The Departed
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Eu acordei assustada, não sabia que horas eram, mas alguns pequenos raios de sol que escapavam pela persiana, me diziam que já estava de manhã.
Era o segundo pesadelo que eu venho tendo, e sempre a mesma coisa: Um homem, um garoto talvez, parado na parede do meu quarto. Não consigo ver seu rosto, pois sempre está escuro, mas sei que ele está me observando.
Rapidamente fui traga de volta para a realidade, foram batidas na porta que cortaram meus pensamentos. Não podia ser visita, pois estava muito cedo, na verdade, eu não sabia as horas, mas estava cedo para mim, e pra minha cara de sono.
̶ Bennigton? É o seu café. ̶ Já pela voz firme e grossa, pude saber que era Morgan, a enfermeira de plantão. Ela sempre me acordava, e me dava boa noite, não é do tipo de pessoa com quem você gostaria de sentar pra conversar, mas onde eu estou, não tenho muitas opções.
̶ Sim... Pode entrar. ̶ Respondi com minha voz sonolenta.
̶ Não acredito que ainda estava dormindo! O horário de visita começa as 11h, e já uma de suas amigas malucas a esperando no refeitório. Vá... Ande se troque, seu mingau vai esfriar.
Mingau. Está aí uma coisa que me causa arrepios, eu não suporto mais comer o mingau de aveia deste lugar, é molengo e aguado, sem tirar que tem um cheiro de mofo com aveia.
Quando Morgan saiu do quarto, peguei minha bandeja e como sempre, tratei de prestar atenção no nome da garrafa de suco, e lá estava e meu belo, e tedioso nome... Savannah Bennigton. E na garrafa, havia meu maravilhoso suco de laranja natural, com limão. Uma vez, trocaram minha bandeja com a do Harry, o paciente do outro quarto, ou como prefiro chama-lo de, vizinho, e me trouxeram suco de beterraba. Foi horrível. Foi sem palavras. Então desde então, olho sempre o nome das bandejas para ver se não a trocaram novamente.
Não há muita coisa para se fazer quando está, “morando” em um hospital, além de passar o dia inteiro no refeitório comendo, e conversando com o pessoal da cantina. Tenho estado neste lugar, faz 4 meses, e a cada hora que passa, tenho vontade de me jogar pela janela. As vezes eu me pergunto, o que estou fazendo aqui. E, por que eu. Sofro de Leucemia, desde os 14 anos... Os médicos disseram que eu não ia durar muito, mas já sobrevivi por dois anos, se acharam que eu era fraca, eu com certeza os enganei. Minha vida não era perfeita, mas eu tinha bons amigos, um bom colégio, bons garotos, uma boa casa, um bom corpo, e boas outras coisas. Agora o que me sobrou foi, mingau de aveia e meus CD’s do Jhon Mayer.
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