Capítulo 9: Entre o Passado e o Futuro

Rose acordou cedo no dia seguinte, mais uma vez com a mente cheia de pensamentos e preocupações. O encontro de ontem com Scorpius ainda estava fresco em sua mente, como uma chama incandescente que parecia não se apagar. Ela tentou se convencer de que precisava deixar tudo para trás, focar no trabalho e nas responsabilidades que tinha, mas era impossível ignorar o quanto o loiro a afetava.

Ela se levantou da cama e caminhou até a janela do pequeno apartamento que o Ministério da Magia americano tinha designado a ela em Londres. A vista do alto do prédio mostrava a cidade despertando, as ruas lotadas de pessoas apressadas indo e vindo, mas Rose se sentia sozinha e confusa, ainda imersa em seus pensamentos. Não por muito tempo, porém, pois, três segundos depois, uma criaturinha loira invadiu a sala do apartamento aos risos.

— Mamãe, não deixa a tia Lily me pegar, ela quer fazer aquele penteado horrível de novo! — exclamou a menina, tentando se esconder atrás da mãe.

— É isso, Rose? Sua filha cresceu e ficou ingrata! Ela sempre gostou do cabelo de bailarina que eu fazia nela! — Lily exclamou, revirando os olhos enquanto aparecia na sala com uma escova na mão. — Nossa, sua cara está péssima, você não dormiu essa noite?

— Vamos, Lily, você é péssima com penteados... Vem, filha, vou fazer uma trança em você. — Rose se sentou no sofá e começou a trançar os cabelos da filha enquanto Lily a observava com uma sobrancelha erguida.

— Vai ignorar a minha pergunta? Suas olheiras estão enormes...

— Não estou te ignorando... Meu dia ontem foi exaustivo, mas vou pegar o ritmo. — Rose disse, tentando disfarçar o cansaço em sua voz.

— Certo. Bom, a tia Hermione e o tio Ron adoraram ver a Mel ontem. Vou levá-la lá novamente enquanto você está no Ministério. Devia aparecer lá depois do expediente. A tia Hermione não parava de perguntar sobre você.

Rose olhou para Lily pensativa, mas assentiu. Também sentia falta dos pais. Uma das coisas mais difíceis para ela ao ir embora foi deixar sua família para trás. Ela os amava mais do que poderia expressar em palavras, mas, depois dos recentes acontecimentos, sentia que não fazia mais parte daquilo. Sentia-se uma decepção para seus pais, que sempre tiveram grandes expectativas para a filha mais velha.

— Vou tentar aparecer lá mais tarde — disse, tentando disfarçar o turbilhão de emoções que a dominava. — Também sinto falta deles.

Lily a observou em silêncio por um momento, a expressão suavizando.

— Eles sentem sua falta, Rose. E você sabe disso. Não devia ter se afastado tanto assim da nossa familia, todos te amam.

Rose não respondeu. Era difícil explicar o que sentia. O peso das expectativas que ela sentia vindo de sua família, somado às suas próprias inseguranças, criava um abismo dentro dela. Ela não queria decepcioná-los, mas ao mesmo tempo sentia que não era mais a mesma pessoa.

Lily suspirou e deu um passo para trás, antes de pegar a filha no colo e se preparar para sair.

— Vou levar a Mel, então. Não se esqueça de cuidar de você. E, por favor, tente não se perder tanto nesse trabalho, Rose, ou em certos loiros de olhos acinzentados... Você precisa de um equilíbrio.

-De quem está falando,tia Lily? — perguntou a garotinha assim que a mãe terminou de trançar seu cabelo, ela estava curiosa.

-ah ninguem relevante, querida. agora vamos, acho que a vovó moly fez uma torta de abobora todinha pra gente.

Rose sorriu levemente, e após melanie se despedir com um beijo em sua bochecha, observou Lily partir com sua filha.

As palavras de Lily ficaram ecoando em sua mente. Ela sabia que não podia continuar se afastando das pessoas que amava, mas havia tanto para processar. O encontro com Scorpius, as inseguranças sobre seu futuro, e a culpa por ter deixado tudo para trás... Era demais para uma pessoa só.

Rose se levantou, pronta para ir ao Ministério. Ela sabia que precisaria resolver as questões pendentes em sua vida, mas, por agora, tinha algo importante a fazer. E, como sempre, o trabalho estava esperando por ela.

Quando chegou, encontrou Albus na sala de reuniões. Ele estava já envolvido nos papéis, trabalhando como sempre, mas parecia mais tenso do que o normal. Rose não podia deixar de notar a expressão preocupada no rosto do primo, mas ele não parecia disposto a falar sobre isso.

— Bom dia, Rose — disse ele, sorrindo brevemente, mas sem a energia usual. — Preparada para mais um dia de trabalho? Ou quer dar um tempo e ir ver como estão as coisas com o nosso querido amigo Malfoy? a discussão de ontem foi bem pesada...

Ela não respondeu de imediato, apenas se sentou ao lado dele, concentrando-se nas pilhas de documentos que precisavam ser organizados e analisados. O caso estava cada vez mais complicado, e Rose sentia a pressão aumentar. Mas o que mais a incomodava era a presença de Scorpius, que estava por ali também, esperando que ela trabalhasse com ele, mas sem saber como lidar com os sentimentos que estavam latentes entre os dois.

De repente, a porta da sala se abriu e Scorpius entrou, sua presença tão imponente quanto sempre. Rose não pode evitar o olhar fixo em sua figura alta e imponente. Ele parecia calmo, mas havia algo em seus olhos que denunciava que ele estava tão nervoso quanto ela.

— Vamos começar, então — disse ele, pegando os papéis sobre a mesa e começando a espalhá-los para que todos pudessem ver. — Como vocês sabem, o caso ficou mais complexo depois da morte do meu avô. Precisamos entender a conexão entre as mortes que ocorreram no Reino Unido e nos Estados Unidos. E tentar provar a teoria de que meu avô tenha tido algo a ver com isso, o que eu duvido.

— Eu não entendo — disse ela, quebrando o silêncio. — Como podemos confiar em você com qualquer coisa relacionada a Lúcio Malfoy? ele é seu avô afinal, nunca conseguiria se imparcial. E bem, ele nunca demonstrou arrependimento pelos erros do passado. E agora, com a sua morte, e as provaveis evidencias fica claro que ele tem sim algo haver.

— Isso é o que precisamos descobrir — respondeu Scorpius, sua voz séria e controlada. — Precisamos de provas. Não podemos deixar que o nome da minha família seja associado a mais assassinatos sem que tenhamos uma explicação. Não vou deixar que meu avô seja lembrado como alguém que teve esse tipo de envolvimento, se ele realmente for inocente. E sobre a minha atuação no caso. weasley, tera que reclamar com o próprio Harry Potter, ele me colocou nesse caso.

A fala dele foi como um golpe no coração de Rose. Ela sabia o quanto isso afetava Scorpius, o quanto ele tentava se desvencilhar do peso do legado dos Malfoy. Ela também sabia que ele estava se esforçando para encontrar a verdade, para honrar a memória de quem ele realmente era, e não o que a sociedade o via ser. Era algo que ela entendia perfeitamente.

O silêncio entre eles foi quebrado por Albus, que parecia tentar aliviar a tensão crescente na sala.

— Vamos trabalhar juntos para descobrir a verdade, como sempre fizemos — disse ele, sorrindo levemente. — Eu sei que vocês têm uma história complicada, mas estamos aqui para resolver isso, não para complicar ainda mais.

Rose assentiu, mas sua mente ainda estava longe. Ela sabia que, mais do que resolver o caso, ela teria que enfrentar os próprios sentimentos, aqueles que ela tentou esconder por tanto tempo. Scorpius estava de volta à sua vida, era o pai de sua filha, e não importava o quanto ela tentasse evitar, o passado deles estava pronto para ser revivido. E, no fundo, Rose sabia que isso significava que algo mais também precisaria ser resolvido — algo muito maior do que um caso envolvendo mortes e mistérios.


Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.