The Cullen's

21 Capítulo 21


A gravidez de Tânia não demorou sequer um dia para se tornar assunto público. Londres tinha uma habilidade quase cruel de transformar confidências em espetáculo, e naquela temporada, poucos temas pareciam mais saborosos do que a ideia de uma herdeira gerando o primeiro neto dos Swan — especialmente quando a recém-casada Isabella Cullen permanecia em silêncio absoluto.

Nos salões, os sussurros vinham carregados de veneno disfarçado de curiosidade educada.

— Dizem que Tânia sempre foi… ousada — murmuravam algumas damas, abanando-se com leques delicados.

— O curioso é o tempo — comentavam outras. — Tão rápido, não acha?

Bella ouvia tudo. Sempre ouvia. Mas não respondia.

Foi durante um chá no palácio que a rainha Charlotte finalmente a chamou para perto. O salão estava inundado de luz, porcelanas finíssimas dispostas com perfeição quase cerimonial. Bella sentou-se à frente da rainha com a postura impecável de quem aprendera desde cedo a não demonstrar fraquezas — ainda que por dentro estivesse se desfazendo.

— Minha querida — começou Charlotte, observando-a com atenção real demais para ser apenas cortesia. — Londres anda… barulhenta.

Bella sorriu, sem humor.

— Londres sempre encontra algo para comentar, Majestade.

A rainha inclinou levemente a cabeça.

— E você? O que pretende fazer com todo esse ruído?

Houve um silêncio breve, pesado.

— Assim que a nova temporada começar — Bella disse, firme — pedirei o desquite de Edward.

Charlotte não demonstrou surpresa. Apenas pousou a xícara com calma.

— E o convento?

Bella respirou fundo.

— Era uma possibilidade. Uma forma de desaparecer com dignidade.

A rainha a encarou por longos segundos, como se pesasse aquela mulher jovem demais para carregar tamanha decepção.

— Não — disse Charlotte, enfim. — Você não irá se esconder. Nem se punir por erros que não cometeu.

Bella ergueu os olhos, surpresa.

— Quero que seja uma das minhas damas de companhia — continuou a rainha. — Estará comigo pela manhã, fará parte da minha corte. Assim, viverá sem que lhe ditem regras, longe de escândalos… e suficientemente distante de quem não merece sua presença.

Bella sentiu o peito apertar.

— Isso… isso seria uma honra, Majestade.

— Não — Charlotte corrigiu suavemente. — Será liberdade.

Bella aceitou.

E, pela primeira vez em semanas, sentiu que talvez ainda houvesse um caminho possível.

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De volta à mansão Cullen, Bella começou a planejar sua vida futura em silêncio meticuloso. Retirava joias uma a uma — colares herdados, brincos oferecidos em bailes, pulseiras que carregavam mais memórias do que valor real. Vendia-as discretamente, guardando o dinheiro em uma caixa escondida no fundo do guarda-roupa.

Foi Rosalie quem a flagrou.

— Bella? — perguntou, ao vê-la fechar a caixa às pressas. — Onde conseguiu tudo isso?

Bella hesitou. Depois, decidiu não mentir.

— Estou me preparando — disse. — Para depois do desquite.

Rosalie sentou-se na cama, atônita.

— Você está mesmo decidida…

— Sim. Não posso depender de ninguém. Nem de sobrenomes. Nem de promessas.

Rosalie segurou-lhe a mão.

— Você é mais forte do que imagina.

Bella sorriu, agradecida.

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Enquanto isso, Edward afogava-se em outra tentativa de entendimento.

No salão de homens, o cheiro de bebida e madeira antiga parecia pesado demais naquela noite. Emmett observava o irmão em silêncio. Jasper, mais sério do que o habitual, aguardava.

— Eu vou lutar por ela — Edward disse, por fim, a voz rouca. — Não posso aceitar perdê-la assim.

— Então lute direito — Emmett respondeu. — Sem desculpas. Sem jogos.

Jasper assentiu.

— Bella não é como as outras mulheres deste mundo. Se quiser reconquistá-la, terá de ser honesto… até quando doer.

Edward sabia.

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Ao chegar em casa, foi direto ao quarto.

— Precisamos conversar — disse, fechando a porta atrás de si.

Bella não recuou.

— Não há mais o que dizer.

— Há tudo — ele rebateu. — Eu errei. Mas não vou desistir de você.

A discussão escalou rápido. Vozes elevadas, mágoas antigas, acusações lançadas como lâminas.

— Você me humilhou! — Bella gritou.

— Eu te amo! — Edward respondeu, desesperado.

O silêncio seguinte foi elétrico.

O que veio depois não foi ternura. Foi raiva, desejo, desespero. Um encontro feroz, intenso, como se ambos tentassem provar algo — um ao outro, ou talvez a si mesmos. Não houve promessas. Apenas a verdade crua do que ainda existia entre eles.

Ao amanhecer, Edward acariciava os cabelos de Bella com cuidado quase reverente.

— Bom dia — sussurrou, beijando-lhe a testa.

Ela abriu os olhos. O olhar sério, distante.

— Foi um erro — disse, calma demais. — Tudo continuará como na casa de campo.

Edward engoliu em seco.

— Eu não quero mais estar casada com você — ela continuou. — Só aguardarei Alec se casar. Depois disso… será o fim.

Edward ficou ali, entendendo, talvez tarde demais, que algumas batalhas só são vencidas quando o outro ainda acredita que vale a pena lutar.