The Cullen's
9 Capítulo 10
O tiro não feriu apenas Edward Cullen.
Ele atravessou Londres inteira.
Na manhã seguinte, antes mesmo que o sol dissipasse a névoa sobre as ruas elegantes da cidade, os sussurros já se espalhavam como fogo em tecido seco. Criados cochichavam nos mercados, damas levavam as mãos à boca em choque contido, cavalheiros repetiam a história com versões cada vez mais distorcidas. Um homem fora baleado ao tentar entrar escondido na casa de uma jovem solteira. Um herdeiro. Um Cullen. O nome de Bella Swan surgia sempre ao final, como uma sentença silenciosa.
E, como se o destino tivesse prazer em salgar feridas abertas, o novo panfleto de Lady Whistledown surgiu ainda antes do meio-dia.
“Parece que o amor, quando proibido, torna-se imprudente — e, neste caso, perigosamente barulhento. Um distinto cavalheiro foi recebido não com suspiros na madrugada, mas com pólvora e chumbo. Pergunta-se: o que teria levado um jovem tão respeitável a tamanha ousadia? E mais ainda… o que acontecerá agora à reputação da jovem dama cujo nome todos fingem não pronunciar, mas ninguém esquece?”
O papel circulava de mão em mão, cada frase lida com deleite cruel.
Na mansão Cullen, o clima era de vigília.
Edward permanecia deitado, pálido, mas consciente. Carlisle havia feito o possível, e o impossível, para salvar o filho, mas agora enfrentava algo ainda mais delicado: a sociedade. Esme mal se afastava da porta do quarto, o olhar sempre voltado para o corredor, como se temesse novas invasões, ou más notícias.
Foi no meio da tarde que o improvável aconteceu.
A carruagem real parou diante da mansão Cullen.
O anúncio correu pela casa como um trovão: — A Rainha Charlotte está aqui.
Carlisle sentiu o peso do momento antes mesmo de vê-la atravessar o salão. A rainha entrou com postura impecável, olhar atento, observando cada detalhe, não como visitante, mas como alguém que mede as consequências de cada passo.
— Lord Cullen — disse ela. — Vim ver o jovem que quase morreu por amor. Poucos fariam o mesmo. Menos ainda sobreviveriam.
Edward tentou se erguer, mas ela ergueu a mão. — Fique. Já pagou seu preço.
A rainha aproximou-se da cama, estudando-o com interesse genuíno. — O que fez foi imprudente. Mas também foi honesto. E isso, nesta cidade, é raridade.
Carlisle compreendeu rapidamente: aquela visita não era apenas de cortesia.
— Majestade… — começou ele.
— Eu sei exatamente o que está em jogo — interrompeu ela. — E sei também que, se nada for feito, esta história terminará em tragédia.
Ela então falou do plano. Um plano silencioso, rápido, irreversível. Edward deixaria Londres. Bella desapareceria da vista pública por tempo suficiente para que o escândalo esfriasse. O casamento viria logo depois, anunciado como solução, não como escândalo.
— Às vezes — concluiu a rainha — o amor precisa fugir para sobreviver.
Edward sentiu o coração acelerar. — Eu faço qualquer coisa — disse ele. — Desde que ela esteja segura.
Do lado de fora do quarto, Bella ouvia tudo, o corpo inteiro em tensão. Seu coração batia tão forte que temia ser descoberta.
Mas antes que pudesse reagir, novas vozes ecoaram pelo salão.
Damon Salvatore havia chegado.
Entrou com passos duros, o rosto fechado pela raiva mal contida. Só parou quando viu a figura sentada com tranquilidade absoluta.
— Majestade — disse, rígido.
A presença da rainha cortou qualquer explosão que ele pretendia causar.
— Senhor Salvatore — respondeu Charlotte, fria. — Chegou na hora exata.
Bella, escondida atrás da porta entreaberta, prendeu a respiração.
— O escândalo desta madrugada — continuou a rainha — exige reparação. E honra.
Damon franziu o cenho. — Eu já estava comprometido a resolver isso.
— Estava comprometido com uma jovem que não o ama — retrucou ela. — Enquanto ignora a mulher que carrega o sangue do seu irmão.
O golpe foi certeiro.
— Pela honra de Stefan — declarou a rainha, sem espaço para contestação — você se casará com Elena. O filho que ela espera crescerá com um nome íntegro e uma figura paterna que o prepare para os deveres desta sociedade.
Damon abriu a boca, mas não respondeu. Pela primeira vez, não encontrou palavras.
Nesse instante, passos apressados ecoaram.
Charles Swan acabara de chegar à mansão, o rosto marcado pela preocupação.
— Minha filha desapareceu — disse ele, aflito. — E Londres inteira fala do nome dela como se fosse propriedade pública.
A rainha voltou-se para ele lentamente.
— Então escute bem, Lorde Swan. Para proteger sua filha, sua reputação e sua própria honra… Isabella Swan se casará com Edward Cullen. E será rápido. Muito rápido.
Charles hesitou, mas não ousou desafiar aquele olhar.
— Assim, encerramos esta história — concluiu Charlotte. — Um noivado rompido. Dois casamentos necessários. E uma sociedade satisfeita.
Bella sentiu as pernas fraquejarem.
Não era o conto de fadas que sonhara.
Mas era, finalmente, uma saída.
E enquanto Londres fervilhava com fofocas, julgamentos e especulações, três destinos haviam sido selados naquela sala, não pelo amor apenas, mas pelo peso cruel da coroa.
E nada mais seria como antes.
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