The Departed
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Tentei chuta-lo mas ele rapidamente agarrou meus pés me fazendo cair de costas, ele agarrou-me pela alça do vestido e me jogou na parede de flores. Por que ele estava fazendo isso? O que ele queria?
Com o pensamento em fugir, tentei desviar-me dele o máximo, mas novamente ele bloqueou minha saída me atingindo com sua barra de ferro. A dor me queimou, não conseguia gritar para explicar a dor que eu estava sentindo, como se ele tivesse quebrado minha perna, ou arrancado uma parte de minha pele.
Puxei um montinho de plantas e flores que haviam atrás de mim e amassei-as contra seu rosto, ele recuou, me fazendo correr, mas não por muito tempo. Percebi que não havia jeito de fugir, então decidi lutar contra ele mesmo sendo impossível, era melhor morrer tentando do que morrer no fracasso. Quando ele veio pra cima de mim, fingi um golpe com a mão mas movi minhas pernas, o acertando-o com um chute na perna esquerda, e aproveitando sua distração, fechei meus pulsos e o acertei no maxilar. Fui na tentativa de outro golpe para deixa-lo indefeso, mas ele partiu para o ataque, me dando um soco forte na face direita, novamente a dor veio a tona, me deixando em estado de calamidade, ele aproveitou minha dor e me prendeu em seus braços, quase me sufocando e quebrando minhas costelas. Pensei que não ia aguentar, estava fraca, quando ouvi passos vindo em nossa direção, meu agressor também percebeu a visita inesperada e me saltou, pulando o muro da casa de Brad rapidamente. Me escondi atrás dos arbustos com a esperança de ninguém me ver neste estado.
Quando senti que a pessoa havia se afastado, corri em direção aposta, saindo na rua de trás da casa de Brad, corri o mais rápido que pude, não sabia para onde estava indo, mas não queria correr o risco de me encontrar com o maldito agressor novamente. Lágrimas escorriam pelo meu rosto, meu rosto e corpo estavam doloridos, e minha perna sofria com um enorme hematoma roxo e verde. Eu queria sair daqui, nunca deveria ter saído de casa hoje. Olhando pra baixo, percebi que havia esbarrado em alguém.
Ben.
̶ Te achei! Foi difícil mas nem tanto assim. ̶ Disse ele com um sorriso não tanto brincalhão, mas sua expressão mudou ao perceber que eu estava machucada e chorando.
̶ O que foi? Se meteu em brigas? Cíumes de namorado? Quer que eu cuide disso pra você.
̶ Eu quero que você suma, e nunca mais volte.
̶ Soou um pouco ofensivo. Pena que eu não ligo pra isso.
̶ Me deixa! Vai embora, Ben! O que você quer comigo o que você quer? Me agredir também? Era um de seus amigos traficantes? Vão pro inferno. ̶ As lágrimas jorravam de meus olhos, eu estava tremendo, com raiva, ponto a desabar.
Ben ficou sério, sua posição se endureceu e sua cor ficou pálida.
̶ Quem te atacou? ̶ Sua voz era calma mas havia um tom sério nela.
̶ Eu não sei, eu não quero saber. Isso importa pra você desde quando?
Tentando escapar de uma briga com ele, tentei ultrapassa-lo e deixa-lo falando sozinho, mas ele me agarrou pelo braço e me segurou ficando cara a cara comigo.
̶ Fala. Tudo.
Soltei uma risada irônica, as lágrimas estavam querendo aparecer novamente.
̶ Eu disse que eu não sei quem era, eu não o conheço. Ele era alto, forte, moreno e estava vestido totalmente de preto com um ferro na mão? Reconhece? É seu namorado?
Ele me soltou e me arrastou com ele, em passos rápidos.
̶ Venha.
̶ Pra onde?
̶ Te levar pra um lugar seguro.
Mais pra frente, chegando no final da rua, paramos em frente a uma moto preta. Deduzi rapidamente que pertencia a Ben.
̶ Não. ̶ Me apressei em dizer.
Ele subiu na moto e me entregou seu capacete.
̶ Vem logo. Ou tem medo de motos?
̶ Na verdade, é em você que eu não confio, não na moto. Não vou a lugar nenhum com você, até me dizer o que quer.
̶ Savannah, precisa parar de duvidar de mim, isso me entristece. Se eu quisesse te raptar ou algo do tipo, eu já teria feito a muito tempo, certo? Agora sobe logo, temos uma longa conversa.
̶ Estou de vestido.. ̶ Dei um sorriso tímido.
̶ Como se alguém fosse querer ver. ̶ Ele fez um gesto com a mão de desaprovação, e então riu.
Bati nele com o capacete, e ele me olhou surpreso. Subi na moto, me arrependendo do que fiz no momento em que sentei no banco.
Ben estacionou sua moto num espaço abandonado, e me ajudou a descer do veículo. Me recusei a perguntar o que estávamos fazendo, mas ele me jurou que não fazia parte de gangue nenhuma, e que se acontecesse algo de ruim comigo eu poderia bater nele o quanto eu quisesse. Aceitei seu juramento e fiquei mais confiável.
Ben estava com uma blusa azul escura, uma jaqueta preta e uma calça jeans que revelava um pouco do elástico de sua cueca, e pelo pouco que olhei posso dizer que é preta. Ele abriu o portão de um condomínio velho e escuro, que parecia casa de ratos, e me levou pra dentro com ele. Lá dentro, ele subiu as escadas nos levando ao último andar, um terraço enorme com uma vista linda de toda Northvan.
̶ Sempre venho aqui pra botar os pensamentos em dia. ̶ Declarou ele enquanto observava a paisagem e sentia o vento bagunçar seus cabelos.
̶ Que romântico.
Ele sorriu e me levou pra beirada do espaço.
̶ Vai me jogar daqui? ̶ Provoquei.
̶ Você não vale tudo isso, anjo.
̶ Você menos ainda. ̶ Retruquei revirando os olhos.
̶ Bom saber. ̶ Ele sorriu. Eu sabia que ele queria me provocar mais ainda.
̶ O que viemos conversar? ̶ Fui curta e rápida, direto ao assunto.
̶ Eu vacilei com você, Savannah. Não era pra ter demorado, eles me dão um prazo, um dia único. E se eu não fizer, o outro lado se interfere. E esse lado não gosta de demorar no assunto. Foram eles que te atacaram esse noite, eles querem leva-la. E se eles conseguirem, eu não vou me perdoar. Foi minha culpa isso, não era pra você estar em perigo. ̶ Ele me olhou nos olhos e segurou minha mão. Seu toque parecia verdadeiro, gentil e sensível, mas seu olhar era de culpa.
Estudei suas palavras por um momento, e não pude achar que ele estava fazendo um teatro. Se eu vou ser escritora, então ele vai ser ator.
Soltei uma risada alta.
̶ Você está brincando, né? Mas que diabos é isto, Ben? Pra que você me trouxe aqui? Realmente.
Ele jogou a cabeça pra trás e suspirou profundamente, colocando seus dedos entre os olhos e apertou.
̶ Eles irão vir atrás de você, vão querer te machucar, vão fazer de tudo para te levar pro lado deles, o lado obscuro, você precisa saber de tudo, você precisa manter em segredo e me deixar cuidar disso.
̶ Lado obscuro? Por que tá falando isso? Olha, se você queria me assustar, você conseguiu.
Ele tirou sua jaqueta, deixando seus braços de fora, passando o dedo em cima de uma cicatriz em forma de um O.
̶ Meu nome é Death Kasseriano, eu sou um anjo da morte. ̶ Seus olhos escureceram, e sua mandíbula se apertou.
̶ Anjo da morte? Tipo um ceifador?
̶ Eu fui designado para levar sua alma, me disseram que estava para ser morta, e eu precisava leva-la para o Sóterium, onde ficam as almas e as mantemos protegidas para seu caminho ao céu. Pertenço ao grupo dos Kasserianos, onde possivelmente somos julgados como os bons. Mas infelizmente existem os Blakevirs, que são demônios de almas, sugando sua alma e levando-a para o inferno. Um desses te atacou hoje a noite, e por sorte você conseguiu sair. ̶ Ele falava devagar, pronunciando cada palavra lentamente para fazer funcionamento no meu cérebro.
Eu estava quase desmaiando ouvindo sua história. Isso era possível? Ben era um ceifador?
̶ E agora, eles querem me pegar? Por que eu? ̶ Senti lágrimas caindo sobre meu rosto.
̶ Me perdoe, anjo. Não tive a intenção de te prejudicar, eu deveria ter seguido as regras, mas na noite em que você encostou em mim, eu senti uma ligação com você, e quando eu voltei para ter levar, você começou a chorar e estava toda feliz porque ia voltar pra casa, pro sua família e você estava tão feliz, eu senti isso e não pude negar mais um dia. ̶ Ele enxugou uma lágrima e descia em direção a minha boca.
̶ E o que eu faço? ̶ Perguntei no meio dos soluços ̶ Eu não posso ficar assim. Quem está querendo me matar, Ben?
̶ Não sei, pra mim você estava doente, mas eu não fazia que já havia se recuperado. Não se preocupe, fique comigo, não vou deixar eles te levarem.
̶ Não pode me levar agora?
̶ Tarde demais, estou bloqueado. Você está sendo perseguida pelos Blakers e como seu guia, não posso deixar que entre no Sóterium quando se tem um monte de demônios disputando pela mesma alma, se eu abrir o portal, um deles pode conseguir entrar e arrastar todas as almas para o inferno. Precisamos esperar, ter calma, vai ficar tudo bem, você só não pode contar isso pra ninguém, e não sumir da minha vista.
̶ Promete? ̶ Nossos olhos se encontraram novamente, e dessa vez um sentimento se rebelou dentro de mim.
̶ Eu juro. E Death, me chame de Death, esqueça Ben, só te disse esse nome pois não pensei que pudéssemos se conectar deste jeito.
̶ Estamos conectados, Death? ̶ Eu sorri com a cara cem por cento inchada de tanto que já chorei esta noite.
̶ Com certeza.
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Depois eu continuo... Só quis disponibilizar porque amei este capitulo.
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