The Cullen's

10 Capítulo 11


Lady Whistledown nunca errava duas vezes seguidas.

Sentada à escrivaninha estreita, envolta pela penumbra cuidadosamente escolhida, ela releu o último panfleto antes de permitir que fosse distribuído. Algo naquela sequência de acontecimentos a incomodava. Não os escândalos em si — esses sempre existiriam —, mas a forma como estavam sendo encerrados. Rápidos demais. Limpos demais. Como se uma mão invisível estivesse reorganizando o tabuleiro antes que o caos se instalasse por completo.

— A Rainha está interferindo — murmurou para si mesma. — E quando Sua Majestade interfere… há sempre algo a esconder.

Do outro lado da cidade, no Palácio, a própria Rainha Charlotte caminhava de um lado a outro, o leque fechado batendo levemente contra a palma da mão. Pela primeira vez em anos, sentia-se desafiada.

— Ela sabe demais — disse à sua confidente. — E escreve rápido demais. Descubram quem imprime esses panfletos. Todas as casas. Nenhuma exceção.

O jogo havia mudado. Não era mais apenas sobre romances. Era poder contra informação.


Na casa Swan, o clima era pesado como uma tempestade prestes a cair.

Bella estava sentada na sala, as mãos cruzadas no colo, quando Damon entrou. Não havia charme naquela versão dele. Apenas cansaço. Olheiras profundas. Um homem que perdera mais do que estava disposto a admitir.

— Eu precisava vê-la — disse ele, sem rodeios.

Bella sustentou o olhar.

— Para quê, Damon?

Ele respirou fundo, como se cada palavra custasse algo.

— Para pedir perdão. Pelo que fiz. Pelo que tentei ser. Pelo que quase destruí.

O silêncio que se seguiu foi longo, mas não hostil.

— Eu não te odeio — disse Bella, finalmente. — Mas também não posso fingir que o que houve entre nós foi amor.

Damon assentiu lentamente.

— Eu sei. E é por isso que estou aqui.

Ele tirou do bolso um pequeno anel. Não o de noivado — outro. Mais simples.

— Nosso noivado termina hoje — declarou. — De verdade. Sem jogos. Sem culpas.

Bella sentiu algo se desfazer dentro de si. Não alívio completo. Mas fechamento.

— Espero que você encontre paz — disse ela.

— Espero que você seja feliz — respondeu ele. — Com Edward.

E, pela primeira vez, aquelas palavras não doeram.


Damon seguiu direto para a mansão Cullen.

Edward o recebeu no escritório, ainda pálido, mas firme. O clima entre eles era tenso, porém contido — como dois homens que sabiam que o pior já havia passado.

— Fui eu quem atirou — disse Damon, sem rodeios.

Edward sentiu o ar faltar por um segundo.

— Eu estava vigiando a casa dos Swan há dias — continuou Damon. — Quando vi você subir naquela árvore… eu não pensei. Apenas reagi.

O silêncio caiu pesado.

— Eu poderia mentir — acrescentou Damon. — Poderia deixar que a sociedade criasse outra versão. Mas não quero mais viver assim.

Edward o encarou longamente.

— Por que me contar agora?

Damon engoliu em seco.

— Porque vou pagar por isso. E porque… pela memória de Stefan… eu quero uma trégua.

Ele deu um passo à frente.

— Cuide dela, Edward. Melhor do que eu jamais conseguiria.

Edward não estendeu a mão. Mas assentiu.

— Eu cuidarei.


O casamento de Damon e Elena aconteceu em absoluto sigilo.

Nada de multidões. Nada de música alta. Apenas o Palácio, poucas testemunhas e a presença solene da Rainha. Elena vestia branco simples, uma mão repousando suavemente sobre o ventre. Damon parecia diferente — não exatamente feliz, mas presente.

Quando trocaram votos, não houve promessas grandiosas. Apenas respeito. Cuidado. Um começo possível.

Mas Londres nunca dormia.

E Lady Whistledown tampouco.

O panfleto surgiu dois dias depois, insinuando uma união apressada, conveniente demais, cercada de silêncio real. Nada era afirmado diretamente — mas tudo era sugerido.

A Rainha respondeu com ação. Mandou seus homens vigiarem cada tipografia, cada aprendiz, cada fornecedor de papel. Era apenas uma questão de tempo.


Na manhã seguinte, a mansão Cullen parecia tranquila demais.

Alice estava sentada na sala de visitas, olhando para lugar nenhum. Jasper falava, mas ela mal respondia. Rosalie saiu para o jardim com Emmett, deixando Bella sozinha com a amiga.

— Alice… — chamou Bella. — O que foi?

Alice respirou fundo.

— Promete que não vai contar a ninguém?

Bella assentiu.

— Lady Whistledown… sou eu.

O mundo parou.

— Bella, eu nunca quis machucar você — continuou Alice, a voz trêmula. — Mas eu precisava escrever. Era como… enxergar padrões. Verdades que ninguém via.

Bella levantou-se devagar, o coração disparado.

— Você não entende o que fez — disse, em choque. — Você destruiu vidas.

— Eu sei — chorou Alice. — E agora… agora ela sabe. A Rainha sabe.

Bella saiu da mansão sem se despedir, sem olhar para trás, o vestido balançando como se o próprio chão a empurrasse para longe daquela verdade insuportável.


Naquela mesma tarde, o último panfleto surgiu.

“A verdade, por mais protegida que seja, sempre encontra uma fresta por onde escapar. Descobriu-se que o disparo que quase tirou a vida de um respeitável herdeiro partiu não de um pai zeloso, mas de um pretendente rejeitado. Damon Salvatore foi preso esta manhã, acusado de atirar em Edward Cullen. Que a justiça seja tão implacável quanto a sociedade costuma ser.”

Londres explodiu.

E, enquanto os sinos tocavam ao longe, Bella Swan percebeu que o maior perigo não estava mais nos escândalos…

Mas nas verdades que ainda não tinham sido ditas.