The Demigod Search Squad (d.s.s)

17 “Right Back Where We Started From…”


Capítulo 17 – “Right back where we started from…”

Quando Jason acordou, seu ombro ainda ardia um pouco, mas a julgar pela melhora, haviam lhe tratado com néctar e ambrosia. Deitava numa cama confortável e tinha a linda visão de sua namorada lhe olhando sorridente.

– OI. – ele falou.

– OI. –disse Pipper. –Como está?

– Bem. – era verdade. Se sentia mais leve e limpo. Percebeu que um curativo cobria o corte feito por Ethon e que alguém, provavelmente, o havia limpado... e lavado o seu corpo, antes sujo de terra e sangue. O ultimo pensamento o fez se sentir envergonhado.

–Foi você quem...?

Pipper assentiu já entendendo a duvida.

–Não deixaria mais ninguém fazer. – ela brincou. Depois arregalou os olhos como se tivesse se lembrado de algo importante. – Quase me esqueço... Tem alguém querendo falar com você...

Ela se levantou da cama onde ele estava e foi até a porta. Chamou alguém, mas ele não conseguiu distinguir o nome. Alguns segundos depois, sua irmã, Thalia Grace, apareceu na entrada.

– E aí, maninho? – a jovem de cabelos negros e olhos elétricos falou sorrindo. – Mostrou para aquela águia quem é que manda?

Jason sorriu. Ela deu um passo à frente e se aproximou dele, sentando-se à sua cama, próximo a suas pernas.

–Acho que ela nunca mais vai se meter com um filho de Zeus de novo. – ele disse se encostando na cabeceira.

– É assim que se fala. –Thalia o olhava feliz, mas ele conseguia identificar um pouco de preocupação por trás de seus olhos. Talvez por ele ser seu irmão mais novo...

– Não fale como se eu fosse uma criança. –falou Jason. – Na verdade, em termos técnicos, sou mais velho que você, já que nunca chegou a, realmente, completar dezesseis anos...

Thalia riu.

– Não é a aparência que conta, mas sim a experiência, garoto. E não tem termo técnico que me faça não te tratar como meu irmão caçula.

Mesmo que Jason tivesse conhecido Thalia ha, relativamente, pouco tempo, no meio da missão de resgate à Hera, sentia uma grande afeição pela irmã. Ela tinha um jeito um pouco mal humorado algumas vezes, especialmente em vezes que Percy estava envolvido, mas era apenas o jeito dela. Era incontestavelmente forte e determinada e ele sabia que sempre poderia contar com ela. Na verdade, podia ver isso nos olhos dela naquele mesmo momento.

–Acho que é justo. – ele murmurou divertido. –Então... Sem mais monstros para matar, eu espero.

– Sim. Ao menos, por enquanto. Mas não estamos pretendendo lhes dar a oportunidade de se reagruparem. Deveremos estar de partida amanhã, de volta ao acampamento.

–Meio sangue?

–Sim. Temos que levar logo os novos semideuses... –Pode ter sido impressão dele, mas ao mencionar os semideuses, ela pareceu mudar o tom de voz, mas Jason não entendeu o porquê.

– Poderia aproveitar e ficar um tempo por lá.

– Talvez... –pelo tom dela, aquilo não era uma provável possibilidade. – Teria que me consultar com Artemis antes... E já estou longe das caçadoras há algum tempo... Tive que largar tudo o que estava fazendo quando Quiron me contou que Percy tinha sumido de novo.

– E o que é que estava fazendo, por sinal? –Thalia nunca falava o que ela fazia quando estava em missões com as caçadoras. Sempre dizia que era uma vida ocupada, mas nunca especificava o porque. Ela deu um sorriso sugestivo e respondeu:

– Se eu contasse, Artemis teria que te matar.

Mais uma vez, Jason riu.

...

Percy estava no quarto com a namorada. Era o aposento em que ela e Pipper dormiam, mas agora havia apenas os dois. Os outros estavam espalhados pela casa, cada um com um afazer diferente.

– Estou pensando no que Thalia falou... – Annabeth parecia falar mais com ela mesma do que com ele, enquanto separava algumas roupas e arrumava as malas. – E se ela estiver certa. É realmente estranho essa garota poder fazer essas coisas...

– Não exatamente. Ela é filho do deus do pesadelo e me fez ter um pesadelo. O que há de errado nisso?

– Não é a habilidade em si, Percy... É a forma que ela a usou. Conseguiu te derrubar a distancia sem que você nem soubesse o que estava acontecendo...

A forma que as pessoas davam ênfase ao fato de ele ter sido derrotado por Jennifer começava a lhe irritar um pouco.

–Eu estava despreparado... –ele se justificou. – E não é como se eu tivesse perdido numa luta. Foi algo ocasional...

Annabeth revirou os olhos.

– Isso não se trata de você, Cabeça de Alga. Acho que salvar o mundo toda hora está te deixando convencido.

Ele riu do comentário.

–Talvez... Mas não quero falar disso agora.

Annabeth colocou mais algumas roupas na mala, estando quase acabando a arrumação.

– Do que quer falar então.

Involuntariamente, um sorriso se formou no canto de seus lábios.

– Do fato de você ainda está com essa camisa molhada.

A garota nem tinha parecido notar até ele falar, mas ainda vestia a roupa com que lutara mais cedo. A mesma com que foi atirada na piscina por ele, algumas horas atrás.

– Pode ficar doente... – ele insistiu no assunto. Annabeth franziu as sobrancelhas desconfiada.

– E qual o seu súbito interesse nisso?

Percy se aproximou dela com um sorriso sugestivo.

– A saúde de minha namorada é do meu completo interesse. – agora as mãos dele seguravam a parte inferior da camisa. – Não quero que fique com essa blusa molhada...

Percy puxou o tecido para cima e o removeu, revelando o corpo perfeito o qual ele nunca se cansava de admirar.

– Percy... – ela tentava falar com seriedade, mas não conseguia prender o riso por completo. –Agora não é hora...

–Hora de que? – ele envolveu a cintura dela e a puxou, fazendo o sutiã da namorada se encostar-se ao seu peito.

– Você sabe a que estou me referindo...

Ele franziu a testa cinicamente, se fazendo de desentendido...

– Realmente, não estou te entendendo...

– Percy...

Beijou o cangote da namorada e sentiu o corpo da garota se arrepiar ao seu toque. Annabeth parou de reclamar. Na verdade, ela agora também envolvia o seu corpo com os braços, acariciando suas costas. Ele agora a empurrava contra a parede enquanto a beijava...

– Percy... –Frank disse abrindo a porta, mas se calou quando percebeu que Annabeth estava apenas de sutiã na parte de cima. –Ah... desculpem... Achei que estavam arrumando as malas...

“Estávamos”

Annabeth corou e escondeu o corpo atrás do dele. Se Frank não tivesse acabado de ser atacado por monstros e ainda não estivesse se recuperando, Percy poderia jogar algo no amigo por ele tê-los interrompido. Ao invés disso, falou mal humorado.

– O que é, Frank?

– É só que... A mãe de Ben saiu para comprar umas coisas e pediu para avisar a todos que faria um jantar de despedida e agradecimento por... sabe, cuidarmos de seu filho.

– Ah... Certo. – ele falou.

– E... Nico, Hazel e Pipper estão pedindo a ajuda de vocês para arrumar o andar superior... Parece que a águia fez um estrago em tanto lá...

Percy amaldiçoou a informação, mas sabia que tinha que ir. Mesmo que, depois de lutar com monstros, a ultima coisa que ele pretendesse fosse gastar o resto de suas energias arrumando a casa, devia isso aos anfitriões. Quando Frank fechou a porta, Annabeth vestiu uma camisa (dessa vez uma seca) e os dois saíram do quarto rumo ao andar de cima.

O lugar estava, realmente, uma bagunça. Os quadros haviam caído e pedaços de telhado e cimento estavam espalhados pelo chão. Não havia como eles concertarem o estrago feito, mas podiam ao menos arrumar e limpar o lugar antes que a mãe de Ben chegasse.

Percy e Annabeth se juntaram à Nico, Hazel, Pipper e Jennifer na limpeza do lugar. Jason e Frank ficaram de fora, pois ainda estavam um pouco machucados, Thalia foi mandar uma mensagem às caçadoras e Ben havia saído com Ana.

...

Ben levou Ana até a casa dela. Ainda estava exausto. Nem era por causa da batalha, que o cansara fisicamente, mas especialmente devido à intensa conversa com sua mãe e a amiga/namorada. Andava ao lado da garota de cabelos ruivos enquanto explicava melhor sobre ele ser um semideus e ter que ir ao acampamento meio sangue.

–Você tem que ir mesmo? – ela perguntou.

–Sim. – disse ele odiando a ideia. – Meu... cheiro pode atrair mais monstros... – falar aquilo parecia tão ridículo que ele acabou rindo. Ana o acompanhou no que logo se transformou numa gargalhada.

– Seu cheiro... – ela refletiu. – Que confusão em que foi se meter, Ben?

–Pois é... – ele segurou sua mão. – E eu achava que Orange County já era agitado o suficiente...

Ela assentiu distraída. A tristeza da despedida começava a pesar em suas costas.

–Vai voltar para me visitar, não é?

–É claro. –Ben falou depressa. –Digo... O treinamento é apenas no verão. Posso voltar para cá durante o ano letivo...

–E se seu cheiro atrair os monstros? – ela perguntou em tom de brincadeira e saudade.

– Aí já vou saber como lidar com ele.

Ben hesitou. Lembrou do que Jason havia lhe prevenido na festa. De que não era fácil ficar com mortais tendo a vida que tinham.

–Ana... – começou. –Sei que é muito para digerir... É muita loucura para acreditar e... Bom, entendo se não quiser se envolver...

Antes que ele pudesse concluir o raciocínio, a garota o beijou. Ele a envolveu nos braços e retribuiu o gesto. O sol se punha no seu ultimo dia em O.C...

...

Ao cair da noite, o estado da casa já estava muito melhor. O grupo conseguiu recolocar tudo no lugar, se livrar do que havia quebrado e até colar os pedaços maiores no telhado, com a ajuda de Jason, quem podia voar. Ben retornou quase ao mesmo tempo em que sua mãe, quem chegara com toda uma refeição pronta. Devido a situação do lugar, ela resolveu comprar comida para não precisar fazer nada na cozinha.

O jantar foi excelente. Annabeth comeu um pouco de tudo. Desde a salada ao ensopado de camarão, macarronada e almôndegas. A Sra. Sharp era incrivelmente simpática. Já se recuperara do trauma de ter sua casa destruída por uma ave gigante no mesmo dia em que descobrira que seu filho precisaria ir ao acampamento Meio Sangue. Ela agradeceu o gesto de eles terem limpado sua moradia, insistindo que não eram suas obrigações.

Depois, a mulher se recolheu. Ben foi arrumar suas coisas e o restante dos semideuses ficou no andar inferior. Lotaram os dois quartos e a sala para que todos pudessem ficar acomodados (A Sra. O`Leary dormiu perto da piscina). Não demorou muito para que a casa ficasse em silencio enquanto todos cediam ao cansaço...

...

No dia seguinte, Percy e os outros acordaram cedo para arrumar as bagagens nos carros. Ben se despediu da mãe, quem voltou a chorar e Jennifer não demonstrava muito o que pensava sobre a viagem. Percy viu Nico se aproximar dela e falar:

– Você vai ficar bem. Vamos cuidar bem de você no acampamento Meio Sangue.

Talvez aquilo significasse que o garoto solitário estivesse pensando em se alojar lá por um tempo maior dessa vez. Antes de tornar a desaparecer no mundo...

–Estarei te esperando lá... – Nico concluiu.

–Como você vai? – Jennifer perguntou.

–Pelas sombras... Coisa de filhos de Hades.

“Ou de quem tem um cão infernal”, Percy pensou.

Em alguns minutos, tudo já estava pronto para partir. Os dois carros dos semideuses estavam lotados de bagagens, Leo, Hazel, Frank e Jennifer se acomodaram em um e Percy, Annabeth, Pipper, Jason e Ben iriam no outro. Nico e Thalia voltariam com a Sra. O`Leary pelas sombras, da forma como vieram.

Percy e os outros se acomodaram no carro e ele deu a partida. No rádio, tocava uma musica conhecida...

We've been on the run
Driving in the sun
Looking out for number one
California here we come
Right back where we started from

Thalia se segurou com força na cintura de Nico, montando a enorme cão infernal, apoiando o queixo no ombro dele e se sentiu desaparecer próxima à uma arvore, mergulhando nas sombras.

Hustlers grab your guns
Your shadow weighs a ton
Driving down the 101
California here we come
Right back where we started from

Percy sentia o vento entrar pela janela e chacoalhar seus cabelos enquanto dirigia. Com a mão livre, segurava a mão de Annabeth, quem sorriu para ele. Gostara de sua estadia em Orange County, mas sentia que já era hora de voltar para casa, o acampamento meio sangue. Iam direto para onde eles haviam começado...

California
Here we come

On the stereo
Listen as we go
Nothing's gonna stop me now
California here we come
Right back where we started from

Amanda Sharp acenava enquanto o carro se afastava. Sabia que seu filho se sairia bem no acampamento. Sabia que era melhor para ele, mas ainda sim sentiria sua falta. Contaria os dias até ele voltar para seus braços.

Pedal to the floor
Thinkin' of the roar
Gotta get us to the show
California here we come
Right back where we started from

Ben olhou pela janela. Numa das casas, parada ao jardim, estava sua namorada, Ana. A garota acenava e ele acenou de volta. Lutava contra as lagrimas que ameaçavam cair por sua face, enquanto via os cabelos cor de fogo da ruiva balançando numa cordial despedida.

– Não se preocupe... –disse Pipper segurando sua mão gentilmente, percebendo sua aflição. – Vamos cuidar bem de você para que volte inteiro para ela...

Agora, o contorno de Ana, destacado pela luz do sol, ia ficando cada vez menor...

California
Here we come

California! California
Here we come

Ohh

California! California

Here we come

Os dois carros seguiram pela estrada...

Proximo capítulo:

The End's Not Near, It's Here

"Você é um lobo de Lupa, Jason Grace. Confio que sabe onde fica sua alcateia."

Notas finais
É isso aí, pessoal. Essa história está chegando ao fim. Não vou comentar sobre planos de possíveis continuações, pra deixar o suspense. Mais uma vez, agradeço pelo seu apoio e, como sempre, peço os meus preciosos comentários, que alimentam minha criatividade e me incentivam a postar essas historias. Sobre o ultimo capitulo, aviso que iremos rever personagens que não tinha conseguido encaixá-los ainda e, de Spoiler, deixei a frase que ja sei que alguém irá falar, pois ja escrevi essa parte. Claro que não pude de fazer a homenagem final a The O.C, que mesmo não tendo sido diretamente importante na historia, serviu de inspiração para os cenários. Até o proximo capitulo e garanto que deixei uma ultima surpresa para meus adoráveis leitores, que fazem um amador como eu me sentir o mais habilidoso escritor.