Notas iniciais
Eaí povo! Como vão? Pois é, já tinha esse capítulo pronto e não postei antes porque estava ocupado. Mas, agora que posso postar, desejo uma boa leitura!

Por um momento, os grupos encaravam um ao outro, os analisando.

O Slender estava surpreso, o Jeff enfiara a mão no jeans, acariciando o cabo da faca. A Jane levara a mão até o cinto, e agora sua mão mexia nervosamente por dentro dos cintos. O BEN arqueara as sobrancelhas, e um relampejo de medo surgiu em seus olhos, mas que logo foi substituído por frieza. O Gancho estava surpreso, ao mesmo tempo em que os encarava com severidade.

– O que vocês querem? – perguntou suavemente o Slender, os encarando.

– Ah, simples... Queríamos roupas para frio extremo. Sabe, queremos uma audiência com o Lorde dos Mortos. – disse Mary, sorrindo.

– Ah, sério? – perguntou o Slender, surpreso. – Nós também queremos conversar com ele...

Mas Wendigo o interrompeu:

– Infelizmente, recebemos ordem de não deixar ninguém nos seguir...

Mary completou:

– ... Portanto, não podemos deixá-los ir para lá também. – Ela sorriu maliciosamente, os olhando com os olhos cintilando.

O Slender abriu a boca para falar algo, mas então os vidros da loja explodiram em milhões de cacos.

A atendente gritou, aterrorizada, e mergulhou para debaixo do balcão. Os outros clientes gritaram e guincharam, enquanto caíam no chão para se protegerem dos vários pedaços minúsculos que voavam para todos os lados.

Mary levou a mão ao cinto de couro e sacou um revólver calibre 38 de cano longo e elevou a mira á cabeça do Slender. Ele se lançou contra ela, e na fração de segundo seguinte, ela disparou.

A bala atingiu a parede e ricocheteou em estilhaços que arranharam o braço de BEN e do Jeff. O Jeff e a Jane sacaram suas facas. O BEN sacou a espada e da luva d’O Gancho, um gancho de ferro brotou.

Wendigo produziu um som que era meio grunhido e meio gorgolejo e avançou em BEN e no Gancho. No meio do ar, enquanto avançava neles, suas unhas se alargaram cinco centímetros e engrossaram, se transformando em garras negras. Seus braços e antebraços se alargaram. Os antebraços e os braços mediam meio metro, cada um. O dedo mindinho pareceu encolher e entrar na mão, ao mesmo tempo em que os outros dedos engrossavam um pouco. Pelos castanhos cresceram no rosto de rosto de Wendigo, mas não foram muitos, apenas cobrindo as maçãs do rosto e a testa.

Ele balançou o braço esquerdo como se fosse uma espada, e atingiu o dorso da mão no rosto de BEN, jogando-o em uma parede e fazendo-o bater a cabeça nesta, em seguida, o Gancho girou e abriu um corte horizontal com sue gancho no peito de Wendigo, fazendo-o rugir de dor como um urso e verter sangue, que encharcou o terno cinza dele.

Ao mesmo tempo, Mary dava uma joelhada na testa do Slender, fazendo-o ficar tonto, e no instante seguinte, Mary chutou a lateral da cabeça dele, jogando-o ao solo, zonzo, doído e desconcentrado. Mary rapidamente pisou as suas costas. Em seguida, a faca da Jane atingiu seu ombro direito. A precisão da Jane se mostrara excelente, mas a Mary olhou para a faca, agora úmida com seu sangue, com uma expressão como aquela quando um adulto olha um bebê que começa á chorar sem motivo. Em seguida, ela riu e agarrou o cabo da faca e o puxou, retirando a faca do ombro que esguichava sangue. O Jeff avançou nela, brandindo a faca. As duas lâminas se encontraram e fizeram faíscas no impacto. A faca do Jeff cortou o ar, raspando a blusa de Mary. Em seguida, Mary girou e ergueu a faca da Jane, aparando o golpe seguinte do Jeff. Ela abaixou a faca, e o Jeff saltou ao lado e escutou o silvo da faca passando do seu lado, no lugar onde estava antes.

A Jane olhou desesperadamente para os lados, em busca de alguma coisa que pudesse usar como arma. Ela agarrou um manequim pelo suporte de madeira e o ergueu acima do solo. Era um pouco pesado, mas ela conseguia dar conta.

As pessoas na rua se viraram. De início, não compreendiam o que acontecia. Então gritaram e eles começaram á entrar em pânico. Uns dois policiais que andavam por perto sacaram as pistolas e foram ver a comoção. Ao ver a cena de luta, eles miraram as armas nas costas dos grupos que lutavam, e gritaram:

– PAREM E SAIAM DAÍ DE MÃOS PARA O ALT...

Mas não pôde continuar a frase, pois Wendigo virara a cabeça na direção dele. Os óculos de aros de metal tinham se fundido á carne e desaparecido por completo. As lentes de âmbar se grudaram aos olhos e diminuíram de tamanho, transformando seus olhos com íris douradas para olhos completamente amarelos. Seu nariz tinha se distorcido e agora era o focinho de um alce, e sua carne mudou de cor até assumir uma cor marrom. Os dedos eram grossos e marrons, e cada um media trinta centímetros, exceto o polegar, que media vinte e três. Os pelos agora envolviam o rosto do homem por completo. Dos seus cabelos que ganhavam um tom castanho, brotaram galhadas, como aquelas dos alces. Suas orelhas também eram iguais as dos alces. Seu terno tinha desaparecido e dado lugar á pelos castanhos. Seus sapatos tinham sumido e dado lugar á patas de três dedos grossos com garras negras. O seu peitoral revelava as costelas que seguravam os órgãos. Wendigo crescera, e agora tinha 2,10 metros.

Os policiais ficaram completamente pálidos e um deles murmurou:

– Meu Deus...

Wendigo urrou. Seu urro era como se um urso, um alce e um humano tivessem todos urrado ao mesmo tempo, juntos com um amplificador de som.

Os policiais dispararam. As balas atingiam os pulmões expostos do Wendigo, o coração, a cabeça, os braços. Mas ele continuava avançando, sem sequer se alterar.

Os policiais gritaram de medo, mas não tiveram tempo de fugir. Wendigo agarrou um pelo colarinho com os dedos da mão esquerda e o ergueu no ar. O companheiro do policial estava petrificado de medo, com uma expressão de horror na cabeça, enquanto o outro policial gritava em pânico.

Mas parou de gritar quando Wendigo apertou sua garganta com a mão distorcida direita. O homem emitiu um grito estrangulado e Wendigo puxou a mão direita, arrancando boa parte da garganta do homem.

O cadáver do homem caiu frouxamente no solo, com a cabeça pendendo para um lado e com os olhos fitando o céu sem vê-lo, e da sua garganta, jorrava uma cachoeira de sangue.

O outro policial recarregou a pistola e começou á disparar na cabeça de Wendigo sem parar, em puro desespero. O homem gritava, enquanto recuava:

– NÃO! NÃO! NÃO!

Wendigo sorria malignamente, ignorando O Gancho e BEN, que iam ás costas dele.

Wendigo ergueu uma mão, e uma sombra caiu sobre o homem, mas nesse instante, BEN pulou e caiu sobre a nuca de Wendigo, e então ergueu a espada e trespassou a parte de trás da cabeça de Wendigo.

Wendigo grunhiu de dor, então desceu o braço que estava erguido. O policial foi esmagado instantaneamente, e no chão tinha uma poça de sangue com um corpo quebrado, preso no chão, no lugar do policial. O Gancho avançou e golpeou a lateral de Wendigo, cortando seu rim e fazendo sangue jorrar.

Wendigo rosnou e girou. Seu antebraço atingiu o Gancho e o lançou contra uma parede. O baque foi doloroso e audível, mas o Gancho se levantou no instante seguinte, somente um pouco tonto. BEN gritou:

– SEGUUUURA PEÃO!

Infelizmente, Wendigo escutara. Ele grunhiu e agarrou BEN com a mão esquerda, e BEN exclamou:

– Ah, merda!

Então BEN foi arremessado em umas latas de lixo, que espalharam seu conteúdo no chão quando BEN as atingiu.

Enquanto isso, o Jeff estava em maus lençóis. Mary virara a lâmina da faca para baixo e golpeara onde o Jeff estava, mas ele escorregara para o lado, evitando a ponta letal por centímetros.

Ele conseguiu abrir um corte no torso dela, mas Mary riu, como se ele tivesse contado uma piada.

A Mary então golpeou horizontalmente, e Jeff se abaixou. Ao se levantar, ele aproveitou para golpear com o cabo da faca o queixo de Mary. Mary jogou a cabeça para trás quando ela foi atingida. Jeff aproveitou o momento de fraqueza e cravou a faca no seio esquerdo dela. A Mary ergueu a cabeça e olhou para o Jeff, com uma expressão de deboche.

– É só isso que sabe fazer, Jeff? – ela zombou.

No instante seguinte, ela cravou a faca no pulso da mão direita do Jeff. Ele gritou de dor e largou a faca, então Mary largou a faca também e agarrou os ombros do Jeff, então lhe deu uma joelhada no estômago e o empurrou.

– Agora, vamos continuar a lição. – ela ronronou, enquanto socava o rosto do Jeff.

Jeff virou a cabeça e cuspiu um dente, então voltou á olhá-la, com o sorriso insano. Ele ergueu o punho esquerdo e tentou socar a cabeça de Mary, que se esquivou agilmente e aplicou um direito certeiro na barriga do Jeff, que se curvou de dor.

– Estou desapontada, Jeff. Eu esperava mais de você. – ela disse, aborrecida, enquanto agarrava a nuca do Jeff e dava uma joelhada em sua garganta. O Jeff engasgou-se e segurou o pescoço, mas Mary socou sua cabeça, jogando-o ao solo.

– Eu amo resolver as coisas desse jeito... – ela disse com um sorriso maníaco, enquanto estendia a palma da mão direita. Na mão direita dela, tinha o pentagrama da estrela de cinco pontas virada para baixo, em cor vermelha. Do centro da estrela – um pentágono – emergiu uma pequena lâmina de vidro, que crescia cada vez mais, até formar uma grande lâmina de espada que rompera sua mão. Ela agarrou a lâmina e quebrou sua base. Sua mão fechou-se novamente sobre o corte feito pela lâmina. Ela girou a lâmina brilhante nas mãos.

– Bonita, não? – perguntou ela. Ela pisou no peito do Jeff e ergueu a lâmina, então disse: — Não se preocupe. Vou colocar belos lilases no seu caixão.

– Coloque rosas. São mais bonitas. – disse o Jeff. – E tem a cor do sangue.

– Boa escolha. – considerou Mary. – Certo... Vamos resolver isso agora.

Porém, uma mão pálida puxou a lâmina de vidro de suas mãos. Mary se virou, aborrecida.

– Que fo... – Nesse instante, alguém golpeou sua cabeça com um manequim. Mary caiu, com a cabeça úmida com sangue, e Jeff perguntou, incrédulo:

– JANE?!

Ela tinha uma expressão de imenso desgosto, e então largou o manequim, que tinha uma mancha de sangue. Ela voltara ao normal, assim como o Jeff.

– Se for para você morrer, vai ser pela minha mão. Não vou deixar ninguém me roubar esse prazer. – disse a Jane, o olhando com desdém.

O Jeff teria sorrido.

– Quer dizer que quer me deixar vivo? Que linda...

Mas então a Jane chutou sua virilha. O Jeff uivou de dor, e a Jane resmungou:

– Repita isso que você vai ver onde vou espetar essa coisa de vidro.

– Está bem, está bem... – ofegou o Jeff, se levantando e recolhendo a faca com a mão esquerda, sendo que a direita estava inutilizada.

Mary se levantara, com um filete de sangue escorrendo da boca.

– Agora vocês vão ver... – ela resmungou. A Jane a viu e tentou dividir seu crânio horizontalmente com a lâmina de vidro, mas Mary segurou a lâmina com dois dedos da mão direita, e então ela ergueu o punho esquerdo, pronta para atingir a Jane, mas uma pessoa segurou seu punho.

Ela virou a cabeça com ferocidade, e viu um elegante homem de negócios...

– Slender?! – perguntou ela, descrente.

– Sim, eu. – disse com a voz calma. – Antes eu estava tonto, agora estou em plena forma. Vamos ver agora do que você é feita, Mary.

Seu rosto e cabelos lentamente pareciam afundar na cabeça, com pedaços de pele branca cobrindo a boca, olhos, ouvidos, até que, por fim, fosse apenas a plana cabeça pálida novamente. Ele voltara ao normal.

Á poucos metros de distância, BEN, em vez de se levantar depois que caíra sobre as latas de lixo, começou á flutuar. Ele guardara a espada, e em suas mãos agora erguidas á altura das costelas, ele tinha uma aura vermelha as inundando.

– You should not have done that... – ele disse, com um sorriso demente dos lábios e com a cabeça pendendo levemente para o lado esquerdo, enquanto seus olhos voltavam á ficar negros com as pupilas vermelhas, e as roupas voltavam ao normal. Chamas vermelhas apareceram dos dois lados de Wendigo. O Wendigo só teve um momento para contemplar o calor súbito, antes que as chamas se fechassem sobre ele como se fosse uma muralha. O Wendigo urrou enquanto era imolado pelas chamas, mas então as chamas foram mandadas para todos os lados em ondas que queimaram alguns humanos, mas que só chamuscaram O Gancho, que se lançara ao solo no momento em que as chamas começaram á se agitar. Ele também voltara ao normal.

Wendigo estava com as mãos para os lados, como um pássaro prestes á alçar voo. Em suas mãos, crepitava uma energia negra esfumaçada, como nuvens de tempestade. Ele cheirava á carne queimada, e fumaça emanava do seu corpo e da sua carne agredida e queimada.

Ele juntou as mãos e soltou uma descarga de energia no BEN. O projétil se assemelhava á um torpedo negro. O imenso torpedo atingiu a barriga de BEN e a atravessou, fazendo o sangue esguichar para todos os lados. BEN arquejou. No instante seguinte, o torpedo explodiu.

A explosão levantou uma imensa nuvem de poeira, que engoliu á todos ali presentes. O Gancho lentamente recobrava a consciência. O que acontecera? Ele forçou a memória, tentando se lembrar. Então se lembrou da explosão, de Wendigo. Ele ficou alerta, andando cauteloso. A poeira lentamente se dissipava, e quando desapareceu, deixou um horrendo espetáculo á frente do gancho. Uma imensa cratera, com uma mistura de veículos e pedra destruídos, detritos do esgoto, sangue, cadáveres e água. A mistura era de um vermelho-escuro assustador, com ocasionais ossos e cadáveres flutuando na poça. O Gancho se curvou e vomitou. O que o fizera vomitar não fora a vista, e sim o cheiro. O cheiro era horrível.

Ele tossiu mais algumas vezes, quando sentiu uma imensa presença em suas costas. Ele se virou e se deparou com Wendigo. Ele encarava O Gancho de forma satisfeita.

– Agora, vou cuidar de você. – disse Wendigo, erguendo o pé para chutar O Gancho, que se esquivou por muito pouco. A voz do Wendigo parecia que três homens adultos falavam ao mesmo tempo. O Gancho aproveitou e chutou o quadril de Wendigo. Wendigo grunhiu de dor e se afastou, O Gancho aproveitou o curto espaço de tempo para rodear Wendigo e ficar lado-a-lado dele, então Wendigo se lançou de novo na direção dele e colocou o antebraço esquerdo na garganta do Gancho, e o empurrou em direção de um carro numa velocidade assustadora. O Gancho bateu as costas no carro, com Wendigo pressionando o braço em sua traqueia. Ele sufocava, lutando para respirar e afastar os braços de Wendigo, mas não conseguia. Então cravou o gancho de ferro no antebraço direito de Wendigo, que grunhiu de dor e afastou um pouco esse antebraço, e então o Gancho golpeou com brutalidade o antebraço esquerdo do Wendigo, que arquejou de dor e se afastou do Gancho, que socou sua barriga com o punho esquerdo. Wendigo se afastou, mas então ele colocou as duas mãos na garganta do Gancho e o ergueu acima do solo. Wendigo reservava ao Gancho o mesmo destino do primeiro policial que tentara lutar contra Wendigo.

Wendigo se aproximou da borda da cratera, para lançar o cadáver do Gancho lá depois que o matasse. O Gancho sufocava, e ele sabia que Wendigo o mataria em pouco tempo. O Gancho já sentia as garras de Wendigo começando á penetrar sua garganta, sentia o sangue fluir pelas feridas. Então o Gancho ergueu a mão direita e fez um longo e fundo corte no braço esquerdo do Wendigo. Ele urrou de dor e afastou o braço do Gancho, que abateu o cotovelo no antebraço do Wendigo, provocando um choque, e ele se aproveitou disso e se abaixou o suficiente para atingir o gancho dele no pescoço do Wendigo. O Wendigo gorgolejou, surpreso, e então o Gancho girou e se torceu no ar, fazendo o Wendigo largá-lo. Então o Gancho usou sua força sobre-humana e ergueu o Wendigo no ar usando o gancho que estava preso em sua garganta, cuja ponta saía pela boca do Wendigo, e o arremessou para dentro da cratera, fazendo o gancho abrir ainda mais sua garganta quando retirou o gancho com um puxão, e seu corpo caiu na mistura ácida lá embaixo, que ferveu ao receber aquele novo corpo, e o Wendigo não saiu de lá.

O Gancho ficou lá, ofegando para se recuperar. Lá por perto, outra batalha ocorria.

Mary tinha dificuldade com lidar com o Slender Man, um Jeff the Killer ferido e a Jane the Killer ao mesmo tempo.

O revólver dela caíra no solo quando o Slender mergulhara para atingi-la, portanto, ela tinha perdido uma boa arma de longo alcance. Mas de suas mãos, tinham se estendido duas lâminas compridas de vidro, e ela lutava para aparar golpes das facas de Jeff e Jane, ao mesmo tempo em que tinha que tomar cuidado especial com o Slender.

O homem alto aparecera na frente dela e quatro seis tentáculos negros aparecerem de suas costas. Os tentáculos se agitavam por conta própria, como se tivessem vida própria. O Slender não se mexera um músculo, mas seus tentáculos trabalhavam. Enquanto dois deles se ocupavam de desarmar a Mary, um estapeava sua face, e o outro penetrava os rins dela.

Por fim, Mary apontou uma das mãos no Slender. Seu pentagrama cintilou com uma luz vermelha. Sangue rompeu da palma da mão dela e atingiu o Slender em um jato concentrado, fazendo-o vacilar, então ela afundou as duas estacas de vidro no peitoral do Slender. Ao contrário dos outros, nenhum sangue escorreu. Na verdade, nada aconteceu, além dos furos no terno dele. Através deles, era possível ver nada além de um monte de carne branca, sem nada no interior.

O Slender estapeou-lhe a face com o dorso da mão. Mary virou a cabeça e cuspiu um dente, e ao voltar á olhar para frente, não viu mais o Slender, e sim o Jeff e a Jane se aproximando lentamente, com as facas cintilando.

Porém, atrás dela, o Slender reaparecera. Ele agarrara a nuca dela e a erguera no meio do ar. Mary deixou uma exclamação de surpresa escapar-lhe, e o Slender arremessou-lhe pela janela da loja. Ela saiu voando e quebrou a parede de tijolos numa casa próxima.

Os tentáculos do Slender recolheram-se de volta ás suas costas.

– Vamos! – sibilou, saindo da loja á passos apressados. A Jane e o Jeff o seguiram.

Porém, das costas deles, eles escutaram um grito sobre-humano. O Jeff virou a cabeça para trás e disse, preocupado:

– Ahn... Pessoal, não quero preocupá-los ainda mais, mas acho que Mary ficou com raiva...

O Slender virou a cabeça branca junto com a Jane, e viram que Mary estava longe deles, mas os olhando fixamente. Sua aparência tinha mudado completamente. Tinha olhos completamente negros, pupilas vermelhas e íris cor de vinho. Dos seus olhos, escorria um líquido negro. Ela tinha perdido a blusa e a jaqueta, e agora ela usava um sutiã roxo, mas cacos de vidro afiadíssimos saíam de seus seios, do torso, dos braços e das costas. Na testa, acima da sobrancelha direita, tinha crescido um caco particularmente grande. Em seu queixo, tinha crescido uma pequena lâmina de vidro, e em sua bochecha esquerda também tinha um caco pequeno de vidro. Das partes que o vidro emergia, tinha sangue escorrendo. Em suas mãos, ela tinha um par de Sais, e agora ela corria na direção deles, com uma velocidade sobrenatural, soltando gritos desumanos enquanto sorria de forma maníaca. Seus cabelos estavam completamente laranjas, e se agitavam como fogo.

O Slender exclamou, pela primeira vez, parecendo perturbado:

– Corram! – Ele disparou, segurando os braços do Jeff e da Jane.

Enquanto corriam, eles se depararam com uma imensa cratera cheia com uma substância líquida que fervia por lá. Ela parecia ter sido feita de sangue, cadáveres, detritos de esgoto, entre outras coisas.

A Jane colocou a mão na boca e tentou não vomitar, enquanto o Jeff torcia o nariz destruído. O Slender continuava estoico.

– Pelo poder do Mente Mestre... O que aconteceu aqui? – perguntou o Jeff, admirado.

O Slender disse-lhe:

– Deve ter sido Wendigo. Ele poderia ter feito isso.

No meio de toda a multidão em pânico, o grupo abria caminho por causa da sua incrível aparência. O Jeff e a Jane golpeavam com facas qualquer um que se metesse em seus caminhos ou que tentasse lutar com eles.

Eles escutaram (O Slender podia escutar e sentir cheiros, sim. Mas não de forma convencional) o reconhecível barulho de veículos policiais e veículos de guerra começaram á encher o local. Os cidadãos pareceram ficar um pouco mais aliviados, mas ainda estavam em um caos completo.

– Temos que sair daqui, e rápido. – disse o Slender, virando a cabeça plana para os lados.

– Tá, mas cadê o BEN e o Gancho? – perguntou a Jane, exasperado.

O Slender apontou o dedo indicador para um homem grande, de chapéu que lhe ocultava os olhos.

– Ali. – disse o Slender, em seguida ele disparou entre as pessoas, empurrando quem estivesse no caminho.

Quando estavam perto dele, o Gancho se virou na direção deles. O Jeff imaginou como conseguia enxergar de alguma outra forma ou se tinha um rastreador na bunda. Mas não estava na hora de perguntar, no instante seguinte o homem disse com sua voz rascante:

– Slender, o que houve?

– Mary nos atacou. Ela está indo atrás de nós. Temos de sair daqui, rápido. – Em suas costas, o Slender carregava uma grande sacola. Então o Slender olhou para os lados e perguntou: — Cadê o BEN?

– Não sei... Não o achei desde a luta com o Wendigo. – disse o Gancho, olhando para os lados como se agora tivesse se lembrado dele. – Eu acho que ele está morto. Wendigo o explodiu.

O Jeff se afastou, tentando assimilar aquilo. BEN morto? Não, não era possível...

A Jane estava chocada também. Somente ela e ele conheciam o BEN. Como ele, tão engraçado, tão forte, tão decidido, podia ter simplesmente morrido? E os anos de brincadeiras, de convivência, de amizade? O BEN conseguira lutar contra o Observer, o braço direito do Slender. Ele fora um dos três, junto com a Mente Mestre e o Slender que lutaram com Red para mandá-lo para a prisão. Ele conseguira enfrentar o famoso Bogeyman. Não era possível que ele simplesmente morrera...

O Jeff disse, com uma vã esperança:

– Ele não pôde ter morrido... Simplesmente não pôde ter morrido...

Lágrimas escorreram dos olhos negros da Jane, e ela abaixou a cabeça e fez o máximo que pôde para contê-las. O BEN fora um excelente amigo dela, não podia ter simplesmente a abandonado dessa forma. A morte não era uma opção.

O Gancho disse com a voz arrastada:

– Tem chance de ele ter sobrevivido. Mas mesmo assim, temos de encontrá-lo. E mesmo se estiver vivo, não podemos garantir que ele vai estar em condições de...

Mas ele foi interrompido por um gemido:

– Uuhh...

Todos se viraram na direção do gemido e viram um monte de escombros, com uma pequena figura em cima deles.

Com o coração palpitando, o Jeff correu até a figura, se ajoelhou perto dela, que estava oculta por alguns tijolos e perguntou, esperançoso:

– BEN?

O ser produziu outro resmungo. O Jeff chutou e retirou os blocos dali, e viu o BEN. Mas a visão deixou o Jeff com náuseas por ter um amigo naquele estado. O BEN tinha o torso separado das pernas, e gemia na semiconsciência que tinha. O seu sangue inundava o local.

O Jeff virou a cabeça para o Slender e gritou:

– ELE TÁ AQUI! TÁ VIVO, MAS CORTADO AO MEIO! PRECISO DE AJUDA!

– Infelizmente, não vai poder ajudá-lo. – uma voz suave ronronou em seu ouvido. Ele virou a cabeça para frente e recebeu um soco brutal em sua face, quebrando seu nariz e jogando-o ao solo. Sua cabeça bateu em alguns tijolos, e sua visão ficou embaçada, mas pôde reconhecer a figura de Mary, que se aproximava com as Sais preparadas para matar.

Ela sorriu de um jeito maníaco. Ela ergueu o pé e pisou no antebraço do Jeff com muita força. O Jeff gritou de dor quando o osso do antebraço se separou do osso do braço, e teve plena consciência da carne se rasgando e do sangue se espalhando.

Ele sentiu um calor passar por cima dele, junto com uma sombra indistinta. No momento seguinte, Mary foi jogada para longe e bateu as costas na parede, porém, ela se levantou e ergueu uma Sai e jogou-a no Jeff. Ele teve a vaga sensação de alguém apertando seu braço e de ver alguém envolvendo o BEN com tentáculos antes que um turbilhão de sombras os engolissem, no momento em que a Sai ia atingi-lo. Então sentiu tudo escurecer.

Notas finais
E aí, o que acharam? Comentem! Até o próximo capítulo!