The Cullen's
12 Capítulo 13
O domingo nasceu claro demais para uma casa tão carregada de expectativas. A luz do sol atravessava as cortinas da sala de jantar dos Swan, iluminando a mesa posta com cuidado excessivo, como se Renée tentasse compensar, com porcelanas delicadas e flores frescas, a gravidade da conversa que se aproximava. Isabella percebeu isso antes mesmo que qualquer palavra fosse dita. O ar estava diferente — pesado, contido — como se todos soubessem que aquele desjejum não era apenas uma refeição, mas um ponto de virada.
Charles manteve-se em silêncio por alguns minutos, observando a filha por cima da xícara de café. Havia cansaço em seus olhos, mas também preocupação genuína, algo que Bella reconhecia desde a infância. Quando ele finalmente falou, a voz saiu firme, sem rodeios, como sempre fora.
— Esta noite haverá um jantar na casa dos Cullen — disse. — Edward e os pais dele esperam uma resposta.
Renée pousou a mão sobre a de Bella, num gesto de conforto que vinha carregado de tensão.
— Não podemos mais adiar isso — completou. — A cidade observa cada passo seu, minha filha.
Bella respirou fundo. O coração batia acelerado, não por medo, mas por uma urgência antiga de ser honesta.
— E se a resposta for o que vocês não esperam? — perguntou, a voz baixa, porém segura.
Charles recostou-se na cadeira.
— Então restará o convento. É a única maneira de proteger sua reputação… e a nossa.
O silêncio que se seguiu foi espesso. Bella sentiu os olhos arderem, mas não permitiu que as lágrimas caíssem. Endireitou a postura, como se aquele fosse o momento mais importante de sua vida — porque era.
— Eu amo Edward — disse, sem hesitar. — Não como uma jovem tola, não como alguém encantada por títulos ou bailes. Eu o amo porque, com ele, posso pensar, questionar, existir. Não me escondo quando estou ao lado dele.
Renée levou a mão à boca, emocionada.
— Bella…
— Sei que a sociedade prefere moças obedientes e silenciosas — continuou ela —, mas não fui criada para ser vazia. Se me enviarem a um convento, irei com dignidade. Mas saibam que estarão me afastando do único homem que escolhi amar.
Charles fechou os olhos por um instante, como se travasse uma batalha interna. Quando voltou a encará-la, havia algo diferente ali — respeito.
— Você é mais parecida comigo do que imagina — murmurou. — Teimosa até o fim.
Na mansão Cullen, aquela mesma manhã tinha um gosto agridoce. Rosalie repousava no divã da sala de estar, os dedos deslizando distraidamente sobre o próprio ventre, já imperceptível sob o vestido. Alice caminhava pelo cômodo como um pequeno furacão contido, incapaz de se aquietar.
— Ela não veio — Alice disse pela terceira vez. — Bella nunca fica tanto tempo longe.
Rosalie observou a amiga com cuidado. Havia mágoa, sim, mas também maturidade, algo que o casamento e a gravidez lhe haviam trazido cedo demais.
— Quando descobri a verdade, fiquei ferida — confessou. — Mas hoje entendo. Sem os panfletos… sem tudo aquilo… talvez eu nunca tivesse tido coragem de enfrentar meu próprio destino.
Ela sorriu de leve, melancólica.
— Estou feliz, Alice. E isso também é parte da história.
Mais tarde, Edward encontrou Alice sozinha na sala de música. O piano permanecia fechado, como se a casa respeitasse o silêncio dela. Ele se aproximou com cuidado.
— Você parece distante — disse. — Aconteceu algo com a Bella?
Alice demorou a responder.
— Há segredos que não podem ser desditos — falou, por fim. — E quando são revelados, mudam tudo.
Edward franziu o cenho.
— Ela se afastou por sua causa?
— Não exatamente — respondeu Alice, desviando o olhar. — Mas entendo por que ela precisou se afastar.
Ele não insistiu, mas o incômodo permaneceu.
A noite chegou trazendo o jantar mais esperado , e temido, da temporada. Edward não conseguia parar de andar pelo escritório, ignorando completamente a dor ainda presente no ferimento.
— Se continuar assim, vai gastar o tapete antes dos Swan chegarem — Emmett provocou, rindo.
— Ou desmaiar quando ouvir a resposta — Jasper completou.
Edward lançou-lhes um olhar nervoso.
— Isso não é engraçado.
Foi Esme quem surgiu à porta, serena como sempre.
— Eles chegaram.
Edward desceu as escadas com o coração aos saltos. Ao entrar na sala, viu Charles e Renée sorrindo, mas foi Bella quem lhe roubou o ar. Ela estava ali, inteira, linda, presente. Quando seus olhos se encontraram, o mundo pareceu se ajustar ao lugar correto.
O jantar transcorreu entre conversas leves, risos calculados e olhares trocados à distância. Edward mal tocou na comida. Cada segundo parecia eterno.
Após a refeição, enquanto as mulheres seguiam para o jardim iluminado pelas estrelas, Carlisle chamou Charles para um canto mais reservado.
— Imagino que já tenha conversado com sua filha.
Edward prendeu a respiração.
— Sim — respondeu Charles. — E aprovo a união.
O alívio foi tão intenso que quase o fez perder o equilíbrio.
Esme, percebendo tudo, aproximou-se discretamente e colocou nas mãos de Edward uma pequena caixa de veludo azul. Dentro, o anel ancestral dos Cullen reluzia como promessa.
Edward não esperou mais.
No jardim, sob o céu salpicado de estrelas, ele chamou Bella para caminhar alguns passos além das outras mulheres.
— Eu não quero um futuro sem você — disse, a voz firme, carregada de emoção. — Não quero promessas vazias. Quero uma vida real, construída ao seu lado.
Ele se ajoelhou.
— Case-se comigo,Isabella Swan. Seja minha esposa. Seja meu lar.
As lágrimas desceram livres quando ela respondeu:
— Sim. Sempre foi você.
Dias depois, caminhavam pelo parque quando Edward tocou no assunto que o inquietava.
— Alice sofre com sua ausência.
Bella fechou os olhos por um instante.
— Há segredos que não podem ser perdoados com facilidade — disse. — E não cabe a mim revelá-los.
— O que ela escondeu de mim?
— Algo grave demais para eu dizer. — Ela o encarou com honestidade. — Levarei isso comigo até o fim.
Edward apertou sua mão, respeitando o peso daquele silêncio.
E assim, entre promessas feitas à luz do dia e segredos guardados na sombra, o amor deles seguiu adiante, sabendo que nem toda verdade vem à tona sem deixar marcas.
Fale com o autor