The Cullen's

11 Capítulo 12


A manhã em que Edward Cullen retirou oficialmente a acusação contra Damon Salvatore nasceu cinzenta, como se Londres soubesse que algo importante estava sendo enterrado. O escritório jurídico tinha cheiro de tinta fresca e papel velho, e o silêncio ali dentro não era respeitoso — era opressor. Edward permanecia sentado, o corpo ainda rígido demais para alguém que deveria estar em repouso, a mão direita envolta em um leve tremor enquanto segurava a pena.

Carlisle observava tudo de pé, encostado à parede, o rosto sério, mas os olhos carregados de uma preocupação que ele tentava esconder do filho. Edward respirou fundo antes de assinar, como se aquele simples gesto exigisse mais coragem do que enfrentar o cano de uma arma.

— Edward… — Carlisle chamou, baixo, oferecendo-lhe uma última chance de recuar. — Você não precisa fazer isso agora. Ainda está fraco.

Edward não ergueu os olhos de imediato. Quando o fez, havia ali uma decisão silenciosa, madura demais para alguém que ainda sangrava por dentro.

— Se eu não fizer agora, pai, nunca farei. — A pena deslizou pelo papel. — E Bella… Bella não merece continuar pagando por uma guerra que nunca foi dela.

O som da assinatura ecoou alto demais na sala.

Damon foi libertado naquela mesma tarde. Não houve aplausos, nem alívio visível. Apenas o rangido pesado dos portões de ferro se abrindo e o olhar endurecido de um homem que já havia perdido mais do que estava disposto a admitir. Elena permanecia ao seu lado, vestida de preto, a mão pousada em seu braço como se fosse a única coisa que ainda o mantinha ancorado no mundo real.

Do outro lado do pátio, Edward aguardava. A bengala apoiada ao chão denunciava sua fragilidade, mas sua postura permanecia ereta. Os dois se encararam em silêncio, e naquele instante tudo o que havia entre eles — ódio, culpa, desejo, violência — pairou no ar como uma lâmina prestes a cair.

— Não fiz isso por você — Edward disse por fim, a voz baixa, mas firme.

Damon respirou fundo, os maxilares cerrados.

— Eu sei. — Seus olhos escureceram. — E isso é o que mais me destrói.

Eles não apertaram as mãos. Não se desculparam. Apenas aceitaram, sem palavras, que havia coisas que não poderiam ser desfeitas — apenas encerradas.

Na manhã seguinte, o último panfleto da Lady Whistledown circulou por Londres como um sussurro final antes do silêncio absoluto. Bella o recebeu ainda de camisola, sentada à mesa do desjejum, o papel fino tremendo levemente entre seus dedos. Leu cada linha como quem percorre um testamento.

“Há segredos grandes demais para sobreviver à luz do dia. Algumas identidades pertencem ao túmulo, não à história…”

O nó em sua garganta se apertou.

— Então é isso… — murmurou, a voz quase inaudível.

Charles Swan, sentado à sua frente, largou o jornal.

— Nunca é só isso, Isabella — respondeu, sério. — Quando uma mulher como essa se cala, é porque alguém mais poderoso passou a falar por ela.

As duas semanas seguintes foram estranhas, quase irreais. Sem panfletos, a sociedade parecia perdida. As visitas cessaram, os cochichos diminuíram, mas o silêncio não trouxe paz — trouxe peso. Bella não voltou à mansão Cullen. Evitava qualquer convite, qualquer tentativa de aproximação. O segredo que Alice lhe confiara ardia dentro dela como um pecado que não lhe pertencia.

À noite, Edward fitava a janela do quarto, o céu escuro refletindo o caos dentro dele. Esme entrou devagar, fechando a porta atrás de si.

— Você vai se consumir se continuar esperando — disse ela, sentando-se ao seu lado. — Algumas dores não se resolvem com distância.

Foi isso que o levou à casa dos Swan.

Quando Bella abriu a porta e o viu ali — pálido, mais magro, sustentado pelo braço de Carlisle — seu coração falhou uma batida inteira.

— Edward…

— Posso entrar? — perguntou ele, com uma delicadeza que contrastava com a urgência em seus olhos.

Na sala, Charles Swan manteve-se de pé. O clima era tenso demais para formalidades.

— Imagino que não seja uma visita casual.

Edward assentiu lentamente.

— Senhor Swan… eu amo sua filha. — Sua voz não vacilou. — E venho pedir permissão para me casar com ela.

O silêncio foi brutal.

— Depois de tudo? — Charles retrucou. — Panfletos. Escândalos. Um tiro no meu jardim?

— Justamente por isso — Edward respondeu. — Porque Bella merece proteção, escolha e respeito. E eu darei isso a ela, mesmo que o mundo inteiro se volte contra nós.

Bella sentiu lágrimas queimarem seus olhos, mas permaneceu imóvel. Charles respirou fundo.

— Vou pensar — disse por fim. — Por ela.

Enquanto isso, Alice segurava a carta com o selo real como se fosse uma sentença. Jasper percebeu o pânico em seus olhos antes mesmo que ela falasse.

— Alice… o que é isso?

Ela não conseguiu mais esconder.

— Eu sou a Lady Whistledown.

O choque atravessou Jasper como um golpe.

— Você mentiu para mim… para todos nós.

— Eu nunca quis machucar ninguém — ela chorou. — Mas saiu do controle.

Ele permaneceu em silêncio por longos segundos, depois segurou seu rosto com cuidado.

— Estou decepcionado. Mas não vou te abandonar.

No palácio, a rainha Charlotte servia o chá pessoalmente quando Alice chegou.

— Sempre soube — disse a rainha, serena. — E Londres sente sua falta.

— Eu parei porque causei dor demais.

— Dor é uma moeda poderosa — respondeu Charlotte. — E agora você escreverá sob minha proteção.

Quando Alice deixou o castelo, compreendeu que seu silêncio nunca a salvaria.

E enquanto Londres acreditava que a Lady Whistledown havia morrido…

ela apenas mudara de dona.