The Change In The Game
38 That's when I knew you were the one.
Notas iniciais
Todos na sala estavam surpresos e sem reações. Até que Booth despertou, saiu da sala, indo atrás dela. Ninguém iria fazer isso, somente ele. Nem mesmo Angela tinha o jeito, as palavras certas. Somente Booth.
Saindo do departamento, a viu metros a sua frente. Sentada em uma calçada, um pouco longe dos carros. Tendo uma visão privilegiada de boa parte dos cassinos da cidade do pecado.
Andou devagar até a mesma, não querendo assustá-la ou tirá-la do transe que havia entrado.
– Eu sinto muito. – Falou, sentando ao seu lado.
– Não há o que sentir. Aquele corpo... Aquele corpo não é o do meu pai. – Insistira fortemente, olhando para frente.
Booth a olhou carinhosamente.
– Você e eu sabemos que aquele homem é o Max. Você pode não admitir, não querer aceitar, mas fatos são fatos. – Falou baixo, o mais calmo que conseguiu.
Brennan insistira em olhar para frente, sem responder a Booth. Calou-se como talvez nunca fizesse. Estava concentrada ou queria parecer assim. Não piscava e não mostrava nenhum sentimento. Não chorara, segurara fortemente.
Booth entendeu isso. Queria ficar sozinha, tinha todo o direito. Deveria se organizar, repensar e depois voltar a fazer o que sabia de melhor. Poderia levar um pouco de tempo.
Assim então, ele decidiu levantar-se.
– Por quê? – Perguntou Brennnan, quando o viu que ele estava no caminho de volta ao departamento. – Por que o seu Deus não o salvou?
– Não tem um por que Bones. Religião não se funciona desse jeito. – Respondeu, voltando e sentando ao seu lado.
– Deveria. – Reclamou. – Ele não fez mal as pessoas que não mereciam — Eu cresci sonhando em encontrá-lo, ingenuamente pensando que ele estava vivo em algum lugar. Depois de adulta percebi que isso era impossível, era uma morte aceitável. E então ele reaparece na minha vida. Eu resisti, eu confesso. Porém eu estava cedendo da minha maneira. Eu estava disposta a ter o relacionamento que não tive na infância. Eu estava disposta a ter um pai.
O seu rosto estava vermelho. Seus olhos queimavam, as lágrimas desciam e ela deixava, sem se importar. Estava na frente de Booth, não na frente de um estranho. Poderia ser ela mesma. Não precisava mais se cobrir com uma máscara de uma pessoa forte, decidida e anti social.
– Eu entendo o que você está sentindo. Eu sei como é esse vazio. – Falou, a olhando. – Eu não tive um pai, aquele cara não era o meu pai. As lembranças que eu tinha dele são péssimas. Batendo em minha mãe, em mim e tentando até mesmo no meu irmão, que eu sempre tentava proteger. Eu rezava todas as noites que ele morresse da pior forma possível, pois achava que ele merecia tudo de ruim que poderia acontecer. E antes de perceber estava tomado de ódio e rancor.
E quando isso aconteceu não me trouxe qualquer satisfação. Só um vazio. Mas isso passou, porque eu mudei. E eu não quero que você guarde esse tipo de sentimento pelo Max, mesmo que ele a tenha feito sofrer.
Brennan se virou para ele. Os olhos de ambos se encontraram. Ele passava a mão em seu rosto, limpando as lágrimas que ainda cairam.
– Eu sei o que você está sentindo e eu sei também que passará. Eu vou te ajudar, mesmo que você não queira. Eu estarei com você, como sempre estive Bones.
Sorriu, parecendo confiante. Aproximou-se dela, beijando a sua testa. Entrelaçou o seu braço em volta de seu ombro, a puxando para ele. Acariciava o seu cabelo, devagar.
Ela continuava chorando sobre Booth, molhando o seu paletó. Mas ele não se importava, apenas cuidava dela. Mostrava confiança. Ficaram assim por um longo tempo.
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