The Change In The Game
54 "Desculpas". Você sabe o que elas significam?
Notas iniciais
Depois dessa longa e reveladora conversa, Catherine voltou ao departamento, logo atrás de Booth.
Havia se trancado em sua sala com a desculpa de relatórios atrasados. Não se deixara incomodar por ninguém, nem mesmo por Grissom.
Estava aflita só por olhar uma foto dele, que estava em sua mesa. As suas lágrimas eram resultados da sua consciência pesada.
Como contar algo tão importante sem deixar as duas pessoas mais importantes da sua vida furiosas? Pensava cada vez mais, porém não encontrara uma solução.
Ficara o dia todo assim. Séria, pensativo, evitando contato com todos da equipe.
Esse comportamento estranho e tão não típico dela, já era notado enquanto dirigia o seu carro, acompanhada de Gil. Indo em direção a sua casa.
- Não há mais nada o que fazer quanto ao caso de Max. Só temos que esperar e ter sorte ao encontrar essa mulher. – Disse Gil.
Catherine não respondeu. Na verdade, não sequer escutado uma palavra dele.
- Catherine, você está bem? – Questionou, preocupado.
- Sim, eu estou. – Mentiu.
Ele até insistiria, porém achava que todo esse silêncio era devido a sua preocupação com Linds. Mal sabia o quão errado estava.
- Lindsey não achará estranho eu na sua casa em uma nossa que, supostamente, deveria ser uma coisa mãe e filha? – Perguntou.
- Não. Ela ficará muito feliz. – Respondeu. – Ela gosta muito de você.
Gil sorriu alegre.
- Quando devemos contar à ela sobre nós? – Perguntou, olhando-a.
- Quando você quiser. – Disse, o olhando rapidamente.
Logo chegaram à frente da sua casa. Viraram o carro à direita, pondo-o na garagem.
- Você tem certeza que está bem? – Perguntou novamente ao entrar na casa junto com ela. – Você ficou calada o dia inteiro.
- Eu só estou um pouco preocupada com o dia de amanhã. – Disfarçou, passando a sua frente e indo em direção a sala.
Gil a seguia.
- Eu posso te fazer sentir melhor. – Massageou os seus ombros, fazendo-a ceder-se aos seus carinhosos toques.
A virou, olhando-a nos olhos. Acariciava o seu rosto, beijando-a em seguida.
Devagar, ele a encostava ao sofá, intensificando o beijo. Descia a sua boca para o seu pescoço, quando ela o parou.
- Não. – Sussurrou, o empurrando.
Ele a olhou confuso, sem entender a sua atitude.
- Tem algo entre nós, que faz com que fiquemos juntos. – Comentou, fazendo-o ficar ainda mais confuso. — Eu... Eu preciso te contar uma coisa. – Disse, andando para o centro da sala.
- O que? – Perguntou
- Você se lembra da nossa primeira noite juntos?
- Como eu poderia esquecer? – Sorriu. – Foi a melhor noite da minha vida, seguida pelo o pior dia. Primeira vez que você foi embora, preferiu o Eddie à mim e agiu como se nada tivesse acontecido, como se estivesse tudo bem entre nós.
- Desculpe-me por isso.
- Não precisa se desculpar. O Eddie não tem absolutamente nada, ele é refém da sua própria mediucridade. Já eu, eu tenho você e estou ganhando o carinho da filha dele. – Continuava com o sorriso nos lábios, aproximando-se dela.
- Filha dele... – Sussurrou.
- O que? – Ele perguntou, olhando-a.
Catherine se distanciou, virando-se a ele
- Eddie não é o pai da Lindsey. – Falou, olhando para o chão. – Ela não foi fruto do meu casamento. Na verdade, ela foi a maior surpresa da minha vida, uma gravidez inesperada, que eu pensei na pequena hipótese de abortar, por não está preparada. E fruto de uma única e primeira noite de amor... Com você.
Virou-se, o olhando.
- Ela é a sua filha, Gil. Ela é a nossa filha.
Gil caiu no sofá, surpreso.
- Por que você não me disse isso antes? – Questionou.
- É Catherine, por que você não nos disse isso antes? – Ouvia-se uma terceira voz na sala.
Era Lindsey. Ela estava encostada na parede, encarando os dois.
Antes que algo pudesse ser dito, a menina correu em direção a porta dos fundos, por onde também tinha entrado.
Catherine olhou para Gil e o mesmo não reagiu. Queria terminar de contar à ele, se explicar, se desculpar. Porém, preferiu correr atrás de Lindsey.
Andando até o parque, que ficava à um quarteirão da casa de Catherine, ela avistou Lindsey de longe.
A menina estava sentada no balanço, onde o balançava bem devagar.
Catherine se aproximou dela, sentando-se no balanço ao seu lado.
- Desculpe-me. Não era para você ter descoberto daquela maneira. Eu iria te contar com mais cuidado. – Sussurrou
Linds ficou calada por alguns segundos. Não a ignorava, porém não dizia nada.
- Eu estou tão cheia das suas desculpas. – Respondeu, arrastando o seu pé na areia do parque.
Olhou para Catherine e logo encarou o chão.
- Não é mais como você esquecer algo relacionado a mim, me trazer aqui, comprar um sorvete e gastar 30 minutos do seu precioso e ocupado tempo e tudo ficará bem novamente entre nós duas.
Catherine a encarava, silenciosa. Era uma pessoa com o gênio forte, a personalidade completa. E a sua filha não poderia ser diferente.
- Eu não sou mais aquela garota que você poderia enganar, manipular ou seja lá o que for. Eu estou me transformando em uma mulher, Catherine. Porém, você não teve tempo para perceber esse fato. – Olhou-a. – E não há sorvete no mundo que me fará te perdoar por não contar á mim quem era o meu pai. Não há tempo o suficiente que irá me convencer aos seus motivos por ter feito tal coisa. – Continuou. – Portanto, não gaste saliva tentando se explicar a mim, pois eu não quero te escutar. Vai embora, somente isso. Deixe-me sozinha e esqueça-me onde estou. Creio que não será nada difícil para você. – Falou, olhando-a nos olhos.
Sem medo, sem pausas. Séria e com tal frieza que assustara Catherine.
Não tinha o que fazer. Sem poder convencê-la, ela levantou-se do balanço e simplesmente foi caminhou para longe da menina.
Olhou para trás, porém percebeu que ela não a olhava mais. Ignorava a sua existência, como se não fosse nada.
Com isso, ela continuou, caminhando em direção a rua. Com o coração aperto, deixando algumas lágrimas rolarem pelo seu rosto.
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