The Darkest Worlds - Livro I - Sangue & Ódio
3 Capítulo 3: Lua Cheia
Notas iniciais
A escuridão que cobria a visão do Jeff causava calafrios na espinha dele e de todos os outros que também foram envolvidos. A sensação era de se estar preso em uma imensa caixa de vidro, com um solo de metal derretido, com um chão instável e fervente, porém, a sensação era de frio. Aos poucos, a escuridão se dissipava, e á medida que desaparecia, uma paisagem aparecia na frente deles. Uma clareira em uma floresta densa e escura, que ecoava com o som de grilos e o piar das corujas. Todos ali presentes (Exceto o Slender e o BEN, pois o BEN desmaiara e o Slender não respirava) ofegavam, e o Jeff sorriu, apesar do braço ferido, e exclamou:
– QUERO IR DE NOVO!
A Jane o olhou, fuzilando-o com os olhos.
– Então tá. Só repetir o nome da Mary num espelho três vezes. Quem sabe ela te amacia de novo, não é? – ela resmungou. – Talvez ela enfie um caco de vidro na sua bunda para te dar mais juízo. Aí eu até ajudo ela.
Isso fez o Jeff desanimar completamente.
Em seguida, passaram á cuidar dos feridos. O Jeff teve o braço firmemente apertado com ataduras, o pulso enfaixado, além de ter curativos em seus arranhados. A Jane estava bem e recusou todo o tipo de ajuda, porém, ela olhava o BEN, preocupadíssima. Ela segurava a mão dele enquanto ele não conseguia fazer mais nada em agonia, uma agonia da qual ele não podia ser sedado. Os intestinos dele eram visíveis, e o sangue estava concentrado em uma poça escarlate. A Jane murmurava palavras de conforto, enquanto o Jeff se ajoelhava do lado do BEN, preocupado.
O Slender retirou as duas estacas de vidro do peitoral, estremecendo quando as tocou e as jogou no chão.
O Gancho se limitou á enfaixar um pouco o pescoço, para estancar o sangramento. Ponto.
O Slender curvou-se sobre o BEN, o observando. O Jeff perguntou pra o Slender, com esperança:
– Podemos curá-lo, não podemos? Quer dizer, ainda está vivo, e já teve ferimentos por tipos de magias muito piores do que trevas...
O Slender disse, soturno:
– Ele poderá viver, mas não confio muito nas chances. Mas devo tratá-lo imediatamente, se for para ele viver. Mas depois do tratamento, será tudo consequência.
O Jeff assentiu, e voltou á olhar o BEN. O Gancho estava em silêncio, lançando olhares breves ao grupo.
O Slender abateu as duas mãos no solo. Raízes negras se desprenderam no solo, e o Slender disse:
– Isso vai doer. E muito.
As raízes se enrolaram no pouco que restara da cintura de BEN, como se fosse um cinto que unisse precariamente a parte superior do corpo á parte inferior. Pequenos galhos afiados negros brotaram das raízes, e passaram á perfurar o BEN, trazendo uma fina raiz negra com eles, e passaram á costurar a cintura da parte superior á inferior. O BEN gemia de dor fracamente, com o rosto em pura agonia. A Jane tinha lágrimas nos olhos e ela sussurrava palavras de conforto para o BEN, mas ela própria parecia precisar de consolo.
Depois de ter terminado a operação, o Slender fez a raiz negra grossa voltar para debaixo do solo.
– Espero que resolva. Pois se nem isso resolver, ele vai morrer.
O Jeff olhou para o BEN, em seguida sentiu a raiva borbulhar por dentro dele. Quem fizera isso fora Wendigo. Wendigo, o demônio dos índios. Um dos demônios mais fortes do Inferno.
Mas Mary não devia ser esquecida. Aquela vadia ousara surrá-lo. Mas afinal, por que eles tentaram matar o grupo do Jeff?
Passaram-se minutos, dos quais eles começaram á montar acampamento, reunindo gravetos, folhas, raízes e amoras silvestres. O estômago do Jeff roncava, mas ele nada podia fazer a não ser se contentar com as amoras e raízes.
Montaram uma fogueira rústica, mas que não acenderam até que eles tivessem certeza se tinha alguém por perto. Montaram também macas de madeira, e colocaram o BEN em uma delas. Ele parecia estar melhor, mas agora tinha desmaiado por causa da dor, e não estava mais semiconsciente.
O Slender disse, após alguns momentos de silêncio:
– Vocês vão assumir a missão de aqui em diante, sou necessário para outras coisas na Mansão.
O Jeff perguntou:
– Que “coisas”? – Ele fez aspas com os dedos.
– Controlar os Proxies, procurar por Silver, deter alguns procurados... Coisas básicas.
O Jeff assentiu relutantemente, e o Slender simplesmente desapareceu, sem mais nem menos. O Gancho disse com a voz seca:
– Pelo menos ele não usa efeitos especiais no teleporte.
O Jeff assentiu com a cabeça.
Porém, foram interrompidos por um uivo que cortou a noite. Todos congelaram, sobressaltados com aquele som repentino, mas então o Jeff resmungou:
– Foi apenas um lobo.
– Tomara. – disse a Jane, nervosa.
O uivo ecoou novamente, mas desta vez, mais alto e próximo.
– Tem algo de errado nesse uivo. É alto demais para ser obra de um lobo.
– Deixa disso, o que pode ser? – O Jeff conteve um risinho. – O lobo mau?
Passaram-se alguns segundos, e o uivo sobressaltou á todos novamente, bem mais próximo agora.
– Vamos sair daqui... – grunhiu o Gancho, olhando na direção de que viera o rugido.
– Não sabia que você tinha medo do lobo mau. – debochou o Jeff. – Se for um lobo, eu corto a garganta dele.
Um som lhes alcançou os ouvidos, era o de galhos se partindo e de arbustos farfalhando. Atentos, todos sacaram suas armas. As lâminas das facas do Jeff e da Jane cintilavam ao luar, o gancho de ferro d’O Gancho reluzia. Então, á frente deles, um arbusto se mexeu e um esquilo saiu de lá, guinchando aterrorizado.
O Jeff riu e guardou a faca, então falou:
– Não disse? Não deve ser nada demais... Provavelmente foi só uma matilha de lobos...
Mas então um urro ensurdecedor preencheu a clareira. BEN pareceu despertar da sua inconsciência, e olhou frouxamente na direção do som. Jeff se sobressaltou e quase enfiou a faca no próprio queixo, a Jane recuou, assustada. O Gancho parecia ser o único inalterado á aquilo, calmamente olhando para a direção da folhagem, sendo que até mesmo os insetos recuavam.
Então, um imenso vulto projetou-se entre as árvores. E um milissegundo depois, ele arrancou as duas árvores que bloqueavam seu caminho com golpes poderosíssimos de suas mãos grandes com garras. Então o ser se revelou á luz do luar. Era humanoide, mas com patas de lobo do tamanho de grandes pés humanos. Ele tinha uma pelagem cinza e olhos completamente amarelos, exceto pelas pequenas pupilas negras. Ele tinha dentes afiadíssimos, uma cabeça lupina, ombros largos, mãos grandes, calças azul-escuras rasgadas, garras negras de oito centímetros, músculos que fariam inveja á qualquer ser, dois metros de altura, e, provavelmente, mais de 250 quilos de pura maromba.
– Eu estava certo, ERA o lobo mau. – disse o Jeff, impressionado mais com o fato que acertara do que com a aparência aterrorizante do visitante.
– Tanto faz quem ele seja! – disse a Jane, exasperada. – Ele pode ser o lobo mau, o caçador ou a chapeuzinho vermelho, mas isso não muda nada o fato que ele é um homem-lobo psicopata!
O homem-lobo ergueu as mãos e rugiu á plenos pulmões. Isso fez o BEN sobressaltar-se e murmurar:
– Mas que diabos...
O Jeff analisou o homem-lobo e disse:
– Ih, parece que ele não gostou do seu comentário sobre ele ser a chapeuzinho vermelho...
A Jane olhou para o Jeff severamente.
– Vai cagar, Jeff. – resmungou, e o Jeff assumiu uma expressão de triunfo.
O Gancho olhava para o homem-lobo, analisador.
– Esse cara tem força de sombra, e deve ser bastante ágil para conseguir chegar até aqui nessa velocidade... – resmungou, olhando o homem-lobo de forma curiosa, mas observadora. O Jeff debochou:
– Com esse monte de gordura? Duvido que ele sequer saiba correr...
O homem-lobo analisava rapidamente os visitantes, e pela cabeça dele se passava:
“Um baixinho em coma, um adolescente mirrado, uma gostosa e um velho com um gancho... Eu já tive dias piores. Vai ser mamão com açúcar”. Pensou o homem-lobo, analisando as vítimas.
O Jeff sorriu enquanto o homem-lobo se aproximava com passos lentos e calculados.
– Viu? Ele não é tão ágil assim... – Mas ele foi interrompido, quando o homem-lobo saltou, com as mãos espalmadas cheias de garras atingindo os ombros do Jeff. Isso o pegara completamente de surpresa. Nunca achara que alguém poderia saltar tão rápido assim.
O Jeff caiu no chão com um baque doloroso e ergueu a faca, no intento de esfaquear o ombro do homem-lobo. Mas este apenas agarrou a faca do Jeff pela lâmina e a jogou para trás, deixando Jeff desarmado.
Jeff sabia que a partida estava perdida se não estivesse armado. Ainda que fosse mais forte do que um humano comum, em combate corporal, não tinha dúvidas de quem ganharia. Um adolescente psicopata ou um homem-lobo bombado? O Jeff tinha a ligeira impressão que era o homem-lobo.
O homem-lobo salivava, e ele enterrou a cabeça no pescoço de Jeff, com a boca aberta. O Jeff segurou a cabeça da criatura e tentou empurrar com o máximo de força, mas só conseguia adiar o processo.
Mas, para seu alívio, alguém tinha ido á sua defesa. Um par de braços surgiu ao redor do pescoço do homem-lobo, imobilizando-o em uma gravata. O homem-lobo arquejou, surpreso, e então passou á tentar empurrar o braço do Gancho para longe de seu pescoço, mas o Gancho puxou com força, retirando o homem-lobo de perto do Jeff. O homem-lobo estava curvado, sufocando enquanto lutava para respirar, mas o Gancho apertava ainda mais cada vez que o homem-lobo mostrava sinais de resistir.
Tudo teria dado certo ali, mas o homem-lobo se lembrou de um pequeno detalhe: Ele era mais forte corporalmente do que todos por ali.
Ele dobrou o braço e fez um impulso para trás súbito, atingindo o cotovelo na cara do Gancho. O Gancho grunhiu e caiu no chão, com o nariz quebrado por causa do golpe.
O homem-lobo voltou à atenção ao Gancho, que agora se levantava lentamente, porém, uma figura esguia mergulhou nas costas do homem-lobo e cravou uma faca nas costelas dele. O homem-lobo sequer rosnou, mas olhou para a Jane com uma expressão de tédio. Ele a estapeou com o dorso da mão direita, fazendo-a voar até uma árvore. Ela bateu a cabeça numa árvore e foi nocauteada, com sangue vertendo da cabeça.
O Jeff gargalhou insanamente e travou combate direto com o homem-lobo: Saltou nas costas dele e travou as pernas no tórax dele, fazendo-o rosnar de surpresa, mas Jeff escalou rapidamente as costas do homem-lobo, e então ergueu a faca, que brilhou com a luz do luar, e então disse:
– Go to sleep.
Ele aprofundou a lâmina na garganta do homem-lobo, que ainda teve forças para uivar. O Jeff sentiu triunfo quando viu o sangue escorrer do pescoço destroçado do homem-lobo, mas tinha algo errado. O homem-lobo mal vacilava, ele colocou a mão nas costas do Jeff e puxou-o de lá. Em seguida, o homem-lobo arremessou o Jeff em umas árvores. Os troncos de algumas delas se partiram quando as costas do Jeff bateram nelas. A visão do Jeff estava turva, e ele estava praticamente fora de combate. Restavam o Gancho e BEN.
O Gancho olhava o homem-lobo, então ele pareceu compreender algo e sua face empalideceu, em seguida disse, tentando manter a voz calma:
– Não sei como não saquei antes... Você tem a aparência meio humana, meio lupina. Você não morreu quando Jeff lhe abriu a garganta com a faca de aço. Nem rosnou de dor quando a Jane o esfaqueou. Você só pode ser o Lobisomem.
O homem-lobo assentiu com um rosnado, mas que tinha um estranho tom aprovador.
– Finalmente me reconheceram. – A voz do Lobisomem era grave, grossa e parecia ecoar. – Agora sabem que não têm a mínima chance.
– Se alguém aqui não tem chance, esse alguém é você. – disse o Gancho secamente, o olhando enquanto o rodeava, á postos.
– Ah, batalhador até o fim. – rosnou o Lobisomem. – Eu gosto disso. Não tem muita graça ter presas que mais parecem com cordeiros.
Então o Lobisomem atacou novamente, sem dar tempo do Gancho sequer falar. O ataque o pegara desprevenido e fora bastante rápido, e as garras do Lobisomem deixaram cortes feios nas costelas do Gancho.
O Lobisomem riu.
– É só isso que você é capaz? – debochou.
– Sei fazer muito mais do que imagina. – resmungou o Gancho, em seguida, avançou em seu próprio ataque. Um golpe horizontal com o gancho, que provavelmente abriria um talho no peito do Lobisomem, porém, este saltara e ficara além do alcance da arma. O Gancho olhou ao redor, procurando saber onde o Lobisomem fora. O rosnado saiu dos galhos acima dele:
– Lerdo. Lerdo demais, Gancho. – a voz estava alterada, devido o corte na garganta, mas a carne dele era muito grossa, e conseguira resistir àquele ataque sem muitas dificuldades.
O Lobisomem saltou novamente, e sua sombra letal abateu-se sobre o Gancho. Arranhados brutais emergiram em seus ombros quando o Lobisomem caiu sobre ele. O Gancho lutava para tirar o Lobisomem de cima de si, enquanto o Lobisomem curvava a cabeça e abria a boca cheia de dentes pontiagudos.
O Gancho protegeu a cabeça com o antebraço no momento correto. A poderosa mandíbula do Lobisomem fechou-se sobre o antebraço do Gancho, e um estalido seco pôde ser ouvido, indicando que o antebraço do Gancho se quebrara. O Lobisomem puxou com vontade, salivando sobre aquela carne humana fresca.
O Gancho arquejou de dor, enquanto o sangue jorrava da ferida. O BEN assistia á tudo, impotente. Ele não conseguia sequer se mexer direito, quanto mais combater. O braço do Gancho estava uma tristeza: O antebraço estava unido ao braço somente por algumas tiras de carne e pele, era possível ver o osso triturado do antebraço separado do osso do braço.
O Lobisomem mastigava a carne com prazer, se deleitando com aquilo. Porém, eles escutaram um som suave de metal deslizando sobre o couro, e o Lobisomem ergueu a cabeça, com a boca cheia de carne ensanguentada. O Lobisomem viu um adolescente apontando uma pistola Glock 18 na cabeça do Lobisomem.
– Pode parar, Lobisomem. Agora que me fez um favor, pode se virar e voltar para sua toca fétida.
O Lobisomem retrucou irritado com a voz pastosa por causa da carne que estava em sua boca:
– Não vou parar! Estou faminto! E por acaso, quem é você para achar que manda em mim?!
Isso era até razoável demais para o Lobisomem, mas era por causa da Glock apontada em sua cabeça que conversava, em vez de atacar logo.
O adolescente com quem conversava era moreno, ele vestia um colete vermelho de mangas curtas, uma camiseta preta, luvas pretas sem dedos, jeans e tênis vermelhos, um boné vermelho com detalhes brancos, com um símbolo de impedimento negro no canto superior direito.
Seu rosto era bonito, com íris vermelhas, cabelos pretos um pouco fartos e rebeldes, além de ter um sorriso de lado atraente. Porém, os olhos tinham uma dose de sadismo, enquanto apontava a pistola automática na cabeça do Lobisomem. O adolescente era magro, mas não muito, fora isso, ele era bastante mediano para um adolescente. Porém, atrás dele, tinha se formado uma grande sombra, que logo pode ser discernida no luar. A sombra era um dragão alaranjado que tinha o dorso da barriga amarelado, olhos de íris azuis brilhantes, asas laranja com o interior azul, um rabo com uma bola de fogo na ponta deste. Mesmo a coisa sendo grande, ela não passava de dois metros de altura.
O Gancho ficou surpreso e atônito por um momento, encarando aquele adolescente magro. BEN ficou boquiaberto. O Jeff teria empalidecido ainda mais, se pudesse. O Jeff murmurou:
– Red...
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