Notas iniciais
Olá pessoal! Desculpe a demora para trazer esse capítulo e também me desculpe por ser curtinho, mas achei que para a construção do conteúdo faria mais sentido dessa forma. Espero que gostem.

Minerva McGonagall removeu os óculos do rosto e esfregou os olhos cansados. Ser professora era o trabalho que sempre quis exercer, mas era exaustivo e muitas vezes incluía noites mal dormidas pelo acúmulo de trabalho que tinha em sua mesa.

Eram redações e trabalhos que precisavam ser corrigidos, fora obrigações administrativas como Diretora da Casa de Grifinória e Vice-Diretora de Hogwarts. Vez ou outra, Minerva precisava de uma xícara fumegante de chá e biscoitos, mas em outras ocasiões, como aquela específica, Minerva precisava de algo mais forte.

Puxando sua gaveta, a escocesa tirou um copo e uma garrafa de uísque que havia ganhado no último natal de um de seus irmãos. Era um uísque rústico e de origem duvidosa, uma parte dela até acreditava que era uma amostra do alambique clandestino que seu irmão tinha construído no porão da casa que vivia, mas o sabor era fascinante e Minerva era uma escocesa raiz.

Quando o ponteiro do relógio indicou que era uma da manhã, o som da lareira de seu gabinete a chamou atenção. Levantando-se, Minerva puxou o roupão para mais perto do corpo e passou o laço na cintura.

Da lareira, uma mulher ruiva, usando roupas trouxas e com a feição bastante assustada.

— Lily. — cumprimentou-a. — Obrigada por ter vindo tão depressa.

— Onde. Está. Meu. Filho?

Ela não estava assustada, observou Minerva. Estava furiosa.

—x-

Lily não tinha a intenção de perder a cabeça. Ela era normalmente muito calma e no controle de suas próprias emoções, mas naquele momento mal podia raciocinar.

Era isso. Ela tiraria Harry de Hogwarts definitivamente.

— Ele tem catorze anos! — Lily gritou. — Ele não pode competir. O nome dele não deveria ser considerado pelo Cálice de Fogo.

— Eu concordo, embora não tenha ainda conhecimento de como o nome de Harry foi parar no utensílio, o Cálice ainda assim acreditou que Harry tinha a aptidão e a capacidade para participar do torneio. — o professor Dumbledore disse. — É um contrato, Lily. A partir do momento que o aluno coloca seu nome no Cálice, ele está assumindo o risco.

Andando pelo gabinete do diretor, Lily balançou a cabeça negativamente. Aquilo era errado. Não permitiria que Harry competisse.

— Ele pode morrer! — Lily gritou.

— Ele pode ter vários outros problemas se recusar a participar do torneio. — Dumbledore lembrou. — Harry terá que participar.

Apontando o dedo para o diretor, Lily disse vagarosamente:

— Não se atreva. Eu o respeito, eu o tenho em grande estima, mas não se atreva a dizer a mim o que fazer com meu filho. O senhor tem passado panos quentes para as coisas que acontecem aqui, minimizando os impactos e eu tenho feito vista grossa para o fato que um professor atacou meu filho quando ele tinha 11 anos, fora o absoluto desastre do último ano letivo em que Harry foi perseguido por dementadores e completamente exposto a um assassino!

Dumbledore silenciou. Era bom que ele soubesse que aquela mulher precisava desabafar, porque Lily sentia que estava fazendo um péssimo trabalho como mãe.

Céus. O que faria?

Se fosse verdade que Harry teria que responder a um processo, que ele poderia perder a varinha e passar um tempo em Azkaban...

Os olhos verdes de Lily se encheram de lágrimas. Ela respirou fundo, as mãos na cintura e jogando a cabeça para trás na tentativa de interromper o pranto. Era como se tivesse ficado engasgada nos últimos anos e tivesse, de repente, despejado tudo sobre o professor.

— De fato. — Dumbledore concordou. — Receio que os últimos anos de Harry em Hogwarts não tenham sido muito ortodoxos.

Lily riu amargamente.

— Você pode usar essa palavra, se quiser.

— Entretanto, você sabe quem Harry é e que ele está destinado a coisas extraordinárias. — o diretor respondeu de maneira breve, um brilho diferente cruzando os olhos atrás de óculos meia-lua. — Harry é, de fato, um menino especial.

— Não. — Lily contradisse. — Ele é só um menino que foi pego num fogo cruzado. Voldemort só o escolheu e pronto.

A solidariedade desapareceu do rosto do diretor. Ele contemplou a viúva de cabelos escarlate e indagou:

— Lily, querida, você acha que fingir que a profecia não existe vai fazer com que ela não seja real?

A mulher fechou os olhos com força.

— Eu sei que não vai, mas... mas eu nunca acreditei nessas bobagens.

— Você acha que seu marido realizou um ritual de magia ancestral para manter o filho de vocês a salvo por uma bobagem?

— James sempre foi pagão. — murmurou Lily.

— Oh querida. Você bem queria que isso tudo fosse apenas paganismo.

—x-

Assim que Lily entrou no gabinete da vice-diretora da Grifinória, ela não conseguiu mais segurar o choro.

O sentimento de ter falhado sempre a assolava. Ela não podia acreditar na situação insustentável que Harry estava envolvido, o pior de tudo aquilo é que não havia nada que estivesse em seu poder para ser feito.

— Ele tem catorze anos! — Lily chorou. — Eles não se atreveriam a jogá-lo em Azkaban. Barty... Barty precisa ter um pouco de bom senso. Eu irei falar com ele.

— Aqui, minha querida. — Minerva falou empurrando uma xícara de chá na direção da galesa. — Encontraremos uma saída, eu prometo. Aquele velho teimoso as vezes se deixa impressionar muito facilmente pelas habilidades de seu filho.

Com as mãos trêmulas, Lily levou a xícara de chá até os lábios.

O que James pensava de tudo aquilo, Lily se perguntou, será que ele a desprezava por ser incapaz de manter o filho deles a salvo?

— Sinto que o sacrifício de meu esposo foi completamente em vão se eu mal posso manter nosso menino longe de problemas. — Lily desabafou.

Minerva jogou uma manta sobre seus ombros e se sentou ao seu lado no sofá que estava estrategicamente posicionado em frente a lareira que agora queimava com um fogo acolhedor.

— Não seja tola, Lily. Harry não faz o menor esforço para evitar que os problemas o encontre. — Minerva repreendeu-a. — Ele é muito parecido com James neste aspecto. Harry tem, naturalmente, um espírito livre e indomável. É loucura você acreditar que pode mantê-lo em rédea curta.

Os olhos verdes inchados de Lily se encheram de mais lágrimas.

— Ele é só um menino, Minerva. Eu sei que ninguém o vê como um menino, mas ele é meu filho. Ele é o filho de James. Harry ainda bebe leite morno antes de dormir, sabia? E ele precisa dormir de meias, porque não consegue tolerar o frio nos pés. — Lily contou. — Tudo que eu queria era proteger meu filho. Meu esposo morreu e antes disso, ele me deu instruções para pegar Harry e desaparecer.

Lembrar da voz de James a gritando aquilo, fez Lily sentir que o chá não havia descido muito bem.

— Você ainda pode fazer isso, Lily. — Minerva disse em tom baixo, dando tapinhas consoladores na mão dela. — Pegue seu filho e vá embora.

— Ele precisa competir. — Lily fungou. — Vão jogá-lo em Azkaban, irão lhe quebrar a varinha e tirá-lo os poderes.

— Ao inferno com isso! Não vão jogar um menino em Azkaban porque ele não está preparado para competir. Além disso, você é trouxa! Você sabe como viver sem a varinha. Certamente, Harry vai preferir uma vida assim a ter que passar o resto dos dias em Azkaban ou, pior, morto.

— Eu acho isso bastante difícil de acreditar, Minerva. — Lily suspirou, com os olhos fechados. — Eu vou escrever para Barty. Talvez ele possa abrir uma exceção.

Minerva suspirou e balançou a cabeça negativamente.

Ela era uma mulher prática, então não conseguia entender a dificuldade das pessoas em enxergarem as situações com praticidade e trabalhar daquela maneira, com as armas que possuíam.

— Se ele não concordar, e me desculpe desanimá-la, mas Barty Crouch não é um homem muito razoável. — Minerva suspirou. — O que você vai fazer?

Lily deu de ombros.

— Preparar meu filho para sobreviver, é claro.