06

Quando anoiteceu, eu só queria minha cama, deitar, descansar, deixar o sono me guiar. Me lembrei também que tinha me esquecido de contar pra Heather e Cassie sobre o estranho fato da Beatrice ter me convidado pra uma de suas festas, mas na verdade eu não me sentia bem em relatar esse acontecimento bizarro perto de Heather apenas porque ela e Beatrice são inimigas mortais.

Depois de fechar a janela do quarto, e conferir os canais de televisão, decidir que iria me permitir viajar entre meus sonhos no mais profundo sono, daqueles em que nem se me jogassem numa avenida movimentada eu poderia acordar. Mergulhei em meu travesseiro e deixei o sono me levar.

̶ Acorda... Acorda, Savannah!

Mas que diabos era isto? Abri um olho para ver quem estava me perturbando no meio da madrugada, e foi quando eu dei de cara com Ben.

̶ Levante-se.

̶ Por que não pode encher o meu saco de dia?

̶ Espero que sua frase seja no sentido figurado. Agora, levanta.

Fui forçada a me rastejar para fora da cama, a ponto de inspecionar Ben dos pés as cabeça. Ele usava botas pretas de motoqueiro, um jeans desbotado e uma blusa branca de manga comprida que estava molhada, e não queria saber do que era. Seu cabelo estava molhado também e bem bagunçado, caia sobre seu rosto de uma forma delicada, eu queria mais do que tudo enfincar meus dedos em seus fios e arruma-los.

̶ Temos que ir. ̶ Disse ele num tom curto.

̶ Tá. Em primeiro lugar, pra onde vamos? Em segundo, não pode ser amanhã? E em terceiro, por que você está molhado? ̶ A terceira pergunta era mais do meu interesse do que as outras duas, mas não pude demonstrar isso.

̶ Não, não, e está chovendo.

̶ Não o que? E não está chovendo.

̶ Não vou te falar pra onde vamos, é secreto. E sim, estava chovendo cinco minutos antes de eu te acordar, fiquei dois minutos vendo você dormir, e pude concluir que você ronca. ̶ Um sorriso tímido apareceu no canto de sua boca.

̶ Roncar? Eu não ronco não, mesmo! Dá pra parar?

Roncar, era só o que me faltava. Esse idiota invade meu quarto, me vê dormir, me acorda no meio da noite, quer me sequestrar e ainda me insulta.

̶ Mas eu não fiz nada... Ainda.

̶ Olha, eu sinto muito te informar, mas eu não posso sair hoje. Amanhã vou levar alta e quero muito voltar pra minha casa, portanto vou acordar cedo, e você não vai me atrapalhar. Se quiser marcar outro dia, tudo bem. ̶ Falei enquanto me enfiava de baixo do cobertor.

̶ Marcar? Você acha que isso é encontro? ̶ Ben pôs sua voz num tom sarcástico e deu uma breve risada.

̶ Tanto faz, eu não ligo pra o que você quer. Amanhã é meu primeiro dia em casa, em que eu vou poder ver meus pais, até os meus vizinhos. Vou poder entrar no meu quarto, deitar na minha cama, usar meu banheiro, comer o pudim que meu pai esconde atrás da vasilha de leite. Eu vou poder viver de novo, e se você me der licença, pode ir embora? ̶ Minhas palavras saíram quase como um choro e um pedido de trégua do que um pedido de saída.

Ben me olhou de relance, eu sabia que de algum modo minhas palavras o afetaram, ele se sentou no chão e se escorou na parede.

̶ Savannah, eu entendo o que você esta passando. Já estive em situações piores, acredite quando eu falo. Acha que eu gosto de fazer isso? Na verdade, eu não ligo se eu gosto ou não. Eu só recebo ordens, e meu papel é cumpri-las. Além do mais, você é uma garota bonita, não quero ter que te machucar.

Nossos olhos se encontraram e eu fiz questão de segurar o contato visual o mais longe que fosse, infelizmente não passou de 9 segundos. Eu me aproximei mais de Ben, o mais perto do que deveria.

̶ Me conta? Pra onde estamos indo? Eu vou. ̶ Eu pronunciei minha fala com uma voz calma, como de uma canção de ninar.

Ben se levantou e se aproximou mais de mim, ele era mais alto, mas eu podia sentir sua respiração, ele estava bem perto. Me pegando de surpresa, ele levantou meu queixo, para que pudesse olhar meus olhos, e eu me senti estranha.

̶ Não posso. Apenas venha. Prometo que não vou te machucar.

̶ Por que tem que prometer? Me machucaria se pudesse? Me machucaria agora? ̶ Pronunciei, oficialmente quebrando o clima anterior./

̶ Não é do meu tipo machucar minhas encomendas, mas as vezes é preciso um pouco de paciência, certo? E eu não absolutamente nem um pouco a menos, nem um pouco a mais disso.

Voltei pra beirada da cama, deixando-o sozinho.

̶ Encomenda? Por acaso você trabalha para um mafioso e ele quer me levar para aqueles tipos de albergue para prostitutas?

̶ Você tem uma imaginação fértil, mas não. Não é isso. ̶ Respondeu-me num tom sarcástico que só ele sabia.

̶ Então pode voltar pra sabe-se de lá de onde você veio, e diga ao seu chefe para procurar outra encomenda. ̶ Falei com a voz um pouco mais alta do que o normal.

Me joguei na cama, puxei o cobertor até meu pescoço, e observei Ben que inspecionava minhas gavetas das cômodas em silêncio, ele ao menos retrucou.

Graças a Deus eu havia retirado minhas roupas e enfiado elas na mala na noite passada.

̶ Eu gostei daqui. Não sei por que reclama tanto desse lugar, ele é aconchegante.

̶ Você não sabe de nada, isso sim. Agora se retire. ̶ Afrontei-o apontando minha mão para porta de saída.

̶ Estou te esperando. Você disse que ia.

Ben se apoiou na ponteira da cama, e me olhou atentamente com um olhar particular e indecifrável.

̶ Então eu retiro o que eu disse.

̶ Não se pode retirar uma palavra, você falou então cumpre.

̶ Que seja. Eu não prometi, nem jurei nada, portanto eu posso retirar o que eu quiser.

̶ Você não sabe de nada, Bennigton.

̶ E você sabe muito sobre isso não é? Deve ser aqueles caras que apostam no pôquer, perdem e não tem o dinheiro pra pagar, então vivem se escondendo por aí. ̶ Dei a ele meu melhor sorriso irônico.

̶ Você poderia ter escrito um livro com sua imaginação a flor da pele. Ia render muito, eu teria comprado. ̶ Ele me devolveu o mesmo sorriso, só que com um certo charme.

Ele era impossível. Eu já o odiava! Não iria em lugar algum com esse idiota.

̶ Me dê só mais um dia. Eu prometo que irei.

̶ Volto amanhã, e está prometido. Agora não tem como voltar atrás.

Dito isso ele desapareceu entre a porta. E eu me arrependi de ter usado a palavra prometo perto desse maluco, sabe-se lá o que ele quer, ainda mais com uma promessa no meio.

Assim que amanheceu, acordei com um sorriso que dizia “Finalmente Livre”. Enfiei o resto das minhas coisas numa micro mala, e foi quando eu notei que havia deixado cair um papel no chão. O guardanapo de Beatrice. Eu havia esquecido de sua festa, e acima de tudo, eu não tinha roupa alguma para ir a este tipo do ocasião. Não que eu estivesse disposta a gastar meu dinheiro só por uma roupa qualquer pra ir na festa de Beatrice, eu poderia pedir alguma coisa emprestada pra Cassie, ou pra Heather, mas optei pela Cass, não queria que Heather soubesse sobre a festa, e principalmente que eu iria nela.

Ás 10h30m, eu estava me despedindo de Morgan na entrada do hospital, falei tchau pro velho Harry, e fiquei horas abraçadas com a Tinna, a cozinheira, que insistiu em me dar um pedaço de torta de cereja pra viagem, não pude negar era minha preferida.

No carro, já a caminho de casa, não pude deixar de meter minha cara na janela e inspecionar as ruas e os bairros da cidade, não que Northvan seja uma cidade grande, mas depois de ficar meses no centro de reabilitação do hospital, você meio que acha a cidade gigante.

Quando cheguei em casa, logo pude sentir o cheiro do perfume que minha mãe espalhava pela casa quando íamos receber visitas e isso me dava alergia, mas no momento eu não me importei, subi as escadas correndo enquanto meu pai e Jackson tiravam minhas coisas do carro, queria apenas uma coisa, meu quarto.

Abrindo a porta do meu cômodo, eu pude ver que minha mãe tinha feito umas mudanças, pintado as paredes de bege, e retirado meus pôsteres do Coldplay substituindo-os por jarros com flores. Mas mesmo assim ainda era meu quarto, minha cama, meu guarda-roupa, minha escrivaninha, e mas do que tudo minha querida prateleira de livros que continha 3 edições de Orgulho e Preconceito, e mais 4 contos de Jane Austen reescritos por escritores famosos da literatura inglesa.

Meu quarto tinha cheiro de petúnias, e era completo por quadros velhos, réplicas mal feitas de pintores famosos, e alguns feitos por mim mesma. Uma pequena dor se alastrou para minha barriga, eu estava me sentindo estranha, mas isso tudo era me familiar de um jeito.

̶ Falei pra sua mãe não botar tantas flores assim, afinal isso não é um enterro, certo? ̶ Meu pai me abraçou e botou as malas do lado da porta.

̶ Quer que eu te ajude a desfazer as coisas?

̶ Não, pai, tudo bem.

̶ Bom! Então eu vou lá pra baixo ajudar o seu irmão a limpar a garagem, estou te esperando. ̶ Ele beijou minha cabeça, e se retirou.

Assim que fechei a porta, meu celular vibrou no bolso de trás da minha calça. Era Heather.

̶ Já tá em casa? Espero que esteja descansando pra mais tarde.

̶ Mais tarde? Uh, não.

̶ Vai me dizer que você não vai? Eu já preparei tudo, até comprei um bustiê novo pra combinar com minha blusa. ̶ Disse Heather, com um tom chateado.

̶ Na verdade, eu nem sei pra onde vamos!

̶ Como assim não sabe? Deus! Brad Racliff tá dando uma festa na sua casa hoje a noite, e vamos aproveitar essa situação para comemorarmos sua volta. ̶ Reclamou Heath.

̶ Precisamos mesmo ir? ̶ Supliquei na esperança de ouvir um “não”, mesmo sabendo que a resposta seria sim.

̶ Óbvio que nós vamos, passo em sua casa daqui ás 19 horas, esteja pronta ou eu te arrastarei daí até mesmo com você pijama.

Depois de desligar na cara da Heather, fiz questão de tomar um bom banho, e descer para se juntar ao resto da família. Abri meu guarda-roupa e vi algumas roupas minhas que me faziam falta, peguei meu vestido lilás que Trevor havia me dado de presente antes de se mudar, por sorte ele ainda cabia em mim, e tinha cheiro de talco. Ajeitei meu cabelo, pra que ele ficasse de bom estado até a festa, tentei fazer uns cachos mas os fios escorriam pela minha mão, minha única alternativa era colocar um arco preto e passar um mousse capilar nas pontas para ele ficar sem frizzes.

Ás 19h05m, o Mustang preto de Heather buzinou na calçada de casa, calcei minhas sapatilhas e desci correndo antes que ela acordasse os vizinhos e o outro quarteirão inteiro. Abrindo a porta do lado do passageiro, pude perceber que Cassie estava pintando as unhas do banco de trás.

̶ Não vai borrar? ̶ Perguntei com uma carranca de dúvida estampada na cara.

̶ Já disse pra ela que se pingar uma gota de tinta no meu banco, ela vai pagar caro. ̶ Disse Heather com um palito na boca. Como os pais dela não a deixavam fumar, Heath passava a metade do dia mordendo palitos de dente.

̶ Como se seu carro fosse uma Ferrari ou estive em perfeitas condições. ̶ Retrucou Cassie com uma cara irônica.

̶ Não fale assim do Muss, ele já te tirou de muitas situações. E se você não gostou então vai de ônibus, ou taxi se você tiver dinheiro.

Cassie revirou os olhos tentando ignorar o comentário ofensivo de Heather.

̶ Aonde é isso, posso saber? ̶ Perguntei, tentando quebrar o clima.

̶ Na divisa da Douxville com a Liverpool.

̶ Ótimo, deve levar meia hora pra chegarmos lá. ̶ Fiz uma careta que representava tédio.

̶ Se pegarmos caminho pela rua 35, vamos chegar em 15 minutos. ̶ Sugeriu Cassie.

̶ Tá maluca? Todo mundo sabe que de noite, a 35 fica lotado de fumantes, e alguns até com armas. Obrigada, mas não quero correr o risco.

̶ Olha, vamos pelo caminho normal mesmo, não tem problema chegarmos atrasadas, como se alguém fosse ligar pra isso. ̶ Falei na esperança delas me ouvirem.

Meia hora depois de aguentar a Heather falando sobre seu final de semana com o Scott, seu novo “namorado”, finalmente estacionamos na rua de Brad, que estava lotada de carros e motos, a música se podia ouvir da esquina, alguma banda de rock antiga, acho que AC/DC.

Heather vestia uma mini saia preta com uma regata branca, uma meia calça no estilo rasgada, e um salto mais alto do que um canudo. Cassie optou por um vestido cinza brilhoso que colava em seu corpo, mostrando suas curvas aperfeiçoadas que deixava qualquer um no chão. Já eu, continuei com meu vestido lilás estilo balé, ele era com mangas regatas, o que deixava meus braços e ombros expostos e delicados.

Na entrada da casa de Brad, estava reunido um grupo de garotos com uniformes de futebol. Alguns assoviaram e outros gritavam cantadas falidas. Passando pela porta, percebi que os olhos da maioria do pessoal se voltaram para mim, me senti quente por dentro, principalmente quando Brad e seu grupinho estava andando em nossa direção.

̶ Meninas, estão lindas. ̶ Disse Brad segurando um copo vermelho de bebida, mas pelo seu hálito podia-se deduzir que esse era o quadragésimo copo em sua mão.

̶ Savannah Bennigton, quanto tempo não a vejo, você está ótima, espero que não se importe em eu te chamar de gostosa, não é? Porque é isso que você está. ̶ Sua voz era fraca, e seus olhos estavam vermelhos.

̶ Oi, Brad. É, obrigada é sempre bom ouvir isso!

̶ Aqui, pode ficar, é por conta da casa. ̶ Ele me empurrou seu copo de bebida, e me deu uma piscada de olho enquanto caminhava pros fundos da casa.

̶ Foi impressão minha, ou Brad Racliff acabou de flertar com você? ̶ Disse Cassie com as sobrancelhas levantadas.

̶ Impressão.

Depois de 5 minutos paradas ali, eu e Cassie decidimos fugir para cozinha, Heather nos largou no primeiro instante, deveria estar por ai correndo atrás do Scott.

Na multidão de pessoas, Brittany, Chloe, Marcie, Lindsay, Cody, Zack, Martin, Stella, Chace, Paul, Jhonny, Ashley, e até o clube de xadrez veio falar comigo e perguntar como eu estava, alguns até me chamaram pra sair, por incrível que pareça. You Shook Me All Night Long do AC/DC era tocada enquanto algumas garotas se rebolavam pros garotos na sala de estar. Eu e Cassie, aproveitamos a chance e sentamos nas últimas cadeiras vagas no balcão da cozinha, onde alguns garotos estranhos preparavam drinks estranhos.

Foi quando Hannah Gosling se aproximou e me entregou um bilhete, ela fez uma cara de desentendida e foi embora.

̶ O que é isso? ̶ Questionou Cassie.

̶ Não faço ideia, deve ser do Brad com certeza, depois eu leio.

̶ Então tá, se não quer compartilhar suas cartinhas amorosas com suas amigas, por mim tudo bem.

̶ Ei, na verdade tenho uma coisa pra te falar.

̶ Não é sobre aquele tal garoto de novo, né Sav? Tenha dó. ̶ Disse Cassie enquando bufava.

̶ Na verdade, é sobre Beatrice. Ela me chamou pra sua festa na sexta. Eu não quero falar disso perto da Heath, já que as duas se odeiam.

̶ Beatrice Jhonson? ̶ Cass me fez uma cara confusa, como se estive surpresa e confusa ao mesmo tempo.

̶ É a única que eu conheço.

̶ Céus, Savannah! Você vai, né? Todos falam bem das festas da Beatrice, dizem que a maior do ano, tirando a do seu aniversário.

̶ Não sei, não vai pegar mal pra Heather?

̶ Ai que se dane ela. Ela nem vai ligar, vai estar ocupada se agarrando com Scott.

Cassie e eu rimos. Apesar da minha amizade com Heather, considerava Cassie uma irmã, tem coisas que você não pode discutir com Heather, tipo virgindade e garotos, principalmente garotos. Mas o importante é que eu não via minha vida sem elas.

̶ Vou pegar uma bebida, você quer? ̶ Perguntou-me.

̶ Não, na verdade acho que vou ao banheiro, nos encontramos aqui?

̶ Ok!

Subindo as escadas da casa de Brad, me senti desconfortável e queria ir pra casa, decidi pegar o seu papel e ver o que ele queria comigo, quando abri a folha, continha apenas 5 palavras.

Encontre-me lá fora, perto do jardim.

Não tinha assinatura, ou ao menos uma inicial, mas de quem poderia ser? Quando cheguei no final do corredor, havia uma fila imensa, apenas de olhar a quantidade de pessoas eu perdi a vontade de usar o banheiro. Desci as escadas e decidi ir até o jardim, assim me livraria logo de Brad e encontraria Cassie para irmos juntas pra casa.

Na porta dos fundos, tinha um pessoal fumando algo que tinha um cheiro estranho, eles pussiam piercings no nariz e na boca, alguns tinham na sobrancelha e até mesmo no queixo, sem fazer muito contato visual decidi passar rápido e direto, passando por uma cerquinha que dava na parte restrita da casa onde não havia ninguém, típico de Brad.

Pena que quando eu cheguei lá, não havia ninguém. Maldito seja! Me fez perder tempo para nada, dando meia volta me deparei com um cara vestido de preto e com um pedaço de ferro na mão. Só podia ser brincadeira. Passei direto entre o cara maluco e uma árvore que me pinicou. No momento em que pisquei, o homem segurou com força meu braço, me puxando e me fazendo cair de frente pra ele. Mas que diabos.

̶ Ei! Você é maluco? Me machucou, idiota. ̶ Gritei com ele, tirando o barro que sujou meu vestido.

O homem me segurou novamente pelo braço me arrastando sobre o chão de terra no quintal de Brad, assustada tentei um grito por socorro, mas como uma surpresa, minha voz não saiu.