The Death Blow
5 Capítulo 5 - Um recado especial
Notas iniciais
Espero que gostem c:
Eu fiquei muito apavorada. Entrei em pânico, já que eu tenho tafofobia. Comecei a chorar e gritar desesperadamente, mesmo tendo total certeza de que ninguém escutaria.
Lá de dentro, escutei em sussurros, alguém -- provavelmente o Mike -- chamando meu nome. Certamente ele estaria gritando, mas como eu estava debaixo da terra, obviamente, escutava em sussurros.
Gritei com a maior força que pude, mas senti que o ar já estava acabando. Me senti fraca, estava quase desmaiando. Tentava gritar, mas já não conseguia.
Era a pior sensação que eu já tive. Meu olhos foram se fechando aos poucos. Eu lutava para mantê-los abertos, mas não conseguia.
Acordei fora do caixão. Do meu lado estava o Mike, sorrindo ao ver que eu estava viva.
-- Obrigada. -- Falei tentando levantar, mas estava meio fraca ainda.
-- Como foi parar lá dentro?
-- Eu não sei. Só sei que acordei lá já.
Ele ficou me olhando assustado, mas antes que eu perguntasse algo ele disse:
-- Está saindo sangue da sua cabeça.
Eu a levantei e ele viu um corte nela. Alguém havia batido na minha cabeça para eu desmaiar, depois me enterraram viva. Ou isso, ou estou com amnésia...
Mike rapidamente me levou para o hospital.
Acordei, já com minha cabeça enfaixada. Mike entrou sorrindo, como sempre.
Ele era outra pessoa que eu achava muito estranha. Sempre estava lá para me salvar, eu não sei. E como ele advinhou que eu estava lá no caixão? Tudo bem que eu gritei, mas era meio impossível ele ouvir.
-- Como descobriu que eu estava dentro do caixão? -- Perguntei encarando-o.
-- É uma longa história.
-- Bom, eu tenho tempo de sobra...
-- Tudo bem... -- Ele sorriu e depois continuou -- Eu tinha seis anos quando minha avó morreu. A Renata e eu combinamos de todo ano, no mesmo dia, colocar flores no caixão da minha avó. Fazíamos isso todo ano, como tínhamos prometido um para o outro. -- Ele deu uma breve pausa. -- Certo dia, minha mãe resolveu dá para ela um amuleto, já que eu sou um garoto. -- Mike riu -- A gente fez uma brincadeira idiota: quando fôssemos para o cemitério, um de nós esconderia o amuleto para o outro achar só no ano seguinte. Não me pergunte o porquê disso. Nem eu sei. -- Eu olhei para ele rindo. -- Mas nos afastamos quando completamos dez anos. Eu fui o último a escondê-lo e hoje decidi procurar. Mas não encontrei. Você foi enterrada no lugar eu que eu escondi o amuleto.
Eu fiquei sem palavras. Mike e Renata já foram amigos? Eles eram duas pessoas totalmente diferentes. E pelo olhar dele, parecia odiá-la.
-- Quem você acha que me enterrou? -- Mudei de assunto.
-- Não tenho palpites. Há alguém que te odeie?
-- O James...
-- Ele viria acertar as contas comigo, não com você.
-- Será?
Ele ficou em silêncio.
-- Acho que tem haver com a casa. -- Falei.
-- É, parece que tem. Essa pessoa não vai descansar, não é?
Nessa hora, eu tive uma ideia. Já que o Peter estava vivo, por que não perguntar para ele sobre a casa? Ele devia saber algo sobre ela, já que morou lá por um bom tempo...
-- Eu preciso falar com o Peter Moore. Agora! -- Falei tentando me sentar na cama. Tentativa idiota, não consegui.
-- Queria poder saber aonde ele está.
-- Você não sabe, eu não sei... Mas talvez a Olívia saiba. Preciso sair desse hospital maldito.
Por sorte eu fiquei lá por apenas algumas horas e depois pude sair. Mesmo assim tive que encher a paciência do médico. Assim que saimos fomos à casa de Olívia. Ela demorou um pouco para atender, mas pelo menos atendeu.
-- Entrem!
-- A gente só quer saber se você sabe aonde está o irmão da Katherine. -- Falei.
-- Oh querida, ele está trabalhando na Art Instruments. Por que não dá uma passadinha lá?
Dei tchau e fui para a tal loja. Como não sabia aonde era, Mike foi comigo.
A loja era imensa. Como esperado, haviam instrumentos para todo lado. Era um lugar bem agradável.
Mike avistou Peter e nos aproximamos. Ele era um pouco baixo, tinha cabelos loiros e enrolados e sua pele era mais clara que a minha. Sorri timidamente e dei oi. Ele simplesmente me estranhou.
-- Quem é ela? -- Peter perguntou para Mike.
-- Claire mora na sua antiga casa e quer saber mais sobre ela.
Peter ficou me encarando por um bom tempo. Eu estava com medo do seu olhar. Parecia que ele iria me matar, eu não sei.
-- Saia daquela casa. -- Ele gritou. -- Saia de lá.
-- Por quê?
-- Não interessa. -- Ele continuava gritando. -- Saia daquela casa já.
Ele ficou gritando isso até sairmos de lá. Fiquei um pouco -- bastante -- assustada. Mike riu de mim. Segundo ele, eu estava com uma cara muito engraçada. O encarei e depois fui para casa.
Eu estava cansada. O dia foi meio difícil, já que eu fui enterrada viva. E só tinham duas pessoas que poderiam fazer isso comigo: James ou quem matou Katherine. Se não, quem mais seria? Mas ainda tinha mais chances de ser o assassino.
Jantei, tomei um bom banho, coloquei meu pijama e sentei no sofá. Fiquei um bom tempo lá. Realmente estava cansada.
Fui ao banheiro escovar meus dentes, quando vi uma mensagem de algo parecido com sangue no espelho. Estava escrito "morte".
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