The Conflict Between Love and Hate - (EM REVISÃO)
3 O que você teme?
Notas iniciais
Ela sempre desejou que alguém a fizesse se sentir menos sozinha, porem ela com certeza não diria isso as outras gems. Ela tinha medo de que a achassem fraca, que pensassem que ela não era forte o suficiente.
Por isso ela preferia simplesmente disfarçar e esconder seus sentimentos a ter que encarar a reação das outras à todos esses conflitos emocionais que ela possuía.
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– Pérola eu... estava com insônia, só queria comer alguma coisa pra ver se conseguia dormir, mas aí eu vi você cantando aqui e... — ela parou no meio da frase, já havia feito muito esforço só para pronunciar aquelas poucas palavras, era realmente difícil passar por cima de seu orgulho nessas situações.
– E... ? — perguntou Pérola tentando decifrar a expressão que o rosto da outra exibia, o que se mostrou uma tarefa um tanto difícil já que boa parte do mesmo estava coberto pelo cabelo da arroxeada.
Ametista respirou fundo, tentando unir forças para encerrar a frase.
– Alguma coisa me prendia aqui, eu não conseguia voltar para o templo... então eu pensei que se chegasse perto de você essa sensação passaria, e ai talvez eu conseguisse até mesmo... dormir, que ideia estúpida não é? — começou a rir ironicamente de sua própria frase, porem seus olhos denunciavam a situação desconfortável em que ela se encontrava.
Naquele momento alguma coisa parecia ter quebrado dentro de Pérola.
A ruiva ficou estática, Ametista estava claramente escondendo o que ela realmente sentia de si, e de certa forma isso fazia a maior se sentir um tanto aflita.
– Ametista não confia em mim? — se perguntou mentalmente.
Desfez a expressão estática, e abaixou de leve seu olhar ao chão, enquanto tentava elaborar algo sensato para ela dizer a outra. Se levantou rapidamente da onde estava e começou a dar passos lentos em direção a arroxeada.
Quantos mais Pérola se aproximava, mais a figura de Ametista parecia encolher e a estremecer internamente.
Quando estava a um passo de distância da outra, a mais velha se ajoelhou me frente a arroxeada, fitando-a fixamente.
A menor sentiu suas bochechas esquentarem com a aproximação repentina, porem se manteve imóvel, apenas observando as ações da outra.
Pérola estava procurando a melhor maneira de expressar o que queria a outra, sem consequentemente passar uma ideia errada no processo, porem ela abria e fechava a boca repetidas vezes, desistindo de várias abordagens que elaborava, aquilo estava praticamente preso em sua garganta.
Parecia que seguir uma linha de racionalidade só estava piorando a situação. Com um suspiro falou simplesmente :
– Ametista você tem certeza que é só isso que você tem a me dizer? — Ametista elevou a cabeça um tanto surpresa, ela poderia esperar qualquer coisa, menos que Pérola se preocupasse com essa questão.
– E-e eu — engoliu em seco — tenho certeza... — respondeu insegura, não sabia se contava realmente a verdade, ou se disfarçava até a albina desistir da ideia de convencê-la a dizer a verdade, acabou decidindo por impulso.
Desviou o olhar para o lado, evitando cruzar suas íris diretamente com as de Pérola, talvez por não suportar o olhar da outra tão fixo sobre si, ou talvez fosse apenas por constrangimento. A maior não percebia mas, quanto mais ela insistia em decifrar a expressão da arroxeada mais ela se aproximava da outra gem, de maneira quase involuntária.
– Ametista, você está me escondendo algo, não está? — estreitou os olhos para a seguinte reação da menor, que voltou a fitá-la porem com os olhos levemente dilatados dessa vez.
– O-o quê?! Não! Eu não tenho nada pra esconder de você! — Franziu um pouco a testa, tentando sustentar uma expressão séria, tentativa que fora claramente falha na visão da ruiva, pelo simples fato da menor ter uma obvia insegurança em dizer aquilo e ainda ter quase tropeçado nas próprias palavras.
A arroxeada tentava demonstrar uma falsa indignação pela albina ter pensado aquilo de si.
– Então porque está mentindo pra mim?! — elevou o tom de voz, demonstrando um tanto de drama excessivo na opinião da menor.
Ametista se calou, ela não sabia que isso estava tão evidente, se surpreendeu um pouco por Pérola ter percebido tão rapidamente que ela estava mentindo.
Seus olhos exibiam um brilho tão intenso que Pérola chegava a se perguntar como nunca sua visão fora ofuscada por aqueles olhos. Ametista não percebia mas, olhar aquelas duas íris púrpuras sempre provocava sensações indescritíveis na ruiva, que quase sempre ficava presa a aqueles dois globos arroxeados.
As duas apenas fixaram seus olhares uma na outra, até Ametista quebrar o contato repentinamente, abaixando seu olhar ao chão.
– Me desculpe Pérola — depois de algum tempo em silêncio a arroxeada finalmente se pronunciou — eu não... queria mentir pra você, mas eu... é que eu decidi por impulso, eu não queria te contar toda a verdade... eu não sei direito, mas... acho que estava com medo da sua reação... — Os olhos de Pérola se arregalaram no mesmo momento em que ela ouviu aquilo, não acreditava que Ametista estava realmente dizendo o que sentia para ela.
A gem púrpura sempre foi um tanto fechada com essas questões, ela sempre sustentava uma imagem de alguém forte, que não tem medo de nada, que aceita qualquer desafio que lhe impusessem.
Quando tiveram aquela briga no jardim de infância, Pérola compreendeu que Ametista apenas tentava manter aquela imagem, na realidade ela era um tanto... frágil sentimentalmente... mas ela tentava disfarçar seus sentimentos ao máximo, não deixando que ninguém penetrasse o seu íntimo. Aquela fora uma das poucas vezes em que a arroxeada se abriu com a ruiva.
O que Pérola não compreendeu completamente aquele dia, era por que exatamente Ametista preferia não demonstrar suas emoções para qualquer um. A ruiva cogitou que talvez a mais nova apenas não gostasse que os outros a julgassem por seus sentimentos, mas não parecia apenas isso, sem falar que essa teoria que a albina havia elaborado não batia perfeitamente com o perfil da arroxeada, ela não faria isso apenas para não receber o julgamento dos outros, faria?
De certa forma a ruiva estava começando a compreender os motivos da outra naquele momento.
– Ametista, você tinha medo do quê?
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