The Demigod Search Squad (d.s.s)

18 The End´s Not Near, It´s Here


Capítulo 18 — The End´s Not Near, It´s Here

Percy já estava com as pernas cansadas quando finalmente estacionou o carro na colina. Uma sensação estranha imediatamente tomou conta de seu corpo. Lembrava bem da ultima vez que estivera ali. Foi quando a sua mãe e o Sr. Brummer lhe acompanharam até ele descobrir que o acampamento meio sangue era uma ilusão... Só que essa lembrança era falsa... Até agora sua mente estava confusa...

– A partir daqui vamos à pé. – ele anunciou, principalmente para Ben, quem ainda não conhecia o protocolo. Os cinco jovens saíram do carro bem a tempo de verem o segundo veículo, dirigido por Frank, parar ao lado deles.

– Não iam nos esperar? –Leo perguntou, mas ninguém se deu o trabalho de responder.

Alguns segundos depois, todos os nove semideuses estavam de pé, na base da colina.

– Estão prontos? –Annabeth perguntou se dirigindo à Ben e a Jennifer.

Os dois assentiram com as cabeças, mas não expressaram muita confiança. Percy sorriu e segurou a mão de Annabeth.

– Vamos subir. –falou Jason.

Todos caminharam colina à cima. Já podiam ver a entrada para o acampamento. Os passos que faltavam até entrarem decresciam na sua contagem mental... Cinco... Quatro... Três... Dois...

– Bem vindos. – os sete semideuses do D.S.S. falaram em conjunto. Foi incrível a sincronia, pois assim que eles entraram no acampamento, puderam ver dois Pegasus voando sob suas cabeças. Dois campistas montavam em suas garupas como se apostassem corrida. Ben e Jennifer escancararam as bocas, protegendo os olhos com as mãos a fim de verem os belíssimos cavalos alados.

–Venham. –disse Percy. –Deixe-nos apresentar nossa casa...

...

Ben não tinha palavras para descrever o local, ao menos não em inglês. Talvez fosse aprender alguma em grego, capais de explicar o quão extraordinário era o acampamento Meio Sangue. Quando ele pensava que já tinha visto de tudo, lutando com o touro, o javali e a águia, sem mencionar o cão enorme de Percy, se deparara logo de cara com dois Pegasus magníficos. Obviamente já sabia o que eram, pois assistira ao desenho do Hercules, da Disney, mas, com certeza, não esperava aquilo. Na verdade, ele não esperava nada. Estava tão concentrado imaginando como seria a sua vida no acampamento que não parara para pensar em coisas como aquela.

O grupo o conduziu à frente e ele pode constatar que o lugar também não era nada pequeno. Tinham arenas de treinamento, lagos e até uma floresta. Diversos chalés, que Annabeth lhe explicou que era onde os campistas dormiam, estavam espalhados pela área, separando os filhos de cada deus.

–Antes tinham chalés apenas para os filhos dos deuses principais, mas nós demos um jeito nisso... –Percy complementou, mas Ben não entendeu ao certo o que ele quis dizer.

Logo à frente havia uma casa de estrutura maior que as demais construções. Um cavalo saiu dela e começou a correr em sua direção. Ben começou a ficar ansioso à medida que o cavalo se aproximava, pois ia percebendo que, onde deveria haver seu pescoço, havia, na verdade, a metade de cima de um corpo humano masculino.

Quando o centauro chegou perto o suficiente, Ben o ouviu falar:

– Graças aos deuses estão bem. Thalia me avisou que o haviam encontrado, mas não conseguiu me explicar ao certo o que lhe aconteceu, Percy.

–Só o de sempre. – Percy disse bem humorado. –No final acabamos matando alguns monstros e tudo se resolveu... Explico os detalhes mais tarde.

O homem/cavalo assentiu e pousou a mão no ombro do filho de Posseidon. Depois, subitamente, direcionou o olho para Ben e Jennifer.

–Vocês devem ser os semideuses quem eles encontraram. Fico feliz que estejam bem, garotos. Me desculpe não dá uma apresentação mais bem elaborada... Me chamo Quíron, atual diretor do acampamento Meio Sangue e treino jovens heróis desde antes de seus pais, avós, bisavós e tataravós nascerem... Bom, os da parte mortal, pelo ou menos...

– Ben. –Ben estendeu a mão para cumprimentar o centauro ainda um pouco desengonçado pelo choque. –Ben Sharp.

Quiron assentiu gentilmente e se voltou para a jovem ao seu lado.

– Jennifer White, filha de Ícelo.

Se o centauro ficou surpreso, não demonstrou. Ao invés disso, a olhou com bondade na face barbada.

– Ícelo? Cá entre nós, querida... De todos os oneiros, seu pai é o que mais gosto... – Jennifer sorriu. – Já foi reclamada, então?

Ela franziu a testa, meio que sem saber o que responder.

– Acho que sim... digo, ele me contou quem era através de um sonho...

Quiron deu uma suave risada.

–É bem a cara dele, mesmo. E quanto à você, Sr. Sharp?

Ben congelou. Não esperava uma pergunta direta do centauro naquele momento.

–Eu... Sou filho de Eurus... O deus do...

–Vento Leste. – Quíron completou. – Foi ele quem o reclamou?

–Não. Minha mãe me contou quem ele era...

–Bom, acho que é o suficiente para lhe classificarmos. De qualquer forma, devemos receber uma confirmação oficial a qualquer momento... Deixarei os garotos terminarem o seu Tour agora. Depois lhes entregarei as chaves dos seus chalés para se acomodarem. Percy, Annabeth... Quando terminarem de lhes mostrar o local, passem na casa grande. Algo me diz que temos muito o que conversar... Sr. Grace, a Pretora do acampamento Júpter, a Srta. Reyna, está aqui. Ela estava de partida ontem, mas quando lhe disse que você estava retornando hoje ela resolveu esperar.

Quíron disparou em alta velocidade, fazendo poeira se desprender do solo assim que seus cascos o pisoteavam.

...

Percy e Annabeth terminaram de mostrar para Ben e Jennifer o resto do acampamento. Pelo ou menos da parte usual. Se fossem mostrar-lhes o local por inteiro levariam meses e ainda não conseguiriam encontrar alguns lugares ainda não descobertos. Leo, Frank e Hazel acompanharam Jason e Pipper no encontro com Reyna.

Depois das apresentações, Percy se esbarrou numa figura conhecida e bem amigável.

– Estão de volta? Graças ao deuses! –Rachel Elizabeth Dare correu na direção deles assim que os viu. –Que mania irritante que você tem de ficar desaparecendo, Percy. – ela lhe deu um leve murro no peito. “Por que ele costumava a ser culpado quando desaparecia se, normalmente, a culpa era de Hera, ou, nesse caso, de uma semideusa descontrolada que o prendera num pesadelo?”

Percy devolveu o gesto com um abraço. Depois foi Annabeth quem cumprimentou a amiga.

– Chegaram bem a tempo. Não fazem ideia da loucura que isso aqui está... Estamos preparando o primeiro E.A.I.S.S.G.R...

Percy e Annabeth franziram a testa.

– O que?

Rachel sacudiu a cabeça.

– Evento Anual de Integração Social de Semideuses Gregos e Romanos... Ou algo do tipo. Ainda estamos trabalhando no nome...

–Eu gosto desse. –disse Percy sarcástico. – É bem fácil de lembrar...

Rachel lhe deu outro murro de leve, dessa vez no braço. A garota parecia bem agitada, mas sorria radiante.

–Mas o que isso significa? –perguntou Annabeth.

–Hora, o nome não é auto explicativo? Faremos duas festas todo o ano para unir os dois acampamentos. Por sorteio, resolveu-se que a primeira será aqui. A segunda ocorrerá no acampamento Júpter.

– Podiam então chamar logo de “Festa de Semideuses” – falou Percy sem muita criatividade.

– Percy... – Rachel começou. –Você se preocupa em achar os semideuses que eu cuido dos nomes dos eventos... E das profecias... Afinal, se não fosse por mim, o seu grupo se chamaria P.S, Procuradores de Semideuses, como sugeriu... ou G.P.Q.E.S, como queria Valdez... Grupo de Pessoas Que Encontram Semideuses...

– Certo. – Percy retrucou. – Pode voltar para o seu E.A.I.Alguma coisa, então...

Ben e Jennifer apenas tentavam acompanhar a conversa naquele momento.

–Voltando ao que interessa... –disse Annabeth. –Quando vai ser essa... festa?

– Não sabemos ainda. Reyna veio aqui discutir os detalhes com Quiron. Na verdade, acredito que ela ainda esteja por perto, pois não a vi partindo. Uma coisa é certa, não será por agora. Afinal, trazer todo o acampamento Júpter para cá, promover uma festa e despachá-los em segurança sem atrair um zilhão de monstros no processo é uma tarefa a ser discutida e cuidadosamente analisada.

Realmente, parecia algo complicado. Na verdade, Percy ficava feliz em não estar envolvido na resolução desse problema, pois não faria ideia de como resolvê-lo...

– Mas vocês não me apresentaram... – disse Rachel percebendo os rostos novos a observando. – Quem são esses?

–São os semideuses quem mandou buscarmos. –disse Annabeth. –Ben filho de Eurus e Jennifer, filha de Ícelo.

– Ela é o nosso oráculo. –Percy explicou aos novatos. –E, aparentemente, nossa organizadora de festas e nomeadora de atividades...

–Na verdade, eu sou do S.E.P.O.N. – ela falou. –Setor Encarregado das Previsões Organizações e Nomenglaturas.

Percy riu do bom humor da garota. Talvez no passado ele fosse duvidar que uma garota mortal se daria tão bem ali.

– Em fim, – disse Annabeth. –Boa sorte com todos esses preparativos. Temos que levar esses dois até a casa grande. Conversamos depois, certo?

Rachel assentiu.

– Mal posso esperar para ouvir as novidades.

Ela voltou ao seu caminho e deu as costas aos garotos.

...

Jason foi informado que Reyna estava nos estábulos. Enquanto Leo, Frank e Hazel seguiram para o refeitório, ele e Pipper foram atrás da Pretora de Jupter. Caminharam um pouco até que Jason conseguiu visualizar a garota. Era um pouco mais velha do que ele, ao menos fisicamente. Tinha cabelos cor de mel e vestia, como sempre, o traje da pretoria, que ele já compartilhara com ela, uma toga roxa decorada com o metal que completava a própria armadura da jovem. Ela estava de costas para eles, alimentando os cavalos normais (aqueles que não têm asas) de forma pacífica.

– Olá. Jason. – ela falou antes mesmo de se virar. Deu mais uma maçã à um corcel e os encarou. Reyna esboçava um sorriso sutil e falava de forma pacífica, mas autoritária. Era, sem duvida, a pessoa que esbanjava mais classe que ele conhecia. De uma forma que ele sempre tentou entender, ela sempre parecia estar no controle das situações, mesmo quando, obviamente, não era o caso e quando algo saia de forma indesejada ela automaticamente reagia a fim de solucionar o problema.

– Reyna. – ele a cumprimentou apenas com o olhar.

– Olá, Pipper. – ela acrescentou. – Fico feliz em saber que fizeram boa viagem. Imagino que foram bem sucedidos em sua missão.

–Sim. –Pipper disse direta. A sua namorada ainda tinha um problema com a Pretora. Não que Jason a pudesse culpar. Reyna costumava projetar insegurança nas pessoas normalmente, o problema era que Pipper também tinha uma personalidade forte, o que costumava a gerar uma tensão angustiante sempre que as duas estavam próximas uma da outra. –É bom vê-la em nosso acampamento, Reyna... Ao menos em circunstancias mais pacíficas.

Intencionada ou não, Pipper lançou uma indireta que foi captada pelos sentidos de Reyna.

A garota vestida de Toga assentiu.

– Não quero parecer insensível, mas... Será que poderia tratar de assuntos particulares com Jason... à sós?

Jason sabia que Pipper não gostara nada disso, mas, felizmente, a namorada resolveu mostrar superioridade.

–Claro. – ela olhou para o ele seria. – Nos falamos mais tarde, certo?

– Certo. – ele disse. Não foi o que ele pretendia, mas Pipper o beijou ali, naquele momento. Não um beijo rápido de despedida, mas sim um gesto que reforçava sua posição de namorada.

Depois de soltar seus lábios, a filha de Afrodite deu as costas e se afastou sem olhar para trás.

Reyna deixou um leve sorriso transparecer por sua face antes seria.

– É uma garota determinada, Jason. – disse a jovem. – Cada vez mais, entendo porque estão juntos...

Jason apenas assentiu com a cabeça. Esperava que o objetivo daquele encontro não fosse falar de Pipper.

–Então... – ele começou, tentando desviar o assunto. –Como estão as coisas no acampamento Jupiter?

O rosto da pretora voltou a ficar sério.

– Era sobre isso que eu queria falar com você... Desde a guerra contra Gaia, tudo tem estado bem pacífico, mas a medida que o tempo passa vem ficando evidente a necessidade de um outro pretor assumir. Desde que Octavian foi expulso, venho lidando com os assuntos referentes ao acampamento sozinha, mas... Está na hora de alguém assumir ao meu lado.

–E acha que eu devo ser esse alguém? –ele perguntou sem rodeios.

–Sei que você costumava a ser... – ela disse aquilo de forma que Jason pôde sentir um certo ressentimento. Sentiu-se como se estivesse traindo a sua própria família.

– Continuo sempre a disposição de Jupter... –ele falou. – Mas não sei se a pretoria é o lugar certo para mim. Não mais.

– Por causa de Pipper? – Reyna perguntou seria. Naquele momento, a conversa tomou um rumo perigoso.

– Por causa de muitos fatores. –mais uma vez, ele afastava o assunto da namorada.

– Jason, sabe que sua namorada, assim como qualquer outro membro deste acampamento, será sempre bem vinda em Jupter, assim como acredito que sejamos sempre bem vindos aqui, agora que a aliança foi estabelecida, mas não podemos esquecer quem pertence a que lugar. Entendo que esteja inclinado a acompanhar McLean sempre que possível, mas assumiu um compromisso com a Pretoria, compromisso esse que nunca foi desfeito oficialmente.

– Você nomeou Percy Jackson enquanto eu estava ausente. –Jason também não conseguiu ocultar algum ressentimento naquela frase.

– Acredito que a palavra que se adéqua melhor é “enquanto estava desaparecido”. – Reyna não perdia o autocontrole. Era como se ela tivesse se preparado para aquela conversa por meses, muito diferente dele. – Não o substituí por escolha, mas sim por necessidade. Percy Jackson pareceu ser a solução adequada no momento, mas sempre foi claro que ele era uma medida provisória. Uma medida que, aqui entre nós, não funcionou muito bem.

– Devido a outros fatores. – acrescentou Jason.

– Sim. – ela concordou. – Mas isso não vem ao caso. Acontece que sei e entendo o motivo de Percy não retornar ao seu posto de Pretor...

“Mas ela não entendia o motivo dele”. Talvez nem Jason entendesse.

–Só acho que eu não sou mais a pessoa certa para esse trabalho. – disse.

–Porque prefere ficar com eles? – ela inferiu.

–Achei que não havia mais eles e nós. –Jason apoiou a mão na cancela do Estábulo, aumentando o tom de vós. – Não somos agora um grande grupo de semideuses?

Naquele momento ele percebeu a ira nos olhos de Reyna.

– Creio que está mal informado, Jason Grace. Não sei o que Quíron lhe informou, mas essa aliança nunca foi uma fusão por completo. Gregos e romanos provaram ser poderosos quando aliados. Podemos cooperar uns com os outros, mas nunca pensaremos da mesma maneira. Temos estratégias diferentes, visões diferentes e abordagens diferentes. Continuamos sendo acampamentos independentes, apenas mais unidos. Acredito de verdade que essa aliança poderá promover grandes benefícios para os dois lados. Estamos até organizando uma comemoração para oficializar esse laço, mas não se engane pensando que nos tornamos algo indistinto. As formas de organização e liderança continuam separadas e autônomas, para o bem dos dois acampamentos. Se não enxerga isso, talvez realmente não seja mais a pessoa certa para a Pretoria.

Jason ficou momentaneamente sem palavras. Abordara a estratégia errada e Reyna o derrotara na discussão.

– O que quero dizer... – ele falou de forma mais suave. – É que agora podemos trabalhar para benefício mútuo. Estou envolvido em algo agora. Procuramos semideuses perdidos e os ajudamos.

– Semideuses gregos, não romanos.

– O time é composto de membros dos dois lados.

–E ainda assim não levaram um romano sequer ao acampamento Jupter. –ela argumentou.

– Isso é porque ainda somos novos nisso. Está enganada se acha que vou virar as costas para o MEU acampamento.

Ao ouvir isso, a face de Reyna se iluminou. Talvez era isso o que ela queria desde o inicio do debate. Ter certeza que ele não a abandonara. Que não trocara o acampamento Júpter pelo Meio Sangue. A garota se aproximou dele e pousou a mão em seu rosto.

– Sei que ainda se importa conosco, Jason. Só quero garantir que esteja sempre onde acredita que deva estar. Não esqueça de onde veio.

Ele removeu a mão dela de seu pescoço e a segurou carinhosamente, um gesto que costumava a fazer quando era Pretor, indicando que a amiga poderia sempre contar com ele.

– Não esquecerei.

Ela sorriu.

– Você é um lobo de Lupa, Jason Grace. Confio que sabe onde fica sua alcateia.

E com isso, ela lhe deu as costas e partiu, deixando-o sozinho com seus próprios pensamentos.

...

Percy e Annabeth entraram na casa grande, acompanhados por Ben e Jennifer. Quíron os recebeu e entregou aos jovens semideuses as chaves de seus respectivos chalés. Os dois garotos seguiram seus destinos e Percy e Annabeth em fim ficaram sozinhos com o mentor.

–Primeiramente, – disse Quíron. – gostaria de parabenizá-los pela brilhante performance nessa missão. Não só ambos os grupos foram bem sucedidos como, de alguma forma que ainda não entendo, se uniram e trouxeram os dois semideuses em segurança.

– Na verdade, – disse Annabeth. – Não entendemos direito também... Acho que foi o destino, ou sei lá...

– Sei que, de certa forma, Ícelo esteve envolvido nessa grande coincidência. – Percy acrescentou. – Foi ele quem mandou Jennifer nos encontrar e isso acabou desencadeando todo o resto.

Quíron assentiu sob sua escrivaninha.

– Entendo. Antes de chegarem, Thalia esteve aqui e explicou alguns aspectos curiosos sobre essa filha do pesadelo.

– Ela é mais poderosa do que uma filha de um dos menores devia ser. – disse Annabeth. – digo, além de ter as habilidades normais de um semideus, pode entrar na cabeça das pessoas. Isso não é normal, certo?

– Não. – disse Quíron. – Mas lidamos com o anormal todos os dias. Não vejo exatamente um perigo nessa garota, mas também não nego que devamos ficar bem atentos quanto ao seu desempenho.

Percy ficou feliz ao ouvir o centauro falar aquilo.

– Então acha que não devemos fazer nada a respeito? – Percy perguntou para constatar. Sempre achou que Thalia estava exagerando ao falar de Jennifer. Ela até podia ser um pouco mais forte do que devia, mas isso não seria motivo para o alarde.

– É claro que não acho isso, Percy. – Percy ficou confuso. – Acho que devemos começar a tomar medidas imediatamente.

– E que medidas seriam essas? – perguntou Annabeth.

Quíron demonstrou um sorriso.

–Treiná-la. – falou com simplicidade. – Em todos os meus longos e longos anos de vida imortal, nunca dei as costas à um semideus porque temia suas habilidades. Para a filha de um oneiro, Jennifer White pode até ter poderes excepcionais, mas comparada a outros semideuses, não representa nada que não possamos lidar. Já treinei heróis de potenciais mais grandiosos, alguns deles conversam comigo nesse momento.

Percy e Annabeth sorriram.

– Não se preocupem. – disse Quíron. – concentrem-se em dar continuidade ao D.S.S e trazer os semideuses para cá em segurança que eu me preocupe em como treiná-los.

Aquele parecia um plano extremamente agradável para Percy.

...

À noite, todos comeram juntos, no pavilhão de refeitórios. Devido ao baixo equilíbrio de semideuses em cada chalé, existindo muitos em alguns e nenhum em outros, Quíron havia suspendido a regra de separar as mesas de acordo com os pais divinos de cada jovem. Ao invés disso, onde sentavam-se para comer passara a ser critério dos próprios garotos. Percy, obviamente, sentara-se ao lado de Annabeth, na mesma mesa em que Thalia, Rachel e Leo se sentaram. Ben e Jennifer estavam ainda um pouco deslocados, então Jason, Pipper, Nico, Frank e Hazel juntaram-se à mesa deles.

– Então, Thalia... – Annabeth começara. – Só por curiosidade... Em que chalé vai dormir hoje? No de Artemis ou no de Zeus?

Thalia nem mesmo pensou no assunto. Falou a resposta enquanto examinava o prato de comida e mandava seu copo se encher com água.

– No de Artemis. Ela é minha responsável.

– Mas Zeus é o seu pai... – Percy falou, mas percebeu que aquilo havia sido uma má ideia quando a garota de cabelos e vestes negras lhe lançou um olhar de advertência por trás de seu prato. – Certo. O de Artemis deve ser melhor mesmo...

– Então, – a filha de Zeus mudava o assunto. – Falaram com Quíron?

– Sim. – Percy disse satisfeito.

–E então?

– Resolvemos que Jennifer não representa perigo algum. – ele respondeu.

– Não foi exatamente isso que concordamos, Percy. –Annabeth falou. – Ele disse que ficaria de olho nela, mas que não deveríamos tratá-la diferente só porque seus poderes são um pouco maiores do que esperaríamos de uma filha de Ícelo.

Thalia voltou a encarar o prato de comida. Se ela gostara ou não da noticia, Percy não conseguiu desvendar.

– Posso me sentar aqui? – perguntou alguém de voz agradavelmente familiar. Percy se virou e viu um sátiro parado ao seu lado.

– Grover? – ele deu um sorriso e se levantou para cumprimentar o antigo amigo. – Pode não... Deve. Cara... Por onde andou.

Grover se sentou à mesa.

– Estive reunido com o conselho dos Sátiros. Desde que Pan se foi, estamos bem empenhados em salvar a natureza de toda a destruição humana. É uma tarefa considerada impossível por muitos, mas não pretendemos desistir.

O sátiro estava realmente diferente. Parecia mais feliz que o normal e sua barba e chifres já eram quase indistinguíveis dos de um sátiro adulto.

– Fico feliz que se lembre dos amigos de vez em quando. – Annabeth falou afagando o ombro do amigo.

– Mais do que de vez em quando. – disse Grover. – Sinto falta de nossas missões juntos. Claro que é bom se aposentar de tarefas como as de matar a Medusa ou ser prisioneiro de um ciclope, mas mesmo assim...

Os dois garotos riram. Percy olhou de relance para Thalia e viu que ela estava distraída, fitando Jennifer na outra mesa. Talvez algo realmente a preocupasse quanto a garota, mas, se Percy não a conhecesse melhor, e não soubesse que ela, como caçadora, jurara nunca se envolver com garotos, desconfiaria que o motivo de toda aquela desconfiança era, na verdade, algum ciúme da pessoa com quem a filha do pesadelo conversava...

...

– Faça um pedido. – Nico falou à Jennifer.

– O que? – a garota não entendeu.

– Para o copo. Pode pedir qualquer coisa e ele providenciará.

– Está falando sério? – ela ainda estava desconfiada. – Ou só está tentando me fazer de boba?

A forma que ela falou aquilo fez Nico rir.

– Não. Pode confiar.

– Qualquer coisa mesmo? Até... Sei lá, cerveja amanteigada?

– Não pode ser alcoólico. – ele falou divertido. – E nunca tentei algo do mundo de Harry Potter, mas... Quem sabe...

– Suco de rosas... – a garota murmurou para o copo. Imediatamente o objeto se encheu com uma bebida avermelhada. Ela provou e, pela sua face, estava mais que satisfeita. – Está perfeito.

Nico olhou a bebida curioso. Nunca bebera nada parecida.

–Isso é bom mesmo?

A jovem assentiu.

– Sim. Uma vez eu tomei isso com minha mãe num restaurante indiano. Lembro dela sempre que bebo suco de rosas agora... Quer provar?

Jennifer estendeu o copo para próximo de sua boca e ele hesitou tímido. Nico ainda tinha uma certa barreira no que dizia respeito a relacionamentos de qualquer tipo com outras pessoas. Desde que Bianca morrera, ele passava mais tempo no mundo inferior do que em qualquer outro lugar. Convivia mais com mortos do que com os vivos e isso o deixava mais fechado. Os mortos eram mais fáceis de lidar. Quase nunca faziam coisas imprevisíveis, mesmo que pequenas, como oferecer há um amigo um gole do seu copo com suco de rosas.

– Claro. – ele disse desconcertado. Aproximou a boca do copo ainda seguro pela garota e deixou o fluido preencher seu interior. Era suave e adocicado, mas nada enjoado. Tinha um leve azedo diluído, o que dava um toque único ao sulco. Nunca pensou que gostaria tanto de um negócio como aquele.

– Então? – perguntou a garota sorrindo. Era impressionante como a sua aparência e humor haviam mudado em poucos dias. Quando a conhecera, era mais fechada e apreensiva, mas agora Jennifer revelava uma parte completamente nova de seu ser. Muito mais descontraída e animada.

– Está perfeito. – ele disse distraindo-se com o jeito da garota.

...

Ao lado dos garotos que dividiam o sulco, Ben bebia sua Coca-cola normal. Não tivera criatividade para experimentar nada diferente em seu copo mágico. O acampamento Meio Sangue era inegavelmente incrível, mas ele não sabia se conseguiria se adaptar ali. Parecia que os grupos de amizade já estavam formados e, por mais que gostasse muito de Percy e os outros amigos que fizera em Newport, sabia que eles continuariam sua busca por novos meio sangues enquanto ele ficaria ali.

Perguntas de como seria o treinamento e o que teria de fazer para se enturmar ali preenchiam sua mente constantemente, impedindo-o de aproveitar a refeição de forma adequada.

– Você vai se sair bem. – disse Pipper ao seu lado. Era como se a garota pudesse ler seus pensamentos.

...

Frank sentava-se nessa mesma mesa ao lado de Hazel e de frente para Jason. Gostava de como as coisas funcionavam ali no acampamento Meio Sangue, mas sentia saudades de Jupter. Pedira para Reyna para voltar com ela no dia seguinte e ela aceitara. Hazel também se sentia da mesma forma, então os dois partiriam pela manhã.

A refeição ia normalmente bem quando Frank notou a presença da Pretora de Roma parada às suas costas.

– Frank Zang. – ela falou calmamente.

Frank quase se engasgou com a comida e se virou para a intimidante garota.

– Sim? – ele se levantou rapidamente para mostrar respeito à sua líder.

– Não falei isso mais cedo porque tive que comunicar ao conselho romano da minha escolha antes, mas, agora que eles aceitaram, posso lhe falar... Na verdade, posso lhe pedir algo.

Frank sentiu seu coração se acelerar rapidamente.

– Qualquer coisa, Pretora.

Reyna riu de seu jeito por um breve (muito breve, na verdade) segundo.

– Entendo que foi fundamental na missão ao Alaska, a qual participou de forma ativa... – Frank viu que Percy olhava para ele sorrindo, como se já soubesse o motivo da conversa de Reyna. – E foi ainda mais importante na ultima guerra contra Gaia, sendo agora considerado, como os outros sete da profecia, um herói, tendo eu mesmo testemunhado a sua bravura... – Frank não entendia onde aquilo ia chegar. Ele apenas observava a garota mais velha falar com os olhos surpresos. – Por esses e outros motivos, Frank Zang, o convido para se tornar meu igual, assumindo à meu lado a pretoria de Jupter.

Imediatamente, Frank olhou para Jason. Achava que ele quem iria voltar a ser o Pretor, mas agora o loiro sorria para ele, o encorajando. Hazel também estava radiante, demonstrando orgulho com os olhos. Falou a única coisa que passava por sua mente:

– Eu?

Reyna assentiu com a cabeça.

– Sim. Você. Aceita?

Frank quase não conseguiu responder aquilo. Era tanta ansiedade que ele temia perder o controle e se transformar em alguma coisa embaraçosa.

– A... Aceito.

– Ótimo. – falou Reyna satisfeita. – Partiremos pela manhã para Júpter.

...

Jason esperou a multidão quem parabenizava Frank se dispersar para depois cumprimentá-lo. Depois se aproximou da pretora.

– Acho que tomou a decisão certa. – ele falou.

– Eu também. – ela disse. – Frank vai ter muito o que aprender como pretor, mas vai se sair bem. – ela sorriu para ele. – E quanto a você, Jason Grace. Espero que continue o que está fazendo. Encontre os semideuses gregos e romanos e os leve aos respectivos acampamentos.

Jason assentiu.

– Considerarei essa uma ordem de minha pretora. – ele falou bem humorado. Reyna fez um gesto positivo com a cabeça e se afastou. Antes que ela fosse, ele lhe chamou mais uma vez.

– Reyna. – ela se virou para ouví-lo. – Gostaria de voltar para Júpter amanhã. Estou com saudades de casa.

Ela sorriu e tornou a se virar. Era claro que ela aprovara sua decisão.

...

– Então... – Leo falava para Rachel, quem sorria feliz pela nomeação de Frank. – Você só prever coisas relacionadas à semideuses, não é?

A garota lhe olhou divertida.

– Sim. Por que, Valdez? Tem alguma piada para fazer a respeito?

– Não... – ele falou depressa. – Quer dizer... Só estava me perguntando. Estava pensando em te chamar para fazer uma coisa normal, para varia. Poderíamos ir para o cinema, mas não teria graça se você já soubesse o que vai acontecer no filme. – brincou.

Rachel riu.

– Você?... – ela parecia incrédula. –Está me chamando para assistir um filme?

Ele sorriu encabulado.

– Bom... Deduzi que, como você é uma mortal normal, tirando as horas em que sua voz fica diferente e você fala o futuro, gostaria de algo assim.

Ele tentava não demonstrar, mas suava por dentro de sua camisa. Esperava que a garota não pudesse perceber.

Ela hesitou um pouco antes de responder, seu sorriso mirando-o meio que desconfiada.

– Hum... tudo bem. Eu aceito o seu convite, Leo Valdez. Prometo não fazer nenhuma previsão no meio do filme.

Ele sorriu, fitando-a nos olhos.

– Certo. Está marcado, então.

...

Todos começavam a se recolher para seus chalés. Jason já se preparava para caminhar rumo ao chalé de Zeus quando Pipper o surpreendeu.

– Então, Grace... – ela falou. – Pretende fugir sem a namorada?

Jason hesitou.

– Pipper... Não. Preciso mesmo falar com você...

Explicar para a garota que iria com Reyna para o acampamento Júpter amanhã não seria fácil. Pelo ou menos era o que ele pensava.

– Estou ouvindo.

– Então... Como sabe, eu conversei com Reyna e... Já está na hora de eu voltar para o meu acampamento. – ela o olhou de uma forma estranha. – Não é que eu não goste daqui. Sabe que adoro o acampamento Meio Sangue, mas já estou há muito tempo longe de casa.

– E qual o problema? – ela perguntou com simplicidade.

– O que? – ele não entendeu o comentário.

– Era só me avisar antes para eu já ir fazendo as malas. Mais ainda ha tempo. Iremos amanhã, não é?

– Espere... – Jason sorria para a garota. – Você também quer ir?

Pipper se aproximou dele.

– É claro. Jason, moramos em lugares diferentes. Você fica aqui um tempo e eu vou com você para lá. Não há problema algum nisso... A não ser quando não pudermos ficar juntos, mas não é como se não conseguíssemos viver algum tempo distantes... Então... devo fazer minhas malas?

Ele a respondeu com um longo beijo, envolvendo-a em seus braços com a certeza de que tinha a melhor namorada do mundo.

...

Mais adentro na noite, Percy deitava na cama do chalé de Posseidon. Folheava um livro sobre mitologia grega. Não desses que se encontra em livrarias normais, mas sim um manuscrito original, com historias bem detalhadas as quais a maioria dos mortais nunca ouviu falar. Além disso, diferente daqueles que se vendem por aí, esse estava em grego.

Uma batida apressada à sua porta despertou sua atenção. Ele colocou o livro de lado e se levantou, tocando o chão com seus pés descalços. A noite estava agradavelmente fria, o que lhe dava vontade de pular sob as cobertas e se deitar encolhido.

Abriu a porta e teve uma surpresa familiar.

– Annabeth?

A garota o empurrou para dentro do chalé e fechou a porta atrás deles.

– Dessa vez foi difícil. – ela falou. – Hedge montou um grupo de sátiros furiosos com tacos de baseball que ficam rondando o acampamento a fim de impedir que alguém faça o que estamos fazendo.

Ele riu do jeito afobado dela.

– E o que estamos fazendo? – brincou. Ela lhe lançou um sorriso. – Se precisa que eu lhe explique, talvez eu não devesse ter vindo...

Ela fez como se estivesse pronta a ir embora, mas ele a puxou pela cintura para próximo de seu corpo. Os dois se beijaram.

– Sobre a nomeação de Frank... – Annabeth falava enquanto Percy lhe abraçava. – Sei que deu a indicação para Reyna.

– Só fiz uma sugestão. Por sorte Reyna soube reconhecer o potencial dele.

Se beijaram mais.

– Mesmo assim... Foi legal de sua parte.

Percy fingiu surpresa em sua fala.

– Talvez eu seja um cara legal.

– Talvez, mas com certeza é convencido.

Ele contornou o seu corpo com as mãos, sentindo a pele macia dela que estava parcialmente oculta pela blusa azul claro. Ao mesmo tempo, Annabeth já começava a puxar sua camisa para cima. Ele ia empurrando-a para trás aos beijos até que os dois despencaram sobre a cama...

E, mais uma vez, tiveram a melhor noite de suas vidas, pois cada vez que ficavam juntos superavam a vez passada. E, novamente, o chalé de Posseidon se encheu de alegria...

...The End (?)

Notas finais
Pelo amor que vocês têm aos deuses... Comentem!!!