The Darkest Worlds - Livro I - Sangue & Ódio
1 Capítulo 1 - O Começo de uma Jornada.
Notas iniciais
De qualquer jeito, eu resolvi fazer o meu primeiro grande projeto, com o foco sendo, sim, as Creepypastas e lendas urbanas...
É um projeto longo, que provavelmente será uma trilogia de grandes livros. Já fiz muitos capítulos, mas só vou publicá-los de acordo ao incentivo e vontade de fazê-lo (O incentivo incita minha vontade, então... e-e).
Comecei á escrever essa história MUUUITO tempo atrás (A maior parte do tempo em que não entrei no Nyah é por eu estar escrevendo a história e tentando melhorar minha escrita), e ela contém comédia, aventura, ação, romance, e o escambau que você encontra em todas as minhas histórias. Mas também, desta vez, estou incluindo também a tragédia, o lado mais "dark" das histórias, assim podemos dizer.
Bem, espero que gostem da história!
Boa leitura.
Uma mulher estava andando na calçada, completamente nervosa. Seus passos ecoavam na alameda vazia. As luzes dos postes piscaram. A rua não era bonita; As casas eram velhas e sem decoro. As (poucas) plantas eram ressecadas na sua grande maioria.
Ela olhou, nervosa, para o relógio de pulso. Meia-noite. Não era uma hora agradável para ficar vadiando em uma rua. Essa em especial.
Ela olhava para os lados, incomodada com o barulho dos papéis na revoada junto com as folhas. Ela não ouviu o vulto de um adolescente, que a perseguia com passos leves e inaudíveis.
O sorriso distorcido do adolescente era sinistro, uma boca escavada á faca em um sorriso grotesco. Os olhos tinham íris azuis, mas o azul de seus olhos era intensificado e olheiras negras recobriam seus olhos. Cabelos negros meio bagunçados caíam sobre seus ombros. O nariz era afundado.
Sua mão remexia no cabo da faca, por dentro do casaco branco manchado com o vermelho do sangue. Ele se aproximava cada vez mais da mulher. Puxou a faca, fazendo um ruído suave ao fazê-lo, e isso chamou a atenção da mulher, que se virou, alarmada. Ela viu um lampejo de uma lâmina, e então não viu mais nada.
Mas o assassino via. Via o sangue gorgolejando da garganta da mulher, que agora tombava ao solo, morta. O assassino gargalhou á sangue frio.
- Go to sleep. – disse Jeff the Killer, que teria sorrido por natureza, se sua boca grotesca tivesse permitido.
Jeff andou pela rua vazia, e puxou o capuz para cima, abandonando o corpo da mulher morta atrás de si cada vez mais á cada passo que dava.
Ele deslizou a faca de volta ao cinto, ignorando o sangue que a manchava. Aquele era apenas mais um dia comum para ele.
As luzes continuavam piscando. Jeff andava na rua, sem medo. Nenhuma criatura daquele mundo podia assustá-lo, e já vira coisas bem assustadoras. Coisas ameaçadoras.
Enquanto andava pela alameda, Jeff olhava para as paredes levemente interessado, como se procurasse por algo, então seu olhar se focou em uma parede cheia de pichações e grafites.
O símbolo gravado em uma parte da parede era de um círculo vermelho com um “X” cruzando-o. O símbolo poderia ter sido considerado apenas uma pichação como qualquer outra, mas Jeff parecia considerar outra coisa.
Ele parou, e encarou o símbolo. Então andou até o símbolo e o tocou com um dedo magro. O símbolo não pareceu mudar, mas Jeff continuou pressionando-o, concentrando-se naquele símbolo, sem nem desviar o olhar.
Porém, após alguns segundos, um grande vulto formou-se nas costas de Jeff, tendo surgido do nada. O vulto jogou sua grande sombra por cima do Jeff, que se virou, encarando o grande ser. Era alto, com dois metros de altura. Vestia um terno negro com calças e sapatos sociais negros. A criatura era albina e parecia ser masculina. O ser não tinha rosto, apenas uma superfície branca. Não tinha nem cabelos e nem orelhas. Sua cabeça era de formato oval.
O ser era magro, e nem demonstrava sinais de força, sequer de mobilidade. Jeff riu.
- Slendy... Como você vai? Não te vi desde... Anteontem. – riu-se, encarando o Slender Man.
A voz que ecoou na sua cabeça era estranhamente suave, mas firme. A voz atraía o Jeff, ao mesmo tempo em que causava medo. O Slender não falava, ele se comunicava mentalmente.
- Jeff. Preciso falar com você...
- Já está falando.
- ... Sobre um problema gravíssimo. – O Slender ignorou a interrupção de Jeff, e sua voz soava preocupada na mente de Jeff.
Jeff arqueou uma sobrancelha e disse:
- Que problema? Você quer pegar uma mina e não tá sabendo como?
O Slender irritou-se.
- Nos falaremos novamente se conseguir ser sério uma vez na sua vida.
- Então tá, desculpa. – disse Jeff, revirando os olhos. – Fala, o que foi?
- Tenho uma missão para você.
- Tá. Preciso matar quem? – perguntou Jeff.
- Ninguém. Pelo menos, não por enquanto...
Antes que ele terminasse, Jeff o interrompeu:
- Então para quê me chamou?! Você poderia chamar Jack Sem-Olho, o Smile Dog ou talvez tentar convencer a Bloody Ma...
O Slender tapou a boca do Jeff com uma mão, para interromper a sua frase. Mesmo com esse gesto, o Slender não havia mexido qualquer outro músculo. Na verdade, ele parecia até ser uma coisa inanimada. Poderia ser facilmente confundido com um manequim.
- Não fale o nome dela, idiota! – sibilou o Slender. – Quer atraí-la para cá?!
- Ah, desculpa. Mas é que ficar com medo das pessoas não é minha praia...
- Não é medo, é precaução! Não estou com vontade de lutar com uma mulher psicopata com poderes anciãos! Mas se está com tanta vontade, vá para um espelho e repita o nome dela três vezes.
O Jeff revirou os olhos, mas perguntou:
- Então tá, mas me fala: Por que não chamou ninguém em meu lugar? Sabe que não sou bom em mais nada que não seja matar.
O Slender pareceu considerar, então lhe disse mentalmente:
- É uma pergunta válida... O Jack já está ocupado em outra missão. O Smile seria a escolha perfeita se ele me obedecesse, mas devo lembrá-lo... – o Slender acrescentou com irritação, mas o Jeff sorriu ainda mais ao ouvir as palavras seguintes: — ... Que ele só obedece á você.
Jeff riu.
- É verdade, continue.
- Tentar convencer Mary é muito arriscado. E mesmo se ela aceitasse, ela provavelmente nos trairia ou ficaria violenta. Precisaríamos de um excelente álibi, nesse caso, as únicas escolhas seria convencer A Mente Mestre ou o Deus Supremo da Loucura...
- E o Lorde dos Mortos? – perguntou Jeff.
Tudo pareceu se silenciar, exceto pelo som dos papéis e das folhas, junto com o ocasional crepitar quando as luzes piscavam.
- Ele... Ele é imprevisível. – disse Slender, obscuro. – E como se não bastasse, ele tem um ódio... Um ódio quase infinito. Nem mesmo os Primordiais entendem um ódio daquele tamanho. Mas sim, certamente a Bloody Mary o respeita. E provavelmente, o respeito é mútuo.
Jeff ficou em silêncio, então perguntou:
- O que preciso fazer?
O Slender perguntou-lhe, estendendo a mão:
- Você conhece esse símbolo?
Na mão dele, marcas começaram á surgir, como se a carne dele se cortasse do nada para tomar formas. Era de uma estrela vermelha de cinco pontas, virada para baixo.
- Sei, sei... – o Jeff falou com a voz arrastada. – O símbolo do mal?
O Slender assentiu, obscuro.
- Agora me diga, quem tem ligação á esse símbolo? Ou melhor, pentagrama?
Jeff pensou e começou á citar:
- Mary... Suicide Mouse... O Lorde... BEN... Anhanguera... Jersey Devil... Oni... Dizem que o Drácula também tem conexões... O Mente-Mestre... O Deus Supremo da Loucura... Red... Dizem que o Chupa Cabra tem ligações... Ah, são vários. Para quê a pergunta?
O silêncio povoou o lugar por uns momentos, então o Slender perguntou, como se fosse um professor que já soubesse a resposta da pergunta:
- Qual desses causou problema ultimamente?
O Jeff riu.
- Todos? – O Slender continuava estoico, mas o Jeff podia jurar que escutou uma risada abafada em sua cabeça. – Falando sério, quem causou problemas mais notórios ultimamente... Bem, Red assassinou quarenta humanos comuns de uma só vez, dois deles homens do culto da Mente-Mestre, e catorze agentes da polícia humana. A causa atribuída foi um “adolescente psicopata carregando explosivos...”. Ridículo. O Red está sendo procurado pelo Mente-Mestre e pelas autoridades humanas que conseguiram vê-lo. O Lorde dos Mortos assassinou três humanos. Nada fora de seus padrões, mas ele escolheu um do culto do Mente-Mestre e dois do Deus Supremo da Loucura, e isso os perturba. Mary causou o assassinato de catorze adolescentes e uma criança humana, além do assassinato brutal de dois Filhos da Loucura. Anhanguera torturou e depois ele matou três caçadores humanos, além de condenar á tortura eterna dois espíritos. Fora isso, não tem mais nada de sério.
- Exatamente. É sobre o primeiro problema. – o Slender disse, sério. – Red ultrapassou os limites. Sempre toleramos suas ações psicopatas por conta de sua condição mental. Mas agora já chega. Ele precisa ser eliminado.
A palavra desceu ao estômago de Jeff como um peso gelado. Eliminar Red? Quem era louco ao ponto de tentar isso... Espera aí. Ele não pode estar falando...
- Eu?! – perguntou Jeff, incrédulo, enquanto olhava para o Slender com descrença.
Ele riu na cabeça do Jeff. Uma risada fria, rascante.
- Claro que não. Você não teria paciência para rastrear ele. Mas vou te mandar com uma equipe escolhida á dedo para encontrar o cara que consegue rastrear Red.
Jeff riu com asco.
- Quem será esse gênio? O carinha da infinita paciência e poder?
- Não. Com certeza, é paciente. E com maior certeza ainda, é poderoso. Mas não á esse ponto. Mas ele tem uma coisa que somente eu consigo fazer também... E mesmo assim, tenho de me concentrar bastante.
O Jeff franziu a testa, se concentrando. Então, ficou ainda mais descrente.
- O Lorde dos Mortos? Um dos caras “imprevisíveis”?
- Bem, sim...
- Imagino qual seja a equipe que preciso. – Jeff disse com ironia. – Quais foram os sortudos?
- Vou te levar até eles. – o Slender disse. Em seguida, ele apertou o braço esquerdo do Jeff e ambos sumiram em um turbilhão negro.
O Jeff sentiu o frio percorrendo cada milímetro do seu corpo. Sentia o aperto do Slender em seu braço. As trevas eram tudo que ele enxergava.
Mas o véu negro, de pouco á pouco, se dissipava, como um vidro que deixa de embaçar. Primeiro, ele viu as paredes de tijolos negros rachados, em seguida, viu grades de ferro em vez de janelas. Depois, viu o chão de concreto forrado de carpetes. A mobília de ébano sustentava uma vela, cujo suporte era de prata. O fogo ardia na vela e nos candeeiros de ferro.
Ao redor da mesa, tinham quatro cadeiras, duas delas ocupadas. Uma era ocupada por uma mulher de vestido curtíssimo negro-acinzentado, terminando pouco acima dos joelhos. Um cinto negro lhe cruzava a cintura. As chamas jogavam ondas suaves de luz alaranjada na sua pele pálida. Seus olhos, unhas, lábios e cabelos longos eram completamente negros. Seu vestido era justo, realçando as suas curvas já atraentes.
Ela olhou para Jeff com evidente desprazer, que foi recebido com um olhar de desdém da parte do Jeff. A outra cadeira estava ocupada por um homem baixinho, de cabelos dourados que caíam sobre suas orelhas. Ele tinha uma pele morena e olhos negros com pupilas vermelhas, que pulsavam com maldade, além de orelhas pontudas. Ele vestia uma túnica curta verde, junto com uma camisa de lã branca, calças de couro pintadas de verde e botas de couro marrom. Ele tinha um capuz verde e um cinto de couro, de onde pendia uma espada comum.
O homem olhou para os dois e ironizou:
- Quando vocês pararem de namorar, me avise.
Eles olharam para BEN. O pequeno homem sorriu ao vê-los. A expressão de desdém do Jeff se desanuviou em um sincero sorriso.
- BEN! Mas que surpresa agradável... – ele ironizou. – Se quiser, podemos parar, desde que me diga: Como anda a Sally?
O BEN nem reagiu. Somente riu e apertou a mão do Jeff. A mulher sorriu para ele e acenou com a cabeça, e BEN ergueu um polegar para ela e disse:
- E aí, Jane?
Jane the Killer disse:
- E aí, baixinho?
O Slender disse-lhes:
- Agora que estão reunidos... Vou contar-lhes qual será sua missão.
“Vocês devem achar a mansão terrena do Lorde dos Mortos e tentar contatá-lo”. Eles abriram a boca, indignados, dispostos á interromper, mas o Slender os calou erguendo uma mão. “Deixem-me terminar!” vociferou. “É verdade. Vocês correm todas as espécies de risco para chegar lá, mas vocês DEVEM ir. Temos de convencê-lo á se juntar a nós, e sua óbvia antipatia por mim me impede de ir para lá, senão, eu mesmo resolveria o problema. Mas posso ajudá-los á localizar a mansão dele. Mas, primeiro, vocês devem estar devidamente equipados...” Antes que ele terminasse, o Slender foi interrompido pelo Jeff:
- Espere aí: Com o que você quer dizer “devidamente equipados”?
O Slender voltou sua cabeça plana á ele.
- Significa roupas para clima de extremo frio. Será muito idiota da parte de vocês morrerem de frio.
A Jane arqueou uma sobrancelha.
- Espere aí, onde esse lugar é? – a Jane perguntou, curiosa.
- Antártida. – o Slender respondeu.
Eles arregalaram os olhos e ficaram boquiabertos.
- Antártida??? – a Jane perguntou, totalmente descrente. – Sinceramente, por que ele escolheu esse lugar, de todos os possíveis? Ele poderia ter escolhido, por exemplo, o Triângulo das Bermudas, que nenhum humano sequer ousa ir. Até mesmo alguns de nós não temos coragem de ir para lá. Ou talvez podia ficar no Monte Everest. Com algumas magias bem feitas, ele seria virtualmente inatacável. Mas para quê a Antártida?
- Ninguém é suficientemente louco ao ponto de morar na Antártida sem algum interesse. – o Slender disse. – Afinal, o frio extremo já o deixa quase em anonimato, junto com as proteções mágicas e os monstros que protegem o castelo... O lugar é suficientemente seguro e isolado para ser escolhido como moradia. Mas o Lorde dos Mortos não deve querer somente ficar lá. Ele deve querer algum lugar na terra em que seja possível o fácil acesso ás cidades e países á fim de poder fazer “visitinhas” nas casas das pessoas. E, claro, ele também quer ser comunicado de qualquer coisa que aconteça no nosso mundo. Para isso, ele tem vários emissários espalhados pelo mundo que podem ir para lá lhe entregar informações. E se eles – humanos – podem ir até lá, por que vocês não conseguiriam? Você, Jeff, é um serial killer de apenas 15 anos que conseguiu enganar policiais durante anos e tem experiência de assassinatos, por isso, está em plenas condições de enfrentar monstros como o Caipora ou o The Pocket, além de mostrar-se resistente ao ponto de conseguir sobreviver á um incêndio e ficar viajando de país em país. Você, Jane, persegue Jeff e tenta matá-lo toda hora. Você já demonstrou ter capacidade de combate suficiente para impressionar qualquer um, além de uma resistência ao ponto de viajar pelos Estados Unidos, México e Canadá em procura do Jeff. E você, BEN, é um dos Primórdios digitais mais fortes que já existiram. Receio que seja o terceiro ou quarto mais forte, e é capaz de lutar com gente muito mais forte com você tranquilamente, e ainda tem resistência suficiente para passar dias e dias sem dormir. E além do mais. – acrescentou. – Chamei mais um para ajudar-lhes. Ele deve chegar daqui á pouco.
Momentos depois de dizer isso, a porta velha e estragada de carvalho se abriu com um estrondo. Jeff e Jane sacaram as facas e se viraram, sobressaltados. BEN tomou um susto e caiu da cadeira, mas rapidamente se recompôs e ficou encarando o vulto que aparecera no vão da porta. O Slender, porém, continuava estoico e intocável. O homem saiu das sombras da noite e entrou na casa, com a luz das velas e dos candeeiros agora o iluminando.
O homem parecia ser um humano de uns 40 anos, com cabelos cinzentos embaraçados e bagunçados caindo sobre seus ombros. Ele era bastante corpulento e até alto, ele vestia uma imensa jaqueta negra de viagem, além de uma camisa branca bastante velha e surrada. Calças jeans cinza-esbranquiçadas eram sustentadas por um cinto comum, mas com a fivela de ferro enferrujada. Ele calçava botas negras de couro, e em sua mão direita, ele tinha uma luva de couro com correntes de aço polido e enfeites de aço. No meio desses enfeites, preso á luva pelas correntes, tinha um imenso gancho de ferro. Um chapéu negro parecido com os dos fazendeiros caía sobre seus olhos, deixando, do rosto, somente do nariz para baixo exposto. Uma faixa de lã negra suja cruzava seu chapéu velho e gasto.
Ele olhou para Jeff, Jane e BEN com um olhar avaliador, então olhou para o Slender e disse, com uma voz rascante e seca, como se tivesse perdido o hábito de falar:
- São eles?
O Slender assentiu com a cabeça, então o homem rosnou:
- Tomara que sejam competentes. Não quero perder tempo, e muito menos morrer por causa de alguma inépcia da parte deles.
O Jeff se levantou, agitado.
- Espere aí, quem você acha que é?! – o Jeff perguntou, encarando o homem de forma ameaçadora. A Jane, porém, guardou a faca ao ver o outro homem. BEN se limitara á franzir a testa. O homem olhou para Jeff e resmungou:
- Sou Cray Targion, mais conhecido como O Gancho.
O Jeff parou, o olhando de forma analisadora. O Gancho era um Serial Killer que matava gente isolada das outras, de preferência, gente que estivesse viajando dentro de um carro. Jeff jamais o viu, mas agora analisava o porte do homem. Sem dúvidas, ele tinha poderes sobrenaturais, pois abordava as pessoas que viajavam por cima dos veículos, não importava qual que fosse.
Depois de uns momentos de indecisão, dos quais a faca e o gancho reluziam á luz das velas, o Jeff guardou a faca, ainda olhando o homem, desconfiado.
O homem sorriu secamente ao ver o gesto.
- Bom, bom... Ainda bem que teve o bom senso de não destripar seu colega antes mesmo da missão começar.
O Jeff abriu a boca grotesca ainda mais com um sorriso sarcástico.
- Claro! Vou me ocupar disso quando a missão começar.
- Se conseguir... – disse O Gancho.
- Basta! – exclamou o Slender, com uma surpreendente calma e firmeza. Todas as cabeças se viraram na direção dele. – Vamos resolver isso o mais cedo o possível.
Todos assentiram.
- Certo. Vou levá-los até uma loja de roupas, depois disso, O Gancho irá levá-los para a Antártida. Tratem de usar o Humane, temos de nos disfarçar.
Assentindo, assentindo. Todos fecharam os olhos e se concentraram. Aos poucos, uma fumaça cinza envolveu á todos, deixando nenhuma das partes de seus corpos serem visíveis.
A fumaça cinzenta se dissipou, e todos abriram os olhos. A pele do Jeff agora estava da cor normal. Seus cabelos estavam numa tonalidade cor de mel, um pouco compridos, chegando aos ombros. Seus olhos eram azuis como o céu. O negro dos cabelos da Jane foi substituído por um dourado brilhante. Suas íris, azuis como safiras. A pele era meio morena. BEN não mudara praticamente nada, mas seus olhos ficaram normais com íris azuis, e suas roupas mudaram: O capuz virou um boné simples verde, a túnica virou uma camiseta verde clara, ele ganhara uma bermuda jeans e tênis simples pretos. O Gancho não mudara praticamente nada, somente suas roupas tinham ficado completamente limpas e arrumadas, e seu chapéu estava erguido á altura da testa, como um chapéu comum. Sua luva com gancho tinha sumido e dado lugar é duas luvas negras comuns. Suas íris eram cinza-metálicas, e seu rosto tinha algumas rugas, mas, apesar disso, ele tinha até mesmo certo charme. Ele era até mesmo bem-apessoado. O Slender é o que mudara mais. Sua pele branca ficara morena. Um rosto brotara de sua face plana. Um rosto bonito, com olhos de íris castanhas e cabelos pretos aparados, além de uma barba raspada. Ele parecia um elegante homem de negócios.
Sua voz soou suave e firme:
- Excelente. Como devem ter notado, suas armas desapareceram e as manchas de sangue também. Quanto ás armas, vocês não devem se preocupar. Caso as procurem, as encontrarão. Sobre as manchas de sangue... Só reverterem o Humane e vocês ficarão como antes. Entendido?
- Já sabemos disso, Slender. – o Jeff disse, aborrecido. Não se acostumara com aquela boca normal, como a dele antes de assassinar sua família... Enfim, não estava na hora de pensamentos agradáveis.
- Só estou lembrando. – o Slender ainda soava calmo e despreocupado. – Vamos logo.
O BEN franziu a testa e disse, insatisfeito:
- Pareço uma criança mortal, como vamos explicar que vou viajar? “Ah, temos uma criança e vamos levá-la para a Antártida para uma viagem de férias. Por favor, espero que não se incomodem. Se ela morrer de frio, vai ser segredo nosso, ok?”.
- Você pode fingir ser filho do Sr. Jeffrey e da Srta. Jennifer, que conseguem passar muito bem por pessoas de uns vinte anos, caso eu use um truquezinho bem básico. – o Slender sugeriu.
O Jeff olhou para a Jane com desprezo mútuo. O Jeff rosnou:
- Não vou fingir ter nenhum filho com ela. – Jeff disse isso apontando o dedo indicador para a Jane.
- Nem eu vou fingir ter um filho com ele. – A Jane disse com frieza e desdém.
- Mas vocês já não têm um? – perguntou suavemente o Slender. Aquilo visivelmente atingiu o Jeff e a Jane. O Jeff recuou, com a expressão de incerteza e desconforto. A Jane assumira um rubor na face e uma expressão de vergonha e tristeza.
- Aquilo... Aquilo foi um acidente. – o Jeff murmurou. – Nem fazia ideia que era ela...
- Sei disso. Mas vocês deviam tentar cooperar um com outro uma vez. Pela filha que vocês nunca viram. – o Slender disse, os olhando de um modo avaliador e frio. – A filha de vocês agora está num orfanato para humanos. Um orfanato comum. Ela acha que vocês morreram. Ela nem sabe quem são vocês, mas um dia os policiais contarão á ela. E ela poderá nutrir ódio, caros Jeffrey e Jennifer. Um dia, poderemos recuperá-la. Mas... Vocês deverão pelo menos se mostrar tolerantes um ao outro, concordam? Pelo menos dessa vez?
O Jeff e a Jane olharam-se com evidente desprazer, mas também dúvida. Era melhor obedecer o Slender do que discutir com ele. De qualquer jeito, eles perderiam a discussão.
- Está bem. – rosnou o Jeff. – Mas não vou passar mais tempo do que o necessário com essa vadia.
- Nem eu vou passar mais tempo com esse vagabundo. – a Jane rosnou. – E nem me fale que vou ter que beijá-lo, senão eu passo mal.
- Se for necessário, você vai ter que passar mal. – o Slender disse suavemente, e a Jane lhe fez uma careta. Era raro ela sequer mostrar algum sinal de desgostar do Slender, quanto mais de desobedecê-lo. Quem costumava fazer isso era o Jeff. Mas, obviamente, aquela missão estava sendo intolerável para ela.
O Slender ergueu uma mão, e do nada, sombras surgiram do solo e se enrolaram nos dedos médios. Aos poucos, as sombras começaram á se solidificar e tomar um formato de anéis de ouro com diamantes em seu centro nos dedos médios de cada um. O Jeff olhou para a aliança e disse, sorrindo:
- Maneiro! Posso vender isso e comprar drogas e coisas pontudas.
O Slender o ignorou e disse:
- Me chamem de Walther White entre os humanos. Jeff você será Martin Christopher. Jane, você é Lizandra Lansing. Já que ninguém conhece o nome de Cray, podemos chamá-lo de Cray mesmo. BEN, você é Clinton Christopher Lansing... Entendido?
Todos concordaram, mas ambos a Jeff e a Jane mantinham as expressões de desgosto.
- Muito bem. Vamos logo. – o Slender disse, indo em direção da porta e saindo de lá. Mas antes de sair, o Slender ordenou ao Jeff e á Jane: — Andem de braços ou de mãos dadas, vai dar uma boa impressão. – Então ele saiu. O Gancho disse:
- Finalmente. – E depois saiu também. A Jane bufou e o seguiu. O Jeff e o BEN entreolharam-se, arqueando uma sobrancelha. Então eles saíram, os seguindo.
Eles estavam meio isolados do resto da rua, mas depois de uns minutos andando, eles chegaram á uma rua mais cheia, e puderam passar despercebidos entre as pessoas.
O grupo andava pela rua, com o Jeff e a Jane de mãos dadas. Os dois colocavam o maior possível de sua força no aperto, na esperança de quebrá-la. Cada um lutava para quebrar a mão do outro. O Jeff e a Jane tentavam manter as expressões neutras, mas o Jeff soltava ocasionais caretas de dor, mas que logo eram disfarçadas. A Jane por vezes rangia os dentes, mas nada além disso.
Chegaram até a loja de roupas mais próxima. Eles estavam vivos, o que já era uma grande conquista. Pelo menos, para a Jane e o Jeff.
Chegando lá, a gentil balconista de cabelos louros presos em um rabo de cavalo lhes perguntou:
- Olá, o que desejam, senhora e senhores?
A Jane forçou um sorriso e falou:
- Gostaríamos de roupas de frio para todos, por favor.
- Claro. – respondeu graciosamente a atendente. – Aguardem um minuto...
Tinham uns seis clientes na loja. Um era um homem de negócios de tamanho médio com uma mulher ruiva, de uns vinte e oito anos. Outro era uma mulher de cabelos cor de chocolate, com olhos de íris cor-de-mel. Outro era um homem careca que usava óculos, e ele tinha uma barbicha castanha. Outros dois eram um homem com uns 50 anos de cabelos cinza curtos usando óculos de aros de metal e lentes cor de âmbar junto com uma mulher de uns 18 ou 20 com cabelos curtos ao estilo emo, repartidos em metade pretos e metade vermelha.
Em alguns minutos, a atendente voltou com as roupas de frio. O Slender, ou melhor, Walther, as analisou e riu educadamente.
- Creio que você não entendeu, senhorita. Lizandra quis dizer roupas para muito frio. Vamos viajar para a Antártida, e queremos roupas para frio extremo.
A mulher pareceu desconcertada, mas assentiu. Ela voltou ao armazém para buscar outras roupas.
O Slender esperou pacientemente, mas, atrás dele, o Jeff e a Jane se fuzilavam com os olhos enquanto tentavam quebrar as mãos uns dos outros com fortes apertos. O BEN e o Gancho cochichavam e apontavam com os polegares para o Jeff e para a Jane, como se apostassem algo.
Quando a atendente voltou com as roupas, o Slender a agradeceu com elegância, quase flertando com ela. A atendente sorriu e corou ligeiramente. Enquanto conversavam, o BEN olhou de esguelha para todos, e ao ver o homem de cabelo cinzento com a mulher emo, ele apertou o braço da Jane. A Jane virou-se com ferocidade e vociferou, claramente irritada com o Jeff:
- Que foi?!
O BEN apontou para o casal de forma discreta e sussurrou:
- Tem algo de errado com eles... Sinto um poder emanando deles.
A Jane olhou o casal e franziu a testa. Sua irritação diminuiu um pouco e foi substituída por um pouco de preocupação.
- Certo... Vou avisar ao Slender para sairmos daqui mais rápido.
O Slender já estava conversado com a mulher. Ele carregava as roupas dentro de uma grande sacola. Ele olhou para a atendente e disse suavemente:
- Até mais.
A mulher o olhou, interessada, e sorriu e disse:
- Até.
Estavam quase á porta, quando eles escutavam uma voz feminina ás costas deles:
- Ei, vocês.
Eles se viraram, e se depararam com a mulher emo com o homem velho. O homem velho era corpulento e alto, e carregava certo charme, como o Gancho. Mas o homem era mais bonito do que o Gancho: Suas íris eram douradas através das lentes cor de âmbar de seus óculos e seu rosto praticamente não tinha rugas e vestia um terno simples cinza. Ele parecia ser um homem de respeito.
A mulher se destacava muito com ele. Ela tinha sardas na bochecha, olhos com íris cor de vinho, um corpo um pouco baixo e esguio, apesar de ter curvas bem destacadas. Ela vestia uma blusa bege, uma jaqueta castanha, calças jeans e botas de couro. Ela era bastante bonita e sedutora, mas parecia alguma revoltada, uma mulher rebelde.
O homem falou com uma voz grave e tranquilizadora:
- Eu reparei que o garotinho nos olhou... Por acaso, fizemos algo de errado?
O Slender o olhou, levemente intrigado.
- Acho que não, senhores. Quem deve ter os olhado foi o pequeno Clinton. Foi você, Clinton? – perguntou o Slender.
- Foi. – disse o BEN, em voz baixa.
- Infelizmente, não gostamos de nanicos que ficam nos olhando. E é claro que você não é Clinton. Você é BEN. – disse a mulher com um sorriso maníaco, os olhando.
BEN, em vez de parecer aterrorizado, parecia ofendido.
- Não sou nanico. Sou anão.
- Tanto faz. É a mesma coisa. – disse a mulher.
- E quem são vocês? – perguntou educadamente o Slender, rapidamente entendendo a situação. Ele parecia estar raciocinando rapidamente.
As pessoas da loja olharam, intrigadas, para a súbita discussão. A atendente franziu a testa, estranhando a cena.
O homem riu como se o nome dele fosse um detalhe á toa. Á cada palavra que ele pronunciou, o lugar pareceu esfriar um pouco.
- Sou conhecido pelos índios americanos... Sim, entre eles sou famosíssimo. Sou o sinônimo do mal. Mesmo entre as outras nações, sou respeitado e temido como um grande senhor do mal... Sou Wendigo.
- Ah, os humanos me chamaram de várias coisas... – Á cada palavra que a mulher dizia, um vidro da loja rachava. A atendente olhou nervosamente para os vidros, com medo e apreensão. Tinha algo de errado ali. — Rainha Elizabeth III, A Rainha Sangrenta... Mas sou conhecida mesmo é como Bloody Mary. – disse a mulher, os olhando com um sorriso maníaco.
Notas finais
Até o próximo capítulo o/
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