The Cullen's

17 Capítulo 18.


A véspera do casamento amanheceu com um céu de um azul pálido, quase enganoso em sua serenidade. Londres parecia conter a respiração. Não havia panfletos espalhados pelas ruas naquela manhã, não havia cochichos explícitos nos salões — apenas olhares demorados demais, sorrisos ensaiados e uma expectativa nervosa que se infiltrava em cada casa da alta sociedade. O casamento de Edward Cullen e Isabella Swan deixara de ser apenas um evento social; tornara-se um ponto de ruptura, um símbolo de tudo o que fora escondido, apressado e silenciado ao longo da temporada.

Na Mansão Swan, Bella observava o próprio reflexo no espelho do quarto, sentada diante da penteadeira sem tocar nos adornos preparados para o dia seguinte. O vestido de noiva, cuidadosamente coberto por um lençol de linho, parecia observá-la do canto do quarto, pesado de significados que iam muito além do matrimônio. Seu corpo estava cansado, sensível, e sua mente não encontrava repouso. Ela levou a mão ao ventre novamente, num gesto que já se tornara involuntário.

— Está tudo bem, minha filha? — perguntou Renée, parada à porta.

— Está — respondeu Bella, embora sua voz denunciasse o contrário. — Só estou… pensando demais.

Renée entrou no quarto e sentou-se ao lado dela, segurando suas mãos com carinho.

— Amanhã tudo muda — disse com doçura. — Às vezes isso assusta. Mas Edward ama você. Isso é claro para qualquer um que os observe.

Bella sorriu, um sorriso pequeno, mas sincero.

— Eu sei. E é isso que me mantém de pé.

Quando ficou sozinha novamente, levantou-se e foi até a janela. A noite começava a cair, e em algum lugar não muito distante, ela sabia, Edward também estava acordado — pensando, desconfiando, sentindo.


Na Mansão Cullen, o clima era de tensão contida. Criados iam e vinham em silêncio excessivo, como se qualquer ruído pudesse provocar um colapso coletivo. Alice estava sentada no sofá da sala de estar, as mãos apoiadas no colo, o rosto pálido apesar do sorriso educado que insistia em manter. Desde o último panfleto, ela sentia o olhar da rainha sobre si como uma sombra persistente.

Jasper caminhava pelo ambiente, inquieto, até parar diante dela.

— Você não precisa passar por isso sozinha — disse ele em voz baixa. — Se a rainha suspeita…

— Ela suspeita — interrompeu Alice, sem elevar o tom. — Eu consigo sentir. O jeito como me observa. Como mede cada palavra que digo.

Jasper ajoelhou-se diante dela, segurando seu rosto com cuidado.

— Então olhe pra mim. — Ele sorriu, suave. — Você não é apenas Lady Whistledown. Você é minha esposa. E vai continuar sendo, aconteça o que acontecer.

Alice respirou fundo, os olhos marejados.

— Eu só queria que tudo isso acabasse.

— Vai acabar — respondeu ele. — E quando acabar, ainda estaremos aqui.


No palácio, a rainha Charlotte caminhava lentamente por seus aposentos privados, o panfleto da véspera aberto sobre a mesa. Havia algo diferente naquele texto — menos veneno, mais contenção. Menos crueldade, mais intenção. Charlotte conhecia bem aquele tom. Era o tom de quem escrevia não para destruir, mas para proteger.

— Interessante… — murmurou para si mesma.

Ela aproximou-se da janela, observando os jardins do palácio.

— Lady Whistledown amadureceu — disse em voz alta. — Ou está com medo.

A rainha sorriu de canto, decidida.

— E o medo sempre revela mais do que o descuido.


Edward, por sua vez, sentia-se preso dentro da própria mente. Caminhava pelo escritório do pai com passos lentos, repetitivos, enquanto Carlisle o observava em silêncio.

— Você não dormiu — constatou Carlisle.

— Não — respondeu Edward. — E acho que não vou conseguir até que tudo esteja… resolvido.

Carlisle apoiou as mãos na mesa.

— Edward… seja o que for que esteja passando pela sua cabeça, lembre-se de uma coisa: amor exige coragem, mas também exige aceitação.

Edward assentiu, mas seu olhar estava distante.

— Eu acho que Bella está escondendo algo de mim. Não por mal. Mas por medo. — Ele respirou fundo. — E eu estou cada vez mais perto de confirmar o que já sinto.

— E o que você sente? — perguntou o pai com calma.

Edward fechou os olhos por um instante.

— Que nosso casamento não está sendo antecipado apenas por conveniência. — Ele abriu os olhos novamente. — Que existe uma vida crescendo no meio de tudo isso. E que Bella está carregando esse peso sozinha há tempo demais.

Carlisle permaneceu em silêncio, respeitando aquele momento.

— Então amanhã — disse por fim — você não estará apenas se casando. Estará escolhendo proteger.

Edward assentiu.

— Sempre foi isso que eu quis.


Naquela noite, Edward não resistiu. Montou a cavalo e seguiu até a casa dos Swan, parando sob a árvore que tantas vezes já fora cúmplice de encontros proibidos. Bella abriu a janela quase imediatamente, como se o estivesse esperando.

— Você não deveria estar aqui — sussurrou ela.

— Nem você deveria estar passando por isso sozinha — respondeu ele, subindo com cuidado.

Quando se encontraram no quarto, Edward segurou o rosto dela com delicadeza.

— Seja o que for que amanhã traga… — disse ele — eu estou com você.

Bella o abraçou com força, sentindo o coração acelerar.

— Promete?

— Eu prometo — respondeu ele sem hesitar. — Por você. Pela nossa família. Pelo futuro que já começou, mesmo que ainda não possamos nomeá-lo em voz alta.

Ela sorriu entre lágrimas.

— Então amanhã… não será apenas um casamento.

— Não — disse Edward, beijando-lhe a testa. — Será um começo.

Lá fora, Londres dormia inquieta.

E, em algum lugar entre segredos e promessas, o destino aguardava o amanhecer.

A madrugada ainda estava escura quando Bella despertou com uma dor lancinante que lhe cortou o ventre como uma lâmina invisível. Não foi o desconforto que a acordou — foi o calor, o peso estranho, a sensação úmida e errada entre as pernas. Ao se mover minimamente na cama, sentiu o lençol encharcado, e o pânico a atingiu antes mesmo que pudesse raciocinar. Tremendo, levou a mão ao próprio corpo e então viu o vermelho. Muito vermelho. Seu coração disparou num desespero mudo.

— Não… não… por favor… — sussurrou para o quarto vazio, a voz fraca, falhando.

Com dificuldade, sentou-se à beira da cama. A tontura veio imediatamente, escurecendo-lhe a visão. Ainda assim, levantou-se, agarrando-se à cabeceira, depois à cômoda, deixando marcas no chão enquanto avançava pelo quarto. Tentou chamar por alguém — pela mãe, pelo pai, por qualquer pessoa — mas a voz não saía como deveria. Era como se o corpo estivesse se desligando aos poucos.

— Mamãe… — foi tudo o que conseguiu murmurar antes que as pernas lhe faltassem.

Bella caiu no corredor, o vestido de dormir branco manchado de sangue, os cabelos colados ao rosto suado. O mundo girou uma última vez antes de tudo desaparecer num silêncio profundo.

Foi apenas ao amanhecer que os criados a encontraram.

O grito ecoou pela casa.

-

Renée entrou em desespero assim que viu a filha sendo carregada às pressas, inconsciente, pálida como porcelana quebrada. Charles não entendia — andava de um lado para o outro, perguntando o que estava acontecendo, exigindo respostas que ninguém conseguia dar. O médico da família foi chamado imediatamente, e a casa que deveria estar em alvoroço de alegria naquela manhã transformou-se num cenário de preces e desespero.

— Ela perdeu muito sangue — disse o médico, sério, enquanto tentava estancar o sangramento. — Precisamos ser rápidos.

Renée caiu de joelhos ao lado da cama.

— Minha filha… meu Deus, minha filha… — repetia, segurando a mão fria de Bella.

Ninguém lembrou de avisar a igreja.

Ninguém lembrou do casamento.

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Enquanto isso, Edward caminhava de um lado para o outro no salão reservado da igreja, o colete já úmido de suor frio. O relógio parecia zombar dele a cada segundo que passava. Os convidados murmuravam, inquietos. Algumas senhoras abanavam-se, outras cochichavam atrás de luvas rendadas.

— Edward, isso é normal — disse Esme, sorrindo com doçura. — Noivas sempre atrasam.

— Você está pálido, meu filho — acrescentou Carlisle, tentando parecer tranquilo. — É apenas nervosismo.

Edward passou a mão pelos cabelos, o coração batendo forte demais.

— Não é isso — murmurou. — Algo está errado. Eu sinto.

— Edward… — tentou Esme.

Mas ele já não ouvia. O suor escorria por sua nuca, o peito apertado, uma sensação sufocante tomando-lhe os sentidos.

A rainha Charlotte, sentada em seu lugar de honra, observava a cena com atenção afiada. Aquilo não era apenas atraso. Havia algo fora do lugar. Discretamente, inclinou-se para um de seus criados.

— Vá até a Mansão Swan — ordenou em voz baixa. — Agora.

Pouco tempo depois, o criado retornou, o rosto sério demais para boas notícias. Ele se aproximou da rainha e sussurrou algo em seu ouvido. Charlotte levou a mão ao peito.

— O quê? — murmurou, alarmada.

Ela levantou-se imediatamente.

— Chamem o doutor Cullen — disse com firmeza. — O casamento está suspenso.

O burburinho foi imediato.

Edward congelou.

— Suspenso? — repetiu, sem compreender.

Carlisle aproximou-se da rainha, que falou rapidamente.

— A senhorita Swan está gravemente doente — disse ela. — Lutando pela vida.

O mundo de Edward desabou.

Carlisle não perdeu tempo. Segurou o braço do filho e de Esme, conduzindo-os rapidamente para fora da igreja, direto para a carruagem.

— O que está acontecendo? — perguntou Edward, a voz trêmula.

Carlisle respirou fundo.

— Bella passou muito mal durante a madrugada. Houve um sangramento intenso.

Esme levou a mão à boca.

— Meu Deus… o bebê… — escapou-lhe, em puro instinto.

O silêncio que se seguiu foi absoluto.

Carlisle virou-se lentamente para ela. Depois, para Edward.

Edward estava em transe.

— Você sabia… — murmurou Carlisle.

— Eu sentia — respondeu Edward, sem emoção na voz. — Eu sempre soube.

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Na Mansão Swan, Renée rezava em voz alta num canto da sala, os olhos inchados, o corpo trêmulo. Charles andava de um lado para o outro, perdido, desesperado.

— Ninguém me explica nada! — exclamava. — Ela ia se casar hoje! O que está acontecendo com a minha filha?

Quando os Cullen chegaram, Renée correu e abraçou Esme com força, como se ambas estivessem se segurando à beira do abismo.

— Por favor — implorou Charles a Carlisle. — Salve minha filha. Eu faço qualquer coisa.

Carlisle assentiu com seriedade.

— Eu farei tudo o que estiver ao meu alcance.

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O sangramento cessara, mas Bella ardia em febre. Seu corpo tremia violentamente, os dentes batiam, o suor encharcava os lençóis. Quando abriu os olhos por um instante e viu Carlisle, tentou falar.

— Me… ajude… — sussurrou, quase inaudível.

Edward entrou no quarto naquele momento e caiu de joelhos ao lado da cama.

— Bella… — disse, a voz quebrada. — Meu amor…

Ela estava tão fraca. Tão distante.

O médico balançou a cabeça.

— O sangramento foi contido, mas a febre não cede. Algo ainda está errado.

Edward puxou o pai para fora do quarto.

— É um aborto incompleto — confessou, a voz baixa, urgente. — Ela estava grávida. Ainda há restos… isso está causando a infecção.

Carlisle fechou os olhos por um segundo.

— Precisamos ser extremamente discretos.

— Eu sei — respondeu Edward. — Por favor… salve ela.

Carlisle chamou Esme e Renée. Charles tentou seguir, mas Edward o conteve.

— Confie em nós — disse, tentando manter a voz firme.

No quarto, entre lágrimas, mãos trêmulas e silêncio pesado, fizeram o que precisava ser feito. Não havia cerimônia, nem palavras bonitas. Apenas a urgência de salvar uma vida.

Quando terminou, a febre começou a baixar.

Mas algo em Bella havia sido arrancado para sempre.

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Dias depois, Edward e Charles entraram no quarto. Bella estava acordada, os olhos vazios, encarando nada.

— Filha… — disse Charles com um sorriso frágil. — Podemos remarcar o casamento. Fazer uma festa ainda maior.

Nenhuma resposta.

— Bella? — insistiu.

Ela não chorava. Não falava. Apenas existia.

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Edward afastou-se de tudo. Pediu que Emmett e Jasper cuidassem dos negócios. Seu lugar era ali.

Naquela manhã de quinta-feira, encontrou Bella à janela.

— Fale comigo — pediu ele, ajoelhando-se ao seu lado. — Ver você assim… está me destruindo.

Ela demorou, mas falou.

— Eu perdi tudo.

Edward segurou suas mãos.

— Nós perdemos — corrigiu. — E nunca vamos esquecer. Mas… ainda há vida. Ainda há nós. E eu estarei aqui. Sempre.

Ela finalmente chorou.

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Pouco depois, Dimitri e Alec chegaram a Londres.

Dimitri, o mais velho, elegante, perigoso, acompanhado de Tânia — linda, provocadora, os olhos demorando demais sobre Edward.

Alec surgiu sorrindo, despreocupado, abraçando Bella com cuidado.

— Você vai ficar bem — disse ele. — Prometo.

Amizades antigas se cruzavam novamente.

Segredos começavam a respirar.

E o luto ainda não havia terminado.

O amor, porém, permanecia — ferido, mas vivo.