The Demigod Search Squad (d.s.s)
5 Férias
Notas iniciais
Capítulo 5 – Férias
Ben se levantou imediatamente, as mãos na cabeça dolorida constatavam que não havia sangue. Ele se virou e viu que John segurava um cabo de vassoura com uma das mãos, provavelmente o mesmo que usara para acertar sua cabeça.
– Está louco? – bradou. –Podia me matar com isso.
– Você não me deu escolha. Além disso não bati tão forte assim.
Ben cerrou os punhos.
– Qual o seu problema John? O que aconteceu com você? Eu já te considerei um amigo...
– O que aconteceu? – bradou John. – O que aconteceu? Você se meteu entre mim e a garota que eu amo! Não considerou nossa “importante” amizade. Agora quer roubá-la de novo!
John ergueu o cabo de vassoura e correu na direção de Ben, pronto para atacá-lo.
– Chega! – o jovem estendeu a mão na direção do agressor por instinto. Uma ventania arrombou a janela e atirou o garoto loiro para longe até que ele se chocou na parede oposta. O cabo de vassoura rolou para longe. – Já chega, John.
Ben ainda não entendia completamente o que acontecera, mas agora a história de ele ser o filho de um deus começava a fazer muito sentido. John não se mexia, mas ele sabia que não estava muito machucado. O garoto começava a chorar em desespero.
– E saiba que eu nunca afastei ela de você... – Ben completou. –Você fez isso por conta própria.
Em fim, deu as costas e saiu do local.
...
Percy e Annabeth viram Ana sair e correram para acolhê-la.
–Acho que John atacou Ben... – murmurava ela. – Ele estava bem atrás de mim, e...
Annabeth abraçou a garota desesperada e olhou para o namorado com um olhar significativo. Percy entendeu o recado e foi em direção à cabana. Não queria interferir na briga de John e Ben. Na praia havia ajudado, mas havia sido diferente. Eram seis contra um, um ato de covardia desprezível. Agora eles estavam sozinhos. Era importante que Ben desse um basta naquela situação por conta própria.
Mas Annabeth estava certa. Não custava nada ele dá uma olhada e ver se estava tudo bem. Assim que Percy olhou pela fresta da porta, Ben estava de pé e John segurava um cabo de vassoura, correndo na direção do outro. Percy se preparou para reagir, mas antes que fizesse qualquer coisa viu Ben estender a mão e uma rajada de vento fez a casa tremer e arremessou Ben para longe.
Quando o garoto saiu da casa, deu um rápido sorriso para ele quando o encontrou.
– Acredito em vocês agora.
–Já estava na hora. – falou Percy colocando a mão em seu ombro e o guiando de encontro à garota quem ele acabara de resgatar.
Ana correu e o abraçou.
– Você está bem? – perguntou Ben. A garota assentiu e ele respirou fundo. – Nunca mais me dê um susto desses, Ana Baxter... Já estava...
Antes que ele concluísse ela inclinou o corpo para frente e o beijou.
Annabeth sorriu enquanto olhava para o casal e Percy deu uma piscadinha para ela, envolvendo a namorada nos braços.
– Até que correu tudo bem para ele, não acha.
– Sim. Nosso trabalho não é tão ruim...
–Não. De forma alguma. Contanto que eu o faça com você...
Os dois também se beijaram.
Mais tarde, naquela noite, marcaram de se reencontrarem na casa de Ben. Percy e Annabeth foram direto encontrar Pipper e Jason e o novo semideus foi deixar a amiga em casa. Percy achou que ela reagira bem para quem acabara de ser sequestrada pelo ex-namorado.
Quando Ben retornou, todos em fim estavam reunidos novamente, dessa vez prontos para cuidar dos detalhes.
– Certo... – Percy retomou. – Agora que você acredita no que falamos, Ben. Existem algumas coisas para resolvermos... – ele assentiu e Percy continuou. – Além de deuses e Semideuses existem também monstros. Monstros que sentem nosso cheiro e podem nos emboscar a qualquer momento.
– Que vida reconfortante. – disse Ben.
– De fato... – Percy falou. – Mas existem lugares seguros. Dois acampamentos próprios para semideuses. Lá não são permitidos mortais, mas em compensação os monstros também não podem entrar. Precisamos levá-lo para lá.
– O que? – Ben não pareceu gostar da informação. –De jeito nenhum. Não vou sair de Newport.
– Ben... – Annabeth tomou a liderança da conversa. – Não precisa ser algo definitivo. Pode voltar aqui as vezes, mas lá é o único lugar onde estará seguro de verdade. Sua mãe já deve saber disso.
– Minha mãe não está aqui. – falou ele. – Além disso moro aqui à quase 14 anos e nunca vi monstro algum...
– É porque o... cheiro dos semideuses só ficam forte o suficiente aos 12 anos, mais ou menos. Em alguns casos o processo pode atrasar, mas agora que seus poderes se manifestaram, com certeza poderão senti-lo.
Além disso, antes os monstros estavam ocupados planejando guerras contra os deuses, mas desde que derrotaram Gaia, a temporada de caça à semideuses estava reaberta. Não com a mesma intensidade de antes, pois o clima pós guerra deixara os seres do mal inseguros, mas mesmo assim era perigoso ficarem muito tempo ali. Claro que os garotos não falariam aquilo para Ben, pois não queriam encher sua cabeça de informações de uma vez só.
– Podemos esperar sua mãe lhe explicar melhor. Ela não deve ter te contado antes para te poupar, como a maioria dos nossos pais mortais fazem, mas já é hora de você saber a verdade. – Pipper falou.
Ben ficou pensativo.
– Certo. – disse ele. –esperaremos minha mãe chegar para decidirmos o que faremos.
Percy podia aceitar aquela ideia.
–E que à que horas ela deve estar aqui? – ele perguntou.
– Não entenderam. –disse Ben. –Minha mãe saiu numa viagem à trabalho. Deve levar a semana inteira fora. Até lá, são bem vindos para ficarem hospedados aqui, mas saibam que não irei à lugar nenhum antes de conversar com ela.
Os quatro semideuses se entreolharam. Percy não gostou muito daquela notícia. Pelo ou menos não por completo. Gostava da ideia de ficarem ali por um tempo, mas sabia que um numero tão alto de semideuses num mesmo local seria um grande atrativo para todos os tipos de monstros.
–A semana inteira? – Annabeth recomeçou. – Não sei se podemos esperar tanto...
– Annabeth... – Pipper interrompeu. – Ben já deixou claro que não irá com a gente antes disso e é o nosso trabalho garantir sua segurança até o levarmos ao acampamento meio sangue. Além disso... – ela olhou para Jason, quem apenas observava. – Acho que poderíamos aproveitar umas férias em Newport Beach.
– Está decidido então. – falou Ben. – Temos dois quartos de hospedes no andar de baixo. Irei separar o que precisarem para se arrumarem.
Percy respirou fundo. Pelo o visto já estava decidido. Ele não estava certo se aquilo seria uma boa ideia, pelo ou menos não até seus olhos cruzarem os de Annabeth. Depois percebeu que teria uma semana com a namorada numa casa ao lado da praia.
– Eu vou pegar o carro com as nossas coisas. – ele anunciou.
Quíron cedera um carro para eles completarem à viagem com segurança, porém haviam deixado próximo à praia em que encontraram Ben. Suas roupas, dracmas e outros materiais de sobrevivência estavam na mala.
...
Annabeth estava do lado de fora da casa, olhando as estrelas do jardin. Percy ainda não chegara com o carro e Pipper e Jason estavam no interior ajudando Ben com os detalhes. Ela sabia que o namorado compartilhava sua preocupação em relação à segurança do novo semideus. Porém ela sabia que seria muito bom passar um tempo ali, longe do acampamento e das obrigações. Seriam ela e Percy... e os amigos.
Já informara à Quiron o imprevisto e o atraso em seu retorno, via mensagem de Íres, e ele lhe dera a pior resposta:
– Confio no seu julgamento, Annabeth.
Agora ela se sentia responsável pelo garoto, pelo grupo, por tudo o que acontecesse ali (mais do que já se sentia normalmente).
–Já está quase tudo pronto. –disse Ben quebrando sua concentração. – Podem usar a água quente à vontade, porém se ligarem os dois chuveiros ao mesmo tempo a temperatura fica instável. – falou ele. Ela percebia um certo ânimo na voz do garoto. Mesmo com todos os problemas, Ben parecia gostar da companhia deles ali, hospedados em sua casa. – Tem alguns sanduiches na geladeira e posso colocar uma Pizza no forno...
– Está tudo bem,Ben. Obrigada.
Ele sorriu para ela.
– Obrigado por me ajudarem com Ana, hoje mais cedo.
– Não fizemos grande coisa. Foi você quem fez o trabalho pesado.
– Mesmo assim... Obrigado.
Ela sorriu.
– Como se sente sendo um semideus?
Ele parou para dar um longo suspiro antes de responder:
– Confuso e assustador... Mas confesso ter gostado um pouco. Agora pelo ou menos sei porque sempre me senti diferente. Os adultos costumavam a falar que era normal eu me sentir assim na adolescência. Que todos pensam ser diferentes e...
– Incompreendidos? – ela sugeriu.
– Exato.
Mais uma vez, os dois sorriram. Annabeth se lembrou de um método que ela criara com Quíron para descobrir se as pessoas que eles encontrassem na busca por meio-sangues eram mesmo semideuses. Não que ela tivesse dúvida se Ben era mesmo um semideus, mas queria completar o ritual para não deixar pontas soltas.
– Me dê o seu braço. – falou ela.
– O que? – Ben franziu a testa confusa.
– Seu braço. Estenda-o em minha direção.
Mesmo sem entender, o garoto a obedeceu. Annabeth segurou seu antebraço com firmeza, pouco acima de seu pulso, e retirou a adaga da cintura.
– Agora abra a mão.
–O que está fazendo?
– Só confie em mim. Não vou te machucar... Muito.
Ben estava inseguro, mas novamente obedeceu o seu comando.
Ela passou a lamina da adaga por sua mão até fazer um pequeno corte, que logo se pintou em vermelho.
– O que está fazendo?
– Bronze celestial. – ela explicou. – Pode afetar monstros, semideuses e até deuses, mas não pode machucar um mortal...
– E em que isso ajudou?
–Agora não temos duvidas se é mesmo um de nós.
Ben escancarou a boca.
– E depois disso tudo ainda tinha duvida se eu era ou não um semideus...?
Ela lhe lançou um olhar divertido. A forma que o garoto encarava a novidade lhe fazia lembrar e quando ela conhecera Percy, no acampamento meio sangue.
– Agora não tenho mais...
O carro dos semideuses chegou e estacionou na garagem. Percy saiu dele e encontrou Annabeth ainda segurando a adaga e o sangue escorrendo um pouco pela mão de Ben. Ele franziu a testa e esboçou um sorriso.
– Se divertindo?
...
O final da noite foi a parte mais rápida, pois estavam tão cansados que nem mesmo tiveram o tempo para conversar muito. Comeram uma Pizza e alguns sanduiches, depois tomaram banho e se arrumaram para dormir.
Mesmo contra o gosto de Percy, e provavelmente o de Jason, apesar desse não tiver expressado o desanimo, as garotas resolveram dormir num quarto e deixar os outros para eles.
– Depois de finalmente conseguirmos um tempo para nós vai me trocar por Pipper? – ele perguntara à namorada em tom de brincadeira, mas falando um pouco serio.
–O que tem de errado com Pipper. – Annabeth jogara com ele.
– É. O que tem de errado comigo? – Pipper perguntou fingindo indignação.
– A questão não é essa...
– Percy, – disse Annabeth. – Vamos ter tempo para isso depois. Agora estou cansada e acho melhor, pelo ou menos nessa primeira noite, separarmos os casais...
Ele não a compreendia, muito menos concordava, mas estava realmente cansado demais para tentar ganhar uma discussão de Annabeth.
– Talvez quando você quiser dormir comigo eu já não queira mais...
Ela riu de sua cara mal-humorada.
– Eu realmente duvido que isso vá acontecer.
Depois de falar isso, o beijou, com um beijo caprichado, por sinal, e entrou no quarto em que dormiria com Pipper. Percy também entrou em seus aposentos, onde Jason já apagara, retirou as roupas e se enfiou nos lençóis, pronto para deixar aquele longo dia para trás... Amanha poderiam aproveitar as férias...
...
Para aumentar a curiosidade de vocês, vejam o que os aguardam...
Próximo capítulo: Existe Uma Primeira Vez Para Tudo.
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