The Day War Ended
21 Capítulo XXI — A rivalry not so healthy
Soluço
Só de ter recebido um telefone ao ter saído da escola foi motivo para eu entrar em pânico, até Rapunzel que estava ao meu lado e tinha que ir viu todo o terror em meu rosto. A pergunta dela foi o que confirmou o que eu estava sentindo.
“Solucinho? Você está bem?”
Não, eu não estava nada bem... Porque Stoick, meu pai, tinha usado o telefone para ligar para mim, se bem que eu posso parar e pensar nas burradas que eu fiz esse ano.
“Claro, está tudo ótimo...”.
Isso foi o que eu disse, dando o meu sorriso mais falso e depositando um beijo na testa de loira. Atendi ao telefone e antes de ouvir a voz do outro lado, observei Punzie sair andando pela rua oposta da sua casa.
A voz do outro lado estava cansada, mas com uma fúria de anos atrás quando ainda jovem. Só fiquei surpreso com apenas alguns detalhes que eram... Que eram um jantar da casa dos DunBroch.
Agora meu pânico foi maior, e sentia o pesar em minha língua falando que eu já estava indo para lá. Eu não queria ver Merida, eu parecia aquele garoto no começo do ano feliz ao ver a ruiva e depois que Astrid chegou só pude ver as coisas desmoronando entre a gente.
Eu tenho culpa, ela tem ciúmes e Astrid é impulsiva. Acho que esse seria um bom resumo daquela semana tensa...
Segui o meu caminho pela rua até a minha casa, sorte que é andar pelas dez ruas e eu já estou lá. Já a da Merida...
Chegando, joguei minha mochila num canto qualquer e segui para meu quarto. Videogames espalhados no chão, controles sem fio sobre a cama e o computador com a tela de descanso com dragão voando. Não queria demorar e logo meu pai estaria em casa apenas para eu ir junto e não ter que ir de ônibus.
Quando eu tinha terminado de me arrumar e ficar com uma aparência decente, meu pai já tinha chegado e gritava para sairmos logo. Que coisa, a casa dela nem era tão longe... Ou seja, era, mas chegaríamos lá mais cedo do que tudo...
Ao sairmos de casa eu ficava pensando como eu ia encara a ruiva, ou muito menos ver dois chefões de família se encarando. Chegando a casa com um estilo antigo escocês e com vários brinquedos espalhados pelo jardim, pude ouvi meu pai respirar fundo ao meu lado, ele me pareceu resmungar alguma coisa, mas fiz questão de nem tentar perguntar qual era o problema.
Saindo do carro, andamos devagar até a porta, para mim aquele ato de estar na casa da Merida e ter meu pai ao lado como um convite de seu “rival” era meio que digamos... Uma sentença de morte na certa.
Ao ouvir o barulho da porta se destrancando, uma mulher de longos cabelos pretos nos olhava com um sorriso fraco, mas sincero.
— Soluço! Meus deuses, como você cresceu... Era tão novo quando o via brincar com Merida na creche... – Segurou meu rosto entre suas mãos e logo direcionou o seu olhar ao meu pai, ignorando-me. – E o senhor é o Stoick, pai do Soluço.
— Sim, espero não termos chegado tarde... – Deu um tossida fraca, um pouco envergonhado, acho eu.
— Não, claro que não. Chegaram até cedo, muito cedo. Mas pode entrar.
Abrindo passagem, entramos e ficamos no corredor. Ela nós guiou até a sala e pediu que esperássemos um pouco que ela chamaria seu marido, o inimigo mortal de meu pai... É agora que as coisas vão ficar muito serias... Muito serias mesmo.
Com um breve aceno para que nós nos sentássemos, não recusei e fiquei neutro, alias... Quem iria se meter nisso? Não demorou muito para que ambos começassem uma conversa civilizada e com ignorância, logo os dois partiram para o tal “escritório” que ficava ao lado da sala, e eu fiquei ali, olhando o teto e os detalhes da madeira talhada em urso.
— Quer alguma coisa Soluço? – olhei em direção mãe de Merida, Elinor.
— Não, obrigado. Acho que eu vou ficar aqui esperando sabe? – Dei um sorriso meio sem graça.
— Deve ser chato para você estar aqui não é? Podia estar fazendo outras coisas como estudar para alguma prova ou se divertindo com seus amigos.
— Senhora Elinor, melhor eu ficar aqui do que fazer alguma besteira na rua – Seu olhar se aliviou ao ouvir que eu não me incomodava muito.
— Entendo. Merida deve chegar logo... Ela nunca demora... Ah! Fergus!
Meu pai e o senhor DunBroch apareceram na sala, ambos entraram na sala com um clima tenso sendo trazido com eles. Quando Elinor sussurrou algo em seu ouvido, pelo que se parecia a noticia Fergus se alarmou um pouco e Elinor se retirou.
— Então você estuda na mesma escola que minha filha, não é Soluço? – Estranhei a pergunta dele.
— Sim, ele estuda – Interrompido pelo meu pai, fechei a boca. Antes de sequer pensar em tentar falar algo novamente fui cortado – Deveria saber não é? É sua filha.
Falou ironicamente, deixando o homem a nosso frente visivelmente irritado. Eu acho que não podia ficar pior. Bem com dois rivais se olhando de modo mortal não é tão ruim assim, ou é?
Eu não sabia para que direção olhar ou enfiar minha cara, queria poder dar uma desculpa e falar que iria ao banheiro, mas seria a desculpa mais esfarrapada do mundo. Sem mais ideias e desculpas para sair dali, ouvi um curto dialogo e entre isso ouvi uma voz conhecida, da qual fez me fez gelar por dentro.
Era Merida.
Racionei rapidamente, Merida tem o gênio forte e é teimosa como uma mula. Mas com o passar da semana e com as loucuras na escola ela tinha mudado um pouco suas atitudes, o que a torna imprevisível.
Aparecendo na porta da sala, seu olhar foi de mim aos nossos pais. Acompanhei e vi que ambos mantinham o olhar desafiador um para o outro.
Agora a pergunta que não cala: Por que ambos têm essa rivalidade? Eu sei que nunca fui de perguntar assuntos que envolvem meu pai, mas estávamos na casa de Fergus, pai de Merida.
— Oi... – Ergui a mão em aceno e ela respondeu tensa.
— Olá... Será que a gente pode conversar só por um instante? – Olhei confuso com o pedido dela e concordei, levantando-me e saindo do cômodo.
— Se demorarmos um pouco mais é bem capaz deles se matarem...
— Eu sei... – Suspirou – Você está diferente...
— Eu? Merida acho que você deve está com febre, pois quem está diferente é você não é? – Arqueei a sobrancelha.
— Não nesse sentindo, andamos meio distantes. Eu, você, o Jack e a Rapunzel...
— A loira está mais ferrada que nós três juntos... – Concordei mentalmente com ela.
— Mas agora a situação é um pouco diferente também, nossos pais vão fazer uma carnificina no jantar – Riu sem graça.
— Eu vou jantar numa mesa com pessoas olhando para mim e conversando como uma família grande e feliz. Por Odin, eu vou jantar e nem anoiteceu direito... – Resmunguei, fazendo-a rir.
— Uma família grande e feliz? Só se for a mais estranha da qual você já viu... – Não aguentei e ri um pouco também.
— Melhor irmos para a cozinha pelo menos, devem estar dando falta da gente – Concordando com o que eu disse, seguimos do corredor até a sala para ver se Fergus e Stoick ainda estavam lá. Como não estavam, fomos à cozinha.
Eu poderia falar que tudo iria ser normal, mas depois dos dez segundos naquele lugar me fizeram mudar de ideia.
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