Notas iniciais
Ufa!!! Me desculpem a demora. Com as provas chegando tá tudo uma loucura aqui... KKKKK. Em fim, consegui terminar outro capítulo, mas terão de me perdoar, pois, por falta de tempo e tamanho do capitulo, não consegui revisá-lo da forma adequada, então poderão encontrar alguns erros. Espero que nada grotesco, mas.... Em fim, espero que gostem...

Capitulo 16 – É Hora de Irmos

Jason sentia o vento guiar seu corpo atrás da águia. Ethon, depois de ter as patas queimadas por Leo, desviara do confronto direto com o filho de Zeus. Ele via Frank vindo logo atrás, ainda como uma aguia, depois de ter salvo Leo e Hazel de uma morte certa.

A Espada de ouro em sua mão estava pronta para arrancar as azas daquele passaro. Jason já estava quase pronto para atacar a aguia quando essa fez um movimento inesperado. Dobrou as assas e girou no ar, ficando de frente para ele. Jason sentiu a garra do bicho arranharr seu ombro e rasgar sua camisa, levando metade do tecido sujo de sangue para longe. A dor tomou conta de seu corpo e ele despencou.

Levou alguns segundos para retomar o controle e se sustentar no ar. Quando olhou para Ethon, a fera estava agora brigando com Frank. Era bem maior que o semideus transfigurado e, como aguia, muito mais forte. Frank já estava todo cortado, mas ainda lutava bravamente, cortando a pele do monstros com suas garras.

Jason já sentia que estava perdendo as forças. Deu uma ultima investida e voou na direção das duas aves em incrivel velocidade, a espada de ouro mirando o peito da criatura maligna, ficando cada vez mais perto...

Sentiu o solavanco de espetar o peito de Ethon, que logo foi reduzido à sinzas e se espalhou pelo ceu de seu pai. Frank ficou voando ao seu lado com dificuldade. Jason, na verdade, também não estava nada bem. A ferida em sua perna feita pelo Javali de Erimanto ardia dolorosamente e seu ombro ferido parecia estar em chamas. Jason viu a paisagem se escurecer e teve a sensação de estar caindo varios metros para o chão... Depois perdeu a consciencia.

...

Outra flecha perfurou o javali. Annabeth fiou atordoada, vendo a antiga amiga descer das costas da Sra. O´Leary e continuar espetando o animal com suas setas.

– É bom te ver, Annabeth. – ela falou no intervalo entre dois tiros, mas não a olhou diretamente.

– Igualmente. –disse a loira sorrindo.

Era impressionante como Thalia havia ficado boa naquilo. Antes ela gostava de lutar com uma lança e um escudo assustador com a gravura da cabeça da medusa, mas desde que se unira à Artemis e às caçadoras, virara uma arqueira excelente. Perfurava o monstro em locais bem escolhidos.

Infelizmente, a surpresa do javali não durou muito. Logo ele se recompôs e começou a correr na direção de sua agressora. Thalia correu, atraindo o animal para onde Nico Di Angelo esperava, ainda em cima da cadela infernal. Assim que o monstro chegou perto o suficiente, ele deu um pulo e removeu a espada da cintura. A lamina negra da Stygian cortou o ar ao mesmo tempo em que Thalia atirou uma outra flecha na direção do javali, que agora estava bem próximo.

Os ataques simultâneos perfuraram o peito e crânio do Javali de Erimanto. Ele se desfez em cinzas quase que imediatamente...

Annabeth relaxou aliviada. Agora só faltava Percy derrotar o Touro de Creta... Mas onde estava Percy?

Ela olhou para o touro e viu que este esperava na beira do mar, olhando atentamente para ela e seus amigos. Sua pata cavava a areia repetidamente, anunciando que ele estava pronto para correr em sua direção. Assim que ele começou o movimento, uma onda do mar o surpreendeu pelas costas e o jogou no chão.

Percy surgiu do oceano. Contracorrente fixa em sua mão pronta para acabar de uma vez com o Touro de Creta.

– Eu já cansei de você, sua “vaca maldita”... – Percy disse furioso, erguendo a espada e marchando em sua direção. O animal se voltou para ele pronto para atacar. – Morra e mande lembranças para o seu filho Minotauro...

O touro urrou de dor quando sentiu a Sra. O´Leary morder seu traseiro. Percy aproveitou o momento para cravar a espada de bronze celestial em seu pescoço, rasgando sua pele até a o peito. Uma explosão de cinzas cobriu seu namorado, deixando-o sujo de fuligem, mas ao menos estava acabado.

Quando a poeira negra abaixou, ele apanhou algo caído no chão. Ela viu que era o chifre do Touro de Creta.

– Para a minha coleção... – disse ele sorrindo.

– Vai ficar bem junto com o do Minotauro. – falou Leo quem se aproximava deles ao lado de Hazel.

...

Percy alisou a Sra. O´Leary. A cadela havia ajudado ele a acabar com o touro que o atirara no meio do oceano. Depois, se voltou para Thalia e Nico, quem paravam calados...

–O que estão fazendo aqui? – ele perguntou.

– Esse é o seu obrigado? – perguntou Thalia, lhe lançando um olhar furioso.

– Desculpe. –ele falou. – Obrigado. Mas serio, o que estão fazendo em Orange County?

Ela guardou o arco nas costas, que logo se transformou numa presilha de cabelos, dando-lhe a impressão que iria lhe atacar...

–Viemos te procurar, idiota. Quiron disse que você tinha sumido de novo. Largamos tudo à sua procura e quando chegamos aqui você estava aí, brincando de toureiro...

Ela falava como se ele tivesse gostado de ter que tirar o dia para matar monstros, mas não argumentou.

– Falaram para Quiron que eu estava desaparecido? – ele perguntou para Annabeth. A garota assentiu, se aproximando dele.

– Você estava desaparecido, Percy. Pedi para Leo avisar para Quiron hoje mais cedo. Não sabia que ele ia mandar Thalia...

Ben e Jennifer se aproximavam calados. Nenhum dos dois deviam estar entendendo do que eles estavam falando, nem quem eram os dois novos membros do grupo, ou porque ele tinha uma cadela gigante...

–Mas acho bom ele ter mandado... – disse Pipper. –Se eles não tivessem chegado nós nunca conseguiríamos lutar contra os três monstros...

Thalia franziu a testa.

–Três?

–Sim... – Pipper começou. – Jason estava lutando contra Ethon e... – quando todos olharam para o céu, não conseguiram localizar nenhum sinal de nenhum deles.

– Frank estava la também... – Hazel falou com o tom preocupado...

Nesse momento, os olhares de todos eles se concentraram metros à frente, onde, perdidos na areia da praia, estavam dois garotos caídos. Estavam tão longe que eles nem viram quando eles caíram...

Todos correram para auxiliá-los. Levaram alguns minutos para chegar onde estavam. Quando os alcançaram, Percy viu que Frank estava deitado ao lado de Jason, ambos inconscientes. O filho de Ares tinha vários cortes pelo corpo, mas não parecia que iriam deixar cicatriz, exceto por um em seu pescoço. Já Jason, estava em uma situação um pouco melhor. Mais da metade de sua camisa havia sumido, deixando apenas um resto de tecido embolado e sujo de sangue. Seu ombro estava com um corte fundo e sua perna também sangrava.

–Nico, Leo podem me dar uma ajuda aqui? – ele perguntou.

Enquanto Percy carregou Jason, Leo e Nico ergueram Frank. Ambos foram colocados em cima da Sra. O´Leary, quem ofegava alegremente com a enorme língua para fora.

– O que achou de seu primeiro dia como semideus? – Leo perguntou à Ben brincando depois de ajeitar o semideus inconsciente nas costas do cachorro gigante.

– Acho que ficarei surpreso se sobreviver por uma semana. –Todos riram, alguns mais, outros, como Thalia, se limitaram a mover os lábios levemente. – Vamos levá-los para minha casa... – Ben se referia aos garotos desacordados. – podemos continuar essa conversa lá. Pela cara das pessoas que passaram por aqui, duvido que esse lugar fique muito tempo sem a presença das autoridades.

Percy não poderia discordar.

–Certo. Iremos todos para lá, então. Já esta na hora de arrumarmos essa bagunça...

Hazel e Leo cochicharam alguma coisa, depois olharam para Ben...

– Ben... – disse Hazel hesitante. –Precisa saber de uma coisa... Sua mãe esta de volta à Orange County e... sua casa...

– Bem.... –começou Leo. – digamos que Ethon não é muito bom em utilizar portas... ele prefere fazer buracos nos telhados...

A expressão de Ben se fechou.

–Minha mãe...

–Ela está bem. – disse Hazel depressa. –Fugimos de lá para atrair Ethon para longe dela, mas o lugar deve estar um pouco bagunçado...

–De qualquer forma... – Ben falou. –Precisamos ir. Já está mais do que na hora de eu falar com a minha mãe...

...

Enquanto todos andavam na rua, acompanhados de uma cadela gigante e dois semideuses feridos e desacordados, Nico notou a presença de uma garota nova. Era bem quieta e apenas observava enquanto os outros falavam. Discretamente, ele se aproximou dela e perguntou:

– Como se chama? – assim que ela ouviu aquilo, se afastou rapidamente, como se fosse um reflexo se manter à distancia.

– Desculpe... – disse ela percebendo sua surpresa. –É que não tenho tido muito contato com as pessoas... tenho medo de...

–Machucá-las? – ele deduziu. A jovem esboçou um sorriso.

–Exato... Me chamo Jennifer.

–Nico. – disse ele. –Nico Di Angelo, filho de Hades.

Diferente da reação da maioria das pessoas, ela não se afastou. Não demonstrou medo nem desgosto, mas sim interesse.

–Serio? Deve ser estranho... Ser filho do deus dos mortos...

– “Estranho” é uma palavra que eu usaria para caracterizar, com certeza. E você? Quem é o seu pai?

Ela hesitou por um momento.

–Ícelo... – falou constrangida. –Deus do...

– Pesadelo. – mais uma vez ele a completou e, novamente, ela mostrou interesse.

– Conhece ele?

–Sim. Mora com meu pai no mundo inferior. De todos os oneiros, é o que tem a personalidade mais amigável... – falou tentando ser simpático, mas não se achava muito bom nisso. Já estava acostumado a, como ela, se afastar das pessoas, não parando muito tempo no mesmo lugar...

– Sabe mais dele do que eu, então... – ela falou distraída. –Nunca o conheci pessoalmente.

– O que quer dizer com pessoalmente? – eles acompanhavam o resto do grupo, que conversavam entre si.

– Ele as vezes fala comigo em sonho, mas é raro...

–Bom, já é alguma coisa. Além disso, talvez você não reconheça ele todas as vezes...

– O que quer dizer? – ela perguntou curiosa.

– Ele controla pesadelos, não é? Talvez possa se disfarçar em seus sonhos e observá-la...

Pela expressão dela, aquilo não foi muito reconfortante.

– De toda forma... – ele continuou. –As vezes tem horas que eu queria nunca ter conhecido o meu pai...

Jennifer riu, pela primeira vez sem demonstrar qualquer outra preocupação.

Depois, Nico viu Annabeth sorrir para ele. Não entendeu à principio, mas depois viu que ela apontava em sua direção e em seguida na da filha do pesadelo. Assim que entendeu o que ela quis dizer ele corou e se afastou um pouco da jovem. Depois disso, não falou mais nada ate chegarem à casa destroçada do semideus chamado Ben.

...

Ben ainda tentava repassar o que falaria para a sua mãe. Eram tantas perguntas. Tantas coisas importantes que ela lhe escondera. A pergunta que ele mais queria fazer era: “Como pôde esconder isso de mim por tanto tempo?”.

Assim que entraram na casa, ele viu que sua mãe estava sentada no sofá fora do lugar. Ela estava suja e seus cabelos despenteados, mas parecia bem. Ao seu lado, Ana olhava diretamente em seus olhos.

– Olá querido... – Amanda Sharp se levantou e foi em sua direção. Pela posição em que ela olhava, se preocupava com o corte que ganhara no braço, em algum momento da batalha. –Graças à Deus está bem. – ela o abraçou.

–Na verdade... – ele disse devagar. –São deuses...No plural. Mas acho que já sabe disso.

A mulher respirou profundamente.

–Ana, querida... Pode nos dá licença um minuto?

Dessa vez foi a jovem quem se levantou do sofá.

– Me desculpe, Sra. Sharp, mas não. Não aguento mais esse mistério todo ao redor de seu filho. Algo esta acontecendo. Eu sei disso. E não saio daqui até ter explicações...

A postura de durona dela foi por água abaixo quando a cadela gigante entrou na casa... Sua mãe até que reagiu bem, mas a amiga-namorada arregalou os olhos e perdeu o fôlego.

–O... O que diabos é isso?

...

Era por isso que Percy não levava a Sra. O´Leary para passear no mundo dos mortais. Era sempre complicado explicar por que a sua cadela era dez vezes maior que um cachorro normal. “É que ela é um cão infernal... São um pouco diferentes que os da terra...” Normalmente essas palavras já serviriam para mandá-lo para um hospício (dessa vez na vida real).

Algumas pessoas tem Puddles, Yorkshires ou Wests Terriers. Outros, mais corajosos, tem labradores ou pastores alemães. Talvez até um Pit Bull. Mas ele não. Ele tinha um cão infernal. Muitos diziam que você pode ser definido pelo tipo de animal que possui.Talvez fosse verdade. Mas o que isso diria dele?

Em fim... Quando a Sra. O´Leary entrou na casa com Jason e Frank em suas costas, a garota mortal surtou. Não conseguiu gritar ou correr. Apenas ficou encarando o animal. Percy teve medo que a cadela encarasse aquilo como um chamado para brincar de correr. Isso acontecia as vezes quando ele a encarava por muito tempo.

– Ah... O que exatamente está vendo? –Percy perguntou. Com a nevoa, nunca se sabia.

– P... Parece um... cachorro... Só que... grande. Muito grande.

– Acho que não esta sendo muito afetada. –Thalia disse atrás dele. A influencia da camada mística realmente variava de acordo com a pessoa. Alguns conseguiam ver as coisas mais próximas da realidade, outros enxergavam um caos completo. Havia ainda alguma pessoas quem eram imunes à famosa nevoa, que as vezes afetava um pouco até semideuses...

– É mais ou menos isso... – Percy disse simpático. – Essa é a Sra. O´Leary. Ela pode ser um pouco... ah... assustadora, mas é bem dócil na verdade. Pelo ou menos com mortais...

–Percy! – Annabeth o interrompeu. –Está confundindo ainda mais...

–Ah... Certo... –ele parou de falar. – Ben, deixo essa missão com você. – ele deu um tapinha nas costas do semideus mais novo. – Vamos levar Jason e Frank para o quarto.

–Não subam as escadas. – disse a mãe de Ben. –Seja lá o que foi que destruiu a minha casa, fez um estrago ainda maior lá em cima.

– Pode deixar. –disse Percy. –Deixaremos vocês conversarem à sós...

Percy, Thalia, Nico, Leo, Hazel, Jennifer, Annabeth, Pipper e a Sra. O`Leary se dirigiram até o quarto em que Percy dormira na primeira noite ali, deixando Ben, a mãe e a namorada à sós...

...

Ben ficou por quase um minuto (60 segundos de eternidade) apenas encarando as duas. Sua mãe tinha um olhar triste e pesado, enquanto Ana ainda tentava entender qual era a do cachorro gigante. Ter a amiga-namorada ali no momento não era uma boa. Precisava conversar com a sua mãe, mas agora teria antes que explicar para a garota o que estava acontecendo...

–Então... – ele começou, se dirigindo à jovem de cabelos ruivos. –Eu, meio que não sou... tecnicamente... exatamente... normal. –Ela apenas o encarava. – Sabe a mitologia grega...? –Ben realmente não levava jeito para aquilo. – Então... monstros, deuses, heróis... semideuses... Eu meio que sou um deles.

Sua mãe também o fitava enquanto ele falava. Ser o centro das atenções enquanto ele falava coisas que soavam tão absurdas o deixou envergonhado.

–Do que você está falando? – Ana perguntou com a testa franzida de tal forma que suas sobrancelhas finas estavam quase coladas.

– Então... é que os deuses gregos, as vezes, se apaixonam por mortais e, em algumas dessa paixões, nascem garotos meio deus meio humano normal. Eu sou um desses garotos.

Ana simplesmente não conseguia compreender. Os lábios dela agora ameaçavam formar um sorriso de deboche.

– Ben... isso não faz sentido...

Ao perceber que falar aquilo seria inútil, mudou a estratégia de convencimento. Ainda estava um pouco cansado para tal, mas depois de imobilizar por um tempo um javali gigante, uma menina de sua idade não seria nada... Ele estendeu a mão na direção dela e correntes de vento se formaram instantaneamente, carregando a garota levemente alguns centímetros do chão. Ela se debateu assustada no inicio, depois percebeu que era ele quem fazia aquilo.

–Ben... Você...? Isso é... impossível. –ela pousou no piso lentamente.

Ele não respondeu. Ficou olhando em seus olhos tentando prever sua reação. Obvio que não conseguiu, pois era muito ruim em decifrar a mente feminina. Principalmente em situações incomuns como aquela.

– Eu sei que é estranho, mas... É verdade. Descobri isso naquele dia da praia. Em que o John... –ele se conteve para poupar sua mãe, quem apenas ouvia a conversa, dos detalhes sobre o espancamento.

–Era isso que queriam falar com você?

–Sim.

–Então... basicamente vieram um bando de adolescentes em sua casa e lhe contaram que você é filho de um deus? – Ela repetia a historia como se estivesse ainda tentando se convencer, porém estava agora mais calma do que ele achou que ela estaria.

–É mais ou menos isso. Só não sei ainda qual o deus especificamente...

–Eurus. –disse sua mãe de repente. – Você é filho de Eurus, o vento leste.

O silencio mortal tomou conta do aposento enquanto Ben sentia sua mente girar em meio a tantos pensamentos...

...

O enorme grupo de semideuses estava amontoado no quarto que ficara apertado no momento. Jason e Frank repousavam cada um em uma cama enquanto eles esperavam em pé.

–Vamos ficar aqui por exatamente quanto tempo? – Leo perguntou.

–Leo, Ben está conversando com a mãe na sala e a casa não esta muito bem arrumada para ficarmos escolhendo o cômodo que iremos nos acomodar. Além disso, tem muitos semideuses debaixo de um único teto mortal... –Annabeth falou.

–Mas precisamos mesmo ficar aqui esperando eles acordarem?

Annabeth não respondeu.

– Acho que ele está certo. – disse Percy. – Vamos deixá-los descansando um pouco.

–E iremos para onde? – Thalia indagou. – De volta para a sala?

Percy olhou para o lado oposto. Também não queria voltar ao local onde Ben conversava com a mãe. Aquela deveria ser uma conversa em particular, não uma cheia de interrupções.

–Podemos ir para a piscina. – ele falou. Ninguém contestou aquela ideia. A piscina ficava do lado oposto à sala, logo que eles saíssem do quarto. Ben nem mesmo notaria quando eles passassem para lá. Além disso, a ideia de mergulhar na água gelada o fez se sentir animado...

–Certo... – disse Annabeth. – Lá tem alguma cadeiras para não precisarmos ficar em pé. E precisamos mesmo discutir algumas coisas.

–Acho que mais que algumas coisas... –disse Thaia. – Para começar, quero saber onde, em nome de Zeus, você se meteu, Percy Jackson?

Percy notou que Jennifer baixou a cabeça timidamente. Talvez ela estivesse achando que iriam culpar ela. Se aquela fosse o caso, estava errada. Ao menos, não era isso o que ele planejava fazer. Só esperava que os outros também compartilhassem de seus pensamentos.

Discretamente, foram na direção da área da piscina...

...

– Eurus? – Ben perguntou tentando assimilar o nome que de repente seu pai, quem sempre fora uma figura ausente e quase inexistente em sua vida, ganhara.

– Sim. – sua mãe disse de novo. – Eurus é o seu pai. O conheci muito tempo atrás... Ele é um dos deuses responsáveis pelo vento. O vento leste, mais especificamente... – ela parou de falar ao ver sua expressão.

–Como nunca me falou? – ele perguntou indignado.

–Me desculpe, meu filho... – ela se aproximou de Ben e tocou seu rosto. – Eu tive medo de te contar a verdade. Não sabia como você poderia reagir a uma noticia dessas.

– Não sabia como eu ia reagir?! Escondeu o maior segredo da minha vida por que não sabia como eu ia reagir?

–Ben...

– Não me venha com Ben, mãe! Sempre entendi a importância que você dava ao trabalho. Sempre aceitei que era para que pudéssemos ter uma vida melhor que você se dedicava tanto. Mas esse tempo todo você sabia de toda essa loucura. E nunca, nesses quatorze anos, você pensou em me contar? Nem quando eu quebrei as janelas sem ao menos tocar nelas?

Àquela altura, ambos choravam. Até Ana, quem saíra do foco da conversa há algum tempo, observava com as lagrimas jorrando dos olhos.

– Eu não queria te perder! – sua mãe gritou e ele se calou. – Sabia que assim que eu te contasse você teria que ir para aquele tal acampamento que seu pai me falou. Eu queria te contar, Ben. Mais do que tudo, mas simplesmente não conseguia. Além do mais, se você não acreditasse, não fazia ideia de por onde começar a provar para você que eu não era louca. Você estava tão bem...

A forma que ele vivera no últimos meses, definitivamente, não era “bem”, mas não precisava dizer aquilo. Agora olhando para a sua mãe, percebia que ela fez o melhor que pôde. Aquele não era realmente um segredo fácil de lidar, e ele não podia imaginar como era se envolver com um deus e ter um filho semideus... Largou o orgulho de lado e abraçou a mulher. Amanda, a respeitável repórter, desabava no choro, agarrando suas costas com força como se temesse que ele fosse fugir.

– Eu não vou embora para sempre, mãe. Percy me falou que eu posso voltar e ter uma vida normal, indo treinar apenas no verão... Nada vai mudar em relação a isso...

Aquilo também não era exatamente verdade. Muita coisa iria mudar, mas ele não queria pensar naquilo no momento...

...

– Você só pode estar brincando... – Percy ouviu Annabeth dizer quando ele retirou as sandálias e a camisa. –A casa está uma completa bagunça e você vai dar um mergulho na piscina? Como se nada tivesse acontecido?

– Sou filho de Posseidon, esqueceu? – ele retrucou se dirigindo à borda. – Me sinto melhor na água...

– Percy, você acabou de cair no mar. – Thalia se meteu.

– Bom, desculpem se ser arremessado por um touro não é, exatamente, o que eu definiria como um mergulho relaxante... Além disso, é como você falou, Annabeth. A casa já está uma bagunça. Que diferença vai fazer se a piscina for ou não utilizada...?

A loira não respondeu nada. Na verdade, aquele dia seria para sempre conhecido como o “dia em que Percy Jackson deixara Annabeth Chase, filha de Atena, sem palavras”. Na verdade, ganhar a discussão não foi o suficiente. Antes de pular, ele agarrou a cintura da namorada e se jogou na água gelada.

– Quanta imaturidade... – ela falou ofegante. – Isso é hora de brincar de me jogar na piscina, Percy Jackson?!

Ele entendia o porquê de ela estar com os nervos tão a flor da pele. Ela teve que ficar sem saber onde ele estava por mais de um dia, lutara com monstros e agora havia sido jogada na água gelada quando queria conversar sobre assuntos sérios. Era normal a namorada estar um “pouco” estressada, mas ainda assim não se arrependia. Era o papel dele garantir que ela teria alguém para se estressar com.

– Eu estou tentando resolver o que vamos fazer e você fica... – ele fez a água da piscina a puxar para próximo dele e a beijou. No inicio, pensou que ela iria gritar com a sua língua, mas logo a filha de Atena cedeu e retribuiu o gesto.

–Podemos conversar daqui... – disse ele interrompendo o beijo.

– Odeio quando faz isso... – ela disse.

– O que? Te jogo na piscina?

– Não... Me beija quando eu estou irritada e faz a raiva ir embora.

Ele a beijou de novo.

– Sobrevivemos há uma luta contra três monstros ao mesmo tempo... Devíamos mais era estar em clima de comemoração...

Annabeth sorriu rapidamente e voltou a olhar para o grupo de semideuses que os observavam do lado de fora da piscina.

– Comemoramos mais tarde. – disse Thalia de braços cruzados. – Podem explicar o que aconteceu agora?

...

Percy e Annabeth contaram aos outros o que acontecera. Ele resumira bastante o que ocorrera em seu subconsciente, pois não queria que todo o mundo soubesse de suas coisas pessoais. Teve todo o cuidado do mundo para não acusar Jennifer de nada. Deixou claro que ela estava apenas descontrolada. Todos ouviram interessados. Thalia e Nico franziam as testas pensativos. Quando eles terminaram de explicar a historia, a filha de Zeus falou.

– Annabeth, podemos falar em particular?

Annabeth fez que sim e saiu da piscina.

–Você também, Percy. – ela concluiu.

Relutante, ele foi até a escada e deixou a água. Seguiu as garotas que se dirigiam rumo ao fundo da casa.

...

– Eu vou ver como Jason está... –Pipper falou e entrou no quarto onde o namorado repousava. Hazel a seguiu para checar Frank e Leo, Nico e Jennifer ficaram sozinhos na parte da piscina.

– Pelo o que ouvi, fez uma grande demonstração de poder... –Nico falou para a filha do pesadelo.

Jennifer deu um sorriso encabulado e deu de ombros.

–Serio. – Nico insistiu. – Percy é tipo, o semideus mais forte que conheço, e você o neutralizou sem nem mesmo tocá-lo. E ainda entrou na mente dele.

– Mas não vi nada. – a garota falou meio que na defensiva. – Estava atordoada demais para me controlar...

– Nada que um pouco de prática não resolva. – Nico sorriu para a garota, e olha que ele não era muito do tipo de “sorrir”. –Só estou dizendo... Tem o potenciou para se tornar uma semideusa poderosa...

Jennifer olhava para as pequenas ondas que ainda oscilavam na piscina.

– Obrigada... Eu acho.

...

Percy e Annabeth seguiram Thalia até não poderem mais ver os demais. Estavam quase dentro de um arbusto e ele se arrependeu de não ter vestido a camisa, pois as folhas de uma palmeira acertavam suas costas sempre que ele se movia.

– A garota... – Thalia falou sem cerimônias. – Ela é um risco.

– Não. – Percy respondeu rápido, embora tivesse a impressão de que Thalia não estava fazendo uma pergunta. –Só não sabe se controlar direito...

– Por isso mesmo... – a garota falou. – Pelo o que falaram, ela derrubou um garoto só em tocar nele...

– Muitos podem fazer isso... – Percy argumentou.

– E te deixou inconsciente sem ao menos lhe tocar... Filhos de deuses menores não tem esse poder todo...

Contra isso, ele não tinha defesa.

– Não foi nada demais. – Percy falou. –Você poderia me derrotar... Ou chegar perto disso...

– É diferente. –Thalia falava como se estivesse prestes a retornar à área da piscina e nocautear Jennifer. – Eu sou filha de um dos três grandes. Você também é, mas ela e filho de um oneiro...

–Thalia... – Annabeth começou, deixando sua posição de mera observadora daquela conversa. – O que está sugerindo? Não podemos simplesmente virar as costas à coitada. Muito menos tratá-la como inimiga...

–Não estou sugerindo uma coisa dessas, Annabeth. Sei que ela não fez por mal, mas preciso que entendam o perigo que ela pode representar.

– Enfrentamos perigo todos os dias... – Percy falou. – E não preciso voltar muito no tempo para te dar um exemplo...

– Só quero que tratem a situação com o devido cuidado. – Percy e Thalia sempre tiveram um clima de discórdia. Não era que eles não se gostavam. Muito pelo contrario, se consideravam grandes amigos, mas agora ele percebia que o tempo que a jovem passava com Artemis a deixava muito mais guerreira do que antes. Ela parecia estar esquecendo como era ser uma mortal, se dedicando apenas a vida de caçadora.

– Vamos levá-la para Quíron... –Annabeth falou. – Ele vai saber como treiná-la da forma devida. –Percy sabia o que ela estava prestes a falar, e, por mais que odiasse a ideia, sabia que ela teria razão. – Foi bom enquanto durou, mas... Acho que o nosso tempo aqui acabou... É hora de irmos.

Notas finais
Notas de Sempre: Comentem! (KKKK)
Mais uma vez, me desculpem a demora do post e prometo tentar postar o 17 mais rapido. Obrigado por todas as visualizações e comentários. Ja estava com saudades de ler suas reviews...