The Devil Inside

2 S01C02 - Aceto


Notas iniciais
Segundo capitulo mostra o ponto de vista de Don, um personagem que não estava com o restante quando foram atacados pelo demônio Malum. Don está passando por uma situação onde se sente "perdido" e pra piorar ser um "caçador de demônios" não ajuda tanto, mas até que pode aliviar um pouco sua raiva.

A música impactante invadia meus ouvidos, meu corpo acompanhava a batida, eu sentia felicidade. A Luz piscava freneticamente e eu pensava o como era bom ter pais tão liberais e super massas quanto os pais do Jota, os pais dele o chamavam de Jota. Minha cabeça era totalmente confusa a todos os momentos, mas ao som daquela musica tudo se acalmava. O olhar dela é lindo, tenho certeza que seus olhos são castanho claro, pois já os encarei milhares de vezes. Ela é minha melhor amiga. Hoje seus olhos estão sempre de olho no celular, que mesmo dançando ela não o tira da mão.

_Lya o que foi? – Eu falei preocupado, porém gritando por causa do barulho.

_Nada Don, só estou esperando a Susan me ligar. Já era pra ela ter chegado aqui. – ela gritou também.

_A Susan tem falado algo de mim? Desde nossa discussão em relação aos mediocris. – eu disse.

_Não toque nesse assunto aqui na frente de todos e ainda gritando! Você pirou Don? – disse Lya meio irritada.

_Foi mal, e aí? Ela falou? – perguntei.

_Não, ela não disse nada e eu já cansei de esperar, vou ligar pra ela.

Dirigimo-nos para um canto onde o barulho era menor, porém ainda era alto.

_Ela atendeu? Pergunte sobre mim, estou com saudades dela e... – eu disse e fui interrompido pela Lya atendendo ao telefone, mas ao mesmo tempo meu coração palpitou, percebi uma agitação. Cutuquei Lya, mas ela me mandou esperar.

_Ela atendeu, não grite. Espere. Alô? Não estou te escutando, mas estarei passando aí em vinte minutos. Beijo. – Lya falou e desligou rapidamente.

_Lya não estou bem. Quero puxar um, antes de ir vamos até os fundos comigo.

_Ah não, não posso, Susan estar a me esperar. – disse Lya.

_Por favor, véi. – Eu disse.

Lya e eu havíamos ficado próximos desde que Susan começou a se distanciar da gente. Ela passou a entender até quando eu não estava bem ou quando eu queria algo, quando eu estava triste ou quando eu estava com raiva. Ela segurou meu braço e me levou para o andar de cima. Entramos no quarto do irmão do Jota. Estava vazio. Um quarto de paredes claras e decoração escura, cortinas pretas, colcha da cama azul escura, tapetes pretos e pôsteres de filmes de guerra, acho que ele sempre amou o exército e por isso havia ido servir e não só para continuar a tradição da família de ir para o exército. No quarto ela trocou de roupa, mas depois vestiu novamente o vestido por cima. Sentou ao meu lado e abriu a segunda gaveta do criado mudo, me dizendo que antes de ser aceito no exército ela e o irmão do Jota haviam namorado, poucas semanas, mas o bastante para ela saber onde as coisas ficam no quarto dele. Ela pegou o isqueiro e o baseado pronto e ascendeu, deu apenas uma pequena tragada, e me entregou. Deu-me um beijo na testa e se foi.

Fiquei pelo menos uma hora deitado. Lembrei de como foi divertido o dia em que conheci Susan. Eu estava sentado na varanda esperando minha mãe me levar à escola, mas por alguma razão, que no momento era desconhecida, ela não chegou e então, subindo a rua correndo estava ela, uma grota loira e grande que mesmo com tanta rapidez parecia uma daquelas modelos de revista, sua regata cinza folgada se grudava em parte de seu corpo e seu top preto estava à mostra. Ela me chamou pelo meu nome sem ao menos conhecer-me. Mal levantei para perguntar o que estava acontecendo e dizer que eu não poderia sair sem avisar minha mãe e ela foi logo falando que eu teria que ir com ela agora e que era urgente, começou a me puxar e mandar-me dar aceto para ela. Eu estranhei ao saber que ela queria esse maldito frasco de aceto que a mamãe me fazia andar pra cima e pra baixo. Aquele dia nós enfrentamos um summus. Foi estranho que meu primeiro demônio tenha sido um summus já que eles eram os mais fortes.

Comecei a imaginar como seria voar com asas de demônio e levantei, minha cabeça estava meio engraçada quando vi meu reflexo. Ri de mim mesmo e abri a porta olhei para uma foto do exercito que havia no quarto e comecei a ouvir um barulho que parecia uma tropa marchando bem rápido. Mas aí escutei um “Yeah, let’s go!” achei estranho e aí um rap começou, comecei a misturar minha imaginação com a musica que passava na festa, acho que era “Can’t Hold Us” do Macklemore e aquele outro cara, o casaco do Macklemore é muito doido, mas estou com calor. Deixei meu casaco no corredor e desci as escadas estava com uma regata, ao chegar lá em baixo alguém me puxou para dançar, mas antes eu tomei uns goles do que todos estavam bebendo.

Estava apenas de cueca na cama de Jota. Reconheci porque tem um cheiro meio ruim da colônia dele e suor, não sei dizer, não há mais ninguém no quarto comigo, levantei e, nem no banheiro, espera tem algo. Não posso acreditar, ainda é de madrugada, estou quase nu, e tem um humilis embaixo da cama? Peguei minha garrafa de aceto dentro do bolso da calça preta que eu estava usando e passei em minhas mãos, eu estava de mau humor então nem peguei faca, espadinha ou qualquer idiotice, apenas me abaixei e ele já notou minha presença, levantou derrubando a cama como se ela fosse de papelão para ser tão leve. Corri em sua direção e coloquei minha mão no buraco que havia em seu olho esquerdo e notei que havia uma pequena faca lá. Ele abriu sua boca, acho que era para rir ou resmungar alguma baboseira, mas eu alcancei seu cérebro mais rápido e o puxei com força, segurei com as duas mãos e antes que ele pudesse dizer algo eu o esmaguei. O humilis explodiu me deixando coberto de sangue e pedaços nojentos de carne podre. Sorte que os humanos normais não podiam ver a bagunça deles a menos que eles permitissem e mortos eles não tem mais vontades. Arrumei a cama de volta no lugar. Vesti-me e chequei meu celular, vi uma mensagem da Gen me mandando sair da festa, pois ela já estava me esperando lá fora, a mensagem tinha chegado há vinte minutos. Terminei de me vestir correndo e não consegui achar meu casaco, saí do quarto e quando abri a porta do outro quarto, do irmão de Jota, havia pessoas na cama e eram mais de duas. Fiquei tão constrangido que bati a porta mais forte do que deveria. Desci as escadas correndo, ainda tinha pessoas demais para aquela hora da madrugada.

Entrei no carro vermelho do pai da Gen pela porta de trás já que Peter estava no banco do passageiro, ao meu lado estava Alice rindo para a tela de seu celular envolto por uma capa brilhante de lantejoulas rosa. Gen me perguntou se eu iria para a mata com eles.

_Fazer? – eu perguntei.

_O resto do pessoal está lá – disse Gen.

Gen era tão branca e meiga e tão charmosa, era uma das pessoas mais fortes que conheci. Era meio desaforada, mas isso que a deixava engraçada. Seu verdadeiro nome é Genevive, mas todos a chamam de Gen, poucos sabem o nome dela, a maioria pensa que é Jennifer, mas ela não liga, acha Genevive um nome de velho, igual sua avó homônima também pensava na juventude.

_Então para lá que Lya e a Susan foram? – perguntei.

_Cara essas mina tudo fica dando perdido né? – disse Peter.

_Pois é. – respondi tentando entender o que Peter e Gen tinham em comum. Eram tão diferentes, lembro-me como se fosse ontem o dia em que Gen abandonou seu grande cabelo por um corte pixie. Peter ficou com muita raiva, pois segundo ele ela iria parecer homem, ele foi totalmente imbecil, já que o motivo dela ter feito o corte foi porque ele a abandonara na luta contra um mediocris e ele comeu um pedaço do cabelo dela e queimou outra pequena parte perto da raiz. Eu já acho que realçou a beleza dela, tirou a atenção do cabelo e passou para todo o corpo, estilo... Pra quê estou pensando nisso? Cadê Lya e Susan que não fizeram questão de me avisar para onde iam e me deixaram só, e ainda enfrentei um humilis... É mesmo, o humilis.

_Acabei de matar um humilis no quarto do Jota – eu disse.

_Sozinho? – perguntou Alice em um tom nada agradável.

_Sim. – retruquei.

_Até parece. – Disse Peter.

_Ok, não acreditem. Então Gen, ele estava escondido na cama do Jota. Fez uma bagunça louca, eu tive que explodir o cérebro dele com aceto.

_Nossa! NOSSA! – Disse Gen em um tom calmo e depois bastante agitada.

_O que foi? — Perguntei.

_Aquilo é o carro do Sean? Ou é o do Lui? – perguntou Alice ajeitando seus cachos e levantando seu tomara que caia.

Descemos do carro com pressa, estava meio deserto, porem havia um rastro de sangue e um cheiro insuportável que só poderia vir de um humilis. Provavelmente o mesmo que me atacou, pois para deixar esse rastro era preciso estar ferido.

_Encontrei eles! – Exclamou Peter.

_E eu encontrei elas e... Olha isso, essa é pro Insta! Hashtag #love! Hahaha. – Disse Alice fotografando Susan e Lya desmaiadas em cima de uma pilha de mato, galhos e folhas secas, elas estavam de mãos dadas!

_Lya! – eu gritei a cutucando-a.

Lya levantou-se e disse que eles haviam enfrentado um humilis, mas não conseguiram derrotá-lo. Todos ficaram impressionados já que eles eram tão fáceis de derrotar.

_Que fracos vocês ein! O Don matou um agora pouco, sozinho. – Disse Peter!

_Agora você acredita é? – Respondi.

_Como assim? Esse louco, Malum, nos falou sobre uma força maior que o ajudava e que ia nos derrotar... Algo assim! Não sei como você conseguiu sozinho. – disse Susan se dirigindo a mim pela primeira vez desde nossa “briga”.

_Foi, eu o matei. Ele queria rir ou tagarelar, eu estava de mau humor nem o dei tempo, mas acho que só consegui porque sempre tenho muito aceto e também por estar meio drog na hora. Ah, acho que a ferida que vocês fizeram nele deve ter contribuído! – Eu disse.

_Não conseguimos feri-lo, quer dizer, derrubamos um olho e enfiamos uma faquinha que não provocou nada. Bem que tentamos, mas não deu! – Disse Lya, deixando a todos pensativos e abismados. Até que eu disse:

_Se vocês não conseguiram ferir Malum quem foi? E o que ele queria dizer quando o matei?

Notas finais
Próximo capítulo será o ponto de vista de Lya. Ela sempre foi uma menina inteligente e um pouco fútil, Susan era a diversão que ela precisava há algum tempo atrás, mas agora um sentimento surgiu e ela está com medo de enfrentá-lo. Além de tudo ainda existe essa força maior e acontecimentos estranhos sobre Susan. Não perca! Próximo sábado. - Historien
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.