Notas iniciais
Eu sei que também sumi aqui, mas estou voltando aos poucos e atualizando todas as histórias. The Collateral Beauty é muito importante para mim, acreditem! É um capítulo muito curtinho, mas queria postar alguma coisa para marcar o retorno da história. Espero que gostem.

Lily não foi embora.

Ela dormiu no sofá dos aposentos de Minerva e perto do fogo, mas assim que o dia amanheceu, Lily se ajeitou e colocou uma capa sobre os ombros para ir tomar café da manhã no Salão Principal.

Ela precisava falar com Harry.

Em passos rápidos, misturava-se entre os estudantes, mas era evidente para todos que não era um deles. Eles a olhavam com curiosidade por um breve instante, mas logo a identificavam dos jornais e revistas do mundo bruxo.

Juntar-se a uma família com o sobrenome como aquele, Potter, tinha seus lados positivos e negativos. Lily descobriu que os Potter eram pessoas amáveis, generosas e cuidavam uns dos outros, mas também descobriu que eles tinham o péssimo hábito de ser o centro das atenções por onde iam.

Potters eram celebridades. Eles não eram aristocratas como Malfoys. Havia sempre um grande interesse em tudo que envolvia aquele sobrenome, desde os produtos de cabelo, a grande fortuna construída, a nascida-trouxa que havia se casado com o único herdeiro e o filho deles, que havia sobrevivido a uma maldição da morte.

Lily estava começando a se sentir impaciente, quando escutou.

— Sra. Potter!

Olhando sobre o ombro, viu Hermione se apressar em sua direção. Ela tinha um grande sorriso.

Lily a recebeu de braços abertos, beijando-a nas bochechas e comentando sobre o quanto ela havia crescido.

— É impressão sua, certamente. — Hermione contradisse modestamente, ficando com as bochechas vermelhas.

— Não. Não. Você está se tornando uma bela menina. — Lily insistiu. — Hermione, eu agradeço por você ter entrado em contato comigo tão prontamente. Você teve oportunidade de falar com meu filho?

Hermione fez uma careta e esclareceu que Harry estava evitando as pessoas, que ele e Ron haviam tido uma discussão e estavam em maus termos.

— Ron só está sendo cabeça-dura. Ele não acredita que Harry não tenha colocado seu nome no Cálice de Fogo.

— E você? — indagou Lily. — Acha que ele não colocou? Nem mesmo de brincadeira?

— É claro que não. — Hermione negou enfaticamente, seus cachos balançando. — Harry estava mais que assustado ontem. Fora que eu assisti de perto vários estudantes muito mais avançados que nós, como Fred e George, tentarem burlar os encantamentos que colocaram no Cálice de Fogo. Não funcionou! Harry nem sequer estava preocupado com isso.

Lily aceitou o argumento da melhor amiga de seu filho e respirou mais aliviada. Uma parte dela temia que Harry, ainda que de brincadeira, tivesse colocado seu nome no objeto.

Olhando ao redor, percebeu que Hogwarts estava ocupada por estudantes que usavam trajes diferentes. Haviam meninos e meninas usando uniformes azul claro, de seda, e que pareciam estar um pouco desconfortáveis com a baixa temperatura do outono escocês. Ao mesmo tempo, também havia ali rapazes com corte de cabelo militar e moças com o cabelo preso em coques, usando meia calça, sapatos fechados, vestes pesadas e rostos menos amigáveis.

— São os alunos de Durmstrang e Beauxbetons. — informou Hermione, baixinho. — Eles chegaram há uma semana.

Um dos rapazes de Durmstrang passou por eles e cumprimentou Hermione. A garota ficou completamente sem jeito e Lily sorriu, mantendo o semblante baixo, para evitar de constranger a menina.

— Faz ideia de onde posso encontrar meu filho? — insistiu Lily.

— Gostaria de poder ajudá-la, mas... oh! Olhe, é ele! Está chegando com o professor Moody.

Franzindo o cenho, Lily olhou na direção das grandes portas do salão principal e identificou Harry. Ele conversava silenciosamente com o ex-auror, Alastor Moody, este vinha mancando com dificuldade e uma mão sobre o ombro de seu filho.

Lily o conhecia, claro. Ela não era exatamente íntima do homem, mesmo quando os dois trabalharam juntos na Ordem da Fênix há tantos anos.

Assim que Harry a viu, ele se despediu do ex-auror e Hermione também disse que os deixaria a sós. Lily sorriu para ela, ainda agradecida, enquanto seu filho ia em sua direção.

Surpreendendo-a, Harry abraçou-a.

— Bem... — Lily suspirou, contra os cabelos bagunçados do menino. — Isto foi um pouco inesperado. O que acha de darmos uma volta?

—x-

O silêncio de Harry e a verdadeira preocupação em seus olhos informou a Lily que não, ele não havia feito aquilo. Nem mesmo de brincadeira.

Enquanto os dois caminhavam pelos jardins de Hogwarts, Harry desabafava sobre o medo que estava sentindo, sobre como se sentia traído e enraivecido porque Ronald não acreditava nele e todos achavam que estava atrás da glória eterna.

— Querem que nós demos entrevistas. — Harry guinchou. — Eu não vou falar com ninguém. Não mesmo. Odeio repórteres, odeio câmeras.

Pensando consigo mesma, Lily percebeu o quanto naquilo Harry e ela eram parecidos. Nenhum deles sabia lidar muito bem com a fama que tinham.

— Acho que a menor das preocupações que temos agora são entrevistas. — Lily falou pacientemente, os dois se sentaram no gramado e contemplaram o lago onde a Lula Gigante estava. — Eu vou hoje mesmo ao Ministério da Magia e vou tentar falar com Barty Crouch.

— O Sr. Crouch estava aqui. — Harry informou-a. — Ele não vai permitir que eu abandone o torneio. É um contrato mágico.

— Ainda assim. Eu vou tentar. — Lily falou obstinadamente. — Por fim, se não houver opção, terei que encontrar alguém para prepará-lo.

Lupin instantaneamente a veio à cabeça. Tentaria localizar o lobisomem, de forma que este regressasse a Inglaterra para ajudar seu filho no torneio.

Logo pensou em Sirius também. Deveria tentar entrar em contato com ele antes que Sirius descobrisse por outros meios que Harry estava num torneio letal.

— Bem. — Lily suspirou. — Você deveria entrar. Não quero que perca o segundo tempo.

Harry acenou com a cabeça.

Com a mochila nas costas, Harry abraçou-a uma última vez.

— Você confia em mim? — Lily perguntou baixinho. — Você acredita em mim quando eu digo que daremos um jeito?

— É claro, mãe. — Harry riu. — Você é uma grande bruxa.

Sorrindo, Lily bagunçou os cabelos naturalmente despenteados. Com um tapinha amigável no traseiro, ela o recomendou uma última vez que ficasse longe de problemas e fosse para a aula.

Viu o filho retornar para o castelo, mas não se moveu. Ficou ali por mais tempo, contemplando o lago, a lula gigante e deixando as memórias tomarem conta de seus pensamentos.

—x-

Sirius foi acordado pelo patrono de uma corça, no meio da noite, na floresta que Bicuço e ele haviam acampado no meio da Albânia.

Estava exausto. Se não fosse o chamado insistente de seu nome ou Bicuço do lado de fora, reagindo a luz exorbitante do patrono, não teria acordado para receber a mensagem de Lily.

— Sirius, por favor, eu preciso que retorne o mais rápido possível para a Inglaterra. Não me importa o que esteja fazendo. Largue tudo e retorne.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Bjs
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.