The Change In The Game
53 Perdendo um, perdendo dois.
Notas iniciais
Dois dias depois.
Já era segunda, o último dia de Eddie com a Lindsey. Isso trazia um certo conforto a Catherine
Ela estava em uma cafeteiria perto do departamento, sozinha até então.
- Ei. – Disse Booth com um copo de café na mão, sentando-se de frente para ela. – Como você está?
- Bem. – Respondeu, tomando o seu café.
Catherine encarava a vista de Las Vegas, como se não houvesse ninguém na mesma mesa que ela.
- Eu não sou Brennan e nem o Gil. Então, eu vou repetir a pergunta: Como você está? – Insistia.
Ela virou-se para ele colocando o copo de café na mesa.
- Preocupada com a audiência. Com medo de perder a minha filha – Respondeu, o olhando diretamente.
- Não precisa. Lindsey volta hoje e depois de amanhã, ela vai escolher ficar com você.
- Será? – Questionou.
Booth se assustou com a dúvida de Catherine, mas mesmo assim, continou.
- Eu tenho certeza que sim. – Sorriu. – Eddie não pode reverter 15 anos em três dias e meio.
Catherine abaixou a cabeça, sorrindo. Logo em seguida, voltou a olhá-lo.
- Você não o conhece como eu. – Disse. – Ele deve ter levado-a a ótimos lugares, os quais que eu nunca tive tempo.
“Sua mãe já te trouxe aqui? Acredito que não. Ela nunca tem tempo para ninguém, só para o seu trabalho.” – Ela falou. – É assim que ele faz. Ele manipula as pessoas, as coisas, ao seu favor. Ele sabe como eu sou, pior, ele sabe os meus erros e meus pontos fracos. Então, ele brinca com isso. Sendo verdade ou não.
- Talvez eu não o conheça como você, porém eu sei que a Lindsey não é uma criança. Ela não vai se deixar levar com provocações contra você ou passeios turísticos pela cidade. E você sabe o por quê? Ela te ama e é completamente grata a tudo que você fez todos esses anos, por ela. – Ele falou, tentando dar mais confiança à ela.
- Só em pensar que eu poderia acabar com tudo isso em um estalar de dedos. – Sussurrou.
- Você pode fazer isso? – Perguntou surpreso. – Como?
- Eu tenho um segredo, que se eu revelar, Eddie perde total direito de lutar pela guarda da Lindsey.
- Então o conte! – Exclamou.
Catherine o olhou, com uma afeição chateada.
- Eu não posso. Lindsey vai me odiar pelo resto da vida. Alias, ela não será a única...
Booth a olhava confuso. O que poderia ser tão bom e tão grave ao mesmo tempo?
- Qual é esse segredo tão absurdo? – Questionou.
Catherine ficou calada. Olhou no corredor ao lado da mesa onde eles estavam sentados e logo virou-se para Booth novamente.
- Eddie não é o pai dela... É o Gil. – Sussurrou.
Booth esbugalhou os olhos, tentando digerir essa informação.
- Gil... Gil? – Perguntou.
Catherine apenas balançou a cabeça, positivamente.
- Ele sabe disso?
- Claro! E ele deixou a filha dele ir para a casa do cara que ele mais odeia no mundo. – Falou sendo sarcástica.
- Quem mais sabe disso? – Perguntou.
- Ninguém. Só eu e você. – Respondeu. – E eu espero que você não comente isso com ninguém, nem mesmo com a Brennan.
- Você não vai contar ao Gil?
- Não. Eu não posso estragar tudo novamente. Ele vai me odiar para sempre, por ter escondido isso dele.
- Ele vai te odiar se você não contar! Ele tem o direito de saber, ele tem o direito de ficar perto da filha dele. – Retrucou.
- Booth, não! – Falou, com a voz mais firme.
Ele a olhou, não convencido. Mas, não iria falar nada, não iria trair a sua confiança dessa forma.
- Como... Como isso aconteceu? – Perguntou. – Eu pensei que CSI’s não poderiam ter um relacionamento amoroso. Ainda mais quando é chefe e subordinado.
- Foi antes de eu começar a trabalhar no departamento. – Respondeu.
- Como voce o conheceu, então?
- Eu trabalhava como dançarina. Eu me lembro de está dançando e o vê entrando na boate e me olhando como nenhum homem jamais havia me olhado. Não era um olhar desejoso, mas ele estava congelado diante a mim. – Sorriu, lembrando-se. – Era o seu primeiro caso. E ele me interrogou, já que eu era amiga da vitima. Como eu disse, ele me via de uma forma diferente. Nós ficamos amigos, depois que eu deixei escapar que queria ser como ele, que estava estudando para isso.
Então, depois que finalizou as investigações, ele ia sempre a boate para me ver. Ele me ajudava a estudar e me preparava contando como era a sua profissão. – Comentou. – Nunca ultrapassamos a margem da nossa amizade, não naquela época. Acho que ambos tinham medo.
Ele era tão tímido e legal, que chegava a ser inocente. Eu não queria estragar tudo e ele também não. Talvez pensasse que eu era demais para ele.
Então, em meio a esse flerte, eu conheci o Eddie. Ele era totalmente o oposto de Gil. Era uma genuína sensação de perigo do qual eu gostava de sentir. E aquela amizade que eu não queria estragar, foi se despedaçando dia após dia.Eu via Gil com raridade e era somente para estudar, não mais conversas ou brincadeiras. Ele não falava, mas estava chateado comigo por eu está com Eddie e eu realmente não me importava com isso.
Não demorou muito, Eddie quis levar o nosso relacionamento a um outro nível, se é que você me entende. E eu não. Eu tinha medo, não estava preparada para isso, no fundo eu sabia que ele não era o cara certo para mim. Esse foi o motivo da nossa primeira grande briga.
Eu fiquei tão triste e desconsolada, que eu não sabia para onde correr há não ser que fosse para a casa de Gil. Eu só queria conversar, desabafar e ele me fazer sentir melhor com as palavras doces que saiam de sua boca. Mas, não foi bem assim que aconteceu. Pela primeira vez, eu não o via apenas como o meu amigo, meu melhor amigo, mas o via como um homem. Um homem que toda mulher de verdade desejaria e se sentiria totalmente atraída.
Eu pulei em seus braços sem pensar. Entreguei-me a ele por inteiro, pela primeira vez. E olhando para trás, foi à melhor coisa que eu já fiz.
- Vocês foram amantes? – Perguntou Booth, tão curioso quanto uma criança.
- Só por uma noite. – Sorriu, olhando-o nos olhos. – Foi tudo tão rápido, quente e especial. – Relembrava. – Até a manhã seguinte, quando a realidade voltou e eu fui embora, sem ao menos, me despedir.
Fui embora atrás do Eddie, como eu era estúpida! – Exclamou. – Disse ao Gil que a noite passada não havia significado nada, que eu estava apenas vunerável e era capaz de beijar qualquer um que me desse um pouco de atenção. Que tudo havia sido um erro ao qual deveríamos esquecer e jamais trazer a tona.
Por fim, na mesma noite, para salvar o meu relacionamento, eu dormi com o Eddie.
- Então, você preferiu o perigoso, que trairia facilmente ao seguro, que sempre esteve lá para você? – Questionou, tentando entendê-la.
- Eu era ambiciosa, não queria ficar dançando para homens nojentos a minha vida toda. Eu tinha um objetivo e o seguia sem cessar. Porém, também, era uma jovem garota que queria diversão. Fui burra ao pensar que era única para o Eddie, mas eu não me afastava, pois era apaixonada pelo o que ele me proporcionava, pelo o que ele me fazia sentir em sua companhia. Já com Gil, eu não sentia esse fogo correndo pela as minhas veias, essa tal adrenalina. Porque ele me fazia sentir-me adulta, uma mulher completa, especial de alguma forma. Porque para ele sim, eu era a única.
Booth a encarava, ansioso pela continuação.
- Hoje, eu sei a escolha certa. Porém, há 15 anos, era como escolher entre o nerd e o capitão do time de futebol. Bom, eu fui uma cheerleader no Ensino Médio. – Sorriu de lado.
- Você só se esqueceu que o nerd evolui e o capitão nunca muda.
- Nunca esqueci, só ignorei. – Disse. – Ignorei até virar um problema, que quando eu quis concertar, já era tarde demais porque dois de nós 3 tinhamos muito a perder.
Booth abaixou a cabeça, ficando em silêncio. Tentava encontrar as melhores palavras.
- Eu te entendo. – Voltou a olhá-lá. – Sim, eu entendo o seu medo em perder o amor da Linds e a confiança do Grissom. Mas, você precisa contar a ele. Você deve isso à ele. – Falara firme, tentando entrar em sua cabeça. – Pois, enquanto você se divertia, ele te esperava. Quando você se magoava, ele cuidava de você. Você foi, é e sempre será a única para ele. Ele te fez uma mulher completa, uma pessoa melhor. E eu sei que ele fará de tudo para que você e a Lindsey se sintam especial enquanto estiverem em sua companhia.
- Você é muito sentimental para um cara. – Comentou.
Ele sorriu, levantando em seguida.
- Você já foi egoísta demais. – Encostou a mão em seu ombro. – Pense no que eu te disse, Cath. – Sussurrou, colocando as mãos no meu bolso, saindo da cafeteiria em seguida.
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