The Cullen's

4 Capítulo 4


(Musica do capítulo: https://youtu.be/igMUzKJZhHE?si=uBJvTnnt9m7snfWp)

Rosalie Hale não dormira de verdade naquela noite.

O corpo descansara, mas a mente permanecera acordada, presa à lembrança insistente da carruagem fechada, do balanço irregular das rodas sobre a rua de paralelepípedos, do tom da voz de Emmett, primeiro irritado, depois perigosamente baixo. Ela fechou os olhos, e a memória voltou inteira, cruelmente viva: o momento em que a discussão perdeu palavras, quando o ar se tornou curto demais para respirar, quando o mundo pareceu reduzir-se ao toque dele e ao próprio coração, que batera tão rápido que chegara a doer.

Rosalie levou a mão ao peito ao se sentar na cama.

Ela lembrava da resistência inicial, da tentativa desesperada de manter o controle, mas lembrava ainda mais claramente do instante em que tudo se partira , não em dor, mas em entrega. Do choque de perceber que não havia arrependimento imediato. Apenas calor. Apenas intensidade. Apenas Emmett.

— Isso não significa nada — sussurrou para si mesma, como se repetir pudesse tornar verdade.

Mas o anel em seu dedo, pesado e brilhante, parecia discordar.

Naquela mesma manhã, Londres despertava em alvoroço. O novo panfleto de Lady Whistledown circulava entre xícaras de chá e cochichos escandalizados:

“Um lago, uma canoa e risadas altas demais para uma dama respeitável. A senhorita Isabella Swan provou que o Diamante da Temporada não brilha em silêncio — e que dois cavalheiros distintos parecem dispostos a disputar cada centelha de sua atenção.”

Bella leu o texto com o rosto quente, sentada na sala da casa Swan, o papel tremendo levemente entre os dedos.

— Ela exagera tudo — murmurou.

— Ela transforma tudo em espetáculo — corrigiu Alice, animada demais para alguém que não era o assunto principal. — E você, minha querida, é o espetáculo da vez.

Bella suspirou, jogando o panfleto sobre a mesa.

— Eu só estava me divertindo.

— Com Damon Salvatore — completou Rosalie, entrando na sala, impecável como sempre, embora os olhos carregassem algo mais profundo.

Bella a encarou.

— Você está bem?

Rosalie hesitou por um segundo que pareceu longo demais.

— Estou… aprendendo a lidar com consequências.

A igreja estava lotada no momento do casamento. O murmúrio da sociedade ecoava sob o teto alto, misturando expectativa, curiosidade e julgamentos silenciosos. Quando Rosalie surgiu no altar, o vestido claro contrastando com sua expressão controlada, Emmett sentiu o fôlego lhe escapar. Ela estava linda e distante.

— Ainda podemos parar — murmurou ele, quando ela se posicionou ao seu lado.

Rosalie não o olhou.

— Não agora — respondeu. — Não torne isso mais difícil do que já é.

A cerimônia seguiu sob olhares atentos, inclusive os da Rainha Charlotte, sentada com postura impecável, observando cada gesto como quem avalia peças em um tabuleiro.

A recepção foi grandiosa. Música, risos contidos, danças e taças erguidas. Bella sentiu-se puxada em direções opostas a noite inteira. Edward aproximava-se com uma presença silenciosa, oferecendo conversas profundas, olhares demorados, palavras cuidadosas demais para serem casuais. Damon, por outro lado, surgia com sorrisos fáceis, comentários provocadores e uma energia que a fazia esquecer, por instantes, de todo o peso social que a cercava.

— Você dança como se estivesse tentando fugir de algo — disse Edward, enquanto a conduzia pelo salão.

— Talvez eu esteja — respondeu Bella, sincera demais para recuar.

— De mim? — perguntou ele, baixo.

Ela ergueu os olhos.

— De escolher errado.

Pouco depois, Damon tomou-lhe a mão sem pedir permissão.

— Venha — disse. — Antes que você pense demais.

Ela riu, deixando-se levar, sentindo algo perigosamente próximo da liberdade.

No jardim, Alice caminhava com Jasper, o coração leve demais para disfarçar.

— Meu pai… autorizou — disse ele, finalmente. — Disse que ficaria honrado.

Alice parou, os olhos brilhando.

— Então isso é real?

— É tudo o que eu quero que seja.

Ela não pensou. Apenas o beijou, ali mesmo, sob as luzes suaves da festa, enquanto o mundo parecia concordar em lhes dar aquele momento.

Elena e Stefan dançavam mais afastados, trocando palavras baixas e sorrisos tímidos.

— Eu nunca pensei que diria isso tão cedo — disse ele —, mas consigo imaginar um futuro ao seu lado.

Elena sentiu o coração acelerar.

— Eu gostaria disso — respondeu, sem hesitar.

Naquela noite, Emmett e Rosalie partiram para a casa de campo. A despedida foi breve, carregada de olhares não ditos. Dentro da carruagem, o silêncio era denso.

— Você se arrepende? — ele perguntou, finalmente.

Rosalie virou o rosto para a janela.

— Eu me assusto — respondeu. — Não com você… comigo mesma.

Na casa de bebidas, horas depois, os cavalheiros discutiam o futuro entre copos e confidências.

— Casamento muda tudo — comentou Stefan.

— Ou revela o que já estava lá — disse Jasper.

Edward observava Damon com impaciência crescente.

— Você se diverte provocando — disse, seco.

— Eu me divirto vivendo — rebateu Damon. — Algo que você parece ter esquecido.

O primeiro soco veio rápido. O segundo, inevitável. O escândalo, imediato.

Na manhã seguinte, Lady Whistledown foi impiedosa:

“Parece que conquistar o Diamante da Temporada exigirá mais do que flores e promessas. Cavalheiros, alinhem-se. A disputa começou.”

Quando Alice e Esme chegaram à mansão Swan, depararam-se com uma fila absurda de pretendentes.

Bella empalideceu.

— Isso é um pesadelo.

— Ou uma guerra — murmurou Alice, segurando sua mão.

Bella respirou fundo, o coração dividido, consciente de que sua vida jamais voltaria a ser simples.

E a temporada… estava apenas começando.