The Day War Ended
22 Capítulo XXII — Creative Block
Merida
A única coisa que eu poderia pensar depois daquele jantar muito adiantado foi que, em primeiro lugar aqueles adultos que se denominam responsáveis e se chamando de autoridades maiores em casa, deviam pelo menos controlar os nervos e segundo lugar, se forem fazer uma bagunça do tipo para deixar as marcas de guerra, por favor... Façam na sala, no quintal ou num restaurante. Não numa cozinha com trigêmeos, dois adolescentes e uma mãe de família furiosa.
Agora eu poderia relaxar um pouco, mesmo acordando cedo e indo para escola, digamos que acordar numa quinta-feira não é algo que me agrade. Como por exemplo, as aulas mais chatas, dobradas caem nesse dia. Como se não bastasse, Heather voltou a me atormentar, mas eu acho que ela adora ver que ganhou a frustração para ser entreter, não vejo outro motivo para ela fazer isso. Não tenho nada contra ninguém e pode ser qualquer pessoa porque não importa, pois se for legal comigo, eu não farei nada contra sua pessoa.
Seguia caminhando para o segundo prédio, a terceira aula mais chata que tinha era química e o pior é que o professor não tolera atrasos, mas eu também não tenho culpa de uma sala da qual qualquer um poderia pegar os componentes químicos e usa-los no banheiro, fazer uma gracinha e explodir, ser do outro lado da escola.
Ajustava minha calça como podia no caminho, nem queria passar no banheiro por uma simples questão. É muita frescura colocar que, eu não gosto de arrumar alguma coisa em mim por simplesmente não gostar mesmo? A calça estava apenas apertada, não teria nada de diferente se alguém notasse mais que o necessário. E justo quando eu queria usar minha calça favorita e ela tinha sido lavada com as roupas de meus irmãos... E o estado da qual ela ficou foi o pior resultado, apertada...
— Merida? Mas o que você está...? – Olhei para o meu lado, Rapunzel olhava confusa.
— Quieta loira... Não me faça passar mais vergonha que o necessário... – Senti meu rosto se esquentar um pouco.
Ela riu com a minha resposta e minha reação, deixando-me com um pouco de raiva. Não era legal ser motivo de risada com algo que realmente esta incomodando.
— Quer trocar comigo? – Apontou para o short verde – Acho que você deve ter o dobro de cintura que eu.
— Você tá me chamando de gorda? – Arqueei a sobrancelha.
— Você tem sua fofura assim como eu – Deu de ombro, nem se importando com o fato de me chamar de gorda!
— Okay então senhorita palito, mas o que faz fora da aula? – Cruzei os braços.
— Estou indo para a quadra que fica no segundo prédio da escola. E você? – Começou a me acompanhar até o meu destino.
— Química... Sabe o quanto essa matéria me irrita por ser complicada? – Falei frustrada.
— Mas não é tão complicada assim, é apenas balancear e calcular a massa da formula – Falou com uma cara de o que ela tinha dito era a coisa mais óbvia do mundo.
— Obrigada... Ajudou muito... – Murmurei.
Quando cheguei à sala, Punzie e eu nos despedimos e entrei na sala. Todos pareciam ansiosos com algo e eu logo me sentei ao lado de uma aluna perto da janela.
Enquanto o professor explicava o que iríamos fazer eu tentava ao máximo absorver a explicação, não queria explodir nada... Não posso explodir nada... Mas no final das contas só tínhamos que balancear outra reação química! Se for para fazer isso, por que não na sala de aula? Vim correndo de outro prédio para nada.
O sinal para o intervalo tinha tocado, sai da sala de aula e andei em direção ao pátio. Parecia que ao chegar lá, não tinha muitos alunos, mas foi só passar alguns segundos e o lugar estava cheio.
— Eu estava procurando você ruiva! – Uma garota loira de trança se apoiou em meu ombro.
— E você Astrid? A sumida da semana – Rebati.
— Nem venha, com a confusão que teve, nem com a loira ou o Soluço eu estou falando mais – Deu de ombros, seguindo ao meu lado até a cantina.
— Ahram... É uma boa desculpa. Vou usar isso quando não quiser alguém do meu lado – Peguei a maçã que estava bancada da cantina.
— Não é uma desculpa! E... O seu cabelo sempre foi assim meio que bagunçado? – Pegou um dos meus cachos, mexendo como se fosse uma criança curiosa.
— Sempre foi e agora tira a sua mão do meu cabelo, por favor? – Pedi, batendo em sua mão e mordendo minha maçã fingindo estar furiosa.
— Claro nervosinha.
Sentamos em um canto afastado do pátio e ficamos conversando um pouco, ela me contava o que se tinha passada no apartamento da tia dela. Sempre que a diretora andava de um lado para o outro, mesmo tentando dar uma de bruxa má, conseguia fazer com que outros não fizessem alguma besteira. Mas abriremos uma exceção, sou uma das pessoas que poderia levar mil broncas e nunca cansaria de ouvir as mesmas ameaças de suspensão.
— Eu nunca a vi daquele jeito... Vocês duas são ruivas, mas mesmo olhando para ela agora, parece tão sem vida... – Suspirou.
— Não a culpo, mas ela é muito emotiva – Mordi a maçã.
— E você é muito sensível – Falou irônica.
— Ei! Eu também sinto falta dela tentando me intimidar com aquele tom de voz de garotinha – Olhei ofendida para ela.
Isso fez com que o rosto dela ficasse mais sem expressão com o que tinha dito.
— Merida? Astrid? – Virei em direção a pessoa que tinha falado nossos nomes, a garota dos longos cabelos loiros, Rapunzel.
— Oi loira – Dei uma ultima mordida na maçã, sorrindo.
— Eu preciso de uma pequena ajuda... – Olhava para o chão, não sabia se era por vergonha ou por estar com medo de receber uma resposta.
— Aconteceu alguma coisa de errado contigo? Sua mãe lhe deu outro tapa? – Astrid levantou, dando o lugar para Rapunzel se sentar.
— Não é isso, é que... Lembra-se da latinha de spray Merida? Acho que minha mãe está querendo ver se eu tenho relações com aquilo – Arqueei a sobrancelha, o que a latinha de spray tinha a ver com isso?
— Acho que não entendi loira, você pode explicar melhor? – Arrastei-me para a beirada da cadeira, deixando com que Astrid se sentasse ao meu lado.
Rapunzel explicou mais sobre o assunto, que o professor Bunnymund tinha ido até a casa dela falar com Pitchner e que além disso, a repentina mudança de humor da sua mãe que antes estava de mal humor e depois fazendo um pedido bem suspeito para a própria filha. Conheço Gothel a um bom tempo para saber que ela detesta quando Rapunzel faz suas pinturas em casa, reclamando do cheiro da tinta.
— Mas eu fiquei feliz por um instante sabe? Ela fez um pedido que eu nunca pensei que viesse dela... – Sorria fracamente.
— Deve ser muito importante para você, mas ainda não entendo no que você quer ajuda? – Astrid perguntou curiosa.
— Eu não sei o que pintar... Estou com bloqueio criativo e não tenho inspiração há semanas.
— Fala isso como se fosse terrível...
— Mas é terrível! – Se exaltou, batendo na mesa e chamando a atenção das pessoas ao lado – É vergonhoso até não voltar a pintar e ter como desculpa um maldito bloqueio... – Falou num tom mais baixo.
— Calma ai loira! Isso não é o fim do mundo e eu nem sei ao certo como te ajudar... – Levantei as mãos em sinal de rendição, essa era minha resposta final.
— É o fim... – Falou cabisbaixa.
— Não é o fim... – Rolei os olhos, ela pode ser tão dramática às vezes.
— Você poderia pedir conselhos e ideias aos outros Rapunzel, olhe só, na minha antiga cultura eram citados deuses da mitologia nórdica e entre ela estavam elfos da luz e feras místicas como dragões ou seres que serviam aos deuses como os anões.
— Você e o Soluço cresceram juntos não é? – Perguntou Rapunzel, seu humor parecia ter melhorado com a fala de Astrid.
— Sim e posso lhe assegurar que ele sabe de mais coisas do que eu – Sorriu orgulhosa.
— Aproveite que ele também é um geek em videogame, ter um conteúdo vasto além do mundo dos livros e de algumas culturas é sempre bom, mas de outro mundo como o dos videogames e RPG’s é melhor ainda – Dei minha parte final.
— Ei Merida, você acabou ajudando também – Sorriu maliciosa, fiquei confusa com o que ela tinha dito – Bem, falarei com ele quando acabar for à hora de ir embora, quem sabe até ele não de uma aula do que é cada um desses “mundos”.
— Acho que posso ajudar com mais algumas coisas, perguntarei a minha tia se ela tem algo que sirva de interessante para a sua pintura – Astrid se levantou, sendo calada pelo sinal do intervalo – Tenho que admitir que esse intervalo idiota não dura o que deveria.
— Continue reclamando e quem sabe eu posso rir dessa sua careta – Dei uma risada quando ela direcionou seu olhar sobre mim.
Ela tinha razão, o intervalo deveria durar mais do que isso.
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