The Departed
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Assim que anoiteceu, fiz questão de ligar pra minha mãe, e tomar um banho. Esperando Morgan trazer meu jantar, deitei na cama, e liguei a televisão. Não havia nada de interessante, então como de costume, comecei a ver reprise de séries.
Quando Morgan chegou, ela me trouxe uma bandeja com, sopa de Abóbora e Macarrão, e uma garrafinha térmica de suco, junto com dois comprimidos. Fiz questão de olhar novamente, se não tinham trocado as bandejas, mas felizmente não tinham, então já sabia que meu suco era laranja e limão.
̶ Coma tudo, e não esqueça dos comprimidos... Volto mais tarde pra recolher a bandeja. Você está se sentindo bem? ̶ Perguntou Morgan com um tom tedioso, qualquer um iria perceber que ela não estava afim de me perguntar se eu estava bem, mas era obrigada a fazer isto com todos os pacientes.
̶ Sim, estou! ̶ Respondi com um sorriso sarcástico. Eu era a melhor neles, na verdade só havia uma pessoa que dava sorrisos sarcásticos melhores que o meu, meu irmão Jackson. Foi com ele que aprendi, todas as coisas ignorantes que sei.
Assim que Morgan saiu, fiz questão de engolir os comprimidos, e beber bastante meu suco, não estava nem um pouco afim de comer essa sopa, afinal abóbora não era meu legume favorito, na verdade, eu odiava legumes. Tratei de comer apenas os macarrões e deixei alguns pedaços de abóbora no prato. Quando, acabei de me satisfazer com o meu “magnífico jantar”, desliguei a televisão e me virei de lado para tentar dormir.
Escutei um barulho no quarto, deve ser Morgan, quando me virei para pergunta-la se poderia me trazer um copo d’água, percebi que já passavam das 03hrs da madrugada, e a bandeja já havia sido retirada da mesinha de cabeceira. Mas o que poderia ser? Foi quando meus olhos o captaram. Era ele.
O homem estava parado na minha frente, perto da televisão, não consegui enxergar seu rosto, ao menos suas roupas. Eu não estava sonhando, tenho absoluta certeza que estava bem, e não poderia estar mais acordada. Mas quem era ele? Jackson? Não, obviamente o Jackson não iria sair de madrugada pra implicar comigo. Então ficou claro pra mim de quem era este sujeito.
̶ Trevor? É você? O que está fazendo aqui?
Ele se moveu rapidamente, e percebi que ficou assustado quando falei com ele, ainda se movendo rápido, abriu a porta do quarto e correu pra fora.
Levantei e fui correndo até a porta. Se realmente fosse o Trevor, não ia deixar ele sair correndo deste jeito, ele está me devendo muitas explicações. Mas quando botei meus pés no corredor, não havia ninguém, nada, nem um rastro de que alguém passou por ali.
̶ Ei, garota... O que está fazendo acordada? Volte para seu quarto.
Me virei assustada, mas me acalmei ao perceber que era apenas um dos vigias do hospital.
̶ O que foi menina? Me diga, parece que viu um fantasma, está passando bem? Quer que eu chame alguém? Olha, você tem que voltar pra sua cama.
̶ Não! Não, por favor, eu estou bem, eu só vim pegar um pouco de ar, e ver se estava tudo bem por aqui. ̶ Respondi me enfiando dentro do meu quarto e sorrindo normalmente.
̶ Tem certeza que não precisa de...
Fechei a porta antes que ele pudesse falar mais alguma coisa. Me senti mal educada, mas quem era ele pra se meter na minha vida afinal de contas? Sem ressentimentos, Savannah... Era apenas um segurança.
Mas não era isso que preocupava meus pensamentos, e sim o Trevor, por que ele fugiu daquele jeito? Era como se estivesse com medo de mim. Que palhaçada!
Fui direto ao banheiro lavar meu rosto e botar meus pensamentos em ordem. Com cuidado, andei até as janelas e verifiquei se estava bem trancada, fechei as persianas, e diminui o ar-condicionado do quarto. Quando fui me deitar, me deparei com uma coisa estranha no meu travesseiro, uma coisa que eu não havia visto antes. Será que foi Morgan? Não, essa velha não é deixar bilhetinhos, e ninguém havia estado no meu quarto hoje.
Na parte da frente do bilhete estava escrito Savannah. Será que foi minha mãe? Que estranho! Quando abri, me surpreendi a ver que só continha uma frase, e lê-las me arrepiou até os nervos.
Nem tudo o que você vê, é o que você pensa ser.
≡
De manhã, eu acordei cansada, e pra melhorar, com a cabeça doendo. Eram 9h e eu podia ouvir os passarinhos cantando, junto com o barulho do ar-condicionado, ficava uma melodia irritante. Levantei, e fui direto ao banheiro, joguei o bilhete misterioso no lixo, e abri o chuveiro, deixando a água lavar meus pensamentos.
Após um banho, com direito a lavada de cabelo, me troquei e liguei a televisão para ouvir as noticias da manhã. Uma hora depois, Morgan apareceu a minha porta com uma bandeja na mão.
̶ Escutei barulho de TV, então imaginei que estivesse acordada. Seus pais e seu irmão, estão no hall, quer ir pra lá, ou eu posso mandar eles pra cá?
Morgan estava com uma cara horrível, não que ela fosse bonita, mas estava pior do que antes. E sua voz parecia estar cansada, e enjoativa.
̶ Não, peça pra que me esperem lá, quando eu acabar de comer, eu vou pro hall... Ah, Morgan, ontem você sabe se alguém veio me visitar? ̶ Me arrisquei a perguntar.
̶ Sim. Sua mãe e a Heather, pensei que você tinha visto elas, ou você está consumindo drogas? ̶ Ela me respondeu num tom mais seco do que areia de deserto.
̶ Alguém mais? ̶ Revirei os olhos, mas acho que ela não viu.
̶ Não que eu tenha visto, pergunte ao recepcionista, as visitas passam por lá e não por mim.
Assim que terminou de responder, ela bateu a porta, e eu fiquei segurando uma bandeja que continha, uma tigela de mingau, uma garrafa de suco, e como hoje era sexta-feira, uma tigela de cereal, e um pedaço de torta de cereja. Eu adorava as sextas, pois era dia em que eu podia sair do hospital, e ainda não era obrigada a comer mingau, e sim minha torta com suco.
Após tomar meu café, ainda tive sorte de estar tudo certinho, pois esqueci de ler o nome da bandeja. Desci correndo até o hall de entrada, e me deparei com a minha família sentada na sala de espera. Esse era o momento que eu mais gostava de todas as coisas que havia nesse lugar. Ver que minha família estava me esperando, toda ela, até meu irmão. Meu pai foi o primeiro a me ver, e então ele rapidamente soltou um berro que ecoou pela sala inteira.
̶ Docinho!
Eca! Odiava quando meus pais resolviam me chamar por apelidos carinhosos, mas não me importei muito, afinal fazem 2 semanas que não vejo meu pai. Por causa de seu trabalho, ele vive viajando e mal tenho tempo de vê-lo, então nas poucas vezes que ele vem me visitar, eu quero estar junto dele 24 horas possível.
̶ Pai... Que saudade! Estou feliz em ver que você veio.
̶ Você acha que eu iria deixar seu pai em casa? É lógico que eu tive que empurrar ele a força, mas não ele não ia deixar de ver você, e nem de passar no Biggie’s pra comer um daqueles lanches gorduroso. ̶ Disse minha mãe enquanto me apertava para um abraço em trio.
̶ O que?... Eu não... Eu não ia deixar de te visitar, filha, só que a sua mãe é tão exagerada que acordou a gente 8 horas da manhã, e ainda chegamos aqui uma hora antes do horário de visita.
̶ Até o Jackson acordou as 8h? Estou chocada, irmão. ̶ Provoquei-o.
̶ Engraçado isso, sábia irmã, a cada dia que passa você fica mais engraçada possível.
̶ Advinha com quem eu aprendi? Pode se sentir honrado. ̶ Respondi, mostrando a língua.
̶ Ótimo, a família reunida como antes, agora vamos, antes que fique tarde.
̶ Pra onde vamos, pai? ̶ Perguntei, com a voz desconfiada.
̶ Surpresa.
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