Notas iniciais
A Terra-Média, personagens e história pertencem à J. R. R. Tolkien. Só estou me divertindo um pouco mudando o desenrolar da história.

A Elfa pensava no que o rei havia dito sobre Smaug, se ele estivesse mesmo certo e o dragão realmente estivesse vivo, talvez ninguém mais teria chance de escapar com vida daquele lugar, a última Flecha Negra tinha sido usada e nada mais poderia matar o dragão, mas por outro lado Thranduil estava gravemente ferido, talvez ele estivesse apenas delirando, ela imaginava qual seria seu estado agora, sabia que Elfos curavam-se rapidamente, porém não pode deixar de se preocupar com a saúde de seu rei.


O Rei Élfico acabava de adormecer, ele ainda estava deitado entre os joelhos de Tauriel, esta pressionava o pedaço da sua capa no ferimento do rei, o pano estava encharcado devido a quantidade de sangue, ela queria chamar ajuda, mas não podia deixar o Elfo sozinho, se ela parasse de pressionar o ferimento temia que ele sangrasse até a morte. Ouviu um barulho atrás de si, virou-se rapidamente, mesmo estando sem armas, por um momento esqueceu-se de aonde tinha-as deixado, entretanto ela relaxou quando viu quem era, o Elfo mais jovem veio correndo em sua direção e agachou-se ao seu lado.


–O que aconteceu?!-Legolas perguntou com urgência.


–Ele estava tentando ganhar tempo para Bard, ele deve ter sido levado com tudo quando Smaug foi atingido, mas eu não tenho certeza, ele tinha me mandado ir embora. Eu fui uma idiota, deveria ter ficado e ajudado.-A ruiva tinha a voz tremula e controlava-se para não chorar, estava nervosa pelo estado em que ele se encontrava e todo aquele sangue em suas mãos e roupas não ajudava.


–Tauriel...-O príncipe tocou as mãos da Elfa.-Pode soltar, eu cuido dele agora.-Ela levantou o olhar para ele e tirou suas mãos do ferimento do rei lentamente, logo era Legolas agora que pressionava o pano.


–Acha que a ajuda chegará logo?Ele precisa de um curandeiro experiente para tratar a ferida.-Ela olhava para o rei e sentou-se ao seu lado, segurou sua mão discretamente, porém Legolas percebeu o seu gesto mas nada disse.


–Sim, o rei nunca fica tanto tempo fora do castelo desacompanhado, eles já devem estar a caminho.-Ela ainda continuava aflita.


–Onde você estava?-Ela voltou sua atenção para Legolas.


–Tentando não ser pego por Smaug também e procurando por você, quando você o distraiu sabia que ele iria atrás de você, desculpe por isso.


–Não tem problema, você está bem, é o que importa para mim.-Os olhos do Elfo brilharam, ela percebeu e olhou novamente para o rei, tentando esconder-se do olhar do príncipe.


–Você não deve preocupar-se, ele ficara bem.-O Elfo tentou dar um meio sorriso para consolar a ruiva, ela apenas assentiu.


Legolas estava certo, não muito tempo depois disso um grupo de cinco Elfos da guarda vinham até eles, montados em belos cavalos, fizeram rápidas perguntas e já estavam levantando o rei do chão, Tauriel teve que soltar a mão do mesmo a contra gosto e lutou consigo mesma para não ir junto com os guardas que estavam levando o rei as pressas para o castelo, ela ficou parada os vendo partir e saindo de sua vista. Apesar de querer muito ir com ele sabia que não seria de bom tom nos olhos dos outros Elfos e de Legolas, era incrível como quando conseguia salvar um já havia outro ferido em sua vida, ela não levava sorte mesmo com as pessoas com quem ela se importava, sim ela realmente se importava com seu rei, apesar dele a tratá-la como trata.


Já era de manhã quando Tauriel e Legolas chegaram do outro lado do lago onde estavam todos os desabrigados que sobreviveram ao ataque de Smaug, a Elfa olhou ao seu redor e tudo que via era destruição, as pessoas estavam desoladas, algumas chorando por seus mortos outros felizes por reencontrarem seus familiares e outros brigando por comida e cobertores, afinal o inverno já se aproximava. Uma discussão em especial chamou a atenção da ruiva, um homem grotesco de cabelos negros na altura dos ombros, este disputava por um cobertor com uma velha senhora, ela pensou em intervir mas Bard chegou antes que ela e acabou com a briga, a Elfa viu quando as filhas de Bard correram até ele o abraçando, ela ficou aliviada por as meninas estarem bem, pois estava um pouco preocupada por tê-las deixado, mas sabia que estariam em boas mãos com os anões. Um pouco longe de onde Tauriel estava ela avistou Kili e seu coração se alegrou, ele estava olhando para ela, sorriu e foi até ele.


–Tauriel.-Sua voz parecia cansada.


–Kili!-Seu irmão chamou atrás dele, a Elfa percebeu que os anões já estavam arrumando o bote para irem até a Montanha Solitária, seu sorriso desapareceu.-Anda, vamos embora!


–Estou feliz que esteja bem, mas eles são a sua gente, você tem que ir.-Ela falou no tom mais formal que pode e virou-se para ir embora.


–Venha comigo.-Ele seguiu ela e parou em sua frente, bloqueado o caminho.-Eu sei o que eu sinto e não tenho medo. Você me faz sentir vivo.-Ela o olhava com surpresa, ao mesmo tempo que tudo em seu ser falavam para ela ir com Kili algo ainda não estava terminado, e ela sentia-se presa a isso


–Não posso.-Ela deu as costas para ele novamente, mas o anão a segurou.


–Tauriel... Melin le.-Tauriel virou-se lentamente e fixou seus olhos em Kili.


–Eu não sei o que isso quer dizer.


–Eu acho que sabe.-Kili disse sorrindo e acariciou o rosto da Elfa, ela sorriu com teu toque, mas deu um paço para trás rapidamente e desvencilhou-se dele.


Hîr nín, Legolas.[Meu Senhor, Legolas.]-A ruiva cumprimentou, ainda olhando para o anão que a encarava confuso.


Maewado i Naug. Boe i nadh egeno.[Despeça-se do anão. Precisam de você em outro lugar.]-Legolas se encontrava um pouco distante, atrás da Elfa, Kili quando percebeu o Elfo ficou sério. Eles se encararem por alguns segundos e ambos afastaram-se, o anão andou para o bote, mas parou e deu meia volta, foi até Tauriel e lhe entregou a runa que sua mãe havia lhe dado.


–Guarde-a, como uma promessa.-Kili sussurrou chegando perto do rosto da ruiva, ela sorriu para ele. O anão deu um último olhar desafiador para Legolas e entrou no bote, todos os anões partiram para a Montanha.


Tauriel foi para o lado de Legolas, que agora estava prestando atenção numa discussão entre os homens, ela só ouvia relances da conversa, ouvia a voz de Bard dizendo que eles tinham que ficar juntos e não voltarem-se uns contra os outros, de qualquer forma ela não importava-se muito com isso agora, ainda olhava a runa que estava em sua mão, as palavras de Kili ecoavam em sua mente. Ela não sabia se ficava feliz ou triste pela declaração de Kili, de qualquer forma ela estava estava feliz por ele naquele momento, se não pudessem ficar juntos ao menos ele estava seguro, por hora.


–Já parou de sonhar com seu anão?-Ela fez cara feia para Legolas que ainda estava olhando para o grupo de homens conversando.-Por que temos coisas mais importantes para fazer no momento.


–Como o que por exemplo?-Ela perguntou cinicamente, já estava ficando cansada do ciúmes de Legolas.


–Não sei se percebeu, mas tem pessoas sofrendo aqui, pessoas que devemos ajudar.-O Elfo olhou sério para ela, que corou instintivamente, envergonhando-se de seu egoísmo.-Bem, tenho assuntos a tratar com Bard, pelo visto ele que vai estar comandando isso aqui, faça algo de útil também.-Ele disse friamente e foi até Bard, Tauriel surpreendia-se de como Thranduil e o filho eram parecidos, ás vezes pelo menos. A ruiva avistou as filhas de Bard e acenou, as meninas correram até ela sorrindo. Legolas olhava Tauriel de longe conversando com as meninas, ele repreendia a si mesmo por ser tão grosso com ela ultimamente, mas não conseguia conter sua raiva e seu ciúmes, foi ingenuo de achar que aquilo acabaria quando ela salvasse o anão, essa relação entre os dois ainda estava longe de terminar e ainda tinha seu pai, Tauriel estava preocupada com ele, mais que o normal, Legolas desejava gostar de alguém que não fosse assim tão cobiçada por outros.


–Para onde irão?-Legolas perguntou a Bard que estava conversando com um homem, mas logo voltou sua atenção ao príncipe.


–Só existe um lugar.-Bard olhou para a Montanha Solitária.


–A montanha. Você é um gênio Senhor.-O homem que estava discutindo com a senhora tempos atrás disse para Bard.-Podemos nos refugiar no interior da montanha. Deve cheirar a dragão, mas as mulheres podem limpar. É seguro, quente e limpo, depósitos cheios de roupas, comida...e algum ouro.-O homem falava como um rato, sorrindo. Legolas logo deduziu que ele não passava de um aproveitador barato.


–O ouro daquela montanha é amaldiçoado. Pegaremos apenas o que nos foi prometido, o suficiente para reconstruirmos nossas vidas.-Bard logo o cortou, pegou um punhado de lenha do chão e deu para o homem carregar e levar para o outro lado do pequeno acampamento que os homens faziam, ele foi a contragosto.


–A noticia da morte de Smaug irá espalhar-se pelas terras.-O Elfo disse a Bard.


–Sim.-O outro respondeu vagamente.


–Outros irão olhar para a montanha agora.-Legolas olhou para a montanha, Bard fez o mesmo.-Pela sua riqueza, pela sua posição.


–O que você sabe?


–Nada ao certo. É mais o que eu temo que possa acontecer.-Legolas respondeu sério.


–Então o que acha que pode acontecer?


–Já soube dos orcs que atacaram sua casa ontem a noite, sim?-Bard assentiu.-Temo que eles não estejam sozinhos e se eles não estiverem podemos esperar guerra e sofrimento para os próximos dias.


–Guerra?-Bard olhava ao redor, havia desespero em seus olhos.-Essas pessoas acabaram de perder tudo, casa, família, trabalho...tudo. Eles não irão aguentar mais dor do que podem carregar.


–Eu proponho um acordo.-O Elfo disse simplesmente, não que ele não se importasse com o sofrimento dos homens, mas como Elfo e príncipe da Floresta Verde, ele também tinha seu dever a cumprir.


–Estou ouvindo.-O homem cruzou os braços e olhou sério para o Elfo.


–Se prometer ficar ao nosso lado contra Throrin e os anões, eu em nome do reino da Floresta e de meu pai o rei Thranduil iremos protegê-los e ajudá-los no que precisarem, até que consiga reerguer a sua cidade novamente.


–Mas Thorin nos prometeu ouro e diversas riquezas que viriam da montanha e prometeu nos ajudar, principalmente em questões comerciais.-Bard disse rapidamente, ele era um homem de palavra, não iria trair Thorin, nem por toda riqueza do Mundo. Legolas soltou um pequeno riso.


–Engana-se você, em acreditar na palavra de um anão, ainda mais Thorin Escudo de Carvalho, mas faça como quiser, minha proposta estará de pé de qualquer forma. Espero que escolha bem, antes que seu tempo termine.-O príncipe o cumprimentou e saiu dali indo procurar Tauriel, Bard ainda o olhava pedindo a todos os deuses que Thórin realmente honrasse a sua palavra. Legolas viu a Elfa ainda conversando animadamente com as meninas, quando ela percebeu que ele a olhava, o Elfo fez um gesto com a cabeça para que ela se aproximasse dele, a ruiva trocou mais algumas palavras com a duas meninas e foi até ele.


–O que foi?


–Ontem a noite, o orc que eu persegui na Cidade do Lago, eu sei quem é ele.-A Elfa olhou para ele como se perguntasse "e?..."- Bolg, a prole de Azog, o Profano. Não tinha o reconhecido antes quando perseguiam os anões na entrada do castelo, mas lutamos de perto e pude reconhecê-lo.-Ele explicou.-Os orcs que matamos exibiam uma marca diferente, que eu não via há muito tempo. A marca de Gundabad.


–Gundabad?-Tauriel disse num sussurro.


–Uma fortaleza orc no limite norte das Montanhas Nebulosas.-Ele respondeu sério a ela.


Hîr nín, Legolas...Celin ’winiath o adar lín. Cân i hi danwenidh na le [Meu senhor Legolas… Trago notícias de seu pai. Vocês precisam voltar imediatamente].-Um Elfo acabara de chegar a cavalo, atrás dos dois Elfos. Tauriel o reconheceu sendo um dos mesmos que levaram o rei algumas horas atrás.


–Ele está bem?-O Elfo assentiu.-Então diga a meu ada que não irei, tenho que resolver outros assuntos importantes, mais importantes do que ele no momento.-O príncipe falou confiante.


–Legolas...é uma ordem de seu rei.-Tauriel falou a ele, no fundo ela também queria ir para junto de Thranduil, saber como ele estava, não confiou muito no Elfo da guarda, apesar dele confirmar que seu rei passava bem, ela precisava ver com seus próprios olhos.


Naw aran nín, mal ú-gân innas nín.[Sim, ele é meu rei.…Mas ele não comanda meu coração.]-Legolas olhava profundamente para ela, Tauriel sabia que aquilo tinha dois significados para ele, foram as mesmas palavras que ele disse a ela na noite do beijo.-Eu tenho que ir para o Norte, caso eu esteja certo eu tenho que voltar a tempo de avisar todos, é o meu dever como príncipe.


–Mas você não pode ir sozinho, por favor.-Tauriel suplicou, Legolas sabia que ela queria ir para o castelo e não queria que ela se sentisse culpada por não acompanhá-lo até Gundabad.


–Eu vou agora, não posso perder mais tempo.-Ela parecia angustiada.-Mas eu quero que você volte ao castelo e fique atenta as assuntos do reino por mim e...também no meu pai, eu sei que ele vai querer tentar voltar logo ao comando, mas mesmo para um Elfo, um ferimento daquele tamanho causa danos, ele irá precisar de pelo menos um ou dois dias para recuperar-se totalmente, não deixe que ele faça nenhuma besteira.-Ele tentou fazer-se o mais convincente que pode.


–O que eu posso fazer? Sou apenas uma Capitã da Guarda, se o rei me ordenar algo eu tenho que cumprir.-Ela disse meio brava, mais com seus pensamentos do que com o Elfo em sua frente.


–Nós dois sabemos que isso não é verdade. Ele irá te escutar.-O príncipe disse seriamente, Tauriel ficou sem palavras e apenas assentiu. Legolas montou em seu cavalo branco que estava perto dali e saiu galopando, era muito complicado amar alguém como Tauriel, ela preocupava-se com todos em sua volta e mesmo que se ela fosse com ele até o norte de nada adiantaria já que seus pensamentos iriam estar no seu pai a todo instante, preocupada. Seria melhor que ela fosse de uma vez vê-lo, ao menos o castelo não estaria sem comando na ausência de seu ada, confiava em Tauriel para dar a ela tal responsabilidade, por ora o príncipe esperava que seu pai não fizesse nada de ruim com ela enquanto ele estivesse fora.


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Thranduil sentiu quando alguém soltou sua mão, ele escutava algumas vozes ao seu redor mas não conseguia distinguir quem ou sobre o que falavam, sentia uma dor aguda em sua barriga, havia um cheiro de ferrugem forte no ar. Ele notou quando o tiraram do lugar e foi colado em outro, tentou abrir os olhos e viu um vulto em sua frente, um vulto de cabelos vermelhos que se fundiam com toda a luz alaranjada que estava ao redor, tudo estava embaçado, desistiu de tentar ver onde estava. Por algum tempo percebeu o galope, seu corpo ia para frente e para trás repetidas vezes, odiou não ter controle sobre ele, quando deu-se por si tudo era escuridão. Ele lembrava-se de alguns flashes, de quando o levantaram novamente e o deitaram em algo, do teto bem arquitetado dos corredores de seu castelo e finalmente no teto do próprio dossel de sua cama. Não sentia mais dor, apesar de saber que estava sangrando, tudo estava amortecido para ele, via alguns Elfos por cima dele, pareciam estar tratando de sua ferida, Thranduil balbuciava algumas coisas que nem mesmo ele tinha noção do que seria. O curandeiro começa a perceber que o rei tentava falar algumas coisas.


–M-minha...-O rei Élfico começou a se contorcer.


–O que ele está dizendo?-O outro curandeiro perguntou.


–Não entendi direito, ele está febril de qualquer forma, está delirando.-O mais velho respondeu.-Vamos fechar logo a ferida, já tirei o máximo de estilhaços de que pude, ele não pode ficar com essa febre alta por muito tempo.-O elfo mais jovem assentiu e começou a ajudar.


–ONDE!..ONDE ELA ESTÁ!-Thanduil gritou debatendo-se mais.


–Segurem ele! Não consigo costurar assim.-O curandeiro ordenou a dois guardas que estavam dentro do quarto vigiando o rei. O Elfo começou a costurar, levou alguns minutos, depois de feito colocou algumas plantas medicinais em cima da ferida fechada e fez com que o rei se acalma-se.


–Minha...T-tauriel...-Thranduil falou num sussurro e adormeceu, mas que foi ouvido pelos curandeiros atentos a ele.


–A Capitã da Guarda?-Questionou o mais jovem.


–Onde ela está?-O velho curandeiro perguntou aos guardas.


–Ela ainda ficou na cidade, junto com o príncipe Legolas.-Respondeu um deles.


Thranduil abriu os olhos e a claridade fez com que ele desejasse não ter feito, já era de manhã como ele pode constatar, sentiu uma dor forte em seu abdome, sentou-se de vagar e encostou na cabeceira da cama, puxou um pouco a blusa para cima e viu um grande curativo, agora já enfaixado, "ótimo, era tudo que eu precisava." ajeitou a blusa e deitou-se novamente, gemendo de dor, não era acostumado a senti-la. Olhou ao redor, não lembrava de quase nada, apenas dos olhos de Tauriel e de seu toque, o seu ferimento que ele viu de relance e alguns flashes de como ele tinha chego ali, mas nada muito lúcido. Olhou para seu anel, ele era de um cinza, bem claro, desejava saber onde estava Tauriel, porém estava muito fraco para usar magia agora, sentia-se inútil naquela cama, adoentado. Haviam tantas coisas com que ele precisava preocupar-se agora, seu reino, Tauriel, Legolas, Thorin e sua companhia, suas preciosas gemas, sem contar aquele dragão estúpido, que com certeza ainda estava por ai,"Quando eu me levantar dessa cama eu mato aquele arqueiro inútil." Thranduil ainda não acreditava que aquele homem tivesse errado a flecha, o Elfo conseguiu ganhar tempo para o homem e mesmo assim nada, o que o levou em troca de agradecimento? Um pedaço de madeira cravado em seu corpo, ele começava a se perguntar quando a sorte estaria ao seu lado novamente. Ouviu a porta abrir e sentou-se rapidamente, arrependeu-se por isso, tamanha a dor que sentiu.


–Meu Senhor, desculpe entrar sem avisar, não sabia que estava acordado.-Ele abaixou a cabeça em respeito.


–Tudo bem Amrod, porém estou com uma dor muito forte no meu abdome, por quê?-O rei perguntou ao curandeiro mais velho de seu reino.


–Haviam muitos estilhaços de madeira no ferimento meu Senhor, nem todos puderam ser tirados e combinando com o tempo que a sua ferida ficou exposta, creio que possa ter pego algum tipo de infecção, mas não se preocupe.-Ele apressou-se em dizer quando viu a expressão do rei.-Será simples e rápido tratar e pelo que percebi na última vez que vim vê-lo sua febre já abaixou consideravelmente, em três dias no máximo o Senhor já estará bem.


–Ótimo, há algo que faça aliviar a dor?-Ele perguntou sério.


–Sim, sim, foi por isso mesmo que eu vim.-O Elfo se aproximou da cama.-Tome este chá, é feito com folhas de Fingolfín, irá ajudar.-Ele entregou a xícara ao rei, que bebeu um gole e lutou para não fazer uma cara feia na frente do curandeiro.


–Onde estão Tauriel e Legolas?-O curandeiro achou curioso o rei estar perguntando pela Elfa novamente, mas nada disse sobre isso.


–Os guardas que o trouxeram disse que eles ficaram na Cidade de Lago.


–Mande alguém ir chamá-los então e me deixe sozinho.-Mesmo doente ele ainda tentava ser autoritário.


–Claro meu Senhor.-Amrod o reverenciou e saiu do quarto.


Quando o Elfo saiu do quarto rapidamente Thranduil deixou a xícara de chá em cima do criado mudo, aquilo era simplesmente horrível. Ele recostou sua cabeça na cabeceira da cama e fechou os olhos, estava cansado, os últimos dias tinham sido cheios para ele e duvidava muito que seu descanso estaria próximo, ele sentia que muitas coisas ainda estavam para acontecer, coisas boas e ruins. O Elfo não soube dizer quanto tempo tinha ficado assim, absorto em pensamentos, ouviu batidas na porta, endireitou-se.


–Entre.-Era um dos Elfos da guarda.


–Meu rei, Tauriel está aqui..-Ele falava receoso-Entretanto...Legolas não veio conosco, ele disse que tinha assuntos mais importantes a serem tratados, ele foi para o norte.


–Norte?-O guarda assentiu.-Pois bem, mandem chamar Tauriel.-Ele assentiu novamente e saiu no quarto.


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Tauriel chegou ao seu quarto, parecia que fazia anos que ela não entrava ali, tudo que queria agora era um bom banho quente e tirar todo aquele sangue seco do rei que estava pelo seu corpo. A Elfa se dirigiu até o banheiro e despiu-se, iria mandar lavar as vestes mas achou melhor jogar fora, não queria nenhuma lembrança daquela noite, parecia estranho, mas ela realmente tinha ficado abalada pelo que tinha acontecido com Thranduil, já viu muitos colegas da guarda feridos, mortos e até mesmo ela tinha algumas cicatrizes, mas aquilo com ele, foi diferente, ela sentiu medo de perdê-lo, vê-lo morrer em seus braços. Tauriel sentia-se confusa em relação a ele, sabia que gostava de Kili, talvez até o amasse, mas com certeza estava havendo algo entre ela e o rei, o jeito que ele a olhara ontem na cidade, o toque dela em sua cicatriz, a Elfa ainda não sabia como teve coragem de ter tido aquele momento com ele, pareciam tão íntimos, olhou para a runa de Kili que ela tinha deixado sobre a pia, culpou-se por estar tendo esses pensamentos sobre Thranduil. Ela bufou e afundou-se um pouco mais na banheira. Escutou batidas na porta e levantou-se em súbito, se enrolou numa toalha, quando ouviu mais batidas.


–Só um minuto!Estou saindo do banho!.-Ela falou brava, será que não poderia ter nem um minuto de paz naquele castelo? Tauriel vai até a porta e abre apenas um pouco, revelando apenas seu rosto e um pouco do peito para quem estava do lado de fora.


–O Rei desejava vê-la, imediatamente.-Ela concorda e fecha a porta atrás de si. Sim, aquele seria mais um dia daqueles. Se vestiu com o primeiro vestido que encontrara, era um verde escuro, ele se ajustava ao corpo, tinha as mangas longas, a Elfa também usou um corpete marrom por cima, estava pronta. Saiu do quarto, o guarda estava esperando por ela e a escoltou até os aposentos do rei. Chegando lá o guarda bate na porta, alguns segundos depois ouviram a resposta do rei e entraram. Ela admirou-se, nunca tinha estado ali, o quarto do rei era significativamente maior que o dela, havia uma grande lareira em um dos cantos do quarto era adornada em arabescos de prata, havia um tapete de pele de urso branco, semelhante ao que tinha no quarto de Legolas, duas poltronas e um sofá de couro estavam em frente a lareira, na outra extremidade, perto da varanda estava uma pequena mesa para no máximo duas pessoas, mas grande o suficiente para que o rei pudesse fazer suas refeições sem sair do quarto o que raramente acontecia já que ele sempre estava na mesa junto com seus mais estimáveis súditos, poucos tinham a honra de compartilhar a mesa com o rei, apenas Elfos do alto escalão. No teto um grande lustre de cristais dava luxo ao local, em outro canto haviam duas portas de deslizar entreabertas, pelo que ela pode perceber parecia ser o closet do rei, o quarto tinha uma elevação fazendo com que ela precisasse subir dois degraus para chegar até a cama do rei, se ela achava a sua própria grande a dele nem se comparava, a madeira era branca e tinha a mesma decoração que a lareira, de prata. O dossel era da mesma madeira e suas cortinas eram cinza claro e bordadas com várias galhadas, árvores e flores, ela queria olhar mais, porém sua vistoria foi interrompida por Thranduil.


–Deixe-nos a sós.-Tauriel só ouviu a porta fechar-se atrás de si.-Aproxime-se.-Ela subiu os degraus e ficou ao lado da cama, mas não suficientemente perto para encostar na mesma.


–Vejo que está vivo. Fico feliz por isso.-A Elfa disse simplesmente, notou também que o rei não usava suas vestes habituais, estava apenas com uma camisa branca, bem solta, sem coroa ou nada que o adornasse, estava apenas com seu anel que ela já conhecia.


–Graças a você, obrigado por ter voltado.-Ele falou com sinceridade.-Para onde Legolas foi exatamente?


–Para Gundabad, ele acha que pode existir algum mal naquele lugar e que isso tenha relação com a comitiva dos anões, os orcs que os caçavam vinham de lá. De qualquer forma ele só esta tentando nos proteger, se algo sair errado ele poderá nos avisar antes.-O rei ouvia tudo atentamente e assentiu.


–Por que você não foi junto, posso saber?-Aquilo a desarmou, como ela ia explicar que só tinha voltado para vê-lo?


–O Senhor...ordenou que eu voltasse, estava apenas seguindo ordens.-Ela ficou em posição de sentido.


–Se você realmente seguisse minhas ordens Tauriel eu não estaria nessa cama e nada disse teria acontecido.-Ele disse sorrindo ironicamente, era verdade, ele estava naquele estado por sua causa sentiu culpa.-Não se preocupe, eu estou bem e logo irei sair dessa cama.-Eles ficaram em silêncio por algum tempo, a ruiva estava quase mordendo sua língua para não abrir a boca, Thranduil achou graça na atitude dela, era realmente uma Elfa muito curiosa.-Tudo bem, você pode perguntar o que quiser.-Ele a incentivou.


–Como conseguiu me encontrar? E por que ontem a noite eu consegui ver o que você estava sentindo? Não funciona só com você? E por que ele brilha mais numa hora do que em outra, como agora por exemplo.-Ela levantou o pulso e indicou a pedra que estava verde escuro, porém com um brilho intenso.-E por que voc...


–Calma.-Ele a cortou.-São muitas perguntas, acho que vou reconsiderar o que eu disse, você fala demais.-Ele riu da cara de brava que ela fez.-Bem, eu te encontrei pelo anel obviamente, e ele fica com esse brilho intenso apenas quando as duas pedras estão próximas uma da outra.-Ele mostrou seu anel também, tinha o mesmo brilho.-E...você apenas conseguiu ver o que eu estava sentindo porque eu estava fora de mim, eu sempre tenho que estar muito bem concentrado para canalizar a minha magia nesse anel e digamos que eu não pude fazer isso muito bem com uma madeira cravada no meu corpo e jorrando sangue.-Ele falou cinicamente, a lembrança disso fez ela arrepiar-se.-Mas não fique feliz, isso nunca mais irá acontecer, eu te garanto.


–Entendo...por que falou que Bard não tinha conseguido matar Smaug?-A Elfa ainda não estava satisfeita.


–Por que ele não conseguiu.-Ele parecia estar começando a ficar irritado, mas a ruiva não ligou.


–Olha...eu vi ele caindo sabe, acho que você pode não ter visto muito bem já que estava semi morto.


–Você já matou algum dragão?-Ela negou com a cabeça.-Exato, eu já, várias vezes, então não se meta! Eu sei do que estou falando.-Ele falou irritado e bravo ao mesmo tempo. Cruzou os braços e deu um gemido de dor.


–Você está bem?-Ela aproximou-se preocupada.


–Sim, é só uma dor no abdome, o curandeiro disse que pode ser decorrência de uma infecção, nada grave, melhora que seu tomar o medicamento correto.-Ela sentou-se na beira da cama ao lado dele, olhou o criado mudo e viu uma xícara de chá, cheia ainda.


–E você não deveria tomar isso ai?-Ela apontou para xícara.

–Você já experimentou esse negócio? Tem gosto de xixi de goblin, eu sou o rei, deveriam inventar algo com o gosto melhor!-O Elfo disse emburrado, ela riu um pouco dele, nunca o tinha visto assim, tão normal. Ele deu outro gemido.


–Onde é a dor?


–Aqui.-Ele apontou para o baixo ventre de seu abdome.


–Ás vezes melhora se você massagear, faça movimentos para cima e para baixo, assim.-Ela demonstrou em sua própria barriga, por cima do vestido.


–Hmm, entendi. Pode fazer então.-Ele disse simplesmente e ajeitou-se na cama.


–O que? Não, eu disse para você fazer em si mesmo.-Ela levantou-se da cama indignada.-E aliás cuidar dos feridos é trabalho para os curandeiros e não para uma Capitã da Guarda.


–Mas eu prefiro que você faça.-Ele deu um sorriso malicioso.-E também, é uma ordem.-Ele continuou ajeitando-se e colocou os braços atrás da nuca, como se fosse um travesseiro, o sorriso ainda estava lá e só fez com que Tauriel ficasse mais irritada.


–Claro, Senhor...-Ela deu um sorriso falso e chegou mais perto do rei e levantou sua blusa com cuidado, até a altura do umbigo, sua pele era alva e lisa, não tinha uma visão muito ampla de todo seu abdome, mas o que viu fez a Elfa constatar que era bem defino, nada exagerado, apenas na média certa. O rei a observava satisfeito consigo mesmo, ele sempre cuidou de seu corpo, agora com Tauriel ali parada olhando para ele, ficou feliz em tê-lo feito.


–Gosta do que vê?-Ele perguntou marotamente a despertando do seu transe.


–É claro que não.-A ruiva bufou o que só fez Thranduil alargar mais o sorriso. Pouco tempo depois da Elfa começar a fazer os movimentos ele sentiu um alivio imediato, fechou os olhos e relaxou. Ela tomava cuidado para não chegar perto do curativo


–Você tem mãos boas.-O comentário fez a Tauriel corar e agradeceu mentalmente por ele estar de olhos fechados.


–Ótimo, talvez eu devesse largar a guarda e virar massagista oficial do rei.-Ela disse com ironia.


–Não seria uma má ideia.-Ele abrir os olhos e piscou levemente para ela, Tauriel fechou a cara.-Você fica bonita assim.


–Assim como?-Ela não se permitiu olhar nos olhos dele.


–Fingindo que não me quer.-Sua voz era séria e confiante,a ruiva olhou para ele totalmente indignada.


–O que? Onde foi que você bateu com a cabeça?!.-A Elfa estava tão brava e surpreendida que não prestou atenção aonde massageava mais e tocou em algo rígido, instantaneamente ela olhou para onde sua mão estava e percebeu o erro que cometera, o rei estava visivelmente excitado, conseguia ver o contorno de seu membro por baixo da calça, ela olhou para o Elfo que também olhava para sua própria calça e depois para ela. A ruiva ficou totalmente corada, dos pés a cabeça, ela tentou tirar sua mão e sair logo daquele quarto, porém Thranduil foi mais rápido que ela e num movimento só a pegou pelo pulso e a puxou para a cama, ela caiu ao seu lado e o Elfo subiu por cima dela, a impedindo de escapar, o movimento repentino e o esforço fizeram doer seu ferimento, mas ele não se importou, ter Tauriel ali e agora valeria qualquer dor.


–Você diz que não me quer, mas não é o que seu corpo diz.-Ele falava a centímetros dela.-Você fica nervosa quando está em minha presença mas nunca desvia o olhar e eu sei que já pensou várias vezes em nós dois, como no dia que quase nos beijamos no rio ou mesmo ontem.-Ele afastou seu próprio cabelo, que caia sobre ela, para o lado e roçou seus lábios nos dela.-Eu sei que me quer, não reprima seus desejos, apenas siga-os.-O rei sussurrou antes de beijá-la, ele passou a língua nos lábios dela umedecendo-os e pedindo passagem, ela demorou um pouco mas começou a entreabrir os lábios lentamente, o Elfo explorou cada centímetro da boca da ruiva, aproveitando aquele momento o máximo que pode, deu um gemido rouco quando ela mordiscou seu lábio inferior, aquilo só fez com que ele deixasse o beijo antes romântico, agora apaixonado e cheio de desejo. Thanduil colocou uma das mãos na nunca da Elfa e apertou com força seu cabelo, o beijo era rápido e voraz, Tauriel tinha uma das mãos no pescoço do rei e a outra nas costas do mesmo, forçando-o para baixo, para que ficassem mais próximos, ele buscou um pouco de folego e desceu os beijos para o pescoço dela, dando mordidas e chupões ele escutou alguns suspiros de prazer dela, isso fez ele ficar mais excitado e com o desejo intenso de possuí-la, com a mão que estava livre ele puxou a saia do vestido dela para cima, deslizou sua mão pela perna macia de Tauriel, começou a subir seu trajeto até metade da coxa e foi parado por ela. A Elfa olhava para ele surpresa e confusa, não conseguia acreditar que realmente estava entre os beijos e amassos com o rei, na sua própria cama, ela o empurrou com toda força que tinha e num pulo saiu para fora da cama.


–Eu tenho que ir.-Ela falou com pressa e saiu correndo do quarto batendo a porta atrás de si, sem dar chances ao Elfo de falar.


Thranduil ainda olhava para a porta, bufou e afundou-se nos travesseiros, olhou para a própria calça, praguejando.


–É, não foi dessa vez.-Ele disse para si mesmo mal humorado, de súbito sua dor voltou e ele gemeu de desconforto, ficou um tempo parado tentando se controlar e não imaginar-se possuindo Tauriel de todas as maneiras possíveis, não funcionou. Contudo, seu humor melhorou quando lembrou-se do gosto dos lábios dela ainda em sua boca, ele riu do próprio pensamento, "Você ainda será minha."

Notas finais
Ada=Pai Depois desse capítulo. R.I.P Leggy u.ú https://www.youtube.com/watch?v=2F51_qpEe7Y Achei a música desse vídeo a cara desse casal >.< O que dizer desse casal que mal conheço mas já considero pakas? (dizem que foi um beijo do rosto, sei não heim, esses olhares...) http://40.media.tumblr.com/715d22830cdc83c73699cd63522448ff/tumblr_njjf3iJQow1tznct1o1_540.jpg http://data3.whicdn.com/images/164536763/large.jpg Comentem plss