rapidamente os produtos que encontrou no banheiro do ruivo, notou que ele tinha um mínimo de preocupação com os mesmos, sendo a maioria de marcas conhecidas. Parecia que Die era um pouco vaidoso. Olhando para o quarto do outro homem, Kaoru viu que este também estava mais bem arrumado, salvo por duas camisas que pareciam ter sido esquecidas sobre uma cadeira, em um dos cantos do cômodo. Ele notou com espanto que havia um conjunto de toalhas limpas sobre o travesseiro, pegando as mesmas e levando para o banheiro. Trancou-se seguramente dentro do mesmo, e entrou no banho. Nem bem cinco minutos haviam se passado desde que ele havia ligado a água quando Die entrou no quarto, um sorriso predatório nos seus lábios. Calmamente, ele colocou as suas camisas sobre a cama e sentou-se na cadeira onde elas estavam logo em seguida. Esperou calmamente a saída do publicitário de dentro do seu banheiro, a própria camisa ainda aberta. Assim que Kaoru amarrou a toalha felpuda azul na sua cintura, ele se perguntou onde estavam as suas roupas. Com um barulho de decepção produzido no fundo da sua garganta, ele percebeu que havia esquecido as mesmas do lado de fora, sobre a cama. Tudo isso era culpa da organização inesperada de Die; ele não deveria ser organizado, não era aquela a imagem que ele passava. Então qual seria a imagem certa para o ruivo? Kaoru desistiu de responder a pergunta quando sentiu que respostas nada interessantes poderiam resultar da mesma, sentindo um outro combate se preparando na sua cabeça. Balançando a mesma, ele aproveitou para secar os cabelos curtos com a toalha menor, destrancando a porta e passando para o quarto. Somente para dar de cara com Die estirado languidamente na cadeira, o cabelo vermelho sobre o rosto mas não encobrindo por completo seus olhos, que brilhavam com interesse. Kaoru sentiu que sua face esquentava, podendo ficar da cor dos cabelos do outro homem a qualquer segundo. O olhar intenso do ruivo seria capaz de fazer buracos no seu tórax, ou assim o homem observado pensava. Resolvendo ignorar o morador da casa, Kaoru sentou-se na cama, dando as costas para Die enquanto terminava de secar a parte de cima do seu corpo, preparando-se para vestir a sua camisa. Antes que Kaoru entendesse o que estava acontecendo, ele sentiu a camisa aberta de Die tocando o seu corpo, olhando para cima e percebendo que havia sido derrubado na cama do ruivo pelo próprio, que o mantinha preso ali com os joelhos, firmemente colocados um de cada lado do corpo do publicitário. — Assim está excelente. Exatamente onde eu quero você. — Você quer fazer o favor de sair de cima de mim? — Kaoru praticamente gritou, o absurdo da situação em geral disparando alarmes na sua mente. Ele tentou usar os dois braços para empurrar o ousado e maluco ruivo para longe, mas não conseguiu, as próprias mãos de Die segurando seus pulsos e prendendo-as em cima da sua cabeça. — Kaoru, seja um bom menino e não tente escapar. — Como assim \\\"não tente escapar\\\"? Daisuke, você é mais louco do que eu pensava. O ruivo apenas sorriu em resposta, claramente se divertindo com a situação enquanto Kaoru lutava para soltar seus braços. O publicitário se bateu mentalmente por ter esquecido as roupas no quarto e por ter dado as costas para o outro homem em terreno desconhecido também; ambas haviam provado ser atitudes fatais. De repente, a força extraordinária que Kaoru havia demonstrado na sala voltou aos seus braços, e ele conseguiu inverter a posição em segundos. Ele fez questão de colocar todo o seu peso na cintura de Die, a fim de não deixá-lo sair do lugar, prendendo seus pulsos de maneira similar a como tinha sido preso pelo ruivo. Os dois homens piscaram simultaneamente, Die logo recuperando sua pose. — Então você realmente tem iniciativa. — Ando Daisuke. Voc... Kaoru não chegou a terminar a frase, os braços de Die se soltando das suas mãos e abraçando-o de um jeito estranho, trazendo sua cabeça para baixo de encontro ao ruivo, os lábios se tocando. O homem de cabelos roxos se soltou o mais rápido que pôde, saindo da cama e se trancando no banheiro, vestindo-se com uma velocidade nunca antes vista. Sem dar um último olhar para Die, ele saiu do apartamento. Como a porta havia ficado escancarada e Die não o havia seguido, Kaoru voltou silenciosamente para a casa do vizinho, agarrando um maço de cigarros fechado que estava sobre a mesa da sala do ruivo. Sentindo-se de alguma forma aliviado por isso, voltou para o seu apartamento sem luz, trancando-se lá também e arrumando um fósforo entre as suas coisas na gaveta da cozinha. Acendeu um cigarro e caiu no sofá da sua sala, escura como breu. No momento em que parou quieto, descobriu que a sua mente não tinha como derrotar certos pensamentos agora. Ou pelo menos, a batalha seria mais longa e difícil. Extremamente difícil, julgando pelo jeito que Die beijava.Continua...
Notas finais
Obrigada a todos que continuam lendo e comentando a história! :D Agradeço sobretudo aqueles que riem ou dão sorrisinhos enviesados durante a leitura - afinal, não tem nada melhor para um autor de um texto classificado como "comédia" saber que a história está engraçada, ne? :3
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