The Devil Inside

1 S01C01 - Malum


Notas iniciais
A proposta dessa fanfic é mostrar o ponto de vista de vários personagens seguindo a história. eu pretendo fazer oito capítulos que serão postados todos os sábados.
Esse é apenas o primeiro capítulo e eu espero que todos o apreciem. Mandem sugestões, críticas, tudo será bem vindo.

A escuridão tomou cor, era algo meio laranja e estava meio embaçado. Enquanto percebi que tinha um gosto horrível em minha boca lembrei o quanto meus pais insistiram para que eu aceitasse morar em uma casa em que meu quarto tivesse paredes de vidro. A vista era considerada maravilhosa e isso bastava, concordei. Gosto de ver rostos maravilhados. Eu passava horas observando o movimento que o vento produzia na água, nuvens, arvores. O vento frio contra minha perna era a única coisa que me agradava neste momento. Mal percebi que já fazia cinco anos que eu deveria passar todas as noites aqui.

O Estranho de viver aqui é o quanto é iluminado durante o dia, isso me deixava irritada. O bom é que nesse período de férias o dia só começa nessa hora, pôr do sol. Há dois anos eu sempre estava acompanhada quando o sol se punha, agora eu estou exausta demais para contemplá-lo.

Meu banho sempre é interrompido e hoje não seria diferente, era ela, Lya com “y”, elas se apresentava assim por algum motivo, acho que o medo de que errassem a forma de escrever seu nome era o maior de seus problemas.

_Alô – atendi e tive que distanciar rapidamente o telefone do ouvido.

_Ela atendeu, não grite. Espere. Alô? Não estou te escutando, mas estarei passando aí em vinte minutos. Beijo. – e desligou rapidamente.

Ela sempre foi estranha, intensamente ruiva com sardas e olhos claros, não me lembro se são verdes ou castanhos, bem clichê, essa é minha amiga mais próxima desde que entrei no ensino médio, dois anos atrás. Hoje estou tensa já que só estaremos as duas na mata. Tive que deixar meu longo cabelo loiro molhado já que estávamos apressadas. Ela me deu um vestido para que eu usasse inventando que estávamos voltando à festa em que ela saíra.

Odeio ter que vestir essas calças com zíper abaixo do joelho, é brega, mas terei que usá-la por baixo da grande e volumosa parte de baixo do vestido. Agarrei minha mochila e enviei para minha mãe uma mensagem avisando que estava saindo para a festa e passaria a noite com meus amigos.

Caminhei lembrando-me da primeira vez que Lya me chamou para sair, fomos ao planetário, no dia ocorria um tipo de bônus para os quinze primeiros que visitassem naquele dia poderiam nomear uma estrela existente, ela foi a décima quinta e eu décima sexta então não pude receber o prêmio, ela nomeou a dela de “Lysan”, achei a coisa mais estranha, mas ela disse que era a junção de nossos nomes, Lya com “y” e Susan.

A buzina soou e logo meu pensamento voou no momento que descobri que ela havia feito o mesmo que eu várias vezes. Só de olhá-la nos olhos eu me sentia esquisita. Entrei no carro cumprimentando-a e ela começou a tagarelar sobre quem estava com quem na festa, incluindo nossos amigos. Não sei como ela ficava tão tranqüila. Malum nos esperava.

Ela discretamente falou:

_Você está assim por causa do Malum? Não fique assim, o nome dele é estranho, fácil demais de traduzir, ou seja, fácil demais de lidar.

_Você é meio maluca com essas suas idéias – Eu disse com um sorriso de canto.

_Seu sorriso é a coisa mais espetacular que eu vi hoje. E olha que tinham pessoas deslumbrantes na loja hoje.

Lya adorava casamentos e via todos os dias, Noivas, noivos, madrinhas e várias outras pessoas se preparando para o dia em que se casariam. Ela trabalhava na loja apenas três dias da semana, mas ia lá todos os dias. Às vezes Lya podia ser chata, mas sempre que podia era adorável.

Paramos e tirei rapidamente o vestido, sandália e brincos e os entreguei para Lya, já que eram mercadorias da loja e ela havia “emprestado” para ela mesma. Ela já estava pronta.

Ao entrarmos na mata ela agarrou minha mão, pude sentir o tremor. Eu estava tremendo também, a mistura de ansiedade e frio me traz essa sensação de que um terremoto partia da ponta dos meus pés e chegavam a minha garganta que se apertava cada vez mais. Assim como nossas mãos que quando uma deixava de apertar a outra começava.

Lá estava ele, Malum, a criatura mais horrenda do dia, não conseguia vê-lo direito, mas já sabia disso. Hoje, ultima noite de novembro era o dia de nos encontrarmos com ele. Ficamos de joelhos e um círculo se fez a nossa volta. O fogo se levantou e podemos ver claramente aquela imagem horrenda, de inicio estava como quando eu acordei tudo meio laranja e embaçado, senti um gosto horrível na boca e ao olhar para frente o efeito da repentina luz do fogo passou e pude vê-lo. Com seus olhos vidrados em nós. Sua pele era meio queimada e parecia podre, era cinza, seus braços eram maior que o cumprimento de seu corpo, por isso se arrastavam no chão. Seus dedos tinham tamanhos irregulares e somente alguns possuíam unhas, as quais estavam manchadas de algo preto, parecia sangue seco e sujeira de terra, lama ou algo nojento. Sua voz nos estremecia. Ele levantou o braço e vimos que pedaços de sua pele estava aberta e podíamos ver ossos expostos. Ele arrancou um deles e os partiu. Senti uma dor aguda no pescoço e quando olhei para o lado ele havia cravado uma unha lá. Tirou um pedaço de carne bastante estranha e que esticava feito umas massinhas que eu brincava quando era pequena. O vi fazer o mesmo com Lya e nos entregar seu osso. Ele desapareceu segundos depois. Percebi que nossas feridas já haviam cicatrizado e a marca era parecida. Ela retirou de seu bolso um celular e discou, era alguém que ela ligava constantemente já que sabia o numero decorado. Ela então disse:

_Lui, terminamos. Conseguimos o osso de Malum. E agora o que devemos fazer primeiro? Parti-lo ao meio ou queimá-lo?

_ Você não fará nada. Entenda que uma vez que você faz um pacto com ele você não poderá destruí-lo. Por isso estou a caminho.

Ao escutar parte da conversa falei:

_Ele virá só?

_Você está só? – perguntou Lya.

_Não, estou com Sean.

_Só com Sean. – Disse Lya falando comigo e desligando o telefone sem se despedir. _Quem mais você esperava?

_Ninguém.

_Susan se você gosta de alguém é melhor me dizer logo ou descobrirei de qualquer jeito.

Eu nem sequer sabia com respondê-la. Apenas fiz uma careta levantando o nariz e encolhendo a boca. Ela sempre ria dessa careta. Eu Sempre amei a risada dela. Era muito exagerada! Fazia-me rir. Era como se há alguns minutos atrás nós não tivéssemos feito um pacto com um demônio humilis.

Sean desceu do carro com todo o estilo que ele possuía quando agia naturalmente. Segurou o osso de Malum como se fosse um troféu, deslumbrando sua beleza morta. Não era o primeiro humilis que matávamos. Os demônios humilis eram muito burros, pois faziam pactos com qualquer um em troca de comida. Mas matá-los era bastante desconfortante. A pessoa fica por pelo menos um mês com uma dor insuportável nos dentes. Eu acho estranho doer tanto apenas depois que ele morre, mas não tão estranho quanto lutar com demônios.

Lui partiu os ossos em quatro pedaços e tivemos que comer o núcleo do osso, onde havia bastante sangue e alguns pedaços de carne morta, provavelmente recolhida em pactos. Terminando, nossas visões ficaram como se estivéssemos vendo fogo. E lá estava ele furioso em nossa frente: Malum. Era hora de agirmos, os pedaços de seu osso deveriam ser colocados de volta no lugar de onde foi tirado. E depois um de nós deveria matá-lo. Sean foi o mais rápido. Estávamos todos em volta do humilis e Sean estava posicionado atrás, eu na frente. Sean arregalou os olhos para mim e dei um murro no olho de Malum que amaldiçoou minha alma, porém o mais estranho não foi o lance da alma, já que estou acostumada, e sim seu olho sair rolando pelo chão. Sean então enfiou o pedaço de osso de uma maneira como se fosse dar um forte abraço pelas costas do demônio, fazendo assim ele se virar e com suas mãos arrastando derrubar a mim e Lui.

Lya colocou logo em seguida o seu pedaço aproveitando que ele havia levantado suas mãos com aquelas poucas unhas imundas para atacar Sean, Lui me ajudou a levantar e juntou nossos pedaços, disse que ele colocaria os dois, detestei a idéia, mas desde que ele disse que queria ficar comigo eu recusei passei a ser mais cuidadosa com meus movimentos com ele. Ele conseguiu. Finalmente colocou o pedaço final. Eu cravei uma pequena faca de prata que eu havia trazido no buraco onde o olho de Malum deveria estar e Lui a empurrou com toda a força, todos nos afastamos esperando a explosão já que a prata atingira seu cérebro. Malum ria incontrolavelmente e começou a me arrepiar novamente com sua voz que rasgava minha mente de dentro pra fora. Seu riso frenético e suas palavras eram muito estranhos. Ele disse que não éramos mais capazes de derrotá-lo, pois uma força maior havia chegado a cidade. Com apenas uma mão ele nos atingiu, dessa vez com uma força dez vezes maior que antes. Lembro-me de que meu ultimo pensamento foi buscar em minha mente todas as maneiras que um humilis poderia ser derrotado e que se a mais eficiente havia sido falha significava que o problema realmente havia chegado. Malum ria freneticamente, vi que Lydia estava desmaiada ao meu lado. Segurei sua mão com força e fui caindo na escuridão ao som daquela risada infernal.

Notas finais
No próximo capítulo um novo personagem aparecerá, Don, ele também é um caçador porém não participou dessa nova experiência com Malum. Será que ele pode ter alguma pista sobre essa nova "força maior"? e o que aconteceu com o restante do pessoal? Descubra próximo sábado aqui. - Historien.