The Darkness is coming
5 Guardar rancor não faz bem a ninguém
Notas iniciais
P.o.V. Abby
– Vamos mesmo entrar ai, não vamos? — Lily perguntou um pouco receosa com a ideia.
– É o nosso trabalho. — Dean disse, enquanto nós descíamos do carro.
Eram mais ou menos umas dez da noite e nós quatro tínhamos acabado de parar em frente à casa abandonada onde os crimes tinham acontecido. Eu podia muito bem chamar aquilo de mansão, tinha dois andares e parecia realmente enorme, apesar da pintura das paredes estarem descascadas pelo desgaste do tempo dava para perceber que tinha sido mais do que bonita um dia.
A casa se localizava no fim de uma rua estreita em um bairro mais afastado da cidade e era rodeada por muros altos onde várias plantas se embrenhavam. Paramos em frente ao portão de ferro que tinha uma enorme placa dizendo "Entrada proibida".
– Típico. — comentei observando-a — Como se alguém fosse respeitar uma placa.
– Melhor só dois de nós entrarmos. — Sam disse fazendo com que nos virássemos para ele — Se o que quer que esteja ai dentro desperta o rancor das pessoas, então seríamos um alvo fácil estando juntos.
– Eu é que não vou entrar ai. — Lily falou
– Então vocês ficam aqui e eu entro. — Dean determinou.
– Eu vou com você. — me ofereci — Não acho que entrar sozinho lá dentro seja uma boa ideia.
– E você me seria de grande ajuda. — comentou com sarcasmo e eu revirei os olhos.
– Dean ela tem razão.
Ele encarou o irmão por alguns instantes parecendo considerar a ideia e por fim suspirou.
– Tudo bem. — declarou — Você vem comigo.
Tive que me controlar para conter a empolgação que me bateu, sempre sonhei participar de uma caçada mesmo sabendo que poderia morrer facilmente.
– Se alguma coisa der errado... — Sam alertou e Dean concordou com a cabeça.
– Damos um jeito de avisar.
Nisso nós pulamos o portão de entrada, eu com um pouco de dificuldade já que eu não saia por ai pulando portões no meu tempo livre, e fomos em direção à porta da frente que praticamente não existia mais.
– Meu Deus, acho que vou congelar aqui dentro. — reclamei quando entramos, mesmo estando usando uma jaqueta bem grossa.
– Devia voltar para lá.
– Boa tentativa, mas não vai se livrar de mim assim.
– É o seguinte. — ele disse me encarando e tirando uma arma que estava escondida na cintura logo me oferecendo — Se vir alguma coisa atire primeiro, pergunte depois.
Assenti pegando-a com cuidado afinal eu nunca tinha segurado uma arma antes e do jeito que eu era seria bem fácil atirar sem querer.
Enquanto andávamos percebi que Dean estava com aquele aparelho que detectava se havia frequências que indicavam a presença de espíritos ao redor.
– Parece que realmente tem alguma coisa aqui. — comentei vendo que aquilo não parava de piscar.
Continuamos adentrando a casa e eu sempre tomava o cuidado de me colocar atrás dele, mas a não ser o frio insuportável não havia nada de anormal por ali.
– O que quer que seja não vai aparecer para nós. — ele disse depois que vasculhamos todo o primeiro andar — Não temos rancor ou mágoas um com o outro.
– Se nos deixarem muito tempo sozinhos com certeza vão arrumar rancor o bastante.
Ele apenas revirou os olhos para a minha atitude infantil.
– Me espera aqui. — disse — vou dar uma olhada lá em cima.
Concordei com a cabeça e ele logo subiu. Resolvi dar mais uma volta pela casa, mesmo sabendo que a noite aquele lugar era muito sinistro. Acabei reparando em um porta retrato caído no chão que eu não tinha visto antes e o peguei, dava para ver a imagem de um homem e uma mulher que sorriam vendo os dois filhos brincarem, mas percebi uma figura ao fundo que parecia um homem mexendo no jardim e olhando de relance para a cena que se passava.
– Abby! — Dean chamou.
– Estou aqui. — respondi e ele logo apareceu na porta do cômodo onde eu estava.
– Pensei que tivesse dito para me esperar lá.
– Calma, eu só resolvi dar mais uma olhada por ai.
– Sabe que se acontecesse alguma coisa com você eu nem saberia.
– Nossa quanto drama. — revirei os olhos — Até parece que estava preocupado. Se algo tivesse acontecido você se livraria de um fardo.
– Também não é bem assim. — reclamou.
– Então como é? — ele apenas me encarou por alguns instantes parecendo escolher bem as próximas palavras.
– Você achou alguma coisa? — ele resolveu fugir da pergunta mudando de assunto e eu decidi deixar passar.
– Acho que não.
– Então é melhor voltarmos.
Assenti e o segui para fora da casa, mas no meio do caminho do jardim me dei conta de algo e parei.
– Dean. — falei fazendo ele se virou para mim e se aproximou já que ele estava um pouco à frente — O que exatamente sabemos sobre a casa?
– Que era onde morava uma família bem conhecida na cidade nos anos noventa, mas há dez anos todos foram encontrados mortos por envenenamento. — explicou.
– E todos foram cremados. — conclui.
– Inclusive os empregados.
– Quais empregados?
– Por que a pergunta? — ele perguntou parecendo intrigado.
– Só responde.
– O de sempre. — deu de ombros — O mordomo, a empregada e as cozinheiras.
– Tinha algo sobre um jardineiro?
– Não que Sam tenha achado.
– Na foto que eu estava segurando aparecia toda a família e ao fundo parecia haver um homem mexendo com as plantas. — expliquei — Acho que ele tem algo a ver com tudo isso.
– Por que acha isso?
– É um pressentimento, o jeito como ele olhava para a família da foto não parecia muito agradável.
– Amanhã nós vamos procurar alguém que tenha conhecido a família. — disse — Você pode perguntar sobre isso.
Eu balancei a cabeça concordando e nós logo voltamos para o carro onde os dois pareciam estar conversando distraidamente, quase não perceberam a nossa volta até entrarmos no carro.
– Vocês demoraram. — Sam comentou enquanto Dean já começava a dirigir de volta para o hotel.
– Eu estava quase pirando aqui. — Lily reclamou e eu ri — Não ri não, eu realmente achei que algo tinha acontecido.
– Eu disse que ela estava exagerando. — explicou — Mas e ai acharam alguma coisa?
Dean começou a contar tudo o que vimos e eu expliquei a teoria que eu tinha sobre o jardineiro ter algo haver com toda essa história. Sam concordou em esclarecer melhor essa questão amanhã e disse que era algo bem possível.
Sorri me sentindo feliz por ter ajudado e acabei olhando para o espelho do carro percebendo Dean me encarando pensativo, mas ele logo desviou o olhar de volta para a estrada.
***
No dia seguinte nós saímos cedinho para ir investigar mais sobre a história da casa e mais uma vez decidimos nos separar. Eu e Dean iriamos falar com a antiga governanta que trabalhava na casa e ainda morava na cidade, enquanto isso Sam e Lily iriam até a delegacia saber mais sobre a morte da família.
– Acha que ela vai acreditar nisso? — perguntei andando ao lado de Dean indo em direção a porta da frente da casa onde a governanta, senhora Eleonor Elliots morava.
– Claro que vai. — falou prestes a bater na porta — É só ficar no papel e tentar não estragar tudo.
– Ótimo conselho. — disse irônica e ele me ignorou.
Logo após eu dizer isso a porta foi aberta e uma mulher ruiva que aparentava ter uns cinquenta anos apareceu.
– Pois não? — perguntou.
– Senhora Elliots? — Dean perguntou e a mulher assentiu — Eu sou Dean e essa é Abby, trabalhamos em um jornal pequeno do estado e soubemos que você trabalhou na casa antiga onde vem ocorrendo uma série de assassinatos.
– Sim, mas isso foi há muito tempo.
– Será que a senhora nos deixaria fazer algumas perguntas sobre a época em que trabalhava lá? — perguntei.
– Realmente não entendo qual seria o objetivo disso, mas claro. — falou nos dando passagem para entrarmos na casa.
Ela pediu que nos sentássemos em um dos sofás da sala enquanto ela ficava no sofá a nossa frente.
– Bem senhora Elliots. — Dean começou — A senhora trabalhou naquela casa por quanto tempo?
– Uns dez anos. — ela respondeu depois de pensar um pouco — Sai de lá um ano antes daquela tragédia acontecer.
– Enquanto trabalhava lá você sabia de alguém que talvez pudesse querer machucar a família? — perguntei.
– Não que eu me lembre. Eles eram boas pessoas e sempre tratavam todos muito bem.
– Tem certeza de que não havia nada de estranho? — insisti e ela ficou um pouco pensativa — Tente se lembrar de qualquer detalhe.
– Bem, corria um boato entre os funcionários, mas nada nunca foi comprovado.
– Que boatos? — agora era Dean quem havia perguntado.
– Todos sabiam que a senhora Filds, dona da casa, não tinha ficado primeiramente com o homem que se casara. Todos diziam que ela tinha um caso com o homem que trabalhava de jardineiro para sua família e até planejava se casar com ele, mas que ela havia desistido da ideia o abandonando depois que encontrou um casamento mais vantajoso.
– Pode se dizer que ele não deve ter aceitado muito bem tudo isso, não é? — perguntei e ela assentiu — A senhora acha que esse era o mesmo jardineiro que trabalhava para a família na época em que morreram?
– Não sei dizer. Como eu já tinha dito era apenas um boato que circulava.
– Entendo. — falei e nós dois nos levantamos — Obrigada por nos reservar um pouco do seu tempo.
– Disponha. Venham, eu os levo até a porta.
Ela nos guiou até a entrada da casa e nos despedimos seguindo nosso caminho de volta para o Impala que estava estacionado do outro lado da rua.
– Pelo menos temos uma pista de quem poderia ser o nosso fantasma. — falei enquanto entrava no carro me sentando no banco da frente.
– Espero que Sam tenha conseguido algo de útil.
Dito isso ele voltou a dirigir em direção ao hotel.
***
– Parece que você estava certa quanto ao jardineiro ser um suspeito. — Sam disse.
Estávamos formando meio que uma roda de conversa no quarto do hotel.
– Se isso realmente aconteceu ele tinha vários motivos para guardar rancor. Ele talvez tenha feito de tudo por ela para no final ainda ser trocado. — Lily disse.
– Sem contar o fato de ter que observar todos os dias a felicidade dela com outro. — completei — Qualquer um acabaria guardando rancor e no caso dele ele não pôde extravasar a raiva que sentia.
– Então quando encontra alguém com qualquer tipo de raiva ele a faz solta-la. — Dean concluiu e se voltou para o irmão — O que exatamente aconteceu com ele depois da morte da família?
– Ele foi considerado um suspeito e se matou no dia seguinte com um tiro na cabeça no porão da casa em que trabalhava. — Sam respondeu — O corpo foi enterrado no cemitério da cidade, mas consta nos documentos que ele estava sem uma das mãos.
– Não adianta nada queimarmos o corpo se ele não estiver inteiro. — Dean reclamou.
– Talvez devêssemos voltar até a casa. — sugeri — Foi lá que ele se matou então a mão dele também pode estar por lá.
– Vamos fazer isso enquanto ainda é dia. — Sam disse e todos concordamos.
***
Sam estava procurando no jardim do lado de fora da casa enquanto nós três olhávamos o lado de dentro. Dean tinha ido até o porão, Lily estava no primeiro andar e eu estava no segundo, já fazia meia hora que estávamos procurando pela mão, mas não achamos nada e aquele ar frio congelante não estava ajudando muito.
Escutei Sam chamar o Dean do lado de fora e ele sair até o jardim atrás do irmão.
Nesse momento escutei o que parecia ser um grito vindo de lá de baixo.
– Lily? — chamei perto das escadas, mas não obtive uma resposta.
Desci devagar e percebi que a porta da frente parecia estar bloqueada por um pedaço de madeira e uma cômoda antiga, mas o que me importava mais no momento era achar a Lily. Vi que a porta que dava para o porão estava aberta e estava prestes a descer quando a voz de Dean me fez parar.
– Abby! — ele gritou parecendo chutar a porta — Não importa o que ouça não desça até o porão!
–Abby! Socorro! — era a voz da Lily vinda de baixo.
– Eu tenho que ajuda-la! — gritei e senti como se algo me atraísse até o lugar de onde a voz vinha.
– Abby, não!
Dessa vez eu não parei e simplesmente desci as escadas o mais rápido que eu pude, mas a principio não vi nada.
– Achei que nunca viria. — dei de cara com a Lily atrás de mim com uma cara nada boa — Afinal você nunca se importou realmente comigo.
– Lily essa não é você. — disse recuando um passo.
– Acredite sou eu de verdade. E está na hora de acertarmos as contas.
"'Cause baby, now we got bad blood
You know, we used to be mad love
So take a look what you've done
'Cause baby, now we got bad blood, hey
Now we got problems
And I don't think we can solve 'em
You made a really deep cut
And baby, now we got bad blood, hey"
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