The Cullen's

16 Capítulo 17


A noite havia descido suave sobre a casa dos Swan quando Bella ouviu o som conhecido de pequenas pedras tocando o vidro de sua janela. Não houve susto — apenas um sorriso cansado que surgiu antes mesmo de ela se sentar na cama. Algumas coisas, de fato, nunca mudavam.

— Se meu pai descobrir isso, você será expulso de Londres — ela murmurou, abrindo a janela com cuidado.

Edward surgiu do lado de fora com um sorriso contido, o cabelo levemente bagunçado pelo vento frio da madrugada. Não havia o perfume habitual em sua pele, e Bella percebeu isso antes mesmo de ele entrar no quarto.

— Pensei em poupar você de qualquer enjoo — disse ele em tom baixo, quase conspiratório, ao se apoiar no parapeito. — Estou aprendendo.

— Está… — ela respondeu, tocada, antes de puxá-lo para dentro.

Edward fechou a janela com cuidado e a observou por um instante mais longo do que o normal. Havia algo diferente nela — não apenas o cansaço, mas uma fragilidade serena, como se seu corpo guardasse um segredo antigo demais para ser ignorado. Ele se aproximou devagar, tocando-lhe o rosto com as pontas dos dedos.

— Bella… — começou, a voz mais grave. — Promete que vai ser sincera comigo?

Ela engoliu em seco, o coração acelerando.

— Sempre fui com você.

Edward se sentou ao lado dela na cama, entrelaçando seus dedos.

— Eu não quero te assustar. Nem pressionar. Mas… eu acho que você pode estar grávida.

O mundo pareceu suspender a respiração por um segundo. Bella sentiu os olhos marejarem antes mesmo de conseguir responder.

— Eu também pensei nisso — confessou em um sussurro. — Mas tinha medo de dizer. Medo de tudo mudar.

Edward levou a mão dela até o próprio peito.

— Nada muda no que eu sinto por você. Nada. — Ele respirou fundo. — Se for verdade, eu estarei aqui. Com você. Para você. Sempre.

As lágrimas finalmente escaparam, silenciosas. Bella apoiou a testa no ombro dele, sentindo-se, pela primeira vez em dias, segura de verdade.

— Eu estava com tanto medo… — murmurou.

— Não precisa mais estar — ele respondeu, beijando-lhe os cabelos. — Nós vamos enfrentar isso juntos. Seja o que for.

Ele não tentou avançar além disso. Apenas deitou ao lado dela, envolvendo-a com cuidado, como se temesse quebrá-la. Ficou ali até sentir sua respiração se tornar profunda, regular. Só então se levantou, deixando o quarto com o coração apertado — mas decidido.


Dois dias depois, Alice e Bella foram convocadas ao palácio para um chá reservado com a rainha Charlotte. O salão estava iluminado pela luz da manhã, e a rainha as observava com aquele olhar perspicaz que fazia qualquer mentira parecer frágil antes mesmo de ser dita.

— Casamentos antecipados raramente são fruto de romantismo — comentou a rainha, mexendo lentamente o chá. — Gostaria de saber o que motivou tamanha urgência.

Alice sentiu o estômago revirar, mas Bella foi mais rápida, segurando a mão da amiga sob a mesa.

— Um irmão de minha sogra — disse Bella com naturalidade. — Ele está gravemente doente na Escócia. A família deseja reunir-se o quanto antes.

A rainha arqueou uma sobrancelha, avaliando-as em silêncio por longos segundos. Alice manteve o sorriso contido, sentindo o suor frio escorrer pela nuca.

— Famílias devem permanecer unidas em tempos difíceis — disse Charlotte por fim. — Espero que estejam dizendo a verdade.

— Estamos — respondeu Alice, com firmeza suficiente para convencer até a si mesma.

A rainha assentiu lentamente, mas seus olhos diziam que aquela história ainda seria observada de perto.


À medida que a véspera do casamento se aproximava, a tensão crescia como uma tempestade prestes a romper. Alice sabia que precisava fazer algo. O silêncio absoluto da Lady Whistledown estava começando a gerar mais suspeitas do que proteção.

Naquela tarde, sentadas na biblioteca da mansão Cullen, Alice caminhava de um lado a outro, enquanto Bella observava em silêncio.

— Se eu não escrever nada, vão desconfiar. Se eu escrever demais, vou levantar perguntas — Alice desabafou, passando as mãos pelo rosto. — Estou presa.

Bella se levantou devagar.

— Então não escreva demais — sugeriu. — Escreva com inteligência. Sarcasmo. Elegância. Como sempre foi. Nada de veneno. Apenas… controle de danos.

Alice a encarou, surpresa.

— Você me ajudaria?

— Claro — respondeu Bella sem hesitar. — Prefiro isso a deixar que inventem coisas piores.

Juntas, escreveram um panfleto afiado, irônico, perfeitamente equilibrado. Falava de amores apressados, de famílias zelosas, de casamentos que floresciam antes do esperado — tudo envolto naquele tom espirituoso que havia tornado Lady Whistledown tão famosa.


No fim da tarde, Edward leu o panfleto assim que chegou à mansão Cullen. Seu rosto perdeu a cor.

— Alice! — chamou, entrando na sala com passos duros. — Você prometeu que isso tinha acabado!

Alice se levantou de imediato, mas foi Bella quem se colocou à frente.

— Foi ideia minha — disse, firme. — Eu ajudei a escrever.

Edward parou, surpreso.

— Bella, isso só vai alimentar as fofocas!

— Não — ela retrucou. — Isso as controla. Se Alice não escrevesse, outros escreveriam por ela. E talvez chegassem perto demais da verdade.

O silêncio caiu pesado sobre a sala. Edward passou a mão pelos cabelos, respirando fundo.

— Vocês estão brincando com fogo.

— Estamos tentando sobreviver — respondeu Alice, a voz baixa, mas decidida.

Edward não disse mais nada. Apenas se afastou, sentindo o peso de segredos que começavam a se acumular perigosamente ao redor de todos eles.

E, pela primeira vez, teve certeza de que o casamento não seria apenas um ato de amor, mas um escudo contra o mundo.