The Climb - Scorose
8 capítulo 7
Capítulo 7: O Passado que Nos Persegue
Scorpius caminhou pelos corredores do Ministério, as portas do elevador se fechando atrás de si. Cada passo que dava parecia pesar mais e mais, o peso das palavras de Rose ainda ecoando em sua mente. Ele nunca imaginou que aquele encontro a faria reviver tantas memórias, tão dolorosas quanto doces.
Mas o que mais o consumia, o que mais o fazia questionar suas próprias decisões, era a forma como ela o havia olhado. Aquela mesma expressão que ele conhecia tão bem, como se algo ainda estivesse ali, entre eles, escondido sob a superfície. O que mais o perturbava, no entanto, era o quanto ele sentia falta disso.
Era estranho pensar em Rose dessa forma, depois de tanto tempo. O último ano em Hogwarts, a briga sem fim, os desentendimentos... E, depois, o silêncio. A ausência dela se arrastava pela sua vida como uma sombra, um lembrete constante de tudo o que não foi dito, tudo o que foi deixado para trás.
Ele não queria admitir, mas ainda sentia a falta dela. E talvez, de alguma forma, isso explicasse o seu comportamento impulsivo durante a conversa.
Quando chegou à sua mesa no Ministério, Scorpius tentou se concentrar nas pilhas de papéis e relatórios à sua frente. Mas sua mente continuava a vagar, os olhos se afastando da sua tarefa e indo em direção à janela. A tarde estava se estendendo, e o céu de Londres começava a tingir-se de laranja e roxo. Ele se perguntava se ela também estaria pensando nele naquele momento.
Foi quando Alvo apareceu na porta de sua sala, com uma expressão preocupada e uma carranca no rosto.
— Scorpius, precisamos conversar.
O loiro suspirou, ainda imerso em seus próprios pensamentos. Ele não queria mais brigar com Rose, nem com Alvo. Ele sabia que as coisas precisavam mudar, mas não sabia como.
— Eu sei. Eu já imagino o que você vai dizer — Scorpius respondeu, sem fazer questão de olhar para o amigo.
Albus entrou na sala, fechando a porta atrás de si. Ele se sentou na cadeira à frente de Scorpius, mas o loiro ainda não lhe dava atenção.
— Você ainda está pensando nela, não é? — Alvo disse, de forma direta, sem rodeios. Ele sabia como Scorpius era. Ele era bom em esconder seus sentimentos, mas Albus sempre soubera quando algo estava errado.
Scorpius finalmente levantou os olhos e olhou para o amigo. Ele não respondeu de imediato, como se estivesse pesando as palavras.
— Não sei o que você quer que eu diga, Alvo — ele começou, a voz abafada. — Eu... Eu não sei o que aconteceu entre nós. Ou o que deveria ter acontecido. O fato é que ela está de volta e tudo o que eu sinto agora é confusão.
Alvo o observou com um olhar que misturava compreensão e preocupação.
— O que eu sei, Scorpius, é que você nunca realmente superou a Rose. E você precisa falar com ela sobre isso, ou então vai continuar se torturando.
Scorpius mordeu o lábio, a frustração crescendo dentro de si. Ele queria responder, mas as palavras não saíam.
— Eu não sei como. Depois de tudo o que aconteceu, de como tudo acabou... — Scorpius parou e respirou fundo. — Talvez eu nunca tenha entendido o que nós dois fomos de verdade.
Alvo ficou em silêncio por um momento, antes de se levantar e colocar a mão no ombro de Scorpius.
— Vocês dois precisam de um tempo. Vocês precisam resolver isso, mesmo que demore. Mas uma coisa é certa, Scorpius... Se você não tentar, vai se arrepender.
Scorpius olhou para o amigo e, pela primeira vez naquele dia, um sorriso triste se formou em seus lábios.
— Eu sei. Eu sei... E talvez seja hora de encarar isso de frente.
A conversa se arrastou até o final da tarde, mas, por mais que Scorpius tentasse se concentrar no que Alvo dizia, sua mente permanecia com a ruiva. O que ela pensava dele? O que ela sentia agora? E o que ele deveria fazer para, finalmente, enfrentar o que havia ficado entre eles?
Quando a reunião chegou ao fim, Scorpius sabia que não podia mais fugir. Ele precisava falar com Rose. Não importa o que acontecesse.
Com esses pensamentos em mente, ele se levantou, recolheu os papéis e se preparou para encarar o que estava por vir. O que ele não sabia era que, no final das contas, seria um encontro inesperado que mudaria tudo.
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Rose estava sozinha, as palavras de Scorpius ainda reverberando em sua mente. Ela não conseguia parar de pensar no olhar dele, na raiva contida em sua voz, na maneira como ele parecia ter deixado tudo para trás, como se fosse tão fácil para ele seguir em frente.
Ela passou uma mão pelos cabelos, tentando respirar fundo, mas o ar parecia denso demais, como se toda a tensão da conversa estivesse presa em seus pulmões. Ela odiava que ele tivesse esse efeito sobre ela. E odiava ainda mais que, no fundo, soubesse que ele tinha razão.
Por anos, ela se convenceu de que não sentia nada por ele. De que o que aconteceu entre eles era parte do passado e que suas feridas estavam cicatrizadas. Mas agora, depois de vê-lo novamente, tudo parecia desmoronar em um turbilhão de emoções. Ela odiava que ele ainda tivesse esse poder sobre ela, que o simples fato de estar na mesma sala que ele fosse o suficiente para fazer seu coração acelerar.
Aquela briga... Aquela discussão no final da reunião, a raiva de ambos, as palavras afiadas trocadas entre eles. Parecia o mesmo de sempre. Eles sempre se enfrentaram com intensidade, com um desejo quase irracional de provar um ponto. Mas havia algo diferente naquela troca. Algo que Rose não conseguia identificar, mas que a incomodava profundamente. Talvez fosse o fato de que, no fundo, ela sabia que ele também estava lutando contra os mesmos sentimentos que ela.
Ela estava cansada, sentindo os músculos tensionados e o corpo exausto, como se tivesse corrido uma maratona emocional. Por um momento, considerou a ideia de sair dali, se esconder em algum lugar e simplesmente esquecer que tudo aquilo estava acontecendo. Mas sabia que não seria possível. Ela não podia fugir mais.
Com passos firmes, ela deixou a sala e caminhou pelos corredores do Ministério, as paredes pareciam se fechar ao seu redor, uma sensação de claustrofobia tomando conta de si. Ela odiava esse sentimento. O passado estava de volta, e não importava o quanto tentasse negar, ele estava ali, à sua frente, com o rosto de Scorpius estampado em sua mente.
Quando chegou ao elevador, ela apertou o botão e entrou, a porta se fechando atrás de si. Ela olhou para o reflexo no espelho, observando a expressão cansada em seu rosto. Estava claro que a guerra interna entre o que ela queria e o que ela temia havia começado novamente. Ela sabia que precisava lidar com isso, que precisava enfrentar suas próprias emoções antes que algo ainda pior acontecesse.
Ela pensou em Lily. O que sua prima diria se soubesse o que estava acontecendo? Ela sabia que Lily queria que ela resolvesse as coisas com Scorpius, mas Rose temia que, ao fazer isso, acabaria se entregando de novo. O medo de se machucar novamente, de deixar-se envolver de novo, era real. Ela sabia o que ele significava para ela. E, por mais que tentasse resistir, a verdade era que não conseguia tirar aquele loiro dos seus pensamentos.
O elevador chegou ao andar de seu destino, e Rose saiu, indo em direção ao seu escritório. Ela ainda estava tentando reunir os pedaços de sua mente e colocá-los em ordem, mas tudo parecia um caos.
Ela se sentou na sua mesa, olhando para os papéis espalhados diante de si, mas não conseguia se concentrar em nada. Os números, os relatórios, as evidências... nada fazia sentido. Sua mente estava ocupada demais com as palavras de Scorpius, com os gestos dele, com aquela briga. Ela sabia que algo precisava mudar, mas não sabia por onde começar.
"Maldito sorriso... Maldito sorriso..." Ela murmurou para si mesma, lembrando-se do olhar dele antes de sair da sala. O jeito que ele sorria como se fosse tão simples, como se o tempo não tivesse passado, como se nada tivesse acontecido entre eles.
Ela queria odiá-lo. Queria, de verdade, odiá-lo por tudo o que ele representava em sua vida, por tudo o que ele a forçou a enfrentar. Mas o problema era que ela não conseguia. Ela ainda o amava. E isso a assustava.
— O que você vai fazer agora, Rose? — ela murmurou, olhando para as mãos que estavam firmemente apoiadas sobre a mesa. — Você vai continuar correndo de tudo, ou vai encarar de frente o que está acontecendo aqui?
Ela sabia a resposta. Ela tinha que confrontar seus próprios sentimentos. Não podia viver para sempre fugindo do que sentia, mesmo que isso significasse abrir um buraco em seu coração. O que ela mais temia era se entregar novamente e se ver no mesmo lugar que antes, com o coração partido e a sensação de que tinha cometido o maior erro da sua vida.
Mas a vida era feita de escolhas. E Rose sabia que, no fim das contas, ela teria que fazer a sua.
Ela levantou a cabeça, respirando fundo. Não seria fácil, mas talvez fosse a única maneira de finalmente encontrar a paz que tanto desejava. Ela não poderia continuar ignorando o que sentia, porque, ao fazer isso, estava apenas se enganando.
— Eu vou enfrentá-lo — murmurou para si mesma, mais uma vez. — Eu vou enfrentar tudo isso.
E assim, com um novo senso de determinação, Rose se levantou e se preparou para dar o próximo passo.
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