The Cullen's

20 Capítulo 20


A casa de campo dos Cullen era ampla, silenciosa, cercada por colinas verdes que pareciam existir apenas para provar que a beleza nem sempre traz conforto. Para Edward, aquele lugar deveria ser o início de tudo. Para Bella, tornara-se um refúgio estratégico — não de amor, mas de fuga.

Desde a primeira noite, ela se esquivara.

Edward tentava aproximar-se com gestos pequenos, quase tímidos, como se estivesse pisando em um território que já não lhe pertencia. Perguntava se ela queria chá, se estava confortável, se o dia havia sido cansativo. Bella respondia com monossílabos educados, sempre mantendo uma distância exata — nem rude demais para causar escândalo, nem próxima o suficiente para permitir intimidade.

Ela acordava cedo, antes dele. Vestia-se em silêncio. Passava horas inteiras na biblioteca da casa, um cômodo antigo, com estantes altas, cheiro de papel envelhecido e janelas que deixavam a luz entrar de forma suave. Ali, Bella se perdia em livros como quem se afoga de propósito, usando palavras alheias para não precisar ouvir as próprias.

Edward a observava da porta, muitas vezes. Via-a sentada junto à janela, os cabelos presos de qualquer jeito, o rosto sério, distante. Aquela não era a mulher que atravessara a nave da igreja sorrindo para ele. Aquela era alguém que construíra muros — e ele sabia exatamente quem havia colocado o primeiro tijolo.

— Bella… — chamou certa tarde, apoiando-se no batente.

Ela não levantou os olhos do livro.

— Precisa de algo? — perguntou, neutra.

Ele respirou fundo.

— Precisamos conversar.

— Não vejo urgência — respondeu. — Estou lendo.

Aquilo se repetiu por dias. Até que, no quinto dia, Edward perdeu a paciência.

Entrou na biblioteca sem pedir licença, fechou a porta com força suficiente para ecoar pelas estantes.

— Chega — disse, a voz baixa, mas carregada. — Eu sou seu marido. Você não pode simplesmente fingir que eu não existo.

Bella fechou o livro devagar. Levantou-se. Encarou-o.

— Posso, sim. E estou fazendo isso com bastante eficiência.

— Isso não é um casamento! — ele rebateu.

— Não. Não é — ela concordou. — E nunca foi, Edward. Pelo menos não do jeito que eu acreditei que seria.

O silêncio pesou.

— Vamos voltar para Londres hoje — ele disse, rígido. — Essa farsa no campo não está ajudando ninguém.

— Como quiser — Bella respondeu. — Para mim, tanto faz o cenário.

A indiferença dela doeu mais do que qualquer grito.

-

Na mansão Cullen, o clima não melhorou — apenas mudou de forma.

Bella estava ainda mais fria. Sentava-se à mesa, comia pouco, falava menos ainda. Rosalie tentou, em uma tarde, puxar conversa.

— Então… a casa de campo continua linda como sempre?

Bella deu um meio sorriso sem humor.

— Continua.

— E a lua de mel? — Rosalie insistiu, curiosa.

Alice se adiantou rápido demais.

— Ah, foi tranquila — disse. — Muito… sossego.

Bella pousou a xícara com cuidado exagerado.

— Meu casamento acabou — disse, de repente, com firmeza suficiente para gelar o ar da sala. — Só não acabou oficialmente ainda.

Rosalie arregalou os olhos.

— Bella, isso é loucura.

— Não é — ela respondeu. — Vou esperar passar a próxima temporada de noivas. Alec precisa se casar. Depois disso, pedirei o desquite. E irei para um convento.

— Um convento?! — Alice quase gritou. — Bella, isso é absurdo!

— É a única saída digna que vejo — disse ela. — Não serei motivo de escárnio. Nem mulher enganada em salão algum.

Atrás da porta, Esme escutava. O coração apertado.

Antes do jantar, foi ao quarto de Bella. Bateu de leve.

— Posso entrar?

Bella assentiu.

Esme sentou-se à beira da cama.

— Conte-me tudo.

E Bella contou. Sem poupar detalhes. Sem lágrimas — apenas uma voz cansada demais para tremer.

Quando terminou, Esme levou a mão à boca, chocada.

— Meu Deus… — sussurrou. — Edward…

— Ele me prometeu um mundo que não existia — Bella disse. — E eu acreditei.

-

Edward estava no escritório quando Esme entrou.

— Precisamos conversar — disse, séria.

Ele soube na hora.

Ouviu em silêncio. Cada palavra da mãe era uma lâmina precisa.

— Você me decepcionou — ela disse, por fim. — Nem Emmett, com toda a falta de juízo dele, faria algo assim. Eu esperava que vocês se espelhassem no amor e no respeito que sempre existiu entre mim e Carlisle.

Edward baixou a cabeça.

— Eu errei.

— Errou feio — Esme completou. — E talvez tarde demais.

-

No dia seguinte, os Swan chegaram para o jantar.

Tânia estava especialmente satisfeita.

Sentou-se à mesa com um sorriso estudado. Esperou o momento exato.

— Preciso anunciar algo — disse, pousando a mão sobre o ventre. — Estou grávida.

Charles levantou-se, radiante.

— Um herdeiro! — exclamou. — O primeiro neto! O futuro lorde Swan!

Edward ficou imóvel. Alice empalideceu. Esme desviou o olhar. Bella sentiu o mundo girar, mas manteve-se firme.

— Agora só falta um herdeiro de Bella — Charles continuou, rindo. — Aí, sim, serei o homem mais feliz da terra!

Edward tentou aliviar.

— Acho que serei eu o mais feliz — brincou.

Risos surgiram.

Bella levantou-se devagar.

— Não haverá filhos — disse, firme. — Sou estéril por escolha.

O silêncio caiu pesado.

Ela saiu da sala sem olhar para trás.

Edward ficou ali, entendendo que algumas verdades não pedem licença — apenas se impõem, deixando tudo em ruínas.