The Conflict Between Love and Hate - (EM REVISÃO)
5 Apenas lembranças de um passado esquecido
Notas iniciais
A brisa gélida do inicio de manhã carregava majestosamente seus cabelos ruivos junto de si, enquanto as esferas anis exibiam um brilho estranho e indistinguível em seu entorno, estas observando silenciosamente o tronco decepado do que um dia fora uma cerejeira extremamente bela à sua visão.
Uma cerejeira que sempre lhe trazia lembranças tão nostálgicas e reconfortantes, a fazendo quase sempre relaxar e esquecer o estresse que passava dia-a-dia.
Lembranças que agora lhe faziam extrema falta.
Se aproximou vagarosamente do que restara do tronco daquela árvore, seu olhar imerso entre as milhares de folhas e flores que se perderam pelo chão quando se libertaram dos galhos da antiga cerdeira.
Nunca deveria ter se distraído naquela luta, se não o tivesse feito, poderia ter estado ali para impedir com que seu holograma simplesmente cortasse o tronco daquela cerejeira ao meio, esta que era um dos seus poucos refúgios de meditação.
Sentiu uma torturante vertigem lhe atingir ao se recordar do porque tivera de retornar à sua gem para se refazer da última vez.
Se ajoelhou hesitante sobre a grama que revestia o extenso relevo, o olhar cansado e preocupado se fechando abruptamente.
Inspirou profundamente, tentando acalmar os próprios nervos e abolir a tormenta que lhe afligia a mente há tempos. Talvez, se ao menos conseguisse colocar as ideias no lugar, pudesse ter uma visão melhor daquela situação toda.
Seus pensamentos giravam desconexos em um confuso carrossel de emoções, a deixando atordoada e sem saber o que fazer, ou sequer como agir.
A necessidade de fazer aquilo à tomou por completo.
Mentalizou a figura que Ametista possuía na época em que Greg conhecera a sua mentora, em seguida transportando a menor para o mundo real, projetando um holograma da pequena gem com sua pedra.
Observou por alguns instantes a imagem translúcida da diminuta colega de equipe a sua frente, as feições infantis lhe adornando o rosto emoldurado pela considerável quantidade de madeixas albinas, e o sorriso estampado na face arroxeada levemente corada.
Abriu um singelo sorriso com aquela pequena criatura diante de si, cerrando os olhos levemente em seguida.
Subitamente se recordou de uma cena que permanecera durante muito tempo, escondida nas sombras de sua mente, uma memória que as vezes lhe doía demais relembrar.
Algo que a fazia se perguntar como ela e aquela pequena gem, haviam chegado no ponto em que se encontravam atualmente.
Tão distanciadas uma da outra.
Tão isoladas.
Tão... sozinhas.
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– Ametista!... Ametista! — buscava com o olhar preocupado pelo paradeiro da ´´caçula da família´´ esta que havia desaparecido alguns minutos atrás, acabando a albina por direcionar as íris cerúleas para todas as direções possíveis rapidamente, procurando por algum sinal de que a menor pudesse ter estado por ali.
Cerrou os olhos e suspirou exasperada. Para onde aquela criatura poderia ter ido?
Parou em frente à uma cerejeira extremamente frutífera que ficava no topo de uma pequena colina, ao apurar os sentidos podendo ouvir uma tênue risada vinda do alto da enorme árvore, porém assim que se virou na direção do grandioso tronco da cerdeira, de onde supôs que poderia ter vindo a sonora voz, viu a gem a qual procurava simplesmente saltar de cima dos galhos mais altos, em plena queda livre em sua direção.
Não ouve tempo para se desviar da colega de equipe, somente conseguiu ouvir a outra gritando seu nome antes de lhe atingir em cheio, fazendo ambas caírem no chão, com a menor em cima de si.
– A...me...tista — chamou pausadamente, sentindo a cabeça doer e girar um pouco pela força do impacto, enquanto tentava ordenar os pensamentos e possivelmente reviver os próprios sentidos para distinguir o que havia acabado de acontecer.
– Você.. não deveria ter feito is...- não conseguira encerrar a frase, pois quando elevou gradualmente a face até encontrar o rosto corado da menor frente ao seu, exprimido um pleno sorriso de satisfação por ter obtido êxito em sua brincadeira consigo, se sentiu amolecer por dentro, uma queimação subir em suas bochechas repentinamente, ainda se mantendo com a visão um tanto turva.
– E agora? Você ficou surpresa?! — indagou afoita a gem roxa, na esperança de que dessa vez pudesse ter tido sucesso em surpreender a albina num momento ao qual ela menos esperava receber um ataque.
Pérola abriu um singelo sorriso, um leve curvar de lábios, mas que para os olhares mais atentos não passaria despercebido.
– Conseguiu, Ametista — afagou levemente as madeixas albinas com uma das mãos, enquanto sustentava o peso de ambas com o braço desocupado, buscando apoio no extensivo gramado verde, o mesmo que ocultava as raízes da absurdamente florífera cerejeira, esta que as contornava com sua grandiosa sombra, impedindo em parte a passagem dos raios solares através de si.
– Isso! Agora eu posso aprender a sacar a minha arma?! — perguntou mais uma vez afoita a arroxeada, dessa vez porém, aproveitando um pouco do carinho que a outra lhe proporcionava.
– Hum... quem sabe outro dia talvez, ao menos para você aperfeiçoar esse seu ataque surpresa?- aconselhou calmamente a maior, um olhar terno lhe preenchendo as íris azuladas.
– Outro dia?! Não pode ser hoje?- perguntou entristecida a menor, queria poder aprender logo a lutar com sua arma, para poder enfrentar a albina em uma disputa à altura desta.
A maior lhe segurou pelo tronco depois de alguns instantes, um tanto pensativa, se levantando em seguida vagarosamente. Sendo fim de tarde gostaria ao menos de poder apreciar a bela vista que se formava naquele período do dia, sendo assim não era necessário ter nenhuma pressa em sair dali. Carregou a menor rente ao seu próprio peito, a arroxeada ao perceber a posição a qual a maior lhe carregava logo envolvendo as diminutas pernas em volta do corpo da gem branca, e descansando a cabeça sobre o ombro da mesma, enquanto os braços arroxeados contornavam as costas alheias firmemente.
– Vou pensar no seu caso — respondeu rapidamente a ruiva, pondo-se a caminhar em seguida, se fastando da majestosa cerdeira.
– Isso não é justo — murmurou insatisfeita a gem púrpura, enquanto se aconchegava um pouco mais no colo da outra. Aquilo sempre lhe era inexplicavelmente reconfortante.
– Talvez, mas não se preocupe, acho que Rose é mais experiente em te explicar isso, deveria pedir ajuda à ela — proferiu por fim a albina, depois disso não ouvindo mais nenhum som soar dos lábios da outra, a não ser a respiração compassiva e calma.
´´Eu não quero... a Rose vai estar com aquele cara do cabelão e não vai ter tempo pra mim... eu queria aprender algo com você ao menos uma vez Pérola...´´
E assim se encaminharam em silêncio ao templo do cristal, nenhuma das duas proferindo uma palavra sequer depois disso, e a ruiva permanecendo intrigada com a repentina mudez da gem que carregava junto de si.
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Antes que pudesse perceber, sentiu uma tênue linha de água quente escorrendo por seu rosto lentamente.
Por que diabos se lembrar daquilo a fazia se sentir daquela maneira?
Ignorando completamente a sua própria linha de raciocínio, se aproximou do holograma de Ametista que projetara em um ato impulsivo, se unindo a ela em um abraço que procurava dizimar a angustia que lhe apoderava o espírito, porém aquilo não durando muito tempo, já que rapidamente aquela projeção mental se desfez, se dissipando em milhões de partículas no ambiente, deixando a gem branca apenas abraçando a si mesma.
Abaixou o olhar, desejando que aquele chão pudesse simplesmente ceder sob seus pés.
Por que tudo aquilo teve de acontecer? Por que aquele tipo de memória possuía tamanho impacto sobre si?
De certa forma, talvez estivesse finalmente compreendendo o que a gem arroxeada lhe dissera anteriormente.
´´ENTÃO POR QUE VOCÊ NUNCA MAIS DEMONSTROU ISSO?! ´´
´´ENTÃO POR QUE VOCÊ NUNCA MAIS DEMONSTROU ISSO?!´´
´´ENTÃO POR QUE VOCÊ NUNCA MAIS DEMONSTROU ISSO?!´´
Se sentia horrível por dentro, a voz da menor lhe tomando os pensamentos completamente.
Queria poder cessar aquela dor que se apoderava aos poucos de todo o seu corpo. Claro, se soubesse a causa daquilo talvez pudesse agir de acordo, mas não o sabia.
Não poderia, não deveria se render daquela maneira à um sentimento humano, suas responsabilidades e mentalidades falavam mais alto.
Tentou se recompôr diante de tal pensamento, se levantando ainda com os braços levemente cruzados, como que abraçando a si mesma, numa tentativa de diminuir a tremedeira que por pouco não lhe abatia.
Se aproximou do tronco caído do que um dia fora uma cerejeira generosamente frutífera, levando em seguida uma das mãos até o que restara da grandiosa árvore, lhe tocando a madeira já um tanto morta, cerrando os olhos com força.
Desde que Rose se fora, sua vida passara a se basear exclusivamente e somente nas preocupações e obrigações que possuía, as quais na verdade sempre giravam em torno de: manter o legado da grande salvadora da terra, poder proteger o planeta que ela tanto lutou para salvar e criar o filho que ela incondicionalmente se sacrificou para poder conceber.
Afinal, nada mais importava agora, não é?
Talvez não percebesse, mas toda a atenção que um dia ela dedicou a uma certa arroxeada, agora ela dedicava para o filho de sua mentora.
E isso feria a menor mais do que um dia ela mesma já imaginara.
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– AAAAAAAHHHHHHHHHH — Bradou para o nada em particular, enquanto lançava mais um objeto que encontrara próximo de si contra nenhum ponto específico de seu próprio quarto, fazendo uso do máximo de força que conseguia reunir no momento.
Já fazia longos minutos que ela se encontrava naquela situação, descontando sua raiva em tudo o que encontrava ao seu redor, completamente exasperada e com ódio lhe corroendo como um verdadeiro veneno por dentro. Porém, de repente, em um instante qualquer, sentira suas forças se exilarem de si subitamente, fato provavelmente decorrente da discussão que tivera com a colega de equipe novamente voltar a lhe assobrar a mente, o olhar confuso da outra, implorando por uma explicação de sua parte, exibido como um verdadeiro filme em frente aos seus olhos. Levou as duas mãos a cabeça em sinal de dor.
Caminhou vagarosamente até encontrar uma beliche um tanto velha e desgastada à alguns metros de distância de si, logo em seguida sentando sobre a cama de baixo do móvel de dois andares, este que a gem roxa possuía desde o primeiro dia em que sentira a necessidade de adormecer — algo um tanto incomum para as outras integrantes de sua espécie -, a dupla de camas acopladas se localizando em meio aos entulhos de seu próprio dormitório.
Seu rosto abaixado em direção ao chão, estando a gem púrpura um tanto imersa nos próprios pensamentos. Logo, a mesma dobrou os joelhos sobre o pequeno colchão, envolvendo os braços arroxeados nos mesmos vagarosamente, escondendo a face um tanto corada entre as pernas, se remoendo internamente por não ter se controlado quando o pôde fazer.
– Droga, Pérola...! — resmungou com a voz já embargada pelo choro novamente.
Lágrimas. Somente o som delas se se chocando contra a superfície se misturavam com seus soluços quase inaudíveis e arfadas urgentes.
Realmente odiava aquele tipo de situação.
Não se recordava desde quando passara a ter esse tipo de relação com a maior. Possuía apenas uma vaga lembrança da brusca e repentina mudança de convivência que se estabelecera entre elas.
Em um momento, a albina se encontrava cuidando de si e lhe protegendo como alguém que realmente se importava consigo, e de repente no outro, quando percebeu, ambas já estavam discutindo por qualquer motivo banal diariamente, qualquer empecilho se tornando motivo de discórdia entre as distintas gems.
Se virou para o lado na pequena cama, as gotas de água translúcidas que agora lhe emolduravam os olhos arroxeados, manchando o colchão ao qual repousava impiedosamente.
Permaneceu ali naquela mesma posição durante muito tempo, até finalmente conseguir adormecer, completamente exausta, tanto pelo cansaço físico que lhe abatia desde o momento em que passara a descontar sua raiva em tudo o que encontrava à seu redor, quando pelo seu próprio abatimento mental. Fizera tamanho esforço em processar toda aquela situação e, ao final, não achou uma única saída ou resposta para os conflitos que lhe torturavam há tempos.
Por que tudo não podia simplesmente voltar a ser como era antes?
Não... por que Rose teve de ir embora?
Por que ela teve de conhecer Greg?
Jamais culparia Steven por sua mentora ter abandonado a forma física. Mas, teria sido realmente diferente se a líder de uma rebelião contra as gems de seu próprio planeta natal, nunca tivesse´´abandonado´´ aquelas que a consideravam como uma verdadeira mentora, apenas para conceber um filho?
Deveria parar de ter esse tipo de pensamento, agora nunca teria a resposta daquela questão de qualquer maneira, não adiantaria de nada se questionar por aquilo.
Deveria parar de pensar de forma tão egoísta.
Deveria parar de agir daquela maneira quando ninguém a estava observando.
Mas, no que isso ajudaria? Afinal, só lhe restava agora o lamento como companheiro nessas horas.
E ela deveria lamentar.
Se lamentar por tudo de ruim que aconteceu e até hoje acontece ao seu redor.
Se lamentar por sentir a necessidade de possuir alguém que tivesse a capacidade de lhe compreender verdadeiramente, e não ter esse direito.
Se lamentar pela ´´morte´´ de sua mentora, e pelo fato de nunca mais poder ver-lá novamente.
Se lamentar... por ter perdido Pérola tão facilmente.
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