The Desolation of Thranduil
21 Capítulo 21 - Sopro de Vida
Todo o clima no castelo era de tristeza, aquela não era uma manhã de sol como na maioria dos dias, mesmo no inverno ainda podia-se notar resquícios de raios solares iluminando o castelo e a Florestas Verde, mas não hoje. O céu estava nublado, e o ar gelado fez com que todos entrassem numa onda de mal-estar e incomodo, os elfos conseguiram sentir na pele a dor daquela última batalha e a dor da perda de seu rei. Thranduil nunca fora o rei mais bondoso ou perfeito que o reino da Floresta Verde já tivera, porém ele sempre esteve disposto a dar a própria vida pelos seus, e foi o que ele fizera, por sorte não tiveram muitas perdas no exército e isso era o que os consolava um pouco de certa forma. Durante todo aquele dia o rei recebera visitas que todos os lugares para prestar uma última homenagem a ele, o organismo dos elfos era diferente da dos humanos, eles demoravam no mínimo três dias até que a decomposição começasse a dar indícios, e sendo assim o velório de Thranduil ocorreria durante esse tempo, na parte da manhã vieram os elfos que viviam nos vilarejos das redondezas e no período da tarde alguns homens e mulheres de Valle, incluindo Bard e seus filhos. Estranhamente nenhum dos elfos que viviam no castelo foram ver seu rei, tirando é claro os próprios guardas que não saiam de perto do corpo de Thranduil em nenhum momento do dia e nem mesmo a fome ou o cansado os faziam trocar de turno com outro guarda, era uma questão de honra fazer isso pelo seu rei, era um tipo de despedida silenciosa. A noite chegara tortuosamente para Tauriel, estava tentando adiar a todo custo a despedida, porém, não poderia deixa-lo partir sem um último adeus, perdera as contas de quantas vezes tinha chorado sozinha, trancada em seu quarto o dia inteiro, não comera e nem bebera nada, não sentia fome, não sentia dor, não fisicamente pelo menos, sentia-se cansada, mas por mais que tentasse dormir ela não conseguia, não com a imagem de Thranduil voltando a todo instante em sua mente, quando chegou a hora de vê-lo, se obrigou a levantar da cama, estava com o mesmo vestido da noite passada, então evitou olhar para o espelho, sabia que seu estado deveria estar deplorável, mas ela não se importava com aquilo realmente, beleza ou vaidade não estavam em seus planos. Saiu do quarto sem passar pelo banheiro, estava armada com suas costumeiras adagas, penduradas pela cintura, a cada passo seu estomago ia embrulhando cada vez mais, era uma sensação tão estranha a dor, algo que você sente, que não é físico, mas que mesmo assim te atinge fisicamente e mentalmente, você se sente exausto, ansioso e deprimido, todo seu corpo quer desabar, mas você luta para se manter são e para não demonstrar todo o sofrimento que sua alma está sentido, você fica quebrado por dentro, machucado, e era assim que Tauriel estava se sentindo naquele momento. Quando ela chegou na escadaria do lado externo do castelo, para onde dava caminho para uma grande sala toda aberta, cercada por colunas brancas de mármore, era coberta por um teto esculpido do mesmo mármore, revestido o telhado e as colunas havia muitos cipós e algumas flores brancas que cresceram ali conforme os séculos se passaram, a ruiva hesitou um pouco em subir, mas assim o fez. Chegando ao final na escada já havia dois guardas em posição de defesa para o novo visitante, no momento que perceberam que era ela, eles relaxaram. Iluminando a entrada da sala havia duas tochas postas lado a lado, ao redor da sala penduradas nos cipós que trançavam todo o lugar, algumas pequenas lamparinas de vidro também iluminavam o ambiente, os dois guardas estavam em frente a Tauriel, limitando assim sua visão para Thranduil.
– Meio tarde para uma vista não acha Tauriel? – Um dos guardas falou para ela, num tom de aviso.
– Não é uma visita, vim para substituí-los. – A ruiva falou sem muita cerimônia. Ambos olharam para ela com desaprovação.
– Não vamos sair daqui, nossas ordens foram para não sair do lado do rei em nenhuma circunstância. – O outro falou em protesto.
– Sim, mas esperam ficar aqui sem sair em nenhum momento por três dias? – Tauriel falou sem muita paciência com os dois guardas, eles se entreolharam em silêncio. – De qualquer forma é uma ordem do próprio Lord Elendil, descansem e comam, voltem ao amanhecer. – Os dois continuaram parados no mesmo lugar. – Agora! – Ela falou num rosnado perigoso. Os guardas abriram passagem para Tauriel que revelou o corpo de Thranduil deitado em um altar, no centro da sala. Ela escutou os passos dos guardas enquanto desciam as escadas, mas não olhou para trás, apenas quando o som deles não estava mais nitidamente claro em seus ouvidos, fora quando ela decidiu andar até o rei. Vendo mais de perto ela notara como o altar era bem detalhado e trabalhado, em galhos secos, brancos e algumas pequenas folhas espalhadas por ele, era simples, mas parecia ao mesmo tempo fazer jus a Thranduil, era como ele, não precisava de muitos adornos para ficar à altura. Ele parecia estar dormindo tranquilamente, não havia mais machucados em sua pele, estava tão limpa e clara como ela lembrava, a coroa prata estava posicionada alinhadamente em sua testa, os cabelos prateados caiam uniformemente até seu peito, ela não reconhecera as roupas que ele trajava, provavelmente eram novas, feitas às pressas especialmente para aquela ocasião, a túnica assim como as calças eram chumbo, enquanto a capa era totalmente prata, no peito havia um bordado, que lembrava muito a galhada de um cervo, bordada em fios de prata que brilhavam conforme a luz refletia, calçava botas pretas e nas mãos sua velha espada jazia. Ele parecia perfeito, a elfa ficou olhando para ele seriamente, quase sem respirar esperando que ele acordasse como das vezes que ele geralmente fazia quando ela o olhava dormir, mas nada aconteceu. Ela chegou mais perto, pousando uma de suas mãos na dele, enquanto a outra foi até seu rosto, ela poderia jurar que havia calor emanando de sua pele, e isso fez apenas com que outra pontada atingisse seu peito, ela nunca pensou que sentiria algo assim, sua garganta fechou completamente.
– Eu sinto muito...- As lágrimas queimavam em seus olhos. – Não era para você ter me deixado. Deveríamos estar juntos agora, eu não posso suportar viver sem você...- Um soluço fez sua voz falhar. – Por favor, volte para mim. – Logo sua voz sumira, encostou sua cabeça no peito dele, tentando senti-lo por uma última vez, não queria encharca-lo com suas lágrimas então afastou-se, mas não antes de depositar um beijo quente em seus lábios ainda macios, fora um beijo molhado por causa de suas lagrimas, limpou seu rosto com a manga no vestido e depois delicadamente limpou também com polegar o canto dos lábios de Thranduil, fora então que finalmente notara o brilho singelo que sua pulseira emanava, algo um pouco falho, mas ainda sim estava lá, olhou pasma para o anel do rei, a mesma luminosidade, quase imperceptível, uma pontada de esperança iluminou as trevas em que sua alma se encontrava, porém ela mal teve tempo de pensar o que poderia ser aquilo, uma risada debochada surgiu no meio da escuridão da noite, Tauriel se inclinou para cima, ficando ereta, mas não se afastou de Thranduil, do outro lado da sala, Daeron olhava para ela, sorrindo perversamente. A elfa no mesmo instante fechou-se, escondendo completamente suas emoções do capitão, lentamente ela pousou uma de suas mãos na adaga que estava em sua cintura.
– Realmente é uma lástima, não é? – Daeron disse, calmamente. Olhando para o corpo de Thranduil por um momento e voltando rapidamente a encarar Tauriel – Logo agora que nosso príncipe fora embora, imagino quem possa ser tão digno em ser o novo rei de Mirkwood. – Daeron disse ainda sorrindo para a expressão série e ligeiramente raivosa de Tauriel, ele começou a andar até ela, circulando a sala, a ruiva o acompanhou.
– Tenho certeza que o Conselho já deve ter elegido um novo rei a essa altura. Eles não perdem tempo, não é mesmo? – Tauriel falou acidamente, tirando, por um momento, o sorriso dos lábios de Daeron. Ele cruzou as mãos para trás das costas e continuou andando em silêncio, a ruiva fez o mesmo, era como uma caça de cão e gato, andavam em círculos, lentamente.
– Sabe, eu disse tantas vezes ao Conselho, principalmente ao Lorde Elendil que havia algo entre você e o rei. – No mesmo instante Tauriel parou, no mesmo lugar por onde Daeron tinha entrado a minutos atrás, olhou perplexa para ele, não imaginou que teria dado tempo de ele ter presenciado a cena que ela teve com Thranduil há alguns momentos. – Eu ando os observando a algum tempo, desde quando notei algo diferente naquela conversa que você teve com o rei depois que os anões foram capturados, depois disso é claro, tudo tem mudado dentro deste castelo, principalmente a forma como ele. – O elfo falou com desprezo. – Tem a tratado Tauriel, é claro que isso não teria sido um problema, se você fosse apenas uma distração para o nosso rei, como ele já teve muitas outras vezes. – Daeron acrescentou maliciosamente. Ela sentiu seus dentes trincarem no mesmo instante. – Porém, perece não ter sido o que aconteceu, o Conselho muitas vezes já quis te punir pelos seus erros, e mesmo assim ele sempre te protegia, e agora já ficou nítido o porquê, e obviamente que a “relação” de vocês e os boatos apenas se intensificaram quando ele deixou a maioria de seus soldados sozinhos em batalha para salvar a doce e indefesa Tauriel. – Ele falou cinicamente, não conseguindo conter a satisfação em ver a expressão de surpresa da ruiva. – É engraçado o que algumas noites de satisfação conseguem fazer tão rapidamente a mente de alguém. – Tauriel sentia seu sangue ferver, ela apertava o cabo da adaga com todas as forças que tinha. Daeron agora estava mais perto do rei, quase ao lado. – Ainda sim é realmente uma lástima, afinal...- Ele abaixou um pouco a cabeça para olhar para Thranduil, e por baixo das sobrancelhas olhou sadicamente para Tauriel. – Eu mesmo gostaria de ter tido o prazer de mata-lo. – Quando a elfa notou a mão de Daeron indo em direção a própria espada ela disparou em direção a ele, o outro não teve tempo de sequer desembainhar sua espada, a lamina da adaga de Tauriel já estava em sua garganta.
– Não ouse tocá-lo. – Ela se encontrava de um lado do altar e Daeron do outro, Thranduil estava entre eles, a ruiva andou para o lado, ainda com a adagada na garganta do elfo, ficaram frente a frente.
– Ou o que? – Ele perguntou debochadamente. – O rei está morto e o príncipe não está mais aqui, você está sozinha, não há ninguém para te proteger. – Cuidadosamente o elfo tentou alcançar a própria espada. Mas que não foi despercebido pelos olhos atentos e duros de Tauriel.
– Não se dê ao trabalho, esta é uma batalha que você não pode vencer. – Ela disse com o mesmo sorriso cruel dele. Ambos sabiam que de todos os capitães, ela era a mais habilidosa na luta corpo a corpo, ele poderia tentar, mas não ganharia dela. Daeron afastou-se lentamente, indo para trás, ela não baixou a guarda mesmo assim.
– Sua sorte está prestes a acabar capitã. – Ele enfatizou a última palavra com sarcasmo. – O próprio Conselho se encarregara de você, e escute minhas palavras Tauriel, em breve você terá o mesmo fim que seu precioso rei. – Ele disse, com raiva. E por fim deu as costas a ruiva, descendo as escadas por onde ela tinha subido.
A elfa suspirou e relaxou abaixando a adaga, olhou novamente para o rei, estava da mesma forma que antes, agora além da tristeza, preocupação pairava por sua mente.
Ao amanhecer do dia seguinte os guardas voltaram para fazer para nova vigia e Tauriel teve que sair de perto de Thranduil, mesmo que relutantemente, foi direito para o seu quarto, entretanto, no caminho ela encontrara Lexi, que a informara que logo no período da manhã perto do meio dia, seus pais e avós estariam vindo prestar as últimas honras ao rei também, e estranhamente a loira pedira para Turiel estar junto com ela quando eles chegassem, Tauriel não entendeu o motivo, mas estava cansada demais para questionar ou entrar em uma discussão, então apenas aceitou e foi para seus aposentos. Tomou o banho mais rápido de sua vida, estava a duas noites acordada, sentia sua cabeça latejar, tudo que queria agora era sua cama e algumas horas de sono ao menos. Saiu do banho, vestiu a primeira camisola que encontrou e jogou-se direito na cama macia, logo sentiu seus olhos pesarem e o sono a tomou.
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Acordou lentamente, por um momento ela ficou tensa, sentia que não estava mais sozinha em seu quarto como quando no momento em que adormeceu, ela não lembrava onde tinha deixado suas adagadas, mas estava certa de que se fosse rápida poderia alcançar a faca que ela sempre deixava de baixo da cama. Mas antes que a elfa pudesse ter qualquer ação, a pessoa que a observava revelou-se, ou melhor, o elfo.
– Não esperava encontra-la aqui, afinal, raramente você está dentro do castelo. – O tom de sua voz era sério, mas ela pode sentir o divertimento contido nele também. – Não é mesmo? – A ruiva abriu os olhos lentamente, sua visão era borrada e tudo que via era alguém loiro e alto em sua frente, os raios de sol que entravam pela varanda dificultaram a nitidez de sua visão, muito embora ela soubesse quem estava ali, aquela voz era música para seus ouvidos e não poderia ser de nenhum outro. Ele estava encostado no dossel da cama, com os braços cruzados em frente ao peito, trajava roupas leves e nada formais. Estranhamente Tauriel sentiu-se acordar de um pesadelo, era como se todas aquelas horas de aflição nunca tivessem sido realmente reais, a verdade agora estava bem em sua frente, ele nunca se fora, sempre estivera com ela. A ruiva abriu um sorriso para ele, e ainda meio sonolenta abriu espaço na cama para ele deitar com ela, deu leve batidinhas no espaço ao seu lado indicando para ele se deitar. Thranduil revirou os olhos, mas ainda sim atendeu ao seu pedido silencioso, assim que ele entrou em contato com sua pele ela se aconchegou mais perto dele, deitando em seu peito.
– Nunca mais me deixe por tanto tempo. – Ela falou enquanto se preparava para dormir novamente, mas dessa vez da melhor forma possível, com ele ao seu lado.
– Eu sempre estarei com você. – Sua voz era sem emoção, talvez um tanto quanto preocupada, mas Tauriel não notara isso e por fim, o sono parecia a invadir de uma forma que ela não pode controlar e sem demora seus olhos foram fechando-se novamente. – Seja forte, minha rainha...
Tauriel...Tauriel...Tauriel
A voz rouca dele ecoava em seus ouvidos e ficando mais distante a cada segundo.
–Tauriel! Tauriel! – A ruiva acordou assustada com as várias batidas na porta de seu quarto, olhou para o lado, não havia nada, apenas um espaço vazio em sua cama. Ele nunca estivera ali afinal, era apenas um sonho. Sua mente pregara uma peça dolorosa demais para que ela pudesse suportar naquele momento. Se desprendeu de seus pensamentos quando as batidas insistentes recomeçaram, rapidamente ela saiu da cama e num salto já estava em frente a porta. Lembrou da conversa que tivera com Daeron na noite passada, ela hesitou em abrir a porta.
– Quem é? – A ruiva perguntou.
– Abre, sou eu, Lexi. – A loira falou aflita pelo lado de fora do quarto. Sem demora Tauriel deu passagem para a meia elfa entrar em seus aposentos. Ela entrou com a espada em punhos, fato que alertou Tauriel imediatamente e ela culpou-se por ser tão despreparada, algo de grave poderia estar acontecendo no castelo e ela ali perdendo tempo dormindo, provavelmente não iria fazer isso por alguns dias, pois não havia nada mais tortuoso do que ter Thranduil apenas em seus sonhos. – Por que demorou tanto? — Indagou a loira depois de ter percebido que havia apenas as duas naquele quarto. — Fiquei por um bom tempo gritando ali fora, fiquei preocupada...você não está mais segura dentro desse castelo Tauriel, tem que tomar cuidado, já não há muitos por aqui que são de confiança, fique alerta.
Era estranho que a ruiva tivesse ficado todo esse tempo sem ouvir Lexi, ela não tinha o sono pesado, mas não poderia se culpar, de fato, acordar não era o que ela queria. Agora que ela fora avisada por Lexi da situação do castelo, vira o quanto fora imprudente ontem à noite com Daeron, Tauriel sabia que poderia cuidar dele facilmente, mas e se ele estivesse acompanhando por mais alguns elfos? Se ela sumisse de um dia para o outro, certamente não teria mais ninguém no castelo, além de Lexi, que se importariam em saber o que poderia ter acontecido com ela, de qualquer forma, ela teria que ser mais cuidadosa agora. A loira viera avisar que os elfos de Valfenda e Lothlórien tinham chego para o enterro de Thranduil que aconteceria naquela tarde, ao pôr do Sol. Não se demorou muito em se arrumar, vestiu apenas um vestido branco de tecido leve e solto e acompanhou Lexi até os jardins do castelo, lá em determinada parte, haviam as urnas dos antigos reis e rainhas da Floresta Verde. Haviam muitos elfos naquele lugar, tanto os do castelo, como aqueles que vieram de longe, Lexi foi para perto de seus familiares. De Lothlórien havia a Senhora Galadriel e seu marido Senhor Celeborn, de Valfenda os pais de Lexi, Lord Erold e Lady Celebrian, Tauriel nunca os tinha visto, afinal jamais fora para mundo longe das redondezas do castelo, mas eles eram como ela tinha ouvido falar, muito belos e dignos da realeza, Lexi era muito parecia com a mãe, loira e de olhos azuis escuro, que por sua vez havia herdado traços de Galadriel, apenas os olhos de Lexi vieram de Erold e nada mais.
Todos sofriam seu luto de forma diferente, alguns choravam, outros faziam preces silenciosas e outros ainda apenas tinham a expressão triste e o olhar baixo. Quando trouxeram o corpo de Thranduil o silencio e a comoção fora total, quatro elfos carregavam o corpo do rei, até que o deixaram na urna, que se encontrava ao meio de todos. Era uma cena realmente triste e Tauriel preferiu ficar atrás de todos, sentia que não aguentaria se ficasse muito perto, desejava que Legolas estivesse ali para apoiá-la, mas o elfo não apareceu, esperava que ele estivesse bem, infelizmente ninguém sabia o paradeiro dele, afinal apenas Thranduil sabia para onde o filho fora e agora a localização morrera junto com ele, de qualquer forma o príncipe voltaria para casa algum dia. Nenhuma lágrima caiu dos olhos de Tauriel naquele momento, tentara ao máximo não se abalar e não demonstrar emoções exageradas em frente aos outros elfos. Entretanto a ruiva sentiu que alguém a observava, olhou ao redor tentando encontrar quem estaria tão interessada nela e foi então que deparou-se com um par de olhos azuis a fitando, a elfa abriu um sorriso sincero e gentil para Tauriel, que por mais triste que estivesse, foi impossível não retribuir, Galadriel a olhava com curiosidade, o que também intrigou a ruiva de certa forma, uma lembrança surgiu na mente de Tauriel que a fez arregalar os olhos em surpresa, e Galadriel abriu ainda mais seu sorriso para ela, que ruiva rapidamente desviou o olhar, constrangida. Ela lembrava de uma conversa que tivera com Legolas, na qual ele contou a ela sobre um tipo de encanto que os Eldar eram capazes de exercer quando olhavam diretamente para os olhos de qualquer ser vivo, eles tinham a capacidade de compreender com facilidade os pensamentos de outros, isso é claro, se o elfo em questão tivesse sabedoria e experiencia o bastante para exercer tal habilidade. E se Galadriel estivesse usando tal poder com ela? A ruiva estremeceu com o pensamento, não conhecia Galadriel, logo não sabia se ela aprovaria o envolvimento que ela e Thranduil tiveram, agora, mais do que nunca, ela precisava ter cautela com todos. Antes de fecharam o tumulo, Lexi colocara uma pequena caixa de madeira no peito de Thranduil, que provavelmente seria o colar de Nauglamir, que os anões trouxeram mais cedo naquele dia, como uma forma de paz entre os dois reinos, depois dela Lord Elendil pôs uma espada élfica entre as mãos dele, Tauriel sentiu nojo e raiva daquela cena, sabia que a comoção de Elendil e a sua face de tristeza era apenas fingimento, mas o que ela de fato achou curioso era que aquela espada não era a de Thranduil e ninguém além dela pareceu perceber isso. Ao final do enterro todos começaram a ir novamente para suas tarefas, agora que o reino estava sem um comando, todos pareciam meio perdidos e sem saber o que fazer exatamente, Tauriel fora a primeira a sair dos jardins, não quis ver a urna de Thranduil sendo fechada, não era a última memória que queria ter dele, então ela decidiu ir até a grande varanda, onde num passado muito distante Thranduil levava ela e Legolas para treinar com o arco, quando crianças. Entre as árvores alguns poucos raios de sol ainda conseguiam ultrapassar e chegar até a varanda, ela encostou seus braços no para peito e pensou em como seria sua eternidade a partir de agora, ás vezes vida eterna pode ser um castigo quando não se tem alguém para passa-la junto com você, e Tauriel não queria compartilhar sua imortalidade com mais ninguém, ninguém poderia tomar o lugar dele. Amar alguém de tal forma pode ser um privilégio, mas também sua perdição, até quando Thranduil assombraria seus pensamentos dessa forma? Ela precisaria passar um tempo sozinha para descobrir como isso seria possível. Ouviu passos atrás de si, quando se virou viu Lexi acompanhada de Galadriel vindo ao seu alcance, a ruiva ficou tensa.
– Tauriel, esta é minha avó, Senhora Galadriel, de Lothlórien. – Tauriel reverenciou a elfa, que fez o mesmo para a ruiva. – Queria dizer que eu, em nome de todo o povo de Lothlórien digo que seria de grande agrado se você fosse conosco, quando voltássemos para lá, eu contei para minha avó sobre a situação que Mirkwood se encontra. – Lexi deu uma piscadela quase imperceptível para Tauriel, ela não tinha contado realmente toda a história. – E você pode nos acompanhar, se assim desejar. – Tauriel sentiu-se lisonjeada por Lexi estar se importando tanto com ela, mesmo depois da morte de Thranduil, ela tinha um grande coração. Porém Tauriel não sabia o que responder, queria novos ares, para sair desse antro de trevas que se tornava Mirkwood a cada dia que se passava, mas também no fundo, parecia estar deixando e indo para longe de Thranduil e de tudo que viveram dentro daquele castelo, apesar de tudo, ela tinha lembranças boas.
– Não precisa responder agora, minha querida. – Galadriel falou pela primeira vez, sua voz era melodiosa e calma, transmitia paz, mesmo para um coração aflito como o de Tauriel. – Lúthien, poderia me deixar a sós com Tauriel por alguns instantes? – Dessa vez foi Lexi que ficou tensa, olhou para Tauriel e para a avó, sem escolhas ela deu um meio sorriso para Galadriel e acenou com a cabeça, saiu, voltando para o lado de dentro do castelo. Agora as duas elfas estavam sozinhas.
– É triste ver essa floresta outrora tão viva, morrendo de uma forma tão sombria, o mal que se alastra na Terra Média parece ter atingido Mirkwood por completo. – A mais velha falava enquanto observada a floresta ao seu redor. – Agora que seu rei se fora, temo que este lugar nunca mais será o mesmo. Porém. – Ela olhou diretamente para Tauriel agora. – Nada é pior do que o coração devastado pela perda, ele era realmente, um rei muito amado por todo seu povo. Mais por uns do que outros. – Ela sabia, Tauriel tinha certeza agora, mas onde ela queria chegar? – Eu estou vagando por essa Terra há muitas vidas e já presenciei muitas histórias.., e nunca senti algo tão forte como quando soube sobre a sua história Tauriel.
– O que quer dizer com isso? – A ruiva estava intrigada com a conversa de Galadriel, ela não parecia uma ameaça, então ela não se importou muito em negar o que elfa estava dizendo sobre ela.
– Quero dizer que existem coisas nesse Mundo que ainda não conhecemos, coisas que talvez até mesmo, não deveriam ser conhecidas. Uma magia tão profunda e tão antiga que é capaz de conceder a quem a tem, poderes inimagináveis. Poderes estes que veem da mais perfeita e imaculada luz da árvore de Aman, as três Silmarils. – Tauriel escutava tudo atentamente, mas não entendia porquêeGaladriel estava contando lendas antigas a ela, a ruiva também ouvira algo assim em sua infância, mas por que isso seria relevante agora? Ela não sabia. – Talvez até mesmo, capazes de revogar a morte, se assim, seu dono desejar. – Tauriel arregalou os olhos, então era isso...
– O que?! Onde estão? O que elas são? Por favor eu preciso saber, isso, isso...mudaria tudo. – Ela estava sem palavras, mil pensamentos entravam e saiam de sua mente, ela poderia reverter toda essa situação se encontrasse e possuísse esse poder, ela poderia trazer Thranduil novamente.
– Não se anime criança, eu não trago boas notícias a você. Eu mesma não conheço muito sobre tal lenda, mas dizem que são três pedras, tão brilhante quanto as estrelas do céu, entretanto desconheço o paradeiro delas. Mas saiba que se realmente for atrás delas, terá que encontrar uma coragem dentro de si mesma, que você jamais imaginou existir antes, muitos morreram e enlouqueceram partindo em busca delas, por isso lhe pergunto, até onde estará disposta a seguir em frente em sua jornada? – Galadriel perguntou sorrindo gentilmente.
–Até a morte, nunca irei parar até encontra-las. – Ela falou com determinação. E era verdade, ela nunca iria pagar até encontrar, nunca iria parar até que ambos estivessem juntos novamente, tanto na vida como na morte.
– Imaginei que diria isso. Sendo assim, prepara-se, é longo o caminho que você terá que seguir, vá para Oeste e encontre os Felmari, os elfos do mar, creio que eles terão muito mais conhecimento do que eu e te ajudarão em sua busca, mas tome cuidado, muitos perigos te separam daqui até seu destino. – A mente de Tauriel fervia, ela não sabia muito bem como reagir a todas aquelas informações, mas sentia uma profunda gratidão por Galadriel.
– Por que está me contando tudo isso? Qual seu propósito? – Galadriel riu da pergunta da elfa.
– Nenhum. Apenas entendo o que sente, e sou capaz de ver o que outros não conseguem enxergar, essa ligação que os une é especial, algo que ultrapassa a morte, e se que saber, me surpreende você ainda não ter percebido. – A loira olhou diretamente para pulseira de Tauriel, que acompanhou o olhar da outra, ela se admirou, tudo parecia se encaixar. – Eu já a vi antes, em mãos de outra rainha a muitos séculos atrás, eu conheço seus poderes e ela não abriu, mesmo depois da morte de Thranduil e isso não me parece coincidência. ..O destino está ao seu favor, você tem todas as armas de que precise então, lute.
Tauriel não tinha palavras para agradecer a toda esperança de Lady Galadriel havia proporcionado a ela, agora ela tinha algo pelo que lutar, e ela conseguira, nem que precisasse dar seu último sopro de vida, ele voltaria para ela. Mais tarde os elfos partiram, mesmo com os protestos insistentes e bajuladores dos Lords do Conselho para que eles passassem ao menos a noite ali, nenhum dos visitantes deu muita atenção e eles e talvez a gota da água para Elendil fora quando Galadriel disse em frente a todos que Tauriel sempre seria bem-vinda a Lothlórien quando ela quisesse, e apesar de ter sido um convite comum e amigável, Galadriel não tinha a menor ideia da confusão que a colocara com os Lords. Ao contrário do que pensara Lexi não foi junto com eles, decidira ficar mais alguns dias no castelo, provavelmente para ficar de olho em Tauriel. Ao anoitecer daquele dia, ela estava ao mesmo tempo exausta e em polvorosa, ela acordaria cedo amanhã e arrumaria tudo que precisaria para a viagem, isso se ela realmente conseguisse dormir. Entrou em seu quarto e fechou a porta atrás de si, por um descuido de atenção ela esquecera de tranca-la. Em uma bolsa arrumou o essencial, dois pares de calças e duas túnicas, as mesmas que ela usava quando saia em missão, colocou também um vestido simples, caso surgisse pelo caminho alguma situação que exigisse um pouco mais de formalidade, colocou também suas duas adagas e alguns mapas que tinha no quarto, os suprimentos ela só colocaria ao amanhecer na bolsa. Deitou em sua cama depois de apagar a última vela que deixara acessa, não conseguia dormir, tinha tantas expetativas em sua mente que sentia-se quase eufórica, na noite passada ela tinha certeza que aquela luminosidade diferente em sua pulseira e no anel de Thranduil significava algo, ele ainda tinha uma chance, ou melhor, eles ainda tinham uma chance.
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Na madrugada, Tauriel escutou um estrondo da porta de seu quarto se abrindo com força, não pode nem acordar direito, quem sequer que tivesse entrado em seu quarto, já estava ao lado de sua cama, a puxando pelo braço.
– Tauriel rápido! – Lexi disse em alerta. – O Conselho decidiu sobre sua sentença, eles estão vindo. – Tauriel mal teve tempo de pensar, já estava fora da cama, pegou a bolsa em cima da cômoda e no mesmo instante já estava correndo pelos corredores do castelo, sendo puxada por Lexi. – Eu deixei um espião meu seguindo todos os passos de Elendil, ele era o mais suspeito para mim, e assim que eles convocaram uma reunião de urgência eu fiquei alerta, antes de terminarem eu já corri para cá. – A loira falava com a respiração acelerada. – Parece que um tal de Daeron, ele também é um dos cinco capitães, andou trabalhando para Elendil, em busca de informações sobre você e Thranduil.
– Sim, ontem à noite, quando fui ver Thranduil, ele me encontrou e disse que sabia de tudo sobre...nós, ele também parecia ter muita raiva do rei, era um traidor no fim das contas, bem debaixo dos nossos narizes. – Tauriel falou com raiva, lembrando-se das palavras de Daeron. Lexi parou de repente e olhou para Tauriel.
– Por que não me contou isso? – Aa loira perguntou, parecia ter ficado um pouco magoada.
– Desculpe, mas eu nem tive tempo para respirar ainda. – Lexi podia ser ótima, mas dava muita importância para coisas irrelevantes. A loira concordou e voltaram a correr, estavam perto da saída, até que Tauriel lembrou-se de algo. – Espere, temos que voltar. – Ambas pararam abruptamente.
– Voltar? Está louca? Se te encontrarem, te matam.- A outra respondeu exasperada.
– Lexi, por favor, eu jamais pediria se não fosse importante. – A ruiva disse numa suplica. Lexi parou, olhando para os lados impaciente.
– Tudo bem, mas rápido! – Tauriel sorriu em agradecimento, ela se pôs na frente, para que a meia elfa a seguisse. Correu, subindo algumas escadas e já estavam em seu destino, em frente a grande porta do quarto de Thranduil, ofegantes, elas entraram no cômodo escuro, a ruiva foi até o closet dele enquanto Lexi olhava para ela, sem entender o motivo de estarem ali, quando Tauriel saiu de lá, a meia elfa percebeu que ela carregava consigo a capa bordô que Thranduil usara na última batalha, foi então que ela compreendera e não poderia culpar Tauriel por isso, caso fossem pegas, era de fato um bom motivo. Voltaram para o corredor dessa vez com mais cuidado, provavelmente já deveriam estar procurando Tauriel a essa altura, por sorte o quarto de Thranduil ficava alguns andares a cima do dela. Saíram do castelo por uma das passagens secretas que dava para perto do celeiro, lá ambas montaram em seus cavalos, Lólindir e Shawdofax e saíram dos domínios de Mirkwood o mais rápido que puderam, longe dali Tauriel pode ouvir o som da trombeta, indicando alerta, já deveriam saber que ela havia fugido, porém era tarde demais para eles conseguirem alcança-las, Tauriel nunca achou que este dia chegaria, o dia que ela agora, era inimiga de seu próprio reino, de seu próprio povo. Mas a elfa fizera uma escolha quando decidira ficar com Thranduil e apenas voltaria para Mirkwood para fazê-lo voltar a vida, até então, seu lar agora era o Mundo.
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Quando já estavam longe o suficiente, Tauriel fez seu cavalo parar e Lexi fez o mesmo, olhando para ela com confusão.
– É aqui que nos separamos. – A ruiva falou. – Agradeço tudo que fez e tem feito por mim, mas preciso seguir meu caminho sozinha a partir de agora.
– Isso tem alguma coisa a ver com a conversa que você teve com a minha avó? Da qual nenhuma das duas me disse nada a respeito? – Lexi perguntou indignada.
– De cerra forma sim, mas não posso dizer nada, por enquanto. – Tauriel não queria dar falsas esperanças para Lexi, caso toda essa história não fosse verdade.
– Se quer assim, tudo bem.- A loira falou com um meio sorriso. – Tenho algo para você. – Ela aproximou um pouco mais o cavalo e ficaram lado a lado, de dentro da capa que Lexi usava, ela tirou algo embrulhado e o entregou para Tauriel, que o desembrulhou e para seu espanto, era a própria espada de Thranduil, então foi por isso que ele não estava com ela em seu enterro, a meia elfa entendeu e expressão da ruiva e explicou. – Tenho certeza que ele iria querer que ficasse com você, tudo que ele queria era que você ficasse segura, então tomei a liberdade de pegá-la. – Ela falou com a voz triste enquanto lembrava do amigo, a ruiva agradeceu com lágrimas nos olhos. – E tenho mais isso também. – E do bolso ela tirou um envelope lacrado com o símbolo de um dos anéis que Thranduil costumava usar no dedo do meio. Tauriel pegou a carta com o maior cuidado que pode e olhou de volta para Lexi. – Ele pediu para que eu entregasse a você, um pouco antes de irmos para a batalha, caso ele não voltasse.- Tauriel assentiu em silencio para ela e guardou a carta nas próprias vestes, ela ainda estava com a capa de Thranduil enroscada nos braços – Por que não a veste? Ficaria bom em você. – A ruiva sorriu em resposta, amarrou a bainha da espada no cinto que usava e pegou as rédeas do seu cavalo, o direcionando para o lado aposto do qual a loia iria.
– Adeus Lexi, foi muito bom te conhecer. – Tauriel falou, fazendo Lexi dar de ombros.
– Boa sorte em sua busca, por hora, você sabe onde me encontrar caso precise de ajuda.
– E eu irei procura-la, muito em breve. – Lexi revirou os olhos com a resposta e sorriu.
–Sim, afinal, você sempre está envolvida em alguma confusão, Írë lúmë tuluva. [ Até a próxima.]– Tauriel não teve tempo de dizer algo, Shadowfax já estava longe de seu campo de visão, adentrando as árvores e ambos sumiram.
Ela respirou profundamente, agora sua jornada apenas começara e ela não iria descansar, até alcançar seu objetivo.
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