The Cullen's
3 Capítulo 3
(Musica do capítulo https://youtu.be/FAi-F1Io7gc?si=nnAd4k6M8Z3WrxsU)
Rosalie Hale não dormira.
Mesmo quando o corpo finalmente cedeu ao cansaço, a mente permaneceu desperta, girando em torno de um único instante que insistia em se repetir: o toque inesperado, o calor da mão de Emmett em seu rosto, a forma como seu próprio corpo reagira antes que pudesse impedir. O beijo.
Não fora delicado. Não fora ensaiado. Fora intenso, desordenado, errado, e exatamente por isso tão perturbador.
Sentada diante do espelho naquela manhã, Rosalie encarava o reflexo de uma jovem que parecia a mesma de sempre: postura impecável, cabelos dourados cuidadosamente presos, expressão controlada. Ainda assim, sentia-se traída pelo próprio coração, que batera rápido demais quando lembrara da boca de Emmett sobre a sua. Aquilo não significava nada. Não podia significar. Beijos não eram promessas. Emoções não eram compromissos.
E, ainda assim, o anúncio ecoava em sua mente como uma sentença irrevogável.
Casamento.
O enorme anel de diamantes em seu dedo parecia mais pesado a cada segundo.
Naquela mesma manhã, Londres acordou com outro choque ,agora público.
O novo panfleto de Lady Whistledown espalhava-se pelas ruas com entusiasmo cruel:
“Mal a temporada teve início e já temos um noivado capaz de deixar mães ambiciosas sem fôlego. O senhor Emmett Cullen, conhecido mais por seu sorriso fácil do que por sua discrição, encontra-se agora oficialmente prometido à belíssima senhorita Rosalie Hale. Terá sido amor à primeira vista… ou apenas a consequência inevitável de um momento imprudente? Certo é que a sociedade jamais esquecerá que tudo começou sob o teto respeitável da família Cullen.”
Rosalie rasgou o papel com dedos trêmulos.
À tarde, o parque estava tomado por carruagens, risos controlados e olhares avaliadores. Jovens debutantes caminhavam ao lado de possíveis pretendentes, como peças cuidadosamente posicionadas em um tabuleiro social. Entre elas, Bella Swan, Rosalie Hale e Alice Cullen avançavam pelo caminho de pedrinhas claras, acompanhadas apenas pelo som distante da fonte e pelo murmúrio da sociedade ao redor.
Rosalie mantinha o semblante fechado.
— Não preciso que ninguém me felicite — disse ela, seca, enquanto caminhava. — Muito menos que finja entusiasmo.
Alice, ao contrário, parecia incapaz de conter a animação.
— Mas é maravilhoso! — insistiu. — Um casamento por paixão, ainda que inesperado! Emmett está radiante, e…
— Isso não foi paixão — interrompeu Rosalie, com firmeza. — Foi um erro.
Bella observava as duas com atenção silenciosa.
— Um erro não costuma deixar o coração tão inquieto — comentou, suavemente.
Rosalie lançou-lhe um olhar afiado.
— Não comece você também.
Alice sorriu, incansável.
— Vocês duas são impossíveis. Bella foge do que sente, Rosalie nega o que sente… — suspirou. — Alguém precisa ser romântica nesta amizade.
— E desde quando você se tornou a especialista em romance? — provocou Rosalie.
Alice corou levemente.
— Desde que conheci Jasper.
Antes que pudesse dizer mais, três figuras surgiram pelo caminho oposto: Damon Salvatore, Jasper Whitlock e Emmett Cullen.
Rosalie sentiu o estômago revirar ao vê-lo. Emmett parecia exatamente como sempre — relaxado, confiante, como se o mundo estivesse perfeitamente alinhado a seus desejos. O que a irritava profundamente.
— Senhoritas — cumprimentou Damon, com um sorriso que se voltou imediatamente para Bella.
Jasper, mais contido, inclinou levemente a cabeça para Alice.
— Posso acompanhá-la em um passeio? — perguntou ele, com uma calma que contrastava com a ousadia do primo.
Alice aceitou sem hesitar, lançando um olhar significativo para Bella antes de se afastar com Jasper, conversando em voz baixa. Em poucos minutos, os dois pareciam isolados do restante do parque, mergulhados em uma troca sincera sobre medos, expectativas e o peso de se sentir deslocado no mundo.
— Com você, tudo parece… menos pesado — confessou Jasper.
— Talvez porque não precisamos fingir — respondeu Alice, sorrindo.
Enquanto isso, Damon voltou-se para Bella.
— Há um lago logo adiante — disse ele. — E uma canoa sem supervisão alguma. O que me diz?
Bella hesitou apenas um instante antes de aceitar.
O passeio foi diferente de tudo o que já experimentara. Damon a fez rir com histórias exageradas, comentários espirituosos e uma leveza que ela raramente se permitia sentir. O vento bagunçava seus cabelos, e por alguns minutos Bella esqueceu expectativas, deveres e olhares julgadores.
Quando o silêncio se instalou, carregado demais para ser ignorado, Damon inclinou-se.
— Você não percebe, Isabella — murmurou —, mas ilumina qualquer lugar onde está.
O momento tornou-se perigoso. Quando ele se aproximou mais, Bella agiu por instinto: empurrou-o.
Damon caiu na água com um splash sonoro.
— BELLA! — gritou ele, antes de puxá-la consigo.
Os dois emergiram rindo, encharcados, causando um verdadeiro alvoroço no parque. Cochichos surgiram como faíscas.
Naquela mesma tarde, Lady Whistledown escreveu novamente:
“Parece que a senhorita Isabella Swan aprecia tanto a água quanto a companhia do senhor Damon Salvatore. Um passeio inocente… ou o início de algo que fará muitos corações ,inclusive um muito responsável , arderem de ciúmes?”
Edward Cullen leu aquilo com o maxilar travado.
À noite, o baile da Rainha Charlotte reuniu toda a sociedade. Quando Bella entrou no salão, sentiu todos os olhares se voltarem para ela. A rainha observou-a longamente antes de declarar, em alto e bom som:
— Esta jovem é o diamante da temporada.
O salão explodiu em murmúrios.
Edward foi o primeiro a convidá-la para dançar.
— Confesso — disse ele, enquanto rodopiavam — que não apreciei ler sobre você e meu primo no lago.
Bella riu, genuinamente.
— Ciúmes não combinam com um cavalheiro tão correto.
— Não costumo ser ciumento — respondeu ele. — Exceto quando me importo.
As palavras a atingiram em cheio.
— Eu sinto algo por você — confessou Edward. — E não pretendo fingir o contrário.
Bella ficou sem fôlego.
Perto dali, Alice passou o baile inteiro ao lado de Jasper.
— Pedirei permissão ao seu pai — disse ele. — Quero cortejá-la da maneira correta.
Alice sorriu como quem acabara de ter um sonho confirmado.
Rosalie, por sua vez, suportava a noite com dificuldade. O anel brilhava em seu dedo como uma acusação. Evitou Emmett o máximo possível, até decidir ir embora.
Na saída, a porta da carruagem se abriu bruscamente.
Emmett entrou.
— Fugir novamente? — provocou ele.
— Saia — ordenou Rosalie, a voz trêmula. — Antes que eu perca o controle.
— Já perdeu — respondeu ele, aproximando-se.
A discussão foi intensa, palavras cortantes misturadas a sentimentos negados. Quando o silêncio caiu, o desejo falou mais alto. O beijo foi urgente, avassalador, e a carruagem seguiu adiante enquanto o mundo exterior desaparecia.
Naquela noite, nada foi simples.
Nada foi controlado.
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